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Chauís e Lamouniers também deveriam dar rolê

Pablo Pereira

20 janeiro 2014 | 19:11

O pensador tucano Bolívar Lamounier os chamou de “nova classe média”; a pensadora petista Marilena Chauí preferiu “nova classe trabalhadora”. O pessoal em questão é gente (milhões e milhões) que por décadas esteve fora do consumo mas que desde o início dos anos 90 passou a comprar, consumir, produzir, negociar, vender – e a fazer coisas que até então não podia, como trocar de casa, de carro, curtir a Disney, colocar filhos na universidade.

Tudo começou com os tucanos estabilizando a moeda brasileira, que neste ano completa 20 anos, e foi se acelerando na segunda metade desse período com os petistas, que derrubaram juros e criaram ambiente para maior oferta de crédito, inflação baixa, desemprego em queda e renda familiar em alta. Os governos da “turma de Lamounier” fizeram a primeira parte; os “de Chauí”, a segunda.

Nesse longo período, menino que nasceu com o Real hoje já passou até do serviço militar. E aqui ou ali variantes da economia se moveram para cima e para baixo. As setas de um curioso índice, criado por economistas, ajudam a entender o quadro. O Corecon (Conselho Regional de Economia) mede esses movimentos no que chama de Índice do Custo de Vida da Classe Média (ICVM) e confirma que, na essência, a vida brasileira mudou para melhor.

Os “Lamounier” e os “Chauí” nasceram da mesma mãe, a esquerda oposicionista alijada das decisões nacionais durante a ditadura militar dos anos 60, 70 e 80. Depois de um breve período no qual o país esteve sob comando de oportunistas projetos de transição (Sarney e Collor), ambos governaram. E levaram o país a um copo “meio cheio e meio vazio” (só para lembrar raciocínio usado outro dia pela presidente Dilma Rousseff quando falava de otimismo e pessimismo). 

Agora os dois lados voltam a se enfrentar em campanha eleitoral que já está nas ruas. Quem está no governo (os “Chauí”) exalta a parte do copo meio cheio; os da oposição (os “Lamounier”), claro, chamam a atenção para a ameaça da metade ainda vazia. 

Olhando as manifestações das ruas de junho e, atualmente, as visitas de uma moçada aos shoppings, nota-se sinais de que o tal copo tem de ser olhado com bastante cuidado. É a hora da cobrança da terceira parte.

Sejam eles filhos da “nova classe média” ou da “nova classe trabalhadora”, enchem as avenidas e combinam “rolezinhos” nas redes sociais da web em busca de alguma coisa bem concreta: mais! Quem já tirou a cabeça da lama tem sede. E quem ainda não conseguiu, está com pressa.

E não é somente pelo interior do país, governado de Brasília pelos “Chauís”, não. Em São Paulo, dirigido pelos “Lamouniers”, também. Tanto lá quanto cá achar que copo pela metade está de bom tamanho é ilusão. 

Seria bom que “Chauís” e “Lamouniers” também fizessem bastantes “rolezinhos”. Não pelos shoppings, mas pelas periferias.

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