Fiquei 20 dias fora de São Paulo. De volta, reencontro a sensação de insegurança que, infelizmente, acompanha os paulistanos há anos. Agora o que está na moda é a violência nos locais de reunião como restaurantes, na cidade, os arrastões que chegam até a hotel (como ocorreu no litoral, em Juqueí, conforme relato de reportagem do Jornal da Tarde do dia 24).
A ofensa às liberdades individuais nossas de cada dia é uma praga que os governos não conseguem reduzir (eliminar, então, nem pensar). E aos poucos as pessoas vão se acostumando com isso. Passam a achar normal viver assim, ameaçadas o tempo todo.
E, para piorar, há ondas periódicas de bandidagem a aumentar essa sensação ruim. Lembram das saques às joalherias? Dos ataques aos caixas eletrônicos? Dos assaltos relâmpagos (como o que aconteceu outro dia com o jogador Valdivia)? Dos ataques à própria polícia, novamente em andamento?
Durante a minha folga conversei com nativos dos locais que visitei sobre como era essa questão da segurança pública para eles. Em Portugal, andando pelo Bairro Alto, zona de boemia de Lisboa, as pessoas até se esquecem da hora curtindo os cafés, as vitrines e os músicos de rua.
Passeando pelo agradável Chiado, às 23h, na direção da Liberdade, depois de saborear um digno filé de atum, fiquei imaginando como seria uma caminhada daquelas pelo centro velho de São Paulo. Ou pelos bairros da Luz e Campos Elíseos, região que do charme europeu hoje só tem o nome – e a Pinacoteca. Tudo por ali tem ar de Cracolândia – e não é seguro andar a pé nem com o sol a pino, como me alertou outro dia uma moradora da Rua Helvétia.
Na Espanha, o alerta do hotel para os turistas que chegam do Brasil é: cuidado com os locais com muita gente. “Nas aglomerações podem tentar lhe roubar a carteira”, disse o rapaz da portaria do hotel em Madrid. Ou seja, a preocupação deles em relação à segurança pública está na existência de casos de “punguistas”! Ou de oportunistas que abordam turistas na rua para tentar surrupiar-lhes as bolsas. O mesmo alerta vale para Barcelona. Porém, no bar do Estádio do Barça, o Camp Nou, vi uma mulher espanhola devolver no balcão uma bolsa que uma família esquecera sob uma das mesas.
É claro que por lá há também criminalidade. Mas a sensação geral de insegurança não chega nem perto do clima de medo que se enfrenta no Brasil. O crime, ou a corriqueira ameaça à segurança das pessoas nestas cidades, está restrito a uma abordagem perfeitamente administrável por quem, em São Paulo, vive à mercê de revólveres e pistolas a cada sinal de trânsito, passeio noturno – ou a cada saída para jantar. E nem vamos falar do medo dos arrastões nos apartamentos!
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(texto originalmente publicado na Edição Noite do Estadão no iPad, dia 25/06)
Meu caro, pecs p o editor do Estadao fazer um editorial com o seu texto. Impressiona como Voces protégem o Gov. Alckmim. Eh brincadeira, como diz o Netto.
Noto q edicoes do Jornal q ele n eh citado em nada. Eh como n existisse Governo em Sao Paulo.
Eh o fim da picasa. E quando aparece passa a impressao q acabou de sair do banho. Sempre limpinho e cheirosinho.
Com isso bandidagem deita,rola,assalta e mata. Ponto periodo.
Att. Aliberto
Aliberto Amaral
Meu caro, discordo de sua avaliação sobre como o jornal trata o governador Geraldo Alckmin. Acho que o tratamento obedece aos preceitos do bom jornalismo. Não poderia ser diferente. Com relação a seu comentário sobre o meu texto, o caso da segurança pública não é só uma questão deste ou daquele governante. A crítica é a todos os que por aquela cadeira passaram, inclusive o próprio Alckmin, e não conseguem resolver o caso, como ocorreu em outras cidades. Citei cidades europeias, mas poderia citar o velho exemplo de Nova York. Por fim, a questão da segurança pública não é exclusividade de SP, é problema brasileiro, portanto, envolve também ações efetivas do governo federal, comandado pelo PT, oposição ao PSDB, que governa o estado. Não lhe parece?
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