ir para o conteúdo
 • 

Blog da Garoa

15.dezembro.2009 12:25:17

São Paulo é boa para viver

Agradeço aos 375 amigos do Garoa que aceitaram participar da Enquete sobre a vida em São Paulo, disponível para votação de 30 de novembro até hoje, dia 15. Vejam abaixo a pergunta e o resultado:

Você acha São Paulo uma cidade boa para viver?

  • Sim (56%, 210 Voto(s))
  • Não (44%, 165 Voto(s))
  • Total de Votos: 375
  •  

    1 Comentário | comente

    11.dezembro.2009 14:50:46

    Uma rua e seu marco

    As ruas de uma cidade costumam revelar partes da história de um povo. Em muitos casos extrapolam os acontecimentos ali vividos e se transformam em ícones de um tempo. Outro dia, andando a pé pelos Jardins, passei por um ponto de São Paulo que há 40 anos é muito comentado: duas quadras da Alameda Casa Branca, distantes algumas centenas de metros do Parque Trianon e do Masp. O local, que nos anos 60 passava por forte alteração na paisagem, com a construção de vários prédios no lugar do casario de sobradinhos, foi palco de um fato que mudou a vida política brasileira: a morte do militante comunista Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN).

    O cerco policial a Marighella ocorreu entre a Alameda Lorena e a Rua José Maria Lisboa, tendo no meio a pequena Tatuí. Recentemente uma polêmica envolveu o bairro quando se decidiu colocar ali um marco do acontecimento. Há hoje na calçada, à sombra de uma pequena árvore, uma discreta lembrança, que exige esforço do observador para descobrir do que se trata.

    Marco de homenagem a Carlos Marighella na Al. Casa Branca

    Marco de homenagem a Carlos Marighella na Al. Casa Branca

     De qualquer forma, a Casa Branca, local escolhido pelo líder esquerdista para um encontro com frades dominicanos e no qual caiu numa armadilha policial, ainda vai continuar a atrair a curiosidade cada vez que alguém comentar a história política brasileira.

    Os fatos que ali se desenrolaram foram tão relevantes para o país que muitos historiadores já se debruçaram longamente sobre aqueles rápidos minutos da noite do dia 4 de novembro de 1969 em busca dos detalhes e de cada momento da operação. Há outros pesquisadores estudando as minúcias da ação policial que colocou fim na trajetória de um dos principais líderes da esquerda radical brasileira.

     O ex-integrante do antigo PCB tinha rachado com a direção do partido, criado a ALN e, após uma viagem a Cuba, se decidido pelo caminho da luta armada pelo poder no Brasil, batendo de frente com os militares que governavam com mão-de-ferro. Naqueles dias, o principal ato de força da ditadura, o AI-5, não tinha ainda um ano — o aniversário da escuridão, aliás, é domingo, dia 13.

    Num dos seus livros sobre o período, A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari trata do caso da Casa Branca e compara o episódio Marighella a outras duas mortes históricas: a de Getúlio Vargas, no Rio, em agosto de 1954, e a de Tancredo Neves, em abril de 1985, em São Paulo.

    Dizem também documentos do Arquivo do Estado de São Paulo, localizado na Avenida Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, onde repousam centenas de pastas sobre o que foi o trabalho do DOPS, famigerado cérebro da repressão brasileira em São Paulo, que muito ainda há por ser lido a respeito daquele dia e daquele lugar.

    A Casa Branca esteve fortemente ligada ao que veio a ser o projeto da luta armada no país e ao que seria o futuro da resistência à ditadura nos anos seguintes ao assassinato de Marighella. O local foi escolhido por Marighella, imaginam historiadores, por ser uma região de poder aquisitivo elevado e, portanto, menos visada pela polícia. Em outros documentos do DOPS há referências também a ruas da Vila Mariana como palco de encontros clandestinos dos então perseguidos que viviam protegidos pelo anonimato da grande cidade.

    Do outro lado, a Casa Branca esteve ligada também à vida funcional do grupo montado pelo chefe da repressão, delegado Sérgio Paranhos Fleury, para o cerco ao baiano Carlos Marighella.

     Cinco dias após o ataque ao carro que estava estacionado na altura do número 800 da rua, um dos chefes do DOPS, Ivair Freitas Garcia, fez pedido de promoção para 12 delegados, 23 investigadores, 1 motorista, 7 guardas-civis, 1 cabo PM e 1 soldado PM. Todos largamente elogiados “pela bravura na ação”.

    Relatório do DOPS. Clique para ver íntegra no celular e leia abaixo na web

    Clique aqui para ver a íntegra no celular ou abaixo para ler na web

    A versão do caso que está no documento é carregada de ufanismo, afinal tratava-se de um chefe da polícia pedindo promoção, por ordem do diretor geral do DOPS, para o grupo que havia acabado de matar um temido líder de esquerda. O aparelho de estado brasileiro havia conseguido relevante vitória contra o inimigo esquerdista, e o cônsul americano em São Paulo, pelo tamanho do evento, apressou-se a informar ao Departamento de Estado americano, como mostra o livro de Gaspari.

    Em 1996, com o debate nacional sobre reconhecimento das vítimas, mortos e desaparecidos, no período da ditadura, o caso Marighella voltou a ser estudado com lupa. A família de Marighella descobriu o relatório que pedia as promoções. E nele encontrou clareza sobre um detalhe relevante do caso: Marighella não tivera tempo de reação, contrariando versão então vigente de que teria havido tiroteio. O relatório dá conta de que Marighella não disparou nem um tiro sequer.

     Outras reportagens da época ajudam a compor o quadro do que se sucedeu na famosa Casa Branca e poderão, eventualmente, servir de documento futuro para a descrição do que foi aquele cenário. No Estado do dia 5, dia seguinte ao cerco, há um relato sobre a geografia daquela parte do bairro, hoje uma agradável área residencial, mas com alguns prédios comerciais.

    Conta o jornal, em sua página 14, que “partindo da Alameda Lorena, em direção à Paulista, do lado esquerdo, logo na esquina há um prédio em construção. Depois, um sobrado – por sinal desocupado. Em seguida outro prédio em construção e uma casa térrea (em frente da qual estava estacionado o Volkswagen azul onde Marighella foi morto). Ao lado dessa casa, mais um prédio em construção, mais outro em seguida e, finalmente, um prédio habitado, mas recuado da rua. Do lado direito, 5 sobradinhos. Depois, dois prédios em construção. Depois, mais duas casas.”

    Eram mesmo tempos de fortes mudanças na cidade – e no país.

    comentários (23) | comente

    10.dezembro.2009 15:30:59

    Desafio do Natal

    O Garoa foi desafiado, outro dia, por um amigo, Walace, a sortear um exemplar do livro “Álbum Iconográfico da Avenida Paulista”, uma maravilha.

    Pois, aproveitando que é dezembro, devolvo o desafio: leva de presente de Natal o também belo Iconografia Paulistana do Século XIX, de Pedro Corrêa do Lago, quem responder primeiro o nome completo do autor da aquarela abaixo, que retrata cena de São Paulo do Século 19.

    Auqarela mostra cena paulistana do Século 19

    Aquarela mostra cena paulistana do Século 19

    comentários (2) | comente

    10.dezembro.2009 14:52:35

    E 140 anos depois…

    Olhando aqui, com o amigo Milton Pazzi Jr, um apreciador das imagens da cidade antiga, o belo livro de Pedro Corrêa do Lago Iconografia Paulistana do Século 19,  encontrei cena conhecida dos paulistanos nos últimos dias: uma enchente. Exceto a cartola do remador, o resto é hoje bem familiar para muita gente. Nem parece que se passaram 140 anos. A ilustração é de 24 de fevereiro de 1867.

    Ilustração de Angelo Agostini no jornal Cabrião, 1867

    Ilustração de Angelo Agostini no jornal Cabrião, 1867

    comentários (2) | comente

    06.dezembro.2009 22:57:47

    Natal sem glamour

    Pertinho do Natal, o domingueiro comércio da foto abaixo pode parecer cenário de muitas das pequenas cidades do interior do país… Mas não é.

    Comércio em clima de Natal na estrada do Campo Limpo, SP

    Domingo foi dia compras sem glamour no Campo Limpo, em SP

    comentários (6) | comente

    05.dezembro.2009 22:53:11

    Natal VIP

    O cenário natalino da foto abaixo pode parecer de San Francisco, Nova York, Los Angeles… Mas não é.

    Decoração natalina: cenário de festa em avenida famosa

    Final de tarde de sábado na Av. Paulista/Fotos: Pablo Pereira

    comentários (2) | comente

    03.dezembro.2009 15:19:03

    Chegou dezembro!

    Virou o calendário do mês para dezembro e apareceram, do dia para a noite, cidade a fora, as luzes do Natal. Ontem, no início da noite, tentando passar pela Avenida Paulista, para ir para casa, encontrei tudo parado. Uma confusão na esquina da Ministro Rocha Azevedo, onde nesta época há um presépio que ilumina um casarão transformado em banco. Os paulistanos adoram. Os turistas também. Tiram fotos, levam os filhos, viajam de metrô até lá e guardam as imagens em seus celulares. Ia reclamar do trânsito, mas desisti. A magia da Paulista é coisa antiga. Os engarrafamentos, idem.

    Carros se acumulam na avenida no final dos anos 1920

    Trânsito na Paulista era assim no final dos anos 1920

    No ano passado, nesta época, a cidade estava meio entristecida, vivíamos a crise dos americanos que não puderam pagar suas hipotecas e abalaram economias pelo mundo. Foi um final de ano meio chinfrim. Mas agora as pessoas parecem mais empolgadas com os números da vida e há um alívio no ar. Aos poucos, pelos bairros, os prédios se enfeitam com luzinhas nas sacadas e janelas. São Paulo à noite é muito bonita. E por esses dias fica mais aconchegante, tirante, é claro, as mazelas que não têm dia nem hora – e a principal delas é a sombra da insegurança.

    Só para lembrar: a Paulista faz aniversário no dia 8, terça-feira. Foi inaugurada em 1891.

    Aquarela de Jules Martin sobre a inauguração da avenida em 8 de dezembro de 1891

    Aquarela de Jules Martin, inauguração em 8 de dezembro de 1891

    Imagens como essas, maravilhosas, podem ser apreciadas em livros fantásticos, como esse cuja capa reproduzo abaixo, do historiador Benedito Lima de Toledo, documento indispensável para os amantes da cidade.

    Capa do Álbum Iconográfico, de Benedito Lima de Toledo

    Capa do Álbum Iconográfico, de Benedito Lima de Toledo

    comentários (16) | comente

    30.novembro.2009 13:14:10

    Enquete da capela: restauro

    Dos 151 amigos do Garoa que se dispuseram a responder a pergunta “Você acha que a Capela dos Aflitos deve ser restaurada?”, 89% (135 votos) é favorável; 11% (16 votos) é contra.

    Enquete não é pesquisa de opinião, daquelas científicas que os institutos fazem com critérios finos bem ponderados. Mas pode ajudar na reflexão. Foi o que ocorreu aqui com a breve sondagem, aberta em 3 de novembro e encerrada hoje, sobre a recuperação da Capela dos Aflitos, igrejinha do bairro da Liberdade, espremida entre prédios no fundo da Travessa dos Aflitos.

    Portanto, que se restaure logo o prédio construído por volta de 1770, quando a cidade era uma acanhada vila de colônia.

    comentários (2) | comente

    Com a contribuição do leitor Roberto Izidorio Pereira, que comenta o post “Sons de São Paulo“, reproduzo aqui imagens de São Paulo em 1943. É um documentário de propaganda, mas que contém imagens maravilhosas da cidade, produzido pelo The Office of The Coordinator of Inter-American Affairs. Mostra, por exemplo, imagens do Pacaembu, o trânsito na Avenida Paulista, os bondes, o crescimento industrial e os belos jardins do Anhangabaú, ao lado do Theatro Municipal e do Viaduto do Chá. Para curtir São Paulo, em inglês e ao som de O Guarani, de Carlos Gomes, e outros clássicos, clique na imagem abaixo e veja o filme publicado no YouTube:

    Área de estacionamento do Estádio do Pacaembu/Reprodução

    Área diante do Estádio do Pacaembu/Reprodução

    comentários (7) | comente

    25.novembro.2009 15:15:15

    Sons de São Paulo

    Modinhas de Zica Bergami para lembrar de uma São Paulo que não existe mais, mas permanece viva na memória de muita gente que gosta de morar na metrópole. Essa “Salada de danças” é uma maravilha!

    E mais:

    “Serenata”

    Para finalizar:

    Zica roqueira, cantada por Zezé Freitas, em “Pimenta no rock”:

    comentários (3) | comente

    Arquivo

    TODOS OS BLOGS