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Blog da Garoa

As águas voltaram ao cotidiano dos paulistanos e de seus vizinhos. Com elas, que deveriam ser prenúncio de vida, de criação, de alegria, chega a fria constatação de que nossa engenharia urbana mais uma vez fracassou. Na administração das coisas públicas, meses e meses após o mesmo quadro ter sido visto na cidade, resta o “lamento” pela força da natureza. Óh, céus, por que nos fustigam!!!!

E segue o barco. O noticiário conta os corpos de vítimas das enchentes, dos deslizamentos de terra. Novos dramáticos episódios de gente que morre na capital mais rica do País por causa de… chuva!

 É uma lástima – que se repete. São Paulo e seu povo merecem realidade melhor. Mas parece que vamos, mais uma vez, passar dias e dias, talvez até abril, a lembrar da morte – em vez de celebrar a vida em São Paulo. Uma pena.

Nota atualizada

As enchentes espalham tragédia também no Rio de Janeiro. Centenas de mortes.  É dura a vida! Também lá é quadro terrível que se repete. E os administradores públicos visitam morros e prometem verbas. Até quando?

Leiam entrevista do jornalista Jamil Chade sobre o assunto. Aqui

(atualizado às 18h45 de sexta-feira, 14/01)

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13.março.2010 12:16:45

Fotos de água passadas

Os dias deste março têm sido abertos, quentes, e a temporada de chuvas fortes e enchentes parece ter amainado, dando uma trégua à cidade. Felizmente! Os últimos três meses foram bem preocupantes, com as águas provocando mortes e atrapalhando a vida em São Paulo. Guga Romano, leitor e comentador do blog, amante das fotos antigas da cidade, enviou imagens de enchentes passadas na cidade. Veja abaixo:

Marginal do Tietê, 1960 foto

Anhangabaú, 1963 . Reprodução

 Av. 9 de Julho, 1963 . Reprodução

 Av. Cruzeiro do Sul, 1957 . Reprodução

 Rua Teixeira Leite, 1957. Reprodução

 Vale do Anhangabaú, 1967 . Reprodução

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01.fevereiro.2010 19:26:22

Pimenta no olho dos outros…

Sempre que se toca no problema das enxurradas na cidade de São Paulo, ainda mais graves quando se tornam assassinas, há diversos comentaristas que se manifestam (com a licença do mestre João Ubaldo, que gosta da palavra) espinafrando a Situação de agora, que, por sua vez, quando era Oposição, espinafrava a Situação de antes. E por aí vai.

Mas, notem, o drama não é novo e o que se pretende aqui nesse Blog é olhar o problema na perspectiva da história. A cidade já teve administradores de diversas cores políticas e ideológicas. Já experimentou. Para não compararmos bichos diferentes, fiquemos somente com o período mais recente, com prefeitos escolhidos por voto. De Jânio (1986) para cá, passaram Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pita, Marta Suplicy, José Serra e, agora, Gilberto Kassab.  Mas o problema das chuvas permanece — e mudando a vida de muita gente para pior.

Foto (reprodução) de enchente de 1957 em SP

Foto (reprodução) de enchente de 1958 em SP

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A tragédia das águas em São Paulo e arredores vem de longa data. Os moradores da cidade e de sua região metropolitana parecem condenados para sempre à ineficiência da administração pública. E não dá nem para dizer que quem está no governo, seja ele local, estadual ou federal, e que tem o poder de manejar os orçamentos, é gente que nunca viu água suja na altura do peito dentro de casa e que, portanto, nada fará mesmo porque não conhece de perto o cheiro da urina dos ratos e nunca ouviu de madrugada os estalos do barranco forçando a parede dos fundos.

Outro dia, depois de assistir o filme de Fábio Barreto sobre a vida do presidente Lula, no “Lula, o filho do Brasil”, lançado no começo do mês, voltei ao livro de Denise Paraná para relembrar histórias da saga da família em São Paulo.

Há lá relatos que parecem muito com esses que hoje afligem tanta gente na periferia da metrópole: o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teve a casa da família alagada quando era jovem, junto com seus irmãos e a mãe, dona Lindu. Há no filme de Barreto uma cena que retrata isso. E nos depoimentos do livro de Denise há muito mais detalhes.

Mas parece que não adianta mesmo. Nem com um presidente da República que já acordou à noite com a água pelo pescoço essa barbaridade se resolve. Vai continuar mesmo morrendo gente.

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Cidade incomodada com trânsito, assustada com os desabamentos matando mais gente, só desta vez pelo menos 5 pessoas mortas por soterramentos na região metropolitana, outro tanto desaparecido logo cedo da manhã após uma chuva fortíssima na madrugada, uma situação muito difícil. São Paulo sempre conviveu com as enchentes, desde os tempos de vila colonial, com as águas do Tamanduateí e outros córregos sendo retratadas nas belas telas de Benedito Calixto, de 1892, ou pelas fotos de 1958, na Rua da Cantareira ou, ainda, no que ficou conhecido como “Piscina” do Adhemar.

Cena da Inundação na Várzea do Carmo, de Benedito Calixto

Reprodução: Inundação na Várzea do Carmo (Benedito Calixto)

Enchente de 1958: Piscina do Adhemar, no Anhangabaú

Piscina do Adhemar, no Anhangabaú, em 1958 (Reprodução)

Mas de uns anos para cá a situação ficou muito pior. O volume de pessoas atingidas e a gravidade dos efeitos das águas, que requisitam espaço para se espraiar, foram multiplicados quando mais e mais pessoas se aproximaram de suas áreas de domínio. Obviamente que faltou planejamento e o poder público fracassou. Não só não conseguiu evitar que a população ocupasse as beiradas perigosas de morros como não consegue oferecer solução de engenharia para acomodar no seio da terra a água caída do céu.

Há muito tempo que o rio não é do rio. Pelo mundo, a engenharia doma as águas.

Lamentavelmente São Paulo já está acostumada com as desculpas dos administradores públicos, que se sucedem na cadeira do poder sem apresentar soluções para o problema. Toda vez é uma discurseira sobre as bombas de túneis que não funcionaram, que estão vindo não se sabe bem de onde e indo também não se sabe bem para qual cruzamento submerso. É a mesma ladainha. Uma ladainha cantada, cada vez mais, sobre cadáveres. E sobre milhões de contribuintes que têm o dia corrompido pela ineficiência do serviço público.

E o cidadão morga horas no trânsito ou anda a pé por quilômetros e perde o dia de trabalho. Os hospitais sofrem, as empresas perdem, as abóboras bóiam no Ceagesp e a cidade para para ver descer a água e surgir o barro, a sujeira, o caos. E, vejam, ainda estamos em janeiro, aliás, na semana dos 456 anos da cidade, que se completam no dia 25.

E a temporada das águas de março ainda nem começou.

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10.dezembro.2009 14:52:35

E 140 anos depois…

Olhando aqui, com o amigo Milton Pazzi Jr, um apreciador das imagens da cidade antiga, o belo livro de Pedro Corrêa do Lago Iconografia Paulistana do Século 19,  encontrei cena conhecida dos paulistanos nos últimos dias: uma enchente. Exceto a cartola do remador, o resto é hoje bem familiar para muita gente. Nem parece que se passaram 140 anos. A ilustração é de 24 de fevereiro de 1867.

Ilustração de Angelo Agostini no jornal Cabrião, 1867

Ilustração de Angelo Agostini no jornal Cabrião, 1867

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