O julgamento do caso Mércia Nakashima, assassinada em 2010, que ocorre no fórum de Guarulhos, apresenta uma novidade. Ao autorizar a transmissão em tempo real do julgamento, o juiz Leandro Bittencourt Cano produziu um avanço no combate à sensação de impunidade que existe no Brasil – segundo referência feita pelo próprio julgador. Neste momento não se trata de saber o resultado, ou seja, se o réu será condenado ou absolvido. Trata-se de garantir o direito da sociedade de conhecer o debate, acompanhar os detalhes da tomada de posição, afinal, dela própria diante de um assassinato que atraiu a atenção da população por meses a fio e provocou gastos dos agentes públicos encarregados da apuração dos fatos.
Garantindo a preservação dos jurados, para que não se sintam coagidos na formação de opinião sobre o debate entre defesa e acusação e possam decidir com critérios justos, baseados nas provas, o magistrado de Guarulhos abriu uma ampla porta para a transparência. Essa iniciativa de jogar luz no processo de julgamento de um assassinato pode até, eventualmente, provocar um debate jurídico sobre a exposição de outros envolvidos no caso e levantar resistências dentro do próprio Judiciário. Mas diante da repercussão do caso, de tudo o que a sociedade já tomou conhecimento, é preciso lembrar que houve um crime contra a vida. A senhora Mércia Nakashima, aos 28 anos, foi assassinada. Saber o que aconteceu com ela naquele dia é um exigência incontornável da família – e um direito da comunidade paulistana.
Cabe agora aos meios de comunicação social fazerem seu trabalho usando a porta aberta pelo juiz. Ao final, o julgamento terá colaborado para o esclarecimento do caso, e acrescentado um ponto positivo nesse processo terrível de desqualificação das instituições que é o descrédito nas regras de convivência.
É preciso que as pessoas acreditem que matar é crime – e que fique bem claro que quem mata tem de ser punido. Se não tiver sido o réu em questão, Mizael Bispo de Souza, que ele seja absolvido. E que a transparência adotada pelo juiz sirva para que se limpe publicamente sua conduta. Se for culpado, que pague pelo que fez.
(Texto também publicado na Edição Noite do Estadão no iPad)
QUE MAIS PODEMOS DIZER?
O BRASIL É SIM UM PAÍS CUJO CRIME COMPENSA. CRIMOSOS ARTICULADOS SABEM DISSO, TAMBÉM BANDIDOS PÉS DE CHINELO.
É IMPOSSÍVEL NÃO ACREDITAR NA IMPUNIDADE QUANDO VIMOS UM RENAM PRESIDENTE DO SENADO, UM JENUINO CONDENADO ASSUMINDO O CARGO DE DEPUTADO, UM GIL RUGAI SENDO CONDENADO A 34 ANOS DE PRISÃO E SAINDO DO FORUM PELA PORTA DA FRENTE, INDO PARA UMA CHURRASCARIA E AINDA COM DIREITO A HERANÇA DO PAI QUE ELE MESMO MATOU….. QUE PAÍS É ESSE??? TERRA SEM DONO, TERRA DE DIRIGENTES QUE FALTA VERGONHA NA CARA….
INFELIZMENTE TUDO ISSO VAI CONTINUAR…. SÓ MESMO O POVO FAZENDO UMA REVOLUÇÃO SEM ARMAS É CAPAZ DE DEPOR ESSE SISTEMA E COMEÇAR DO ZERO.
ABRAÇOS.
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