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As águas do Madeira e da Cantareira

Pablo Pereira

25 março 2014 | 16:31

Enquanto em São Paulo o drama é a falta de água para abastecimento, no Norte ocorre o inverso. É a enchente que preocupa. Outro dia, navegando na inundação recorde que ocorre no Rio Madeira, em Rondônia, encontramos a dura realidade dos brasileiros que vivem naquela terra de água. A reportagem, publicada no Estado de domingo, mostra um pouco do impacto da estação das chuvas no rio e em áreas urbanas até a manhã de sábado, dia 22.

Óbvio que horas depois, como dizia previsão do Sipam (do Ministério da Defesa) relatada na reportagem, a água já havia subido ainda mais alcançando novos limites, encobrindo novas ruas e casas, e desabrigando mais gente. Conta-se 13 mil afetados, boa parcela deles desabrigados que foram removidos para abrigos na Capital. A previsão das autoridades é a de que o rio deve subir até o início de abril. É muita água!

Os técnicos explicam que a chuva que deveria ter vindo para o Sul-Sudeste terminou por cair no meio do caminho, ou seja, na Bolívia e em Rondônia, locais nos quais estão os rios que formam a gigantesca do Madeira. Em vez de irrigar São Paulo, Paraná, Santa Catarina, a chuva caiu ainda nas matas e vai escorrendo para o Madeira, alargando as margens do rio e tomando tudo por lá. O tráfego para o Acre foi cortado e comércio se ressente com falta de mercadorias. Até o Museu da Madeira Mamoré virou lagoa.

A força da natureza, mais as incompetências na gestão pública do ambiente, incomodam muita gente. Em áreas inundadas da Capital não há saneamento básico. Era tudo na base da fossa, como contou uma moradora do bairro Nacional. Um quadro bem brasileiro, diga-se! É uma calamidade que vai se estender por meses, mesmo após as águas começarem a baixar.

Quando chegam assim, em excesso, essas chuvas amazônicas criam imagens lamentáveis no chão – e impressionantes no céu.

Baixo Madeira. No caminho para a comunidade de São Carlos do Jamari, rio subiu o barranco e empurrou a margem por cerca de  5 quilômetros / Foto: Pablo Pereira/20.03.2014

Céu aberto. Em Porto Velho, as chuvas do fim da tarde caem do céu como cachoeira. Desde dezembro as inundações ameaçam moradores. Recorde da cheia foi batido em fevereiro / Foto: Pablo Pereira/20.03.2014