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Blog da Garoa

O carnaval passou, os sambas das escolas deste 2011 vão ficar na memória dos fãs e já se começa a pensar no próximo desfile, de fevereiro de 2012. Esse período do ano é sempre um bom palco para o país curtir uma coisa que já há anos é fundamental para os brasileiros (e até para os estrangeiros):  música na rua. Gente em festa, alegre, feliz com uma batucada de samba -ou um frevo, um maracatu, um forró danado de bom. Ao fim de tudo, o que fica é o prazer de ter vivido dias e dias sob o império das notas musicais.

Mas tem gente que não gosta de carnaval. Mais: tem gente que abomina carnaval. Gente que não suporta a batida das baterias, não vê graça numa moça-passista. Talvez também não goste de cores – ou seja doente do pé. Paciência. Neste mundão tem gosto para tudo, inclusive para quem detesta a cadência das mulheres lindas a sorrir no gozo do samba. Paciência.

Felizmente, gente como Adoniran e muitos outros, lembrados por amigos do blog, pegaram o sentido da coisa e fizeram bons sambas no passado para que esse gênero da música tivesse futuro também em São Paulo. Outro dia, lendo sobre a obra de Adoniran, encontrei referência da visita do velho sambista a um dos bairros que foram eternizados em sua obra, o Jaçanã.

Estavam lá, nas páginas preservadas do Jornal da Tarde, textos e fotos que narravam o sentimento do artista com a derrubada da estação tão cara àqueles paulistanos. E criou uma letra de samba exclusivamente para o jornal. Uma preciosidade! – pelo menos para quem gosta de samba, de bom humor, da cadência das passistas, da felicidade no rosto das mulheres bonitas, da música nas ruas.

Veja abaixo:

Reportagem publicada no Jornal da Tarde em 22 de junho de 1966

Letra de samba de Adoniran sobre estação do Jaçanã, em 1966

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 Ainda é carnaval pelo país, as escolas de samba campeãs estão sendo conhecidas (Vai-Vai venceu em SP e a melhor do Rio sai nesta quarta, 9, à tarde*) e em outras cidades blocos e trios mantêm foliões em festa pelo menos até o final da semana.

E nessa época sempre nos vem à cabeça aquela velha discussão: São Paulo tem bom carnaval? São Paulo tem samba de qualidade?

Tem. Tem sim. São Paulo tem bom carnaval nas escolas de samba, espetáculo a cada ano mais elaborado. E a cidade também produziu excelentes sambistas em outros estilos. E faz tempo que é assim.

Um dos principais craques foi o grande João Adoniran Barbosa Rubinato.

Entre outras coisas muito boas feitas tendo a cidade como cenário, o homem criou o “Trem das Onze”, um grande sucesso dos anos 60  e que sempre é muito lembrado.

O carnaval de Adoniran era tão legal que a editora Irmãos Vitale, que ainda hoje edita músicas em São Paulo, e que naquela época cuidava dos direitos de Adoniran, começou a vender o “Trem” no exterior.

Como aqui, o  velho Jaçanã do Adoniran foi um sucesso lá fora.

Na onda da exportação da música do senhor Rubinato, o “Trem” chamou a atenção de um cantor italiano, Riccardo Del Turco, que decidiu pegar carona no sucesso do Jaçanã com uma versão. Na Itália, “Trem das Onze” se chamou ”Figlio Unico”.

Quando Adoniran descobriu que seu samba fazia sucesso na Itália – e ele não recebia um tostão -, ficou uma arara.

Há um livro, do escritor Celso de Campos Junior, da Editora Globo, uma boa biografia de Adoniran, que conta os detalhes desse episódio.

Quem quiser ouvir uma amostra do “Trem das Onze”, em italiano, encontra fácil a versão na internet, no Youtube.

Então: “Trem das Onze”, só pra ficarmos com um produto de excelente qualidade – e bem paulistano.

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*No Rio, deu Beija Flor. A escola que fez homenagem a Roberto Carlos.

(texto atualizado às 18h06)

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E para quem quer ouvir o “Trem” no original, com os Demônios da Garoa, clique aqui. Ouça a música tocada no estúdio da TV Estadão, após entrevista a Felipe Machado.

(Texto atualizado em 26/o3)

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Muito boa a homenagem preparada pela turma multimídia do estadão.com.br para os 100 anos de Adoniran Barbosa. É um mapa da cidade de São Paulo segundo a obra do artista. Para curtir Adoniran e ouvir a seleção de músicas da Rádio Eldorado clique aqui.

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Uma chuva (ou garoa) de eventos caiu mesmo sobre São Paulo para comemorar os 100 anos de nascimento de Adoniran Barbosa, o maior sambista da cidade, como diz hoje o jornalista Lucas Nobile no O Estado de S.Paulo e no estadão.com.br. Lucas Nobile, músico talentoso, que sabe tudo de cavaquinho, informa o que acontece na cidade para homenagear João Rubinato de hoje, sexta-feira, 6, a domingo. Clique aqui.

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Uma chuva (ou garoa) de eventos deve cair sobre São Paulo nesta semana para homenagear um dos personagens mais interessantes da história da cidade no século passado: Adoniran Barbosa.

 João Rubinato era o nome dele no registro civil, e não era paulistano de nascimento. Adoniran nasceu em Valinhos em 6 de agosto de 1910. Morreu em 1982. Mas há na música da cidade alguém mais originalmente paulistano?

O pessoal da Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto, por exemplo, já prepara festas para Adoniran e seus fãs, no dia 7, sábado, na Feira de Artes da praça.

Quem quiser ver um pouquinho dele, de viva voz, pode acessar a página de Grandes Personagens Brasileiros da TV Cultura.

  Grande Adoniran!

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22.fevereiro.2010 12:57:41

Cacarecos e Pernilongos

Terminado o carnaval, feitos os desfiles das escolas de samba vencedoras depois de apurados os desempenhos quesito por quesito, resta o ano, propriamente dito, pela frente. Olhando biografia de um dos personagens mais interessantes da cultura da cidade dos últimos, digamos, 50 anos, o grande Adoniran Barbosa, ou João Rubinato, para os mais íntimos, e que tem primoroso prefácio de Alberto Helena Jr., encontrei a referência a episódio do final dos anos 50 que tem a ver com esse início de 2010 – carnavalesco e eleitoral.

Há meio século São Paulo protestava, irônica e frontalmente, contra os desmandos e desrespeitos da classe política deixando um claro recado: a eleição do rinoceronte Cacareco, com cerca de 100 mil votos. O belo livro de Celso de Campos Jr. Adoniran, da Editora Globo, lembra que a campanha do rinoceronte, um personagem da história paulistana, foi uma sugestão do jornalista Itaboraí Martins, de O Estado de S.Paulo, em protesto contra o baixo nível dos candidatos à Câmara dos Vereadores. O biógrafo de Adoniran escreve que Martins “sugeriu o voto no xodó da cidade”, recém chegado ao Zoológico de São Paulo, vindo do Rio.

Essa campanha “animal”, como dizem jovens de hoje, forneceu argumento para várias marchinhas de carnaval que fizeram sucesso ao lado da Aqui, Gerarda, de Adoniran. O livro tem várias delas. Cacareco continuaria na boca do povo por muito tempo, mesmo depois de sua morte, em 1962, como nos conta o excelente acervo de O Estado de S.Paulo. Cacareco virou sinônimo de desencanto. Gerarda também foi longe.

Ainda olhando o livro, lembrei de uma entrevista do então senador Fernando Henrique Cardoso, no final dos anos 80, na qual ele brincava com o tema, a eleição do Cacareco, e citava outro bicho que fez sucesso nas urnas: um pernilongo, no Espírito Santo.

Hoje os tempos são outros. Mas os políticos… Alguns continuam no tempo de Cacareco e Pernilongo.

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