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Blog da Garoa

“Chove torto no vão das árvores.

Chove nos pássaros e nas pedras.

O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.”

Não é março; é setembro. Mas essas três linhas do “O guardador de águas” Manoel de Barros (Record, 1998) são boa companhia no retorno alegre à cidade da chuva, que à noite virou garoa.

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18.setembro.2012 16:35:12

Que falta faz uma enxurrada!

Uma seca castiga a cidade. Quem passa nas Marginais por estes dias de sol forte e pouco vento sofre com o cheiro de podre do rio. Lá, por trás das floreiras, uma água preta, um esgotão a céu aberto, parece se mover só quando passam as barcaças. O cheiro é forte. Uma nojeira. Que venha logo uma enxurrada para “lavar” essa sujeira.

Fotos: Pablo Pereira

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16.fevereiro.2011 21:13:39

Um dia muito duro em SP!

Acabo de ficar 2h45 dentro de um carro para percorrer um trecho que em dias normais é feito em 25 minutos. Ninguém merece!

 Mas isso nem é nada perto do drama de muita gente que, mais uma vez, está há horas dentro d`água, vai perder tudo e passar a noite na lama. Ô São Paulo!

Da irritação à raiva. Depois, o desânimo.

Que pena!

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13.março.2010 12:16:45

Fotos de água passadas

Os dias deste março têm sido abertos, quentes, e a temporada de chuvas fortes e enchentes parece ter amainado, dando uma trégua à cidade. Felizmente! Os últimos três meses foram bem preocupantes, com as águas provocando mortes e atrapalhando a vida em São Paulo. Guga Romano, leitor e comentador do blog, amante das fotos antigas da cidade, enviou imagens de enchentes passadas na cidade. Veja abaixo:

Marginal do Tietê, 1960 foto

Anhangabaú, 1963 . Reprodução

 Av. 9 de Julho, 1963 . Reprodução

 Av. Cruzeiro do Sul, 1957 . Reprodução

 Rua Teixeira Leite, 1957. Reprodução

 Vale do Anhangabaú, 1967 . Reprodução

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As enchentes e deslizamentos de terra provocados pelas águas já mataram 68 pessoas no Estado de São Paulo em dois meses de chuvas intensas na região. Tem chovido mais do que o normal nos últimos dez anos, dizem os especialistas. E pode ainda chover forte durante fevereiro e março. Basta sair às ruas para notar que as águas da chuva não descem e que, em geral, as pessoas continuam expostas ao sofrimento causado pela ausência de um escoamento rápido. Na coluna ao lado, a Enquete quer saber quem você acha que é responsável por essa tragédia.

Já morreram 68 pessoas no Estado de São Paulo, em dois meses, por causa das chuvas. Quem você acha que é responsável pela tragédia?

Texto atualizado para correção do número oficial de mortes: são 68 e não 69 como havia sido noticiado nesta sexta-feira.


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Cidade incomodada com trânsito, assustada com os desabamentos matando mais gente, só desta vez pelo menos 5 pessoas mortas por soterramentos na região metropolitana, outro tanto desaparecido logo cedo da manhã após uma chuva fortíssima na madrugada, uma situação muito difícil. São Paulo sempre conviveu com as enchentes, desde os tempos de vila colonial, com as águas do Tamanduateí e outros córregos sendo retratadas nas belas telas de Benedito Calixto, de 1892, ou pelas fotos de 1958, na Rua da Cantareira ou, ainda, no que ficou conhecido como “Piscina” do Adhemar.

Cena da Inundação na Várzea do Carmo, de Benedito Calixto

Reprodução: Inundação na Várzea do Carmo (Benedito Calixto)

Enchente de 1958: Piscina do Adhemar, no Anhangabaú

Piscina do Adhemar, no Anhangabaú, em 1958 (Reprodução)

Mas de uns anos para cá a situação ficou muito pior. O volume de pessoas atingidas e a gravidade dos efeitos das águas, que requisitam espaço para se espraiar, foram multiplicados quando mais e mais pessoas se aproximaram de suas áreas de domínio. Obviamente que faltou planejamento e o poder público fracassou. Não só não conseguiu evitar que a população ocupasse as beiradas perigosas de morros como não consegue oferecer solução de engenharia para acomodar no seio da terra a água caída do céu.

Há muito tempo que o rio não é do rio. Pelo mundo, a engenharia doma as águas.

Lamentavelmente São Paulo já está acostumada com as desculpas dos administradores públicos, que se sucedem na cadeira do poder sem apresentar soluções para o problema. Toda vez é uma discurseira sobre as bombas de túneis que não funcionaram, que estão vindo não se sabe bem de onde e indo também não se sabe bem para qual cruzamento submerso. É a mesma ladainha. Uma ladainha cantada, cada vez mais, sobre cadáveres. E sobre milhões de contribuintes que têm o dia corrompido pela ineficiência do serviço público.

E o cidadão morga horas no trânsito ou anda a pé por quilômetros e perde o dia de trabalho. Os hospitais sofrem, as empresas perdem, as abóboras bóiam no Ceagesp e a cidade para para ver descer a água e surgir o barro, a sujeira, o caos. E, vejam, ainda estamos em janeiro, aliás, na semana dos 456 anos da cidade, que se completam no dia 25.

E a temporada das águas de março ainda nem começou.

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