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Blog da Garoa

O primeiro debate do segundo turno em São Paulo não teve um ganhador disparado, aquele candidato que põe o adversário na lona, que expõe claramente as deficiências do outro, que mostra que é bem melhor, vence por nocaute. Não foi isso que aconteceu no debate da Band na noite de quinta-feira. Mas o encontro entre Fernando Haddad (PT), que lidera no Ibope com 49%, e José Serra (PSDB), que tem 33%, teve sim um perdedor.

Serra perdeu a oportunidade de expor as fragilidades políticas de Haddad. Deixou de traduzir claramente para o eleitor da periferia, onde precisa crescer, o que significa exatamente o escândalo de corrupção do PT que o Supremo Tribunal Federal está julgando. O PT nunca esteve tão vulnerável diante de um dos pilares da vida pública, a retidão, a ética, o combate à corrupção. Se isso não é sopa no mel para um debate político eleitoral, o que mais pode ser? Imaginemos a situação invertida. No passado, com muito menos munição do que isso o PT fez estragos eleitorais poderosos na tropa tucana.

O mensalão deu de mão beijada ao candidato do PSDB dias e dias de marketing negativo do adversário. A expectativa agora no confronto direto dos dois projetos de governo era que Serra transformasse a maré de escândalos de Delúbio, José Dirceu e Genoino em tsunami da roubalheira e ataque aos cofres públicos nacionais, inclusive com reflexos em São Paulo. Manchetes de jornais, longos programas de televisão em horário nobre e coberturas intensivas de rádios mostraram ao Brasil, exatamente durante a campanha, a maneira de operar de membros do partido de Haddad, gente muito ligada à cidade. Mas Serra praticamente não tocou no assunto.

Equivocado, aceitou a esperteza do petista que logo de saída propôs um debate “de alto nível” no campo dos problemas de São Paulo. É claro que a equipe de Haddad sabe que ele é menos preparado do que Serra. E o marqueteiro João Santana operou Serra. O tucano caiu na armadilha como um pato. Inebriado com o próprio desempenho de homem público, entrou por um caminho de divulgação de obras no qual o imaginário do eleitor está muito nublado pelos problemas do dia a dia e, portanto, no qual ele tem mais a perder do que a ganhar. Serra, aliás, deveria era fugir do debate em campo aberto sobre a administração da cidade. Ele carrega consigo um aliado que está no comando da Prefeitura, Gilberto Kassab, que tem avaliação sofrível da população.

Serra é realmente melhor preparado do que Haddad. Já esteve na Prefeitura com a caneta na mão, coisa que Haddad só tenta agora. Serra já foi ministro do Planejamento da República, depois ministro da Saúde. Serra teve 44 milhões de votos em disputa nacional pelo Planalto. Do outro lado, Haddad foi ministro uma vez, da Educação, é íntegro, não está no meio da podridão mensaleira, não tem flanco pessoal descoberto. Mas no início da campanha tinha 3% nas pesquisas, teve votação inferior no primeiro turno, nunca antes neste país disputou um cargo no voto e ainda tem contra si o peso da caneta do ministro Joaquim Barbosa.

Ao adotar o caminho paz e amor, proposto no debate por Haddad, e tentar reafirmar competências administrativas que o paulistano já sabe que ele tem (mas que Kassab encobriu), Serra deixou de cutucar com força as contradições éticas do PT. E ajudou o adversário a ficar do tamanho dele. O tucano precisava de um nocaute neste primeiro debate. Vai ser difícil virar o jogo. Serra legitimou a candidatura de Haddad.

P.S.: Horas depois do debate, pela manhã, o Datafolha confirmou a dificuldade da empreitada tucana: Haddad, 49%; Serra, 32%, ou seja, 17 pontos percentuais de vantagem para o petista.

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(Texto originalmente publicado no Estadão Noite, no iPad, em 19/10)

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O bom jornalismo é a busca constante e incessante pela verdade. É o trabalho de tornar público aquilo que está escondido, na sombra. É jogar luz sobre fatos, intenções, sempre que esses fatos e comportamentos sejam de relevante interesse público. É fiscalizar o poder, fustigar os agentes públicos, apertar políticos e expor contradições de modos de vida. Vale para o poder público (Executivo, Legislativo e Judiciário), mas vale também para a vida privada no que ela tem de impacto sobre o conjunto da sociedade.

Esse conceito básico do jornalismo, abordado nos últimos dias em encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) em São Paulo, embutido também no discurso de Arthur Sulzberger Jr, do The New York Times, que participou da reunião, é ensinado nas escolas de jornalismo e praticado nas boas casas do ramo no Brasil, como, aliás, reconheceu o presidente da entidade, Milton Coleman, do The Washington Post. Não há novidade nessa premissa defendida na SIP em São Paulo. Mas é sempre muito bom reafirmá-la.

A propósito desse debate, renovado nos idiomas português, espanhol e inglês na SIP, é bom olhar um pouco para a situação que está em foco neste momento na campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo na qual se enfrentam dois projetos políticos, do PT e do PSDB.

Durante a redemocratização brasileira, o PT, nascido da enorme expectativa de massas excluídas pela economia dos anos de chumbo e pelo autoritarismo da ditadura militar, cumpriu seu papel democrático não só como ser uma instituição do novo regime brasileiro. Foi também de muita serventia em redações.

Muitos jornalistas, brasileiros e estrangeiros, que cobriram esse universo brasileiro nos anos 80, 90 e 2000 tiveram petistas como fontes. Aos poucos os representantes de oposição penetravam nas estruturas formais, principalmente pela via do Legislativo, dominadas pelos velhos MDB e Arena – e depois por seus arranjos substitutos, PMDB, PFL.

Esses novos atores políticos foram ferramentas relevantes para a prática do bom jornalismo e para o país abrindo portas para investigações, acesso a documentos, confrontando ideias. Assim funcionou com partidos revividos, como PSB, os PCs, e também com muitos tucanos, gente que também por anos batalhou contra o viés autoritário e pelo direito de perguntar – como costumava lembrar o paulista Mário Covas.

Pela via das urnas, felizmente, o PSDB virou governo – assim como o PT. E, segundo a esperança e a vontade popular, os partidos, amparados por seus desempenhos eleitorais, foram mudando a visão atrasada do coronelismo, do autoritarismo, da larga prática de assistencialismo que por décadas regulou a política brasileira e sustentou máquinas administrativas dependentes das estruturas de Estado.

O que ocorreu então, e que é natural no processo político, foi que o tamanho da expectativa do eleitor se revelou bem maior do que a capacidade dos partidos e seus agentes de entregar todo o prometido. E apareceram as frustrações, de parte a parte. Mas é preciso entender que isso tudo faz parte do processo democrático e que as urnas devem ser novamente oferecidas para que o eleitor faça revisões e reencaminhamentos que achar necessárias no decorrer do tempo. Aí está a riqueza da democracia. O caminho é a urna.

O PT, com seu gosto pelo aparelhamento revelou-se uma espécie de neo-PFL, um PRI mexicano de fala portuguesa – e por boa parte disso respondem atualmente no Supremo Tribunal Federal alguns dos seus principais líderes. Já o PSDB carrega consigo questões para as quais não consegue oferecer soluções efetivas. E sofre com uma fadiga de propostas, avaliação que, aliás, tem por pai um expoente tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Voltando à questão da imprensa, foco da semana pós-SIP e pré-eleição, lembremos que quando ainda estava na oposição pura o PT carregava consigo setores mais ou menos tolerantes com a crítica. Para quem foi jornalista de política (ou acompanhou de perto o tema nos últimos 30 anos) houve momentos tensos na relação com personagens petistas.

Qualquer pergunta que fosse feita fora da caixinha na qual estavam os pensamentos petistas era vista como coisa de inimigo. A crítica, segundo essa militância política fundamentalista, era feita para desestabilizar o PT. Um jornalista do próprio Times chegou a ser ameaçado de expulsão por reportagem sobre hábitos do presidente da República, Lula, o grande líder do petismo nacional.

É óbvio que no jornalismo, como em qualquer setor, há preferências ideológicas à esquerda e à direita. Mas aqui trata-se de ver o momento da prática profissional do bom jornalismo, como um princípio da democracia, portanto, daquele momento regido pelo manual da boa conduta, da ojeriza ao venal, à desonestidade com o leitor.

Por muito tempo reportagens e perguntas, feitas de acordo com o manual do bom jornalismo, foram tachadas de instrumentos de sacanagem contra o PT. Essa prática de desqualificar o interlocutor, de jogar sobre o profissional insinuações de estar a serviço de interesses obscuros, é, em última análise, um desrespeito com a consciência do contribuinte. Assim também ocorreu durante o governo Fernando Henrique quando uma poderosa máquina de assessorias de imprensa, centralizada no Palácio do Planalto a pretexto de ajudar, organizar, funcionava na verdade como verdadeira barreira à livre circulação da informação – coisa que velhos jornalistas do Planalto diziam não ter vivido nem nos tempos duros do general Nini (Newton Cruz).

Recentemente, no episódio do julgamento do mensalão, foi a vez de o ex-deputado José Genoino, ex-presidente do PT, voltar aos tempos de desconfiança exacerbada. Achando-se injustiçado pelas notícias, perdeu a compostura e reagiu contra repórteres chamando-os de urubus, como se os jornalistas que o acompanhavam no dia da eleição paulistana fossem o cerne da questão – e não a conduta dele, julgada incorreta pelo Supremo.

Para terminar, nada mais fora de tempo do que creditar à imprensa a responsabilidade de atos equivocados dos agentes da democracia representativa. A imprensa é necessária. E não só em Cuba, como gostam de afirmar lideranças políticas que se dizem modernas. Aqui, também. Um país com imprensa livre é sinal de estabilidade, de civilidade, de democracia, de sociedade desenvolvida. Os políticos devem, sim, explicações públicas sobre seus atos. E devem, sim, esclarecer toda e qualquer dúvida que eventualmente apareça em relação a sua conduta.

O trabalho dos profissionais de imprensa é perguntar, questionar, mexer em feridas. Fora disso é outra coisa, é propaganda. Se há divergência sobre uma determinada questão colocada no sagrado dever de perguntar de um jornalista, deve, sim, o político, agente público, manter-se à altura da cadeira que persegue e responder, esclarecer.

Tergiversar, fugir das questões, tentar tachar o jornalista de portador de intenções outras que não as de sua profissão é agir contra a sociedade. E insinuar que um repórter age em favor de um adversário, como também tem feito o candidato tucano José Serra, em mais de uma ocasião (no UOL; na Rádio CBN), como lembra artigo de Eugênio Bucci no Estado, e no debate Estadão/TV Cultura, acrescento, não é prática democrática, é truculência.

O país mudou. A imprensa vive dias de fortes transformações nos modelos de negócios e nas práticas de apuração e edição, mas sempre em busca da informação de qualidade, da prestação de serviço de alto nível às liberdades. Neste momento torna-se claro que para alguns petistas e tucanos a única verdade que lhes serve não é a do relevante interesse público, aquela premissa defendida na SIP. A verdade que a eles lhes convém é a deles próprios. E só.

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Boa parte da disputa pela Prefeitura de São Paulo vai ocorrer num cenário bem distante da terra da garoa. Lances relevantes da guerra pela cobiçada caneta de prefeito paulistano, que vale R$ 40 bilhões por ano, já estão ocorrendo nesta cidade que não tem prefeito, mas que não há quem não conheça: Brasília.

Durante o primeiro turno, foi de lá que saiu a ordem para que Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, que fazia cara de paisagem em relação ao candidato do PT indicado por Lula, Fernando Haddad, entrasse na campanha em troca de um ministério, o da Cultura, que vinha sendo chefiado por Ana de Hollanda, irmã de Chico, filha de um dos maiores intelectuais paulistas, Sérgio Buarque de Hollanda, ex-diretor do Museu Paulista, ex-professor da USP, e de dona Maria Amélia, matriarca da família que viveu anos na famosa casa da Rua Buri, no Pacaembu.

Pois foi de Brasília que saiu o tiro que abateu a paulistana Ana de Hollanda para que Marta se acomodasse no staff do Planalto e apoiasse Haddad, ele próprio um ex-integrante da Esplanada. E foi por Brasília, igualmente, que o candidato tucano José Serra, o adversário de Haddad no dia 28, já lutou colecionando mais de 44 milhões de votos no país. E é de lá que Serra hoje tenta se afastar ao máximo para eliminar a ideia disseminada em São Paulo de que só pensa na cidade inventada por Oscar Niemeyer.

Pois, mais uma vez, será de Brasília que deverão sair nos próximos dias elementos que podem ser decisivos para o futuro imediato dos paulistanos. Um deles, no terreno das alianças, já está sendo costurado entre Lula e o vice-presidente da República, Michel Temer, que é o apoio de Gabriel Chalita (PMDB), quarto colocado no primeiro turno, para Haddad.

Outros dois lances, ainda mais relevantes, estão por ocorrer. Primeiro, a construção da ponte entre o PT e o PRB, o partido que deu sustentação a Celso Russomanno na conquista dos mais de 1,3 milhões de votos contados no último dia 7. Pelos principais líderes nacionais do PRB e pastores de igrejas evangélicas que tentaram eleger Russomanno mas fazem parte da base de apoio do governo federal, deve passar a decisão sobre se agora são Haddad ou Serra. E, por fim, há a bomba política das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que lá no desértico clima do cerrado julga o mensalão.

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Ainda era noite de domingo quando se soube que José Serra e Fernando Haddad haviam passado para o segundo turno da eleição em São Paulo. E ainda não havia acabado a apuração e o candidato tucano já sinalizava o tom que espera para o próximo embate: discutir o mensalão.

Nos próximos dias as atenções estarão voltadas para o plenário do Supremo Tribunal Federal. Líderes importantes do PT, como José Dirceu, estão na reta dos ministros do STF. E Serra aposta nisso como desgaste político de Haddad. Por seu lado, o candidato petista e seu padrinho Lula tentarão demonstrar que o tema não tem relação com a vida do eleitor na cidade.

O que é certo, pelo menos por enquanto, é que o bombardeio do mensalão não foi assim tão efetivo contra Haddad, já que o candidato manteve-se na margem histórica dos cerca de 30% do eleitorado que o PT tem na cidade mesmo depois da contundência das decisões que emergiram do STF nos últimos dias. Nessa balada, a chapa vai ter de esquentar bastante no STF nos próximos dias para que as fichas de Serra virem valor.

Até lá, o que se tem mesmo como relevante é o preço que o candidato Celso Russomanno, que por mais de mês liderou as pesquisas e foi relegado a terceiro plano pelo eleitor paulistano, vai querer por seu espaço político. Russomanno fez uma bela votação. Alcançou 1.324.021 votos, 21% do eleitorado da capital. E pelo menos no primeiro momento esse desempenho é que pode estabelecer a diferença na campanha que segue até o dia do juízo derradeiro, dia 28.

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Tudo indica que a cidade de São Paulo ainda terá de esperar mais 20 dias para saber quem será o substituto de Gilberto Kassab na Prefeitura. A julgar pelos números dos institutos de pesquisas Celso Russomanno, José Serra e Fernando Haddad, nesta ordem no ranking das intenções de voto, brigam embolados, esquina por esquina, na caça ao voto.

Essa divisão no eleitorado foi estreitada nos últimos dias pelo registro, nos dois principais institutos (Datafolha e Ibope), da queda de Russomanno. Ele vinha na frente desde a metade de agosto. Mas perdeu força na reta de chegada. E a piscada do líder deu um gás nos comitês dos adversários e levou a um acirramento dos ânimos na campanha de TV.

Assim, ao votarem no domingo os paulistanos dificilmente darão a um dos candidatos uma vantagem clara suficiente para matar a questão no primeiro turno. Então, no segundo turno, quem sobrar na corrida até o dia 28 arrastará consigo uma herança tensa do primeiro turno, de qualquer que seja dos lados. Notem que o tiro da segunda volta é mais curto do que o de eleições anteriores. É natural, portanto, que os nervos ainda estejam à flor da pele quando as alianças começarem a ser alinhavadas.

Como é arriscado fazer prognósticos quando a coisa está nesse pé – diferente, por exemplo, do caso do atual prefeito Eduardo Paes, do Rio, que tem larga vantagem e pode encerrar já a eleição -, pelo menos será possível se saber, ainda na noite de domingo, o tamanho do estrago eleitoral provocado na campanha por um outro fato político não menos tenso e relevante, o julgamento do escândalo do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

As condenações de petistas como José Genoino, João Paulo Cunha e os votos de ministros contra o ex-todo-poderoso José Dirceu, todos figuras relevantes no recente cenário político de São Paulo, vão grudar em Haddad – eleitoralmente em falando? Ou teremos vivido um período de um intenso bombardeio vindo de Brasília com muito barulho mas pouca pontaria?

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A campanha eleitoral na televisão começou para valer no município de São Paulo. Os candidatos à sucessão de Gilberto Kassab jogam pesado. Dois dos principais políticos brasileiros, Lula e Serra, estão engalfinhados na disputa.

Lula, tentando eleger seu candidato, Fernando Haddad. E Serra jogando pelo próprio projeto político. Depois de perder a eleição para presidente da República para Dilma Rousseff, o líder tucano espera que os seus 44 milhões de votos para o Planalto o ajudem a continuar liderando o grupo que já manda na cidade de São Paulo há quase dez anos.

Na paralela cresce entre os paulistanos o apoio ao novato Celso Russomanno, bem colocado nas avaliações dos institutos de pesquisa mas ainda carecendo de consolidação no universo da parte televisiva da campanha.

O que se espera agora é que, ao final da primeira semana de exposição na TV, uma nova pesquisa avalie o impacto da largada. Somente aí é que se terá noção do impacto do horário gratuito na cabeça do eleitorado. É quando, certamente, os estrategistas e seus produtos olharão o quadro para checar eventuais mudanças de rumo na retórica eleitoral.

Por enquanto, caso o eleitor queira uma noção geral de como está a cidade sem a contaminação provocada pelo interesse político na propaganda de cada um dos lados, pode checar a São Paulo real em pelo menos dois trabalhos jornalísticos especiais publicados no jornal O Estado de São Paulo e aqui no estadão.com.br.

São dois belos diagnósticos das carências dos moradores da rica cidade cuja Prefeitura tem um orçamento público de R$ 40 bilhões por ano.

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 http://topicos.estadao.com.br/desafiosao…

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http://topicos.estadao.com.br/da-sao-paulo-que-balanca

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Outro dia, fiz para o Estadão uma série de reportagens sobre o atual modo de vida em São Paulo. O trabalho está publicado neste domingo (1/07) em caderno especial  Desafio São Paulo que, nesta época que precede a campanha eleitoral,  oferece ao leitor um  diagnóstico das dificuldades vividas por paulistanos que precisam dos serviços públicos no seu dia a dia.

A cidade há muito tempo oferece um recorte fiel do que somos no Brasil. Para SP migram gentes de todos os estados e do interior paulista. Nela convivem comunidades de estrangeiros latinos, americanos, europeus, asiáticos, africanos – e os paulistanos da gema. SP é um mundo fascinante! Mas, como qualquer cidade, pode também ser cruelmente injusta, violenta, incômoda – como nos alerta o grito de Criolo em seu hit “Não existe amor em SP”.

Uma das belas coisas da vida em democracia é exatamente a oportunidade de, periodicamente, a sociedade se autoanalisar, rever referências, ter a opção de mudar rumos, trocar governos – ou confirmá-los, ratificá-los como efetivamente representativos de seu tempo. O ano em curso caminha para uma eleição municipal, em outubro, que vai coroar essa discussão da relação, por assim dizer, entre representados e representantes nos municípios.

O caderno especial, que tem reportagens também de outros colegas jornalistas, como Roldão Arruda, Lucas Maia e Felipe Frazão, abre uma série do Estadão em busca de uma luz sobre o quadro a ser encontrado pelo próximo prefeito.

Durante a produção pude ver de perto algumas das principais carências de moradores que dependem do setor público. E, como sabemos, o País, seus estados e municípios, apesar dos esforços de muitos dedicados servidores, está longe de oferecer ao contribuinte serviços de qualidade. Mesmo em cidades com orçamento bilionário, como São Paulo.

A estimativa de receita do município para este ano bate no R$ 39 bilhões, segundo a LDO, aprovada em dezembro e publicada em janeiro. Trata-se de uma poderosa máquina arrecadadora de impostos. Mas ainda é bastante longo o caminho a percorrer para que se possa encher a boca e dizer que São Paulo tem uma gestão pública de recursos que permite aos paulistanos afirmar, contrariando a máxima do poeta, que a cidade está redondinha, legal, feliz!

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22.fevereiro.2010 12:57:41

Cacarecos e Pernilongos

Terminado o carnaval, feitos os desfiles das escolas de samba vencedoras depois de apurados os desempenhos quesito por quesito, resta o ano, propriamente dito, pela frente. Olhando biografia de um dos personagens mais interessantes da cultura da cidade dos últimos, digamos, 50 anos, o grande Adoniran Barbosa, ou João Rubinato, para os mais íntimos, e que tem primoroso prefácio de Alberto Helena Jr., encontrei a referência a episódio do final dos anos 50 que tem a ver com esse início de 2010 – carnavalesco e eleitoral.

Há meio século São Paulo protestava, irônica e frontalmente, contra os desmandos e desrespeitos da classe política deixando um claro recado: a eleição do rinoceronte Cacareco, com cerca de 100 mil votos. O belo livro de Celso de Campos Jr. Adoniran, da Editora Globo, lembra que a campanha do rinoceronte, um personagem da história paulistana, foi uma sugestão do jornalista Itaboraí Martins, de O Estado de S.Paulo, em protesto contra o baixo nível dos candidatos à Câmara dos Vereadores. O biógrafo de Adoniran escreve que Martins “sugeriu o voto no xodó da cidade”, recém chegado ao Zoológico de São Paulo, vindo do Rio.

Essa campanha “animal”, como dizem jovens de hoje, forneceu argumento para várias marchinhas de carnaval que fizeram sucesso ao lado da Aqui, Gerarda, de Adoniran. O livro tem várias delas. Cacareco continuaria na boca do povo por muito tempo, mesmo depois de sua morte, em 1962, como nos conta o excelente acervo de O Estado de S.Paulo. Cacareco virou sinônimo de desencanto. Gerarda também foi longe.

Ainda olhando o livro, lembrei de uma entrevista do então senador Fernando Henrique Cardoso, no final dos anos 80, na qual ele brincava com o tema, a eleição do Cacareco, e citava outro bicho que fez sucesso nas urnas: um pernilongo, no Espírito Santo.

Hoje os tempos são outros. Mas os políticos… Alguns continuam no tempo de Cacareco e Pernilongo.

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