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Blog da Garoa

“Chove torto no vão das árvores.

Chove nos pássaros e nas pedras.

O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.”

Não é março; é setembro. Mas essas três linhas do “O guardador de águas” Manoel de Barros (Record, 1998) são boa companhia no retorno alegre à cidade da chuva, que à noite virou garoa.

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As águas voltaram ao cotidiano dos paulistanos e de seus vizinhos. Com elas, que deveriam ser prenúncio de vida, de criação, de alegria, chega a fria constatação de que nossa engenharia urbana mais uma vez fracassou. Na administração das coisas públicas, meses e meses após o mesmo quadro ter sido visto na cidade, resta o “lamento” pela força da natureza. Óh, céus, por que nos fustigam!!!!

E segue o barco. O noticiário conta os corpos de vítimas das enchentes, dos deslizamentos de terra. Novos dramáticos episódios de gente que morre na capital mais rica do País por causa de… chuva!

 É uma lástima – que se repete. São Paulo e seu povo merecem realidade melhor. Mas parece que vamos, mais uma vez, passar dias e dias, talvez até abril, a lembrar da morte – em vez de celebrar a vida em São Paulo. Uma pena.

Nota atualizada

As enchentes espalham tragédia também no Rio de Janeiro. Centenas de mortes.  É dura a vida! Também lá é quadro terrível que se repete. E os administradores públicos visitam morros e prometem verbas. Até quando?

Leiam entrevista do jornalista Jamil Chade sobre o assunto. Aqui

(atualizado às 18h45 de sexta-feira, 14/01)

comentários (4) | comente

24.janeiro.2010 18:58:45

Janeiro diferente

A cidade de São Paulo faz aniversário, 456 anos, em um janeiro chuvoso e, por isso, bastante revelador dos enormes desafios existentes para a construção do conforto dos quase 11 milhões de habitantes. Outros janeiros comemorativos se foram e neles os assuntos mais dramáticos eram os pedágios lotados, seus preços, engarrafamentos e os números de acidentes nas estradas. Hoje, não. A agenda trata das águas e de seus estragos por aqui mesmo.

grafico_populacao 333

Quem gosta da cidade e nela encontra muitos encantos, lamenta. Certamente são reflexos de um passado pujante, que ajudou em muito a formar a aura de cidade dos sonhos de milhões. Olhando-se a evolução da população, pode-se ver a linha do gráfico ameaçando pular fora do quadro numa explosão impressionante.

 Nos anos 1860, 30 mil pessoas viviam em SP. Com o fim da escravidão e a chegada dos imigrantes, foi a 130 mil (no começo da República). A cidade demorou 350 anos para chegar aos 240 mil habitantes (em 1900). E, em um século, saltou para os quase 11 milhões atuais.

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