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Blog da Garoa

Os pesquisadores norte-americanos Gary e Rose Neeleman, que trabalham em uma trilogia sobre a imigração EUA-Brasil, acabam de escrever seu segundo livro sobre a imigração de soldados confederados dos EUA na segunda metade do Século 19.  São 300 páginas contando a tentativa de colonização do Brasil por americanos, incentivada pelo imperador D. Pedro 2º, após a Guerra de Secessão (1865). A obra ainda não tem data para ser lançada no Brasil.

O livro trata da história de exilados do trágico conflito na América do Norte e de como foi o fracasso de projetos de criação de comunidades em Santarém, no Pará, dizimados pelo abandono e pelas moléstias da selva. Por outro lado, destaca o sucesso da empreitada dos confederados na região de Nova Odessa e Americana, em São Paulo.

O primeiro da série, Trilhos na Selva, saiu no Brasil em 2010. Um novo livro, ainda em fase de pesquisa, vai contar a história da presença na Amazônia dos soldados da borracha no Século 20. E dos contatos entre os presidentes Franklin Delano Roosevelt e  Getúlio Vargas. É pesquisa garimpada em documentação do Congresso americano.

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No Século 19, ai pelos anos 1830/50, o Brasil viveu uma situação muito interessante, semelhante, em parte, ao que ocorre hoje, mais 160 anos depois. Precisava povoar sua imensa extensão territorial para crescer, se desenvolver, se proteger. E precisava, ainda mais importante, substituir a mão-de-obra escrava, que era uma mancha cruel na formação do País.

A escravatura foi combatida por dentro na elite agrária de então, que dava suporte às estruturas de Estado, e de fora por opositores ferrenhos, brancos e negros, como Joaquim Nabuco e Luís Gama, Castro Alves e muitos outros.

Foi então adotada, ainda no período Imperial, uma política de atração de imigrantes, com facilidades burocráticas de instalação para quem chegava ao País interessado em construir uma vida de trabalho. Entre vasta literatura sobre a formação brasileira, um livro que sempre é bom visitar é “Terras Devolutas e Latifúndio – Efeitos da lei de 1850”, da professora Lígia Osorio Silva (Editora da Unicamp, 1996).

Com uma extensa pesquisa – 192 documentos (relatórios, pareceres, anais do Senado, mensagens oficiais), 23 livros e folhetos e consulta a outros 108 autores -, ela esmiúça o tema e mostra um quadro acurado da época, inclusive com informações de um ilustre funcionário público daqueles dias no Serviço de Terras e Colonização: Machado de Assis.

Por agora, quase dois séculos depois, o País vive novamente uma onda de imigração e recebe levas e levas de estrangeiros que por aqui buscam oportunidades de nova vida. Em crescimento, em com baixas taxas de desemprego, o Brasil, mais uma vez, os recebe. E, mais uma vez eles estão vindo, na maioria, de Portugal.

Nos últimos dias, com ajuda de colegas (Liege Albuquerque, de Manaus, e Jamil Chade, de Genebra), apurei os números desse fluxo migratório incentivado pela especial posição brasileira na economia mundial e por toda a crise de emprego que se abate sobre a comunidade internacional, principalmente sobre os europeus. O material está publicado no Estado, em papel, e no site.

O pessoal “de fora”, principalmente da Europa e Ásia, que lá atrás optou pelo Brasil – e os africanos, que foram arrastados – teve papel fundamental no Brasil nesse tempo todo. As marcas são visíveis não só no ambiente que nos envolve, mas principalmente, e literalmente, na cara do Brasil.

A mistura, é evidente, não foi assim uma Brastemp. Foi dura, injusta, em muitos momentos, como na relação entre brancos e negros – e até com os asiáticos, que ao chegarem a São Paulo, do distante Japão, e foram alojados em terrenos considerados mico imobiliário à época por ter sido um cemitério – o bairro da Liberdade. Os negros, nem se fala. E os índios? Hoje em franca recuperação populacional, quase foram exterminados.

De uns anos para cá, e cada vez mais – mostram os números de 2011 do Ministério da Justiça-, os hispânicos sul-americanos se somam a essa babel Brasil. Além de toda a força de trabalho que essa população empresta ao País, há uma riquíssima montanha de idiomas e de hábitos, criando uma peculiar diversidade de modos de vida deste lado do mundo.

Breve teremos aqui, certamente, ensinadores de mais uma língua, o aimará, dos bolivianos, uma das comunidades que mais crescem em regularização, de acordo com os dados do Departamento de Estrangeiros. E também do creole, dos haitianos, que olham o Brasil como a salvação para a miséria e a tragédia que destruiu sua terra em janeiro de 2010.

Nestes tempos bicudos lá fora, sejam todos bem-vindos.

Executivo brasileiro Artur Fuchs, CEO da Efacec, que retornou ao Brasil após duas décadas no exterior e contrata especialistas em Portugal/FotoWerther Santana/AE

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O português Marcos Pereira, que chegou a São Paulo em junho para trabalhar na multinacional Efacec. “Brasil está no caminho certo”, diz./Foto Airton Vignola/AE

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O goleiro uruguaio rebateu com os punhos a bola jogada na área. Corria o primeiro tempo da segunda prorrogação, da segunda partida, entre Brasil x Uruguai pela Copa Roca (Júlio Roca, general argentino) em 29 de maio de 1919, no Rio. O centroavante brasileiro Friedenreich pegou o rebote, bateu forte, à meia altura, no meio do gol. Às 16h53 ele decretou o 1 x 0 que deu ao Brasil o título contra o Uruguai. Arthur Friedenreich (1892-1969) foi o goleador do campeonato, com 5 gols. O relato detalhado, minuto a minuto, pode ser lido n’O Estado de 30/05/1919. Clique no recorte:

 

Recorte de pág. de O Estado de S.Paulo, 30 de maio de 1919

Recorte de pág. de O Estado de S.Paulo, 30 de maio de 1919

 

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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Acabou a Copa do Mundo para o Brasil, Dunga é o mais novo Judas brasileiro, as vuvuzelas se calaram na vizinhança e o Anhangabaú vai ficar um tempo sem o verde-amarelo. A cidade volta à normalidade. Não há mais trânsito zero às 10h. A sorte foi que no dia seguinte à derrota da Seleção veio o bálsamo: a Argentina fez um fiasco diante da Alemanha: 4 x 0. Alma lavada para muita gente.

É a velha rivalidade entre os dois povos. Em outros tempo, essa animosidade já foi bem acentuada. Chegou mesmo a haver uma certa desconfiança dos vizinhos de que o Brasil os olhava com interesses colonialistas, coisa que os anos terminaram por sepultar. Nos tempos da consolidação das fronteiras, virada dos séculos 19/20, essa arenga chegou a ganhar contornos diplomáticos severos na disputa por terras travada entre os chanceleres Estanislau Zeballos (1854-1923) e o Barão do Rio Branco (1845-1912) na famosa Questão de Palmas.

Os brasileiros venceram a queda-de-braço, com apoio do governo dos EUA. E o Brasil ficou com as terras que a Argentina dizia serem dela. Mas hoje essas divergências são bem mais brandas. Ficam no terreno da bola, entre Pelé e Maradona. Entre os dois? Fico com os dois. E Buenos Aires é uma bela cidade. São Paulo poderia aprender muito com a qualidade de vida dos portenhos.

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O domingo ensolarado em São Paulo lotou, mais uma vez, o Vale do Anhangabaú. Paulistanos foram ver, no telão, o Brasil avançar na Copa da África (Brasil 3 x 1 Costa do Marfim). E, após o apito final, as cornetas ecoaram pelas ruas e edifícios ainda por um bom tempo. Foi um belo final de tarde na cidade. Na próxima sexta, 25, será a vez de enfrentar Portugal. Aposto um pão na chapa que muita gente por aí não sabe bem para quem torcer.

Post atualizado às 10h54:

Ainda mais agora, depois do placar dos portugueses contra a Coreia do Norte: 7 x 0.

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