São Paulo mudou muito, costumam dizer saudosos paulistanos. Têm razão. Outro dia, lendo sobre a gastronomia na cidade encontrei no trabalho de Alzira Lobo de Arruda Campos uma curiosa descrição do que eram os prazeres da mesa na virada do Século 20. Por lá já se comia, em datas festivas, o peru recheado e o leitão, que estão presentes em muitas ceias atualmente. Eram comuns também as empadas e os doces caseiros, como o doce de batatas ou de figo e o maravilhoso arroz de leite.
Mas o que mudou radicalmente, observando-se o relato da historiadora, foi o horário das refeições. “O almoço, às nove horas; o jantar, às duas. Às vinte horas, já noite, era servido chá com torradas, biscoitos e pão-de-ló”, conta Alzira. Existiam, mas eram raras, as famílias que faziam em casa à noite as “ceias de garfo”. No dia a dia, as famílias paulistanas de cem anos atrás tinham, em geral, cardápio com arroz, feijão, sopa, e carnes ensopadas – galinha, porco, carneiro ou vaca. E, nos finais de semana, grupos de amigos e famílias podiam, “por dez tostões por cabeça”, entrar nas chácaras dos arredores em busca de pitanga e gabiroba ou para “chupar jabuticaba no pé”.
Uma outra maravilha, relembrada pela escritora, era o hábito de caçar tanajuras para fritar. Ainda hoje é costume em comunidades do interior paulista. Outro dia vi isso acontecendo no Bosque da Princesa, um parque de Pindamonhangaba. As formigas, coitadas, apanhadas em pleno voo, vão direto para a frigideira. Viram tira-gosto, como em São Paulo na virada do século. “Saúvas-fêmeas torradas, vendidas em tabuleiro e consumidas às escondidas pela elite, pois era considerado um hábito de ‘bugre’, indigno com a civilidade dos novos tempos”, escreve Alzira. O texto dela também é uma delícia.
Pablo, comer tanajura me lembrou a infância totalmente. Eu e minha irmã passávamos a manhã cantando para a tanajura “cair”. Depois, calçávamos botas e “luvas” de meia para catar as danadas. Era um manjar dos deuses: Tanajura com farinha de mandioca.
Parabéns pelo blog.
Paulistanos se julgam superiores a todo mundo, mas não passam de um bando de babacas comedores de tanajura….
Paulistanos se julgam superiores???
Francamente Luis, vc nao tem nada a dizer. Evite ao menos, de enviar comentarios como estes num blog tao bacana..
Pablo
Também cacei as coitadas das tanajuras quando criança, mas não tinha coragem de comê-las (e eu nem sou da virada do século). Correr atrás delas já era uma delícia e dávamos muita risada.
paulistanos não se julgam superiores!!!!!SÃO SUPERIORES POIS SEGURAM ESTE PORRA DE PAÍS NAS COSTAS!!!
Como um bom filho pródigo à casa paulistana retornei e o que encontrei no aspecto gastronômico? São Paulo fez a fama deitou-se na cama da pseudo modernidade e jogou na lata do lixo, do tempo, a velha qualidade de seus restaurantes.Claro que não falo desses(com chefe’s metidos a celebridades com programa na TV e pratos absolutamente “imcompráveis”) infreqüntaveis para pés rapados aposentados come me. Falo daqueles de bairro, pequenos ou mesmo grnades mas com comidas absolutamente divinas e com preços humanos digamos assim.Ainda antes de voltar a morar aqui passei por umc desgosto inacreditável. Fomos meu ex-cunhado, minha sobrinha(filha dele) jantar num ristorante com nome sugestivo: “Viccolo alguma coisa” ali naregião do campo belo/ grnaqja julieta não me lembro direito. O loal realmente impressionava: un vèro viccolo italiano, muita finesse e casa cheia. Ao recebermos os pratos pedidos( típicos italianos) olhamos uns para os outros e não acreditavamos no que víamos. Comida fria, com gosto de … de …de nada! Carta de vinhos paupérrima, atendimento por garçãos muito mal educados( metendo o braço na cara da gente para pegar coisas na mesa que ninguem pediu para tirar !)e por fim a qualidade se fez presente: a conta era de um verdadeiro restaurante da via Apia ou semelhante. Um desastre. Mesmo no velho bixiga, está difícil de se comer um filé à Parmigiana decente. A carne parece mais um pedaço de carpete velho( se ainda fosse tapete Persa!!)o sugo certamente de lata e o quijo rançoso são presenças constantes. Numa dessas cantinas cujo nome é muito parecido com o meu, que já fora excelente no passado, a decepção foi do mesmo jaez. E para encerrar uma hisórinha daqui de Peruíbe. Cabreiro com essa maldita má qualidade dos restanurantes, me recusava constantemente a aceder aos convites de minha irmã para irmos até algum deles para jantar. entretanto deixei-me levar pelo canto da sereia da minha sorella quando esta afirmou que estava-se elogiando muito uma nova Pizzeria no balneario. Fomos para lá e como bons oriundi pedimos MArgherita. Ao atendente fiz um pedido explícito: POR FAVOR COLOQUE BASTANTE MANJERICÃO!!sou apaixonado pelo manjericão e possuo dezenas de arbustos do mesmo( do roxo e do verde)naminha casa. Quando a malfadada chegou, saltou-me aos olhos a absoluta ausência do mágico manjero. Ao perguntar a razão, para o garção, veio a resposta fulminate:FOI COLOCADO O DOBRO DO NORMAL!e eu muito tolamente: Mas não vejo uma única folha! Resposta impassível: Ah senhor o manjericão usado aqui na casa é em pó!!! Resta um último comentário: depois que imbecis e ignorantes inventaram que lampadas fluorescentes são mais econômicas estes idiotas que abrem restaurantes só usam este verdadeiro crime contra a visão nossa de cada dia.
Ah… o vôo das tanajuras nas tardes de setembro, outubro… Lá em Minas, à tardinha, eu via os homens nas vendas com a sua cachaça, a cerveja… e pratos de “bundas” de tanjuras torradas, com sal e pimenta… tem cheiro forte, não gosto, prefiro amendoim mesmo! E certa vez, vi uma revoada de tanajuras por sobre um cortejo fúnebre, esquife levado a pulso. Desde então, elas simbolizam a Morte… embora eu saiba que vão fundar novos reinos!
Meu caro Pablo, eu sempre conheci a femea da formiga sauva como Içá e segundo minha bisavo, as içás tinham a bunda grande poque comiam defunto. Quanto ao Roberto decepcionado, ele falou e disse, concordo em número,genero e grau, apesar de não ser oriundi sempe adorei a comida das cantinas do Braz, Mooca e Bixiga, que saudade não è Roberto?O que era doce se acabou.Obs só gostava da comida,o timinho dos oriundis eu smpre detestei viu Roerto.
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