ir para o conteúdo
 • 

Blog da Garoa

17.novembro.2013 17:29:03

O recado de Sandra Bullock

Recomeçar, sempre, não importa o tamanho da encrenca na qual você esteja metido. Mesmo que você esteja perdido no espaço, quase sem ar, sempre há uma saída. O filme Gravidade, do mexicano Alfonso Cuarón, com a bela americana Sandra Bullock, é isso. Desistir, jamais!

Para sair de órbita, vá ao cinema. Para brincar, clique em Initiate Spacewalk 

.

PS:

São Paulo durante um feriadão é uma maravilha!

sem comentários | comente

  • A + A -

Outro dia, assisti a um filme pancadão, daqueles que no final você fica alguns segundos sem saber onde está a porta de saída. Chama-se A Separação, feito por iranianos, dirigido por Asghar Farhadi, e que beliscou um Oscar em fevereiro. É um cinema que segue o ensinamento do bom roteiro, ou seja, prende o espectador logo nos primeiros 10/15 minutos.

Neste tempo, o diretor pega o espectador, arrastá-o pra lá e pra cá, e faz sumir quaisquer referências que não estejam na tela. Quem faz roteiros trabalha com essa ferramenta, é o lide do cinema. Se o leitor (espectador) escapa na abertura, a comunicação já era.

 Em A Separação a pancadaria, no bom sentido, vai ainda além desse tempo. Farhadi fez bem mais do que fixar seu alvo. O filme dele é intenso do começo ao fim. É muito mais do que uma história de fissuras nas relações entre pessoas. É espantosamente humano. Um perturbador mergulho no indivíduo.

 

 

sem comentários | comente

  • A + A -

Outro dia, durante o último feriado, fui ao cinema no Conjunto Nacional, na Paulista, e vi um filme que tem tudo a ver com a alma desse blog. Woody Allen escreveu e dirigiu “Meia-Noite em Paris”, numa escancarada rasgação de seda ao passado da capital da França, paraíso de intelectuais e artistas norte-americanos no começo do Século 20.

Contar uma história a partir de um personagem que sai do presente em viagem ao passado não é novidade nem no cinema nem na literatura. Ainda na sala de projeção lembrei do livro do espanhol Paco Umbral “Las Señoritas De Aviñon”, que li nos anos 90, uma edição de 1996, no qual o autor cria um mundo parisiense de um garoto que cresce em meio a personalidades como poeta Rubén Darío e o pintor Pablo Picasso – que, aliás, no livro de Umbral, é amante de uma tia do narrador. Uma beleza.

Mas Woody Allen faz um filme que também é uma maravilha, com os atores Owen Wilson, Rachel McAdams e Marion Cotilliard nos principais papéis. Gil (Owen Wilson) volta no tempo e encontra uma Paris repleta de gente legal, festas, cultura biscoito fino. Gertrude Stein (Kathy Bates) e Dalí (Adrien Brody) estão perfeitos, entre tantos outros, como o Picasso (Marcial Di Fonzo Bo), novamente enroscado com uma amante (Marion Cotilliard), como no texto de Paco Umbral.

O filme de Allen é uma elegante homenagem ao passado glorioso francês, mas é também uma ode ao presente. Viver mirando adiante é bem mais legal quando podemos olhar para trás e curtir cada momento de nossa história. A “idade de ouro” é agora.

comentários (3) | comente

  • A + A -

Mais um cinema morreu outro dia em São Paulo. Era uma iniciativa dos artistas Alexandre Borges e Júlia Lemmertz: chamava-se Cine Arte Lilian Lemmertz, homenagem à arte da mãe de Júlia. Ficava na Rua Clélia, na Água Branca. Está no escuro, em silêncio.

O fechamento de uma sala de exibição é sempre uma perda, em qualquer lugar. Uma tela apagada é menos espaço de diversão, reflexão, pensamento. Menos gente alimentando a alma. Nos últimos anos nasceram várias salas nos shoppings da cidade, moderníssimas, muito procuradas. Mas, no caso das casas de arte – assim como no caso das pessoas –, a estatística vale zero.

Outro dia, conversando com um velho observador dessa cena, Máximo Barro, professor da FAAP, lembramos de outras perdas de salas.

“O antigo Cine Bandeirantes, no Paissandu, virou abrigo de carros. Outros cinemas se transformaram em igrejas, supermercados. O Ipiranga era o mais belo. O Cine República foi demolido para dar lugar ao Metrô, e até hoje nada foi construído lá”, recorda o professor. “O República se gabava de ter a maior tela da América. Havia salas muito confortáveis. Você estava sentado e não precisava encolher os joelhos para dar passagem.”

Máximo Barro conta que a primeira projeção na cidade ocorreu em 7 de agosto de 1896. Chamavam de “photographia animada”. A “sessão” foi para autoridades. Um caderno especial sobre o centenário do Estado, publicado em 1975, oferece rico material sobre o alvorecer do cinema na cidade.

O pioneiro foi o francês Georges Renouleau. Ele tinha casa na Rua Marechal Deodoro. Ao lado, uma lotérica. Durante a comemoração de um bilhete premiado, a casa foi invadida por um buscapé. E pegou fogo. O artista perdeu tudo. Abalado, Renouleau voltou à França. Lá teve contato com os Lumière e, entusiasmado, retornou a São Paulo com o cinematógrafo. “A primeira ‘sessão’ foi em uma casa que existia na Rua Boa Vista com a Ladeira Porto Geral”. Ficou “em cartaz” por dois meses.

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

Clique no Suplemento:

CAPA DO SUPLEMENTO cinema

Abaixo, vídeos com filmes da época, dos Lumière, os pioneiros do cinema, inspiradores Georges Renouleau.

 

comentários (13) | comente

  • A + A -

No início, a produção de cinema era de publicidade e de documentários, registros de cenas que aconteciam diante da câmera sem interferência de arte de contar histórias. A percepção do uso do corte no tempo para permitir o salto cronológico da narrativa em imagens e som só viria a aparecer anos depois. Numa de suas observações sobre a novidade cinematográfica, por exemplo, Ruy Barbosa escreveu crônica, aí pelos anos 20, dizendo que a maravilha daquela novidade era a qualidade de registrar fatos sem a direção que ele, Ruy, observava no teatro.

Mas as coisas mudaram rápido. E o que era registro virou arte. Ainda bem!

 

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

sem comentários | comente

  • A + A -

(trechos de texto de “O Tempo”)

“O cinema é o theatro condensado e rapido. É o drama ou a comedia tendo por fundo a realidade, a natureza e o universo na variedade infinita de todas as suas scenas. Não tem bastidores, não tem fingimentos, não tem mentiras. (…) Correm os rios; erguem-se as montanhas; despenham-se as cascatas; veem-se os rebanhos nas pastagens; a natureza se ostenta na variedade incalculavel de suas scenas e a acção humana se produz em toda a plenitude de seu desenvolvimento. (…)

No cinema vejo, aprendo, adquiro, em instantes, uma experiencia que em annos não poderia accumular. Ruy”

(texto publicado em O Estado de S.Paulo de 28/03)

sem comentários | comente

  • A + A -

Arquivo

TODOS OS BLOGS