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Blog da Garoa

20.junho.2012 08:39:14

Haddad-Erundina: a surpresa não está na saída; está na entrada

Dizem os especializados que a política é a arte de olhar para a frente. Mas, às vezes, o passado volta e atropela tudo. Quem acompanha a história recente da política em São Paulo não deve ficar surpreso com a desistência da deputada Luiza Erundina (PSB) do cargo de vice na chapa de Fernando Haddad (PT). A novidade do caso Haddad-Erundina, o fato mais importante desde a decisão de José Serra (PSDB) de voltar a disputar a cadeira de prefeito, está mesmo é na aceitação do convite pela ex-petista.

Erundina teve uma forte presença no PT desde a formação do partido em São Paulo, do qual foi uma das fundadoras em 1980. Professora, militante do partido quando o PT ainda era um nada do ponto de vista eleitoral, mas carregava enorme peso político no País na luta pela redemocratização, ela foi eleita vereadora já em 1982. Depois, deputada estadual em 1986. E, pelo PT, chegou à Prefeitura em 1988.

Mas o grupo paulista do PT, na época comandado diretamente por Lula, que agora novamente dirige pessoalmente a campanha petista para a sucessão na cidade, trombou com a prefeita quando estourou o caso Lubeca, escândalo político que tinha no centro uma denúncia de propina de US$ 200 mil envolvendo um empreendimento imobiliário e dinheiro para campanha eleitoral para presidente da República. Erundina usou mão-de-ferro na ocasião e exonerou o então secretário de Negócios Jurídicos, Luiz Eduardo Greenhalg, à época braço-direito de Lula na sua já iniciada corrida em direção ao Palácio do Planalto. Greenhalg sempre negou qualquer participação no escândalo.

A posição da então prefeita deixou fortes cicatrizes na relação com o grupo Articulação, majoritário no PT. Mais tarde, em 1993, Erundina recebeu o troco. Foi perseguida no partido por ter aceitado fazer parte do governo de Itamar Franco, na crise da sucessão de Collor, como ministra da Secretaria da Administração Federal. Sem espaço no PT, teve de continuar sua luta política no PSB.

A surpresa, portanto, foi ela aceitar a costura para fazer parte da chapa de Fernando Haddad. Talvez Erundina apostasse, ingenuamente, num olhar adiante, amparada por uma renovação representada por Haddad. Mas… E a entrada de Maluf na cena, agora alegada pela deputada para retirar-se, pode ter sido só a gota d’água.

O tamanho do estrago dessa aliança mal arranjada, de ambos os lados, só poderá ser avaliado com exatidão no dia da eleição. Mas a próxima pesquisa de opinião sobre voto já deve apontar reflexos do conflito entre a cúpula do PT, que quer eleger Haddad a qualquer custo, e a  antiga militante – que carrega nas costas velhas marcas das práticas petistas de fazer política.

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comentários (4) | comente

4 Comentários Comente também
  • 20/06/2012 - 10:01
    Enviado por: MARCOS A.L.SOUZA

    Parabéns LUIZA ERUNDINA,isso mostra que você e uma pessoa honesta e determinada em suas decisões.Já o nosso ex.presidente se achando o REI do BRASIL que eleger a todo custo seus afilhados politicos aliando a politicos que no passado os chamaram de ladrões e corrutos(SARNEY,COLLOR E MALUF).Isso a maneira do PT fazer politica.

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  • 20/06/2012 - 20:28
    Enviado por: Luiz Cassino

    É que ela descobriu que Haddad e Maluf são brimos.

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  • 22/06/2012 - 12:11
    Enviado por: CORREGEDOR

    Pablo, no Brasil só é possível governar com alianças políticas. O problema é fazer aliança com qualquer um para a coisa ficar do mesmo jeito; ela se torna então somente instrumento para o exercício simples do poder pelo poder e não para fazer prevalecer ações necessárias aos interesses nacionais. O Plano Real, e sua evolução nas questões macroeconômicas, foi um exemplo de como alianças podem resultar positivamente. Nele ficou claro que o objetivo político usou alianças. Ninguém em sã consciência acredita que agir corretamente em política é fácil, pois em sua essência ele será sempre contrariar interesses e valores já estabelecidos; como exemplo prático tivemos o PROER que detonou vários grupos financeiros como o Nacional, Econômico e Bamerindu; etc..

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