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Blog da Garoa

O governo paulista anunciou nesta segunda, 27, que houve uma queda de 14% no número de assassinatos na capital de São Paulo. Em 2012 tinham sido mortas 1.368 na cidade; planilha, em 2103, conta 1.176 assassinados.

No Estado de São Paulo, a epidemia (2012) espalhou por aí 4.836 cadáveres. Agora (2013), 4.439 cidadãos foram para o cemitério. A reportagem é de Caio do Valle, do Estado. Ele acrescenta: “Em dezembro, na capital foram 99 homicídios dolosos, ante 156 no mesmo mês de 2012. No Estado, em dezembro, houve o registro de 400 homicídios – foram 530 no último mês de 2012″, informa a reportagem.

Os números paulistas e paulistanos mostram redução nos casos, uma “melhora” no comportamento geral. Legal. Boa notícia. Mas indicam também que continuamos a viver numa terrível e assustadora matança!

Aqui se mata o dobro da região metropolitana de Los Angeles, cidade na qual vivem cerca de 10 milhões de habitantes, portanto, no quesito número de humanos, com impacto semelhante ao de São Paulo.

Há um mapa de mortes  (The Homicide Report) na região de Los Angeles, feito pelo jornal Los Angeles Times, que mostra que desde 2007, quando os assassinatos passavam dos 900 por ano, aquele conglomerado urbano vem reduzindo a mortandade. Em 2013, registrou 593 casos – a metade do total de homicídios que aqui é divulgado com ares de conquista!

E, note, Los Angeles tem índices de criminalidade considerados altos para o contexto americano. A cidade registra 7,7 mortes para cada grupo de 100 mil. Nova York está na casa dos 5/100 mil, segundo dados (2012) do FBI, citados no LA Times. A média nacional dos EUA (2012) foi de 4,7 mortes para 100 mil habitantes.

Pobre (rica, fascinante e violenta) São Paulo!

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O pensador tucano Bolívar Lamounier os chamou de “nova classe média”; a pensadora petista Marilena Chauí preferiu “nova classe trabalhadora”. O pessoal em questão é gente (milhões e milhões) que por décadas esteve fora do consumo mas que desde o início dos anos 90 passou a comprar, consumir, produzir, negociar, vender – e a fazer coisas que até então não podia, como trocar de casa, de carro, curtir a Disney, colocar filhos na universidade.

Tudo começou com os tucanos estabilizando a moeda brasileira, que neste ano completa 20 anos, e foi se acelerando na segunda metade desse período com os petistas, que derrubaram juros e criaram ambiente para maior oferta de crédito, inflação baixa, desemprego em queda e renda familiar em alta. Os governos da “turma de Lamounier” fizeram a primeira parte; os “de Chauí”, a segunda.

Nesse longo período, menino que nasceu com o Real hoje já passou até do serviço militar. E aqui ou ali variantes da economia se moveram para cima e para baixo. As setas de um curioso índice, criado por economistas, ajudam a entender o quadro. O Corecon (Conselho Regional de Economia) mede esses movimentos no que chama de Índice do Custo de Vida da Classe Média (ICVM) e confirma que, na essência, a vida brasileira mudou para melhor.

Os “Lamounier” e os “Chauí” nasceram da mesma mãe, a esquerda oposicionista alijada das decisões nacionais durante a ditadura militar dos anos 60, 70 e 80. Depois de um breve período no qual o país esteve sob comando de oportunistas projetos de transição (Sarney e Collor), ambos governaram. E levaram o país a um copo “meio cheio e meio vazio” (só para lembrar raciocínio usado outro dia pela presidente Dilma Rousseff quando falava de otimismo e pessimismo). 

Agora os dois lados voltam a se enfrentar em campanha eleitoral que já está nas ruas. Quem está no governo (os “Chauí”) exalta a parte do copo meio cheio; os da oposição (os “Lamounier”), claro, chamam a atenção para a ameaça da metade ainda vazia. 

Olhando as manifestações das ruas de junho e, atualmente, as visitas de uma moçada aos shoppings, nota-se sinais de que o tal copo tem de ser olhado com bastante cuidado. É a hora da cobrança da terceira parte.

Sejam eles filhos da “nova classe média” ou da “nova classe trabalhadora”, enchem as avenidas e combinam “rolezinhos” nas redes sociais da web em busca de alguma coisa bem concreta: mais! Quem já tirou a cabeça da lama tem sede. E quem ainda não conseguiu, está com pressa.

E não é somente pelo interior do país, governado de Brasília pelos “Chauís”, não. Em São Paulo, dirigido pelos “Lamouniers”, também. Tanto lá quanto cá achar que copo pela metade está de bom tamanho é ilusão. 

Seria bom que “Chauís” e “Lamouniers” também fizessem bastantes “rolezinhos”. Não pelos shoppings, mas pelas periferias.

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A crise humanitária do Haiti, que se estende até a fronteira do Brasil, no Acre, há meses, por conta da migração de milhares de haitianos atingidos em 2010 por um terremoto, volta a atrair atenção – como mostra Itaan Arruda, jornalista do Estado na região. Hoje a ONG Conectas, que tem acompanhado o tema e até já denunciou a crise na ONU, divulgou carta com críticas às ações brasileiras no caso.

Há quase um ano, em abril do ano passado, o Estado mostrou a dureza daquele ambiente em Brasileia. Na época, autoridades federais brasileiras se moveram de Brasília para tentar minimizar a crise que, àquela altura, despejara 1.200 viajantes num insalubre depósito de gente na periferia da cidade.

Agora, a situação lá, segundo entrevista do secretário de Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, em entrevista a Roberto Godoy e Iuri Pitta, da Rádio Estadão, é pior do que aquela fotografada e gravada pelo jornalista Filipe Araújo, e que pode ser vista em vídeo aqui. Mourão argumenta que o fluxo de passagem dos haitianos rumo ao mercado de trabalho no sul-sudeste diminuiu, o que aumenta a tensão local. Pelo andar da coisa, é caso que está longe de uma solução.

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Uma das melhores cidades do mundo em qualidade de vida, Vancouver, no estado de British Columbia, no Canadá, tem um sistema de transportes coletivos que é um show. É um lugar exemplar. Nos pontos de ônibus, o cidadão encontra as informações das quais precisa para usar o sistema – mapas, horários, itinerários, além da proteção da chuva (e como chove por lá!).

Estive em Vancouver em fevereiro e agosto do ano passado. E usei ônibus por vários dias. A passagem custa 2,75 dólares, mais ou menos o dobro do preço de São Paulo, mas a satisfação com o serviço é geral. Pode-se usar o bilhete individual por 90 minutos em qualquer parte da cidade, inclusive no sistema de barcos que liga bairros separados por braços de mar.

No vídeo (em inglês), uma provinha da civilidade do sistema e do respeito que a população tem pelo serviço. E não se trata de uma mera peça promocional da empresa que opera o sistema integrado com metrô. É assim mesmo! O motorista do ônibus espera até o ciclista colocar a bicicleta no local apropriado, na frente do carro, antes do embarque. E, no desembarque, aguarda pacientemente que o usuário retire a bike e siga seu caminho no pedal.

Um dia São Paulo chega lá!

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A prefeitura de São Paulo quer ampliar a área de rodízio de carros. O rodízio de placas em circulação foi decretado em 1997, inicialmente como combate à poluição do ar. A frota paulistana, porém, disparou e aquela equação original montada com a desculpa de limpar a fumaça do céu, usada como argumento para convencimento geral, lá atrás, já não tem mais sentido.

O número de escapamentos de motor nas ruas explodiu – saltou de 5 milhões de carros registrados no ano 2000 para 7,5 milhões de veículos em 2013 – e detonou o argumento ambientalista do rodízio, que há 15 anos, ou seja, quatro mandatos de governo atrás, ainda dos tempos do desastrado Celso Pitta, já era visto por analistas de trânsito como meramente paliativo porque não vinha acompanhado de investida na rede de transportes públicos. De lá para cá o governo (de vários partidos) só correu atrás do próprio rabo e pouco ou quase nada relevante aconteceu.

Faz, então, muito tempo que o tal rodízio de placas passou a ter outro sentido: tentar regular engarrafamentos e encher o cofre público cobrando multas de quem não tem mais paciência com invencionices da máquina de arrecadação. Naquele lobby do rodízio, dizia-se que a medida tirava da rua a fumaça de 20% da frota. Hoje o município tem 7.577.216 (dezembro), ou seja, a frota atual engoliu aqueles 20% e ainda agregou outro tanto ao total de carros nas ruas.

Agora o governo municipal anuncia que quer expandir a cobrança de multas de rodízio para corredores que estão fora da região do tal Centro Expandido, a área paulistana na qual o morador é obrigado, um dia por semana, a deixar o carro em casa e usar a ineficiente malha de transporte público para escapar dos guardas e radares –  ou gastar com táxi.

Como não conseguiu faturar mais com aumento do IPTU deste ano bem acima da inflação na marra, a prefeitura, mais uma vez, planeja avançar sobre o cidadão espalhando seus radares e agentes da CET para pegar mais gente nas malhas do rodízio além do cerco atual. Para melhorar a vida nossa de cada dia? Ah, tá!

Abandonando o lobby da qualidade do ar, desta vez o pavor oficial espalhado é o do trânsito. Pelo menos assumem, finalmente, que o mote ambiental não tem aquela importância toda na marquetagem da coisa e tratam o assunto pelo primeiro nome: gestão de engarrafamento.

Esse argumento de controle de trânsito, aliás, já aparecia lá na origem do debate, quando a CET aplicou a restrição para, em seguida, criar a nova máquina de multar. Mas ainda não era assim tão poderoso. O do ar poluído saiu na frente.

Uma década e meia depois, tempo mais do que suficiente para ação efetiva do poder público para resolver a questão dos transportes públicos na cidade, coisa que não aconteceu, voltam agora a apelar para a enganadora ferramenta do rodízio.

Montar um sistema integrado de trens, metrô e ônibus de qualidade, competente e amplo, realmente atrativo para a massa que precisa de locomoção, nem pensar.

Estender o tal rodízio em São Paulo é aprimorar a arte de ganhar dinheiro enxugando gelo no trânsito.

Até quando?

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Linha do Tempo dos Carros em SP

1898 – registro do primeiro carro na cidade

1911 – 64 veículos

1918 – 1.977 carros

1954 – 101.010 carros

1964 – 307.120 carros

1975 – começa a cobrança da Zona Azul

1982 – 1.850.000 carros

1988 – explosão: 4.102.088 carros

1997 – surge o rodízio municipal das placas

2000 – 5 milhões de carros

2008 – 6.369.581 carros

2013 – 7.577.216 carros

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 Fonte: Detran SP e Acervo de O Estado de São Paulo

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Sai ano, entra ano, e a vida em janeiro pouco muda. Este é aquele mês duro – quando nos chegam os carnês do IPTU, IPVA. É quando milhares de famílias são forçadas a meter a mão no fundo do bolso para pagar o material escolar das crianças, como nos lembra estudo divulgado pelo Procon. É também o momento no qual a gente volta a se dar conta de que este é o país das espertices e malandragens. Sabe de quanto é a variação dos preços de um lápis, segundo o levantamento do Procon? 450%.

Paraíso dos arranjos, o Brasil ainda é a terra da insuportável, vergonhosa e cansativa rotina do “venha a nós tudo – ao vosso reino, nada”. É a sociedade do jeitinho, dos improvisos. É assim com legisladores, governos, profissionais liberais, industriais, atravessadores e, claro, com comerciantes.

Aqui o sujeito acha que pode sonegar, cobrar por fora, acrescentar o seu depois da vírgula, corromper, e até vender um lápis por quatro vezes o valor do menor preço (que já embute lucro). Tudo isso na maior mão grande.

Esse povo do comércio abusivo não está só nesse mundão do cada um por si. Na verdade, está escolado por ações oficiais, atos de autoridades que lhe aplicam uma carga tributária perversa sem lhe entregar a contrapartida do serviço público de qualidade. É a República do 171.

Dando exemplo, a autoridade usa suas maiorias legislativas, fisiológicas, para aprovar o avanço de suas garras sobre a renda do contribuinte. De cima a baixo.

O governo federal, numa ponta, crava as unhas na produção; na outra, não reajusta, por exemplo, as tabelas do Imposto de Renda – e mantém o torniquete compulsório nos salários.

Anos atrás, a Previdência Social deu golpe em milhões e milhões de pessoas com o tal do fator previdenciário, artimanha das planilhas de custos tucanas que tira dinheiro da carteira do pessoal do dominó para fazer superávit primário em Brasília e sustentar a orgia na fábrica de cabides da máquina pública, política de corrosão de renda mantida intacta pelo lulopetismo-peemedebista.

Hoje o quadro é outro, as taxas de desemprego despencaram, a base de Carteiras de Trabalho assinadas, portanto, é bem mais larga, mas a maldade inventada nos anos 90, que sangra os caraminguás mensais dos aposentados, permanece. É dinheiro de sonhado bem-estar social que vai sumindo no ralo de governos…

Em São Paulo, a terra de altos preços dos pedágios das estradas cedidas pelo projeto tucano à consórcios privados e de congeladas alíquotas do ICMS, caça-níqueis estaduais que enchem cofres públicos e (alguns) privados, a vida segue a lógica sugadora da recente tentativa municipal da capital de um aumento do IPTU três vezes maior do que a taxa da inflação anual, obra de petistas com votos até de seus ex-inimigos políticos malufistas.

Está tudo aí, reduzindo renda e atrapalhando a vida do eleitor.

O administrador público (petista, tucano, peemedebista, e outros) só sabe trabalhar com ferramentas que mutilam a renda suada de quem trabalha e produz. Sem vergonha nem culpa. E justifica que está dentro da lei. E está. O esquema legislador brasileiro criou-lhes a proteção. Desonerar a sociedade, eliminar impostos, são coisa de herege.

No caso da prefeitura, o novo eleito pode, assim que assume o cargo, rever a planta genérica de valores da cidade, base para cálculo do IPTU. Assim, arma seu orçamento para o segundo ano de mandato. E manda conta para o morador. Tudo na maior legalidade. Azar é do contribuinte. Que se vire!

Pois a folhinha na parede foi trocada, está lá agora o 2014.

Quem sabe aquele “pouco muda” (lá da primeira linha) possa representar um alento, um começo. Pelo menos neste janeiro, alguns brasileiros (os paulistanos) estão livres do danoso “me dei bem com o dinheiro dos outros”.

Com o tempo, prega a fé nos humanos, talvez essa pontinha de lucidez que impediu o aumento abusivo de um imposto ajude no fim desse hábito, público e privado, de tomar mais e mais dinheiro do cidadão sem lhe fornecer produto e serviço justos.

Quem sabe se não se pode começar por aí a desentortar a boca de uma sociedade desenhada pela lei de Gérson.

E, aí, um lápis possa até ser comprado pelo preço real de um lápis. Quem sabe…

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A prefeitura de São Paulo está mudando a regra de reajuste dos contratos de fornecedores alegando que os índices de correção devem ser só os da inflação. Isso já ocorre com outras prefeituras grandes. Ok.

Dinheiro público não deve mesmo ser gasto sem controle. Deve ser administrado com rigor, de acordo com as “boas práticas de compras”, como dizem na prefeitura, sem privilégios, em favor do bem comum, da sociedade, não de grupelhos.

E os administradores estão jogando pesado! Se o fornecedor não topar o novo modelo de reajuste, este que usa somente a inflação, tá fora do negócio no final do contrato.

Será punido. O contrato não será renovado. É ameaça de represália, uma clara forma de pressão.

Interessante é que este critério de reajuste (repasse somente da inflação), decretado em abril, foi totalmente esquecido quando a prefeitura quis aplicar 20% de aumento no IPTU, três vezes mais do que o índice da inflação… Felizmente, a Justiça, agora no final do ano, barrou a malandragem, que tinha a ajuda da maioria dos vereadores.

É uma prefeitura que paga com mãozinha mas quer cobrar com mãozorra!

Caso voltem com essa conversa fiada de aumentar o IPTU acima da inflação em 2015 (porque blábláblá e blábláblá), como cogitam, o contribuinte-eleitor poderá aplicar neles, logo no ano seguinte, o mesmo recurso que usam agora nos fornecedores: não renovar-lhes o contrato, digo, o mandato.

Democraticamente!

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