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Blog da Garoa

Muitas cidades costumam ter seus mimos, aqueles espaços de vias públicas que se transformam em ícones locais, marcas de convivência. Nova York tem a Quinta Avenida e a Times Square, ambas bem conhecidas de milhares dos brasileiros que por lá se divertem – e cada vez mais!

Roma, Paris, Madri, Barcelona, Buenos Aires, Rio, Porto Alegre – e, claro, São Paulo- também conservam essas áreas cobiçadas por ávidos turistas e amadas por seus nativos. Ontem e hoje (26 e 27), a Avenida Paulista, marco maior da capital paulista, foi assunto de uma roda de debates que tenta olhar para ela não só na conjuntura de usos e costumes, mas também para o seu futuro próximo.

Para saber mais sobre a iniciativa, clique em Avenida Paulista.

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Nem tudo é discórdia no mundo dos índios que lutam por áreas ancestrais – lá dos tempos da Terra Brasilis, de Lopo Homem – e que há décadas são ocupadas por fazendeiros e outros produtores agrícolas país afora. No Mato Grosso do Sul (MS), um consenso anunciado hoje entre a prefeitura de Nioaque e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) vai beneficiar uma centena de pessoas da etnia Atikum.

O documento, com o aval do Ministério Público Federal (MPF), “prevê a permuta de uma área da União de 251 hectares no município de Caracol (MS) para a prefeitura de Nioaque, responsável por vender o imóvel e adquirir outro em seu município”. A área a ser adquirida será registrada em nome da União.  ”Com usufruto para os indígenas”, informa o MPF.

Esse é um modelo de arrumação que tem sido pregado como caminho para o desarme de dezenas de conflitos potenciais existentes naquele pedaço e que envolvem também as etnias guarani e terena. Pelo trâmite da coisa a partir de agora as partes (oficiais) têm 3 anos para fechar negócio com uma terra que os indígenas ajudarão a encontrar.

Para lembrar, o belíssimo Mapa de Lopo Homem é de 1519. O historiador português Jaime Cortesão (1884-1960) dizia em 1956, no Estado, que o documento era uma das provas de que as costas brasileiras já tinham sido ostensivamente frequentadas – e exploradas – quando se anunciou a “descoberta”.

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17.novembro.2013 17:29:03

O recado de Sandra Bullock

Recomeçar, sempre, não importa o tamanho da encrenca na qual você esteja metido. Mesmo que você esteja perdido no espaço, quase sem ar, sempre há uma saída. O filme Gravidade, do mexicano Alfonso Cuarón, com a bela americana Sandra Bullock, é isso. Desistir, jamais!

Para sair de órbita, vá ao cinema. Para brincar, clique em Initiate Spacewalk 

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PS:

São Paulo durante um feriadão é uma maravilha!

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Outro dia estive no Rio de Janeiro para uma reportagem sobre o empresário Eike Batista. O Rio é um belo lugar. Mas, como muita coisa no Brasil, anda pelas beiradas em muitos quesitos. Na recepção do hotel, em Copacabana, ouvi uma coisa triste. Era um grito que dizia muito sobre a realidade do mais famoso cartão postal brasileiro. Um rapaz chamava turistas europeus: “Favela tour, favela tour”!

O guia de passeio recolhia interessados na visita a um “ponto turístico” carioca. Chovia e o Cristo Redentor estava escondido. O Pão de Açúcar, idem. Praia, sem chance. Então lá foram eles, na van, curiosos como crianças no caminho do zoológico.

Foram ver os pobres brasileiros que vivem na miséria das montanhas encobertas pelo descaso de uma sociedade sem vergonha, corrupta, chinfrim, ruim, perversa, um povo que mantém aquele nervo exposto há décadas.

Duvido que a miséria mostrada aos turistas da Rocinha e do Alemão seja indispensável para a alma da cidade de Machado de Assis. Duvido que a pobreza e o desamparo sejam parte necessária da criatividade do samba, da perspicácia, da arte de viver devagar, daquelas milhares de criaturas que há gerações são obrigadas à penosa existência nas “comunidades”.

Recuso-me a crer que os “cariocach” dos morros não tenham inspiração para compor e cantar a magia que lhes emprestam aquelas paisagens maravilhosas, cortadas por colinas, mar e lagoa, se lhes for garantido o acesso aos bens de consumo das casas do asfalto.

Como na violenta e também desigual metrópole paulistana ou na distante capital nacional das fossas, Macapá, são vítimas de uma inominável preguiça geral e de uma letárgica e criminosa omissão de governos e mais governos. Formam uma enorme massa de gente usada bastante como moeda eleitoral, na maior cara de pau. E que vive a servir de bicho de gaiola para turistas.

Há por aí a discurseira oficial dos “nunca antes neste país” e de outros “entendidos, letrados”. Mas ainda falta muito, muito mesmo, para que o país possa encher a boca para se dizer uma democracia!

“Favela tour, favela tour”!, gritava o homem.

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Clique para ler a reportagem

 

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03.novembro.2013 14:57:21

A “guerra” nossa de cada dia

O Brasil ultrapassou a casa dos 50 mil assassinatos em 2012. 50.108 mortos! Reportagem do jornalista Bruno Paes Manso, do Estado, noticia a carnificina – uma mortandade absurda espalhada pelo país. A violência cresce, São Paulo puxa os índices e as autoridades, mais uma vez, fazem cara de paisagem, como se nada estivesse acontecendo.

São números assustadores. É uma epidemia. A estatística revela que o crime contra a vida já é hoje tão corriqueiro no cotidiano brasileiro que morrer de morte matada nem chama mais tanto a atenção. O povo se danando na mão da bandidagem e o Estado ainda ajudando a engordar a numeralha com seu despreparo. E, como diz o grande Milton Leite na TV, segue o jogo!

Lendo a notícia, lembrei do livro da professora Teresa Pires do Rio Caldeira, Cidade de Muros (Editora 34/Edusp), editado em 2000, que é uma aula sobre origens da criminalidade com o tema olhado do ponto de vista da cidade de São Paulo.

A matança estudada pela professora se refere a período das décadas de 1980 e 1990. Mas as conclusões dela estão mais do que atuais. O livro ensina por quais caminhos os brasileiros – paulistanos, principalmente – passaram para chegar ao espantoso número de assassinatos relatado por Bruno Paes Manso. “A vida cotidiana e a cidade mudaram por causa do crime e do medo”, escreve a autora na abertura da apresentação de sua pesquisa.

Alguém aí que anda por São Paulo nestes dias de 2013, portanto 13 anos depois de o texto ser lançado, passeia à vontade pelas ruas, para no trânsito sem se preocupar com assaltos ou sai da última sessão do cinema sem um friozinho na barriga? Ou ainda: vai a uma manifestação na Paulista, no Largo da Batata, na periferia, sem medo de bombas, tiros e black blocs?

A leitura de Cidade de Muros ajuda a entender esse clima nada ameno na cidade. O estudo mostra que o crime não é uma maldade pura e simples existente nas pessoas. Mostra que boa parte da cultura da violência urbana, que desemboca na matança, vem junto com o próprio Estado. Antigamente, lembra a professora, o Estado até autorizava o espancamento dos fora-da-lei. Foi assim com o cidadão medieval, com os escravos e, mais recentemente, com os presos políticos das ditaduras.

Por estes dias, a tortura e o castigo corporal ainda são usados em cadeias e nos interrogatórios policiais (cadê o Amarildo?). E, muitas vezes, quando o Estado, despreparado, não consegue enquadrar os fora-de-quadro (legal) só descendo o porrete ou atirando balas de borracha, usa a mesma ferramenta do bandido: mata!

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