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Blog da Garoa

No próximo dia 24 de agosto completam-se 130 anos da morte do abolicionista Luiz Gama, ex-escravo, libertador de negros que, na sua época, eram submetidos à indignidade da escravidão por uma sociedade que se permitia conviver com venda de seres humanos. Há trabalhos acadêmicos importantes lembrando desse personagem paulistano, alguns já citados aqui no Garoa.

Mas agora, com a abertura do Acervo do Estado à pesquisa pública, na web, pode-se conhecer com mais facilidades detalhes da personalidade desse homem que se fez livre após ter sido vendido pelo próprio pai, um branco europeu, a comerciantes de escravos do Rio – que o repassaram para uma fazenda em São Paulo.

Luiz Gama advogou para escravos fugitivos depois de frequentar aulas de Direito no Largo São Francisco. Não chegou a formar-se advogado. As condições de vida da época não lhe pertiram atingir tal distinção no curso. Porém passou a atuar como rábula na defesa de casos envolvendo escravidão. E se tansformou também em escritor e jornalista, tendo participado da história inicial do próprio Estado, como, aliás, aparece quando o jornal noticia a abolição em 1888.

No texto em destaque, localizado entre a enorme contribuição do Estado à memória do País, há um pouco do homem que em um tempo de absoluta violência contra direitos humanos se rebelou e chegou a ter em casa, em São Paulo, “80 escravos, e os escondia de seus senhores”. Abaixo, reprodução de página publicada em 14 de  maio de 1895 de O Estado de S.Paulo, que pode ser localizada no Acervo pela busca do verbete “Luiz Gama”.

Luiz Gama está enterrado no Cemitério da Consolação, bem perto do túmulo da Marquesa de Santos, também figura relevante da cultura brasileira do Século 19.

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Vem aí um feriadão, tempo bom para ficar na cidade e aproveitar São Paulo. Para quem ainda não tem programa: que tal uma passadinha no Memorial da América Latina para ver Portinari? A temporada da obra Guerra e Paz, da ONU, foi estendida até 20 de maio. Depois me digam o que acharam da dança de roda das mulheres!

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Outro dia, ao ver uma linha do tempo publicada aqui no estadão.com.br, caiu-me a ficha:  o escritor Millôr Fernandes não nascera velhinho, como eu pensava. Conversando com amigos constatei que vários também tinham essa impressão. Millôr, o mestre na síntese, morto no dia 27 de março, aos 88 anos, era daqueles  – como Vinicius de Moraes, Drummond, João Cabral, Erico, Sérgio Buarque de Holanda – que parecem que sempre tiveram aparência e sabedoria de vovô. E  já era assim havia tempo.

Encontrei essa imagem de Millôr no bolachão Discomunal, de 1968, um presente do jornalista Chico Ornellas. No LP, ele é o apresentador de um show gravado no Rio às vésperas de a ditadura endurecer.

Ele apresentava a turma e divertia a plateia. Entre uma música e outra, não resistia!

“Voltando à situação do Brasil. É um exagero as pessoas dizerem que o Brasil está ruim. Depois de dois anos, o governo acaba de dar 20% de aumento no salário mínimo. Como diz o meu amigo Fortuna: Não é nada, não é nada… não é nada!”

Sempre achei que a graça de Millôr vinha do fato de o tempo não fazer a menor diferença na existência dele. Parecia existir por séculos, já ter visto de tudo. Quando ele aparece na família, em 1923, por exemplo, ninguém se preocupa em registrar o acontecimento! Sabiam que, para ele, o tempo não importava.

E, no fundo, eu não estava enganado.  Gente assim, fora do comum, como Millôr, sempre fica para além do pior acidente de percurso da vida. Como muitos daqueles que estão com ele no meu surrado vinil.

Em tempo, além da voz do genial Millôr, o disco tem:

LADO A

1- Wave (Tom Jobim)

2- Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant)

3- Astronauta (Baden e Vinícius)

4- Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)

LADO B

5- Eu e a Brisa (Johny Alf)

6- Deixa (Baden e Vinícius)

7- Vou te Contar (Tom Jobim)

8- Bom Tempo (Chico)

9- Retrato em Branco e Preto (Tom e Chico)

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Uma boa notícia!

Saiu o novo Guia dos Museus, agora na web. 

Aproveitem!!

http://www.museus.gov.br/noticias/guia-dos-museus-brasileiros/

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O carnaval passou, os sambas das escolas deste 2011 vão ficar na memória dos fãs e já se começa a pensar no próximo desfile, de fevereiro de 2012. Esse período do ano é sempre um bom palco para o país curtir uma coisa que já há anos é fundamental para os brasileiros (e até para os estrangeiros):  música na rua. Gente em festa, alegre, feliz com uma batucada de samba -ou um frevo, um maracatu, um forró danado de bom. Ao fim de tudo, o que fica é o prazer de ter vivido dias e dias sob o império das notas musicais.

Mas tem gente que não gosta de carnaval. Mais: tem gente que abomina carnaval. Gente que não suporta a batida das baterias, não vê graça numa moça-passista. Talvez também não goste de cores – ou seja doente do pé. Paciência. Neste mundão tem gosto para tudo, inclusive para quem detesta a cadência das mulheres lindas a sorrir no gozo do samba. Paciência.

Felizmente, gente como Adoniran e muitos outros, lembrados por amigos do blog, pegaram o sentido da coisa e fizeram bons sambas no passado para que esse gênero da música tivesse futuro também em São Paulo. Outro dia, lendo sobre a obra de Adoniran, encontrei referência da visita do velho sambista a um dos bairros que foram eternizados em sua obra, o Jaçanã.

Estavam lá, nas páginas preservadas do Jornal da Tarde, textos e fotos que narravam o sentimento do artista com a derrubada da estação tão cara àqueles paulistanos. E criou uma letra de samba exclusivamente para o jornal. Uma preciosidade! – pelo menos para quem gosta de samba, de bom humor, da cadência das passistas, da felicidade no rosto das mulheres bonitas, da música nas ruas.

Veja abaixo:

Reportagem publicada no Jornal da Tarde em 22 de junho de 1966

Letra de samba de Adoniran sobre estação do Jaçanã, em 1966

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Com essa interminável temporada de chuvas, raios e trovões em São Paulo, documentada nos jornais com números, fotografias de céus carregados, ameaçadores, e com explicações de relampólogos sobre os muitos clarões, lembrei de fragmento do livro de Laurentino Gomes, 1822.
 Ele conta como D. Pedro I e sua amante Domitila dormiram juntos pela primeira vez no que foi um rumoroso caso de amor, com conseqüências trágicas para a família do imperador.
 A primeira noite do casal aconteceu em São Paulo, “na antiga Rua do Ouvidor, atual José Bonifácio”, conta o escritor, revelando não só a data, 29 de agosto de 1822, mas também como estava aquela noite na cidade: “noite chuvosa e cortada por relâmpagos”.
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Abaixo, mais observações sobre a leitura recente do excelente livro de Laurentino Gomes, em texto publicado em O Estado de S.Paulo em 21/11/2010 sob título:

“Olhar o passado, às vezes, pode ser perturbador

Remexer papelada guardada, fuçar em arquivos e olhar com lupa o passado são sempre atividades reveladoras. Sempre que há luz clara de pesquisa sobre momentos da história, de lá emergem reflexões e, às vezes, informações desconcertantes.

Dias atrás concluí a leitura de 1822 (Nova Fronteira, 2010), livro de Laurentino Gomes que trata dos episódios da Proclamação da Independência, muitos deles ocorridos na vila de São Paulo.

A cidade, segundo Laurentino, tinha 28 ruas, 1.866 casas, 6.920 habitantes na zona urbana, 20 sapateiros, três violeiros, um barbeiro – e mais mulheres do que homens. Os bairros Braz, Pari e Tatuapé, juntos, contavam 36 casas, 186 pessoas.

O livro tem manancial impagável de informações sobre o período e só sua leitura – prazerosa – dá conta de toda a sua riqueza. Mas prepare-se: não há como sair dele sem as marcas de uma formação nacional abrutalhada e meio falsa.

Relembra-se lá que quem redigiu os termos da Independência do Brasil, o episódio do paulistano bairro Ipiranga, foi uma austríaca, a princesa Leopoldina, ajudada pelo paulista José Bonifácio; na chegada à colina que abriga o museu, o imperador D. Pedro I não montava um garboso cavalo, mas sim uma mula; e o quadro símbolo, aquele que se aprende desde criança como a representação do momento mais alto do 7 de Setembro, de Pedro Américo, por sua vez, é uma cópia de uma pintura de 1875, do francês Ernest Meissonier, que retrata Napoleão na batalha de Friedland e está no Metropolitan Museum of Art, de Nova York.

Foto de obra de 1875 do francês Ernest Meissonier: Napoleão na batalha de Friedland

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Mas o mais perturbador é a alusão ao comportamento grotesco do imperador D. Pedro I com a mulher, mãe de seus filhos, no episódio do aborto da nona gravidez, que a levou à morte em 11 de dezembro de 1826, aos 30 anos.

Conta o livro, apoiado por uma carta de Leopoldina a uma irmã, que certa vez “D. Pedro teria tentado arrastá-la à força até a sala (…), puxando-a pelo braço. Diante da resistência obstinada, lhe teria desfechado o chute no abdômen”.”

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O Batateiro, de Zica Bergami. Modinha na qual a artista canta (e conta) a história do napolitano que encantava a criançada vendendo batata doce assada nas ruas.

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Sobre o arquiteto Victor Dubugras, aqui tratado como personagem que deixou sua marca na paisagem da cidade (infelizmente já quase toda apagada), recebi outro dia, do amigo do blog Guga Romano, carta com belas fotos.

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O Parque Antártica vai ser reformado para abrigar melhor a torcida palmeirense. Estive lá no último jogo oficial do campo, dias atrás, quando o velho Palestra venceu um time do Rio Grande. O Palmeiras anda meio sem brilho, agora à espera dos gols do novo avante, Kleber, e do comando do Felipe Scolari, que, dizem, está apalavrado com o clube da Rua Turiassu. Olhando um livro de fotos antigas da cidade encontrei a imagem de como era o Parque em 1904.

 

Parque Antártica em 1904

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A uma hora do encerramento da visitação na Estação Pinacoteca, na Praça General Osório, ontem, 21 de abril, à tarde, era grande a fila de pessoas do lado de fora. Tarde ensolarada, cidade às calmas, Parque da Luz cheio, e ingressos a R$ 6 (inteira) chamavam para a mostra “Andy Warhol, Mr. América”. E com direito a visita ao Memorial da Resistência, no mesmo prédio. De quebra, uma passada na sala das telas de Wilfredo Lam, artista cubano (1902-1982). Belo passeio.

PS:

Confesso que tive dificuldades com a iluminação nas salas de Andy Warhol. Como há trabalhos de pequenas dimensões, talvez os menos privilegiados pela visão desfrutassem melhor das obras com uma luz mais dirigida. De qualquer modo, apreciar a sequência azul de Jackie Kennedy é um presente!

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