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Blog da Garoa

 

Mapa do IDHM no Brasil em 1991

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Mapa do IDHM no Brasil em 2000

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Mapa do IDHM no Brasil em 2010

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Uma forte mudança ocorreu na vida brasileira nos últimos anos. Estudo da ONU sobre o Índice do Desenvolvimento Humano (IDHM) aponta isso claramente nos três mapas acima, divulgados nesta segunda-feira, 29/07. Para ver a situação detalhada do estudo clique aqui.

Em duas décadas, saímos de 85% dos municípios na situação de Muito Baixo Desenvolvimento Humano (primeiro mapa, 1991) para chegarmos, em 2010, a 74% dos municípios na situação de Alto Desenvolvimento (terceiro mapa). Uma mudança fortíssima, que criou novas expectativas e, de certa forma, está por trás da recente onda de descontentamentos da população com os serviços públicos desde junho.

Mas há ainda um longo caminho a percorrer nos requisitos básicos. Há muita gente que ainda vive com dificuldades extremas, sem saneamento básico, renda reduzida. O texto do Atlas 2013 revela que “cerca de 25% dos municípios (1.431) estão nas faixas de Baixo e Muito Baixo Desenvolvimento Humano”.

Quem é (ou conhece) das periferias (para usar uma palavra que o papa Francisco acaba de sapecar na agenda) sabe que o quadro de abandono é parte também das grandes cidades – e é grave!

Diz o estudo que o PNUD que as “faixas de desenvolvimento humano são calculadas tendo como base o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) dos 5.565 municípios pesquisados pelo Censo de 2010, do IBGE”.

Os dados gerais da ONU analisam o Brasil de 1991 até 2010, portanto um período de 20 anos, abarcando aí Collor, depois Itamar (até 1993), os dois mandatos de FHC (1994 a 2002) e os dois mandatos de Lula (2003 a 2010). Naturalmente que os dois partidos políticos que agrupam as principais forças políticas nacionais (PT e PSDB), ambos em preparação para mais um embate eleitoral em 2014, tentarão, cada um, puxar a brasa para sua sardinha.

E os mapas acima fornecem uma informação apurada por período. Uma olhada nas cores ajuda a localizar na linha do tempo o período no qual está concentrada a melhora da vida do povo. A escala vai do vermelho (pior) para o verde (melhor) e o raro azul (muito melhor). Compare.

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 O discurso do papa Francisco ao visitar favela de Manguinhos, no Rio, marca a viagem ao Brasil com forte posição contra a desigualdade social.

 “…povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Quase parece um palavrão: solidariedade“, diz trecho do discurso feita pela manhã aos moradores de Varginha.

 Em outro trecho:

 “Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça.”

O argentino Francisco segue a cartilha cristã com rigor, tomando partido ao lados dos necessitados, como seu grande inspirador, Jesus Cristo. Com isso, parece querer levar a Igreja a uma retomada de princípios. O que em muitos momentos na Igreja já soou como retórica indesejada, esquerdista (para uns); vazia, antiquada, fora de tempo (para outros), agora reaparece com vigor no discurso do novo líder.

Para deixar sua marca bem clara, o papa foi a uma favela do Rio. A visita escancara a vergonha brasileira de permitir que milhões de famílias passem a vida em favelas.

A trajetória de vida religiosa de Francisco já o levou muitas vezes a ambientes de abandono como aquele que ele viu no Rio. Ao visitar aquela família em casa pobre de Varginha, nesta sua primeira viagem internacional, Francisco quer mostrar aos moradores que a Igreja se importa com eles.

Mas mostra também outra coisa: lembra aos governantes brasileiros que um outro papa, João Paulo 2º, fez a mesma coisa. Em julho de 1980, ele foi a uma favela, a do Vidigal. Pois, 33 anos depois, desgraçadamente, nem com a vinda de um papa o quadro mudou.  Milhões de brasileiros continuam favelados.

Aposto um cafezinho que nos contatos com Francisco, nem o prefeito do Rio, Eduardo Paes, nem o governador fluminense Sérgio Cabral (que posam de anfitriões), nem o governador paulista Geraldo Alckmin (que foi à missa de Aparecida), e muito menos a presidenta Dilma Rousseff  (que recebeu o papa no primeiro dia) pediram-lhe perdão por governarem por anos e anos os orçamentos públicos, gastando dinheiro arrecadado de impostos, sem uma solução para o flagelo das favelas.

 “Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais!”, disse o papa.

 Estaria Francisco, repetindo João Paulo 2º,  pregando no deserto?

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Outro dia, entrevistando o escritor e produtor de filmes Francesc Escribano sobre sua obra (livro e filme) a respeito de Dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia, ouvi do autor catalão, que o religioso, igualmente nascido na Catalunha, gostou da escolha do nome Francisco pelo papa argentino Jorge Mario Bergoglio. “Francisco não é só um nome; é um programa de vida”, disse Escribano acerca do papa que está no Brasil. Citava o bispo que adotou o combate à pobreza no sertão brasileiro como missão.

Independentemente da fé de cada um, não há como ignorar a abrangência e o impacto desse momento da Igreja, certamente nunca antes vivido na América Latina. São tempos com variáveis especiais como a guinada à esquerda dos eleitorados da região, a crise econômica mundial e a Era da comunicação global instantânea.

Só para lembrar, Dom Pedro Casaldáliga é hoje, aos 85 anos, um dos principais ícones do que foi nos anos 70 e 80 o movimento da Igreja chamado de Teologia da Libertação, veio viver no isolamento rural no Brasil em 1968, defendendo causas sociais quando não existia celular e os ares da ditadura já turvavam o cenário político nacional.

Pois aquele ideário de justiça social, de defesa dos menos favorecidos, dos abandonados pelo Estado, dos índios, dos colonos, dos pobres nas favelas urbanas – que lhe rendeu ameaças de morte e o levou ao Vaticano para ser repreendido pelo então bispo Joseph Ratzinger, depois escolhido papa Bento 16 -, reaparece agora com força nos discursos da Santa Sé. É linha central do papado de Francisco.

Pode-se dizer que a Igreja Católica quer estancar a evasão de fiéis que migram para as religiões evangélicas e enfraquecem as suas paróquias. Pode-se pensar igualmente que os pensadores do Vaticano querem defender dogmas cristãos ameaçados por modernidades e pela velocidade do fluxo de informações alucinante que toma a globosfera. E que buscam na juventude a renovação de sua existência milenar. O mais correto, a meu ver, é pensar que criou-se nos últimos anos um canal pelo qual essas visões – a perda de fiéis e o questionamento dos dogmas – se juntam e são olhadas com a lupa vaticana.

Nesse quadro, demandas sociais como acesso a serviços públicos de qualidade, igualdade de oportunidades na educação e saúde, fim da roubalheira dos administradores públicos, garantia de renda, emprego, oportunidade de mudança de patamar social, liberdade de expressão, que eram, aos olhos da guerra ideológica dos 60/70, imediatamente taxadas como extremismos insuflados por agentes esquerdizantes contrários ao desenvolvimento nacional, hoje fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas que lotaram ruas e ruas com manifestações.

Pois em nome do combate a protestos por essas demandas sociais já se fez política rasteira no Brasil, com polícia e repressão. Reagindo a essas vontades, a própria Igreja, em determinados momentos, colocou-se contra a militância popular – como na tentativa do Vaticano de enquadrar o bispo do Araguaia.

Para ficarmos somente no Brasil, hoje se vê que a criação de uma nova classe média amplificou reivindicações do pessoal alijado do consumo, e submetido ao segundo plano em tantas outras áreas, por décadas, e que é levada às ruas pela irreverência da juventude, coisa muito conhecida das regiões empobrecidas das regiões metropolitanas. E se vê também que essa massa emergente entoa num só coro palavras de ordem e carrega bandeiras que antes eram vistas como contestação “comunista” – lembram das acusações ao bispo do Araguaia e àqueles que trabalhavam contra a ausência do Estado e por mais igualdade?

A esta altura do campeonato, julho de 2013, não há como ignorar que a visita do jesuíta franciscano, a primeira de Francisco de Roma, aponta para uma preocupação social da Igreja Católica como não aparecia no cenário internacional havia muito tempo. Pode-se dar o nome que se quiser para este período de Francisco e à peregrinação dele em busca do fiel jovem.

Mas não há como negar que as demandas sociais defendidas por bispos como Casaldáliga, e para as quais muita gente (católica, inclusive) torceu o nariz por muito tempo – e que ainda hoje são tão presentes na dureza das periferias -, revive na Igreja de Francisco.

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Depois de ler Getúlio Vargas: dos anos de formação à conquista do poder – 1882-1930, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem estado ocupado com a leitura dos originais do segundo tomo da trilogia do escritor Lira Neto. O autor cearense, que lá biografou Castello, Maysa, Padre Cícero e José de Alencar, lança nos primeiros dias de agosto o livro sobre Vargas de 1930 a 1945. O volume final abordará o Brasil de 1945 ao suicídio, em 1954, e será lançado em 2014.

Lula fechou a semana com o livro de Lira Neto depois de, nos últimos dias, ter dedicado atenção especial a encontros com jovens, políticos e intelectuais, numa tentativa de interpretar a vontade escrita nas ruas em junho por milhares de brasileiros.

O petista (que já teve a trajetória política comparada à de Vargas) e o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (que sonhava em varrer do país o legado varguista) receberam os originais de Lira Neto porque escrevem textos para a contracapa da obra, editada pela Companhia das Letras.

Neste volume, Lira Neto conta 15 anos da história de Getúlio Dorneles Vargas (1882-1954), exatamente o período no qual eventos como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o salário mínimo e o incentivo à industrialização ajudaram o país a criar e alimentar a classe média consumidora nos grandes centros urbanos.

O encontro com o autor ocorreu por solicitação de Lula. Ele telefonou para o escritor Fernando Morais, que lhe havia presentado com o primeiro tomo, pedindo que convidasse Lira Neto para um almoço na terça-feira, 15. Com o livro sobre a mesa de trabalho, ao lado de uma biografia de Abraham Lincoln (1809-1865), um dos pais dos Estados Unidos, Lula recebeu os escritores, comentou a obra e citou trechos da biografia, que tem anotações em beira de página.

“Lula é um leitor atencioso”, disse Lira Neto na semana passada, depois de estar no Instituto Lula.

Transformação

O ex-sindicalista gostou da narrativa. “Ele comentou que parece ver Vargas caminhando pela Rua da Praia (em Porto Alegre)”, lembrou Fernando Morais.

No segundo volume, o que mais parece ter angustiado o ex-presidente são as descrições das mudanças radicais na trajetória política de Vargas, como o momento do livro no qual o ditador atropela a democracia. Também chamou bastante a atenção (negativamente) como Vargas compactuou com uma personagem que Lula acha terrível: Filinto Muller, o chefe de polícia varguista.

Morais, autor de  A Ilha e Chatô, também está escrevendo outro livro, este sobre o próprio Lula. Ele começou o “projeto” há dois anos – e ainda não tem data para acabar. “Já tenho uns 30 depoimentos. E recebi um pacote com mais de 30 fitas, mais de 40 horas de gravações dele. Ouro puro”, afirmou Morais.

“Conheço o Lula desde os tempos das greves em São Bernardo”, declarou o escritor. Ele recordou dos tempos de tensão e repressão política no Brasil, final dos anos 70, início dos 80, tempos nos quais Lula foi perseguido pela ditadura, e preso. “Jantamos juntos na véspera da intervenção no sindicato. Fernando Henrique estava lá naquela noite, mas voltou para São Paulo porque não acreditava em uma intervenção militar. Nós ficamos. E à 1h da manhã a tropa cercou o sindicato”, disse. Morais se refere à primeira intervenção no sindicato, ocorrida em março de 1979. Lula foi preso em 19 de abril de 1980, e solto em 20 de maio.

Autor também da história de Olga, a mulher de Luís Carlos Prestes, mandada aos nazistas pelo ditador Vargas, Morais contou que o encontro no Instituto Lula serviu também para os três conversarem sobre as manifestações de junho e, obviamente, a conjuntura política brasileira.

Candidatura?

Na conversa no Instituto, localizado no bairro Ipiranga, Lira Neto lembrou a Lula que Vargas, no terceiro livro, depois de um retiro na fazenda gaúcha, volta ao poder no Rio. E, então, fez ao petista a pergunta que boa parte do país gostaria que ele respondesse depois que a popularidade da presidente Dilma Rousseff escorreu ladeira abaixo, segundo pesquisas de opinião.

Ao estilo do jornalista Samuel Wainer, que durante uma visita a São Borja, em 1949, entrevistou o líder do PTB (que confirmou a nova candidatura), Lira Neto não resistiu à provocação: “O senhor pensa em voltar a morar em Brasília?”, disse a Lula, imitando a técnica de apuração de Wainer. Mas Lula não caiu na “esperteza”. Como Vargas, riu da pergunta. Mas disse que não é candidato.

Parece que os escritores acreditaram…

Juventude

Durante a semana, Lula tentou também uma aproximação com a juventude. No mesmo dia do encontro com os escritores, chamou ao Instituto o secretário da Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, um apaixonado pela cultura digital, para acompanhá-lo em reunião com jovens de movimentos sociais, partidos e entidades populares e de mobilização na web.

Estiveram com ele jovens ligados à UNE, UJS, MST, CUT, PT, PCdoB, além de blogueiros do próprio Instituto Lula e o que eles chamam de “coletivos”, como Circuito Fora do Eixo e Existe Amor em SP, movimentos que ganham massa nas redes sociais. O pessoal do Movimento Passe Livre, protagonista principal das manifestações de junho, não estava na reunião. Disse que nem foi convidado.

Na conversa com a moçada, Lula se disse interessado em ouvir o que eles pensam do país e suas demandas, muitas delas apresentadas nos cartazes de manifestantes que lotaram as ruas. O primeiro encontro do ex-presidente com a juventude ocorreu havia quase um mês, ainda no calor das manifestações deixarem políticos, líderes de partidos e analistas e sociólogos perplexos. A reunião da terça-feira, dia 15, foi prosseguimento daquela anterior.

Artigo

“Ele queria ouvir a juventude e abriu uma porta para o diálogo”, afirmou na sexta-feira Pablo Capilé, do Fora do Eixo, que esteve na reunião logo após o almoço do ex-presidente com os escritores. Para Juca Ferreira, Lula queria falar de conjuntura, do significado das manifestações. “Na chegada, ele perguntou: você leu o artigo (publicado no Times)”, contou Ferreira. “E disse, você vai gostar”, emendou.

No texto do Times, Lula elogia os movimentos e adverte os partidos políticos para a necessidade de renovação. “Eu encaro como uma espécie de manifestações do descontentamento com o nível da democracia”, argumentou o secretário. “Os partidos políticos foram longe demais na insensibilidade com os movimentos populares”, acrescentou Juca.

Dois dias depois, Lula foi à palestra de encerramento de seminário sobre política externa na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo. Falou por mais de duas horas para uma plateia de estudantes que lotou os 400 lugares do auditório. respondeu perguntas sobre política externa, contou histórias do tempo de seu mandado, defendeu o governo de Dilma Rousseff, festejou os 95 anos de Nelson Mandela, e surpreendeu ao falar de boatos sobre uma suposta complicação de sua saúde.

Pediu aos estudantes que lutassem contra o que chamou de “vandalismo na internet”, negou que esteja fazendo “tratamento escondido” para um câncer, anunciou exames regulares para agosto, e chamou de “canalhas” e “imbecis” usuários de redes sociais que vão à web espalhar notícia falsa. Foi aplaudido. E deixou o auditório assediado como um popstar.

 

 

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“Não é só uma grande e rica história. Descalço sobre a terra é um grande filme”. A afirmação é de Eugeni Sallent, diretor da TV 3, a TV da Catalunha, que participa da produção da minissérie sobre a vida do bispo de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldáliga, de 85 anos.

Em entrevista em São Paulo, onde apresenta nesta quarta-feira, 10, o primeiro capítulo da minissérie na Cinemateca Brasileira (Vila Clementino), Sallent destaca a participação de atores brasileiros (Babu Santana e Eduardo Magalhães)  na obra dirigida por Oriel Ferrer, baseada em biografia de mesmo título escrita pelo jornalista e produtor de cinema Francesc Escribano, diretor da produtora Minoria Absoluta, de Barcelona.

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O ator catalão Eduardo Fernández (A pele que habito) interpreta dom Pedro Casaldáliga. O também catalão Sergi López (A pele que habito, Partir)  faz o então cardeal Joseph Ratzinger, que depois foi eleito papa Bento 16. A partir de tenso encontro entre o bispo, que no Brasil se transformou no principal ícone da Teologia da Libertação nos anos 70 e 80, e Ratzinger, encarregado pelo Vaticano de aplicar-lhe pena de censura,  o filme reconstrói os primeiros anos do missionário católico no interior brasileiro.

Militante das causas indígena, de colonos, de peões, ele chegou ao Brasil em 1968. Depois de sofrer ameaças de expulsão durante o período da ditadura militar, acusado de esquerdista, comunista, e de ser ameaçado de morte por fazendeiros e posseiros no Mato Grosso, o bispo de São Félix vive até hoje na cidade.

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Com a saúde debilitada, não quer deixar o lugar. E costuma dizer que quer ser enterrado no velho cemitério de São Félix, à beira do Rio Araguaia, onde há vítimas da injustiça social, pistolagem, ausência do Estado. Mesmo sem nacionalidade brasileira, nascido perto de Barcelona, ele se considera da terra que escolheu para pregar.

Há anos, quando o então presidente Lula disse que ficaria muito contente quando lhe desse cidadania brasileira, o velho bispo respondeu que aceitava – mas condicionou o recebimento da “distinção” ao momento no qual o líder petista fizesse a “reforma agrária” no país.

Continua catalão.

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Veja aqui o vídeo (em catalão) sobre a pré-estreia em São Paulo, com a presença do presidente da Catalunha, Artur Mas.

 

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Um incêndio na favela de Heliópolis matou três pessoas na madrugada deste domingo, 7, em São Paulo. Pelo menos 17 pessoas ficaram feridas e mais de 800 pessoas ficaram sem casa para morar de uma hora para a outra. Uma tragédia na vida de gente que já tem muito pouco – ou quase nada.

Incêndios em áreas de habitação de pessoas de baixa renda, como essa, são comuns na cidade. São Paulo tem até um mapa do fogo queimando favelas, que mostra o tamanho do descaso do poder público com essas comunidades.

O caso da Comunidade da Ilha, que agora chora seus mortos, é mais um daqueles tantos acidentes que depois são esquecidos, rendem uma bolsa-aluguel mixuruca por alguns meses aos deslocados – que se não se virarem por conta própria e com parentes vão penar até conseguir de volta o que perderam.

Pois veja o que aconteceu horas antes, em Porto Alegre. O Mercado Público, construção centenária, tombada pelo patrimônio histórico da capital do Rio Grande do Sul, também pegou fogo. Não há mortos ou feridos e os danos são do prédio, que já foi restaurado anos atrás depois de dois ou três destes incêndios.

Pois não é que (pasmem!) até a Presidência da República já se manifestou a respeito do incêndio em Porto Alegre? A presidente Dilma Rousseff correu a telefonar para anunciar que vai liberar dinheiro para a reconstrução do Mercado!

Eu, se fosse um daqueles moradores que hoje está metido com velório e enterro de parentes por causa do fogaréu na favela de Heliópolis, ficaria, no mínimo, chateado se não recebesse nem um telefonema do Palácio do Planalto, como foi anunciado até no blog da Presidência.

E olha que até o prefeito Fernando Haddad é do PT, o partido de Dilma.

Depois não sabem por que são xingados nas ruas!

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 Nota do Planalto divulgada às 21h06.

 

(Post atualizado às 21h37 para registrar a Nota Oficial do Planalto sobre o caso de Heliópolis, divulgada às 21h06.)

 

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Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT), será homenageado em São Paulo na noite de quarta-feira, dia 10, na Cinemateca Brasileira, na Vila Clementino. O religioso, de origem catalã, é um ícone da resistência ao abuso do poder econômico em uma área de tensão permanente, a fronteira amazônica, desde os anos 70.

Casaldáliga será lembrado com o filme “Descalç sobre la terra vermella” (em catalão) – no Brasil é chamado “Terra Roxa” -, obra sobre a vida dele baseada em livro de Francesc Escribano, jornalista, escritor e biógrafo de Casaldáliga (abaixo, em foto do site da CNBB). É uma minissérie com produção (2012) conjunta de Minoria Absoluta, Raiz Produções Cinematográficas e das TVs da Catalunha (TV3) e Espanhola. Na Espanha, o filme tem dois episódios.

A apresentação do primeiro capítulo, somente para convidados, é parte de visita da comitiva da Catalunha, que baixa no Brasil nos próximos dias chefiada pelo presidente catalão Artur Mas. Segundo Ferran Royo, presidente do Clube Brasileiro Catalão de Negócios, a visita é uma ofensiva para ampliar os negócios com o  Brasil.

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A propaganda oficial governista diz que país rico é país sem miséria. Noves fora a obviedade argumentativa, vem logo a perplexidade com a exagerância, diria o sucupirano.

A miséria não é privilégio vergonhoso das áreas urbanas cariocas e paulistas (São Paulo tem pra mais de 1.500 favelas). Nem dos fundões do nordeste pobre e seco, como nas vilas do interior do Piauí, onde é comum encontrar famílias que moram, em julho de 2013, em casas construídas de taipa coberta de palha, como se vivessem na São Paulo de 500 anos atrás.

A pobreza aparece também em regiões de boa produtividade agrícola – vejam o Mato Grosso do Sul (MS), onde nos últimos anos cresce a tensão entre índios e não-índios. É bem conhecida de estruturas de Estado, como o Ministério Público Federal (MPF).

Um exemplo da distância entre o discurso oficial e a realidade do país, coisa que apareceu bastante nas manifestações de junho, pode ser visto no breve documentário produzido pelo MPF do MS sobre a falta de amparo, segregação, isolamento de índios brasileiros que são vítimas de três décadas de espera por um processo de demarcação de terras em Japorã. Três décadas!

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É comum a crítica ácida a decisões judiciais sobre conflitos de interesse que envolvem demandas sociais no Brasil. Muito se ouve entre representantes de entidades e militantes – como sem-terras, sem-tetos, acampados – que as cortes brasileiras são aparelhadas pelo poder econômico e que o ordem jurídica pende sempre para o lado dos grandes escritórios.

No caso do Mato Grosso do Sul, onde o mapa dos conflitos fundiários envolvendo a posse de terras entre índios e não-índios se expande, a crítica é voz corrente. São justamente as forças do Estado que estão atualmente acusadas pelo assassinato de Oziel Gabriel, o terena que perdeu a vida durante uma reintegração de posse em Sidrolândia no dia 30 de abril. Os índios reclamam da Justiça e dos executores da ordem, no caso, a Polícia Federal.

No entanto, uma decisão da desembargadora Cecília Mello, datada de 26 de junho, comemorada hoje pelo Ministério Público Federal do MS, mostra que também o contrário acontece. Buscando a “harmonização” das relações, a desembargadora Cecília Mello acaba de determinar nos autos o uso da força pública a favor dos índios e contra fazendeiros que brigam na Justiça pela posse das terras da fazenda Cambará, em Itacuru, município ao sul de Campo Grande.

Desta vez, a Justiça manda que os proprietários  abram as porteiras para a Funai ter acesso a acampamento indígena dos guarani caiová do acampamento Pyelito Kuey. Os índios se concentram em pequena área de cerca de um hectare,  isolada por um rio no fundo da fazenda, a 460 quilômetros da capital do MS.

No ano passado, no momento mais tenso desse caso, os caiová ocuparam o terreno na ofensiva que fazem pela retomada, como dizem, de terras ancestrais. Ameaçados de despejo, divulgaram carta na internet dizendo que resistiriam até a morte. O fato ganhou repercussão, e a disputa entrou em banho-maria. Mas a tensão no local continuou.

Segundo a ordem judicial de agora, as porteiras da fazenda impedem o acesso ao local de órgãos federais, desobedecendo determinação anterior. Os índios e funcionários envolvidos na busca da solução do conflito só podem chegar ao Pyelito Kuey atravessando um rio que separa a área de outra reserva, a Sassoró.

Diz a sentença:

A partir de tudo o que foi demonstrado, conclui-se que os fazendeiros não cumprem, no mínimo regularmente, a determinação desta Egrégia Corte Regional há pelo menos 7 (sete) meses, o que, além de caracterizar desrespeito a uma decisão emanada pelo Poder Judiciário, coloca em risco todo um trabalho de harmonização das relações entre proprietários de terras e silvícolas no Estado do Mato Grosso do Sul“.

Para ver a ordem judicial clique aqui e digite o número do processo: 0029586-43.2012.4.03.0000.

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