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Blog da Garoa

Saiu, outro dia, ainda antes do Natal, a notícia de que a Prefeitura de São Paulo foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de aumentar o IPTU como queriam o prefeito Fernando Haddad e seus vereadores. Boa! Assim, o “a mais” que o paulistano deve tirar do bolso para entregar ao município em 2014, além de tudo o que já paga, deve ser do tamanho da correção da inflação. Ok.

Para que isso ocorresse foi preciso que a poderosa Fiesp brigasse na Justiça contra a manobra do turma da administração pública. Todo mundo sabe que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que fatura politicamente o esse revés da Prefeitura no caso do IPTU, tem pretensões político-eleitorais. Sem problema. É do jogo. Haddad, mesmo que diga que não, é, sim, um quadro em formação para voos futuros do petismo em São Paulo.  Então, zero a zero!

A boa notícia do STF embute outra novidade: além de não ter mais sangrada a renda de cada mês além do aceitável pelo carnê do IPTU,  não precisará o paulistano carregar consigo o peso da lembrança indigesta da lista desse pessoal que propôs e aprovou o salgado aumento de 20% (agora rejeitado no Supremo).

Mas atenção: a Prefeitura já alertou que pretende voltar com a mesma conversa em 2015.

Eles não desistem!

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Vídeo sobre o drama dos imigrantes haitianos no Acre, publicado aqui no Blog em abril, com imagens impressionantes gravadas pelo colega Filipe Araújo, recebeu neste dia 17 o prêmio de Segundo Lugar entre os vídeos de reportagem publicados no site do Estadão no ano.

O grande e merecido vencedor, Prêmio de Melhor Vídeo do Grupo Estado, foi o excelente trabalho do jornalista Bruno Ribeiro, repórter do Caderno Metrópole, que cobriu as manifestações de rua em junho e revelou o momento exato no qual a tropa da PM traía o próprio comandante – que tentava costurar acordo com manifestantes na esquina da Rua Maria Antônia com Avenida da Consolação, no centro de São Paulo. O coronel preparava o cenário pacífico enquanto a tropa começava a batalha da repressão.

Para rever o vídeo dos haitianos clique aqui.

Para rever o vídeo vencedor clique aqui.

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A chapa vem esquentando nos últimos tempos na fritura de um ingrediente fundamental na democracia: o jornalismo. A entidade Repórteres Sem Fronteira (RSF) divulga nesta quarta-feira, 18, balanço sobre agressões a jornalistas pelo mundo em 2013: 71 jornalistas foram assassinados, 826 foram detidos e  178, presos.

Esse clima pesado vem sendo agravado por outras ações, chocantes, até em países com democracia consolidada. O próprio governo dos EUA espiona agências de notícias, edita leis especiais de controle de informação – e vai muito além pressionando empresas de internet a fornecer dados pessoais dos clientes. A Justiça americana manda prender blogueiro (Roger Shuler) que denunciou falcatruas no Alabama, como alertou também a RSF.

Na Inglaterra, há meses, prendeu-se cidadão (brasileiro) por ele ser casado com o jornalista Glenn Greenwald e persegue-se jornais, como o Guardian, por publicarem notícias do caso Edward Snowden. Na América espanhola, na Ásia, na África, não é diferente: vira e mexe governantes tentam calar a imprensa. Recentes encontros de jornalistas e entidades de representação de jornalistas (e também das empresas) ressaltam o torniquete que poderosos tentam aplicar no fundamental princípio democrático da informação livre.

No Brasil, igualzinho! Mata-se jornalistas por vingança e políticos que controlam meios de comunicação – e até o próprio Judiciário – ordenam o silêncio de jornais ignorando o princípio do interesse público. Mais: perplexos, vemos até peixe grande do Judiciário jogando o peso de seu cargo na perseguição até ao emprego de gente concursada nos tribunais.

Todo esse quadro obscuro lembra uma antiga figura que conheci pelos livros e debates dos bancos escolares de Comunicação Social: Mr. Joseph Pulitzer. Imigrante húngaro que chegou aos EUA adulto, mas sem falar uma palavra em inglês, Pulitzer fez a vida como jornalista na América do Século 19 – e virada do 20. Em seu tempo enfrentou os poderosos tomando partido contra cachorro grande – como eram, por exemplo, o presidente norte-americano Theodore Roosevelt e o banqueiro J.P. Morgan.

Há mais de cem anos (Pulitzer morreu em 1911) ele denunciou no jornal o pagamento fraudulento de 40 milhões de dólares pelo governo dos EUA no processo de construção do canal do Panamá. Foi um escândalo! Pulitzer comandava o New York World, jornal que não existe mais. Foi atacado pelos acusados e processado por calúnia (caso do Panamá). O jornalista ganhou nos tribunais norte-americanos o direito de denunciar falcatruas, decisão da suprema corte dos EUA que é considerada uma das mais significativas batalhas pela liberdade de imprensa da história ocidental.

Pulitzer modernizou ferramentas gráficas para maior atração de leitura. Ele mudou a história do jornalismo, profissão para a qual entrou quando os EUA ainda sangravam bastante após a Guerra Civil, e deixou cravado talvez o principal marco da liberdade de imprensa mundial (o dever de fiscalizar o poder) amparado por sua sólida opção por noticiar as injustiças sociais de sua época.

Pulitzer deu voz a milhões de cidadãos que não tinham poder e foi um combatente contra a corrupção. Dizia que o jornalismo era para atender a quem não tinha voz, os pobres – porque os ricos já tinham os bancos à disposição.

Antes de virar nome do principal prêmio de excelência no jornalismo mundial (Pulitzer Prize), que valoriza coberturas relevantes nos EUA, ele fez ainda mais. Com uma notável visão democrática doou dinheiro para financiar uma escola de jornalismo, a da Universidade de Columbia, instituição de prestígio na formação internacional da profissão.

Olhando o mundo atual o que se vê é que as sociedades continuam a precisar desesperadamente da lembrança do legado de Pulitzer. Os poderosos do Século 21, na verdade, repetem e repetem Roosevelt e Morgan.

Pulitzer dizia que o World era mais poderoso do que um presidente, como relembra James McGrath Morris em Pulitzer, a life in politics, print and power, pela HarperCollins (2010), livro que pode ser encontrado (e-book) na internet. Pulitzer sustentava que um presidente é um sujeito amarrado a interesses partidários, mas tem somente 4 anos de mandato. Um jornal, não. Um jornal, pregava ele, referindo-se ao World,  ”segue, ano após ano, defendendo a liberdade e o interesse público”. Em um de seus jornais, o The Post and Dispatch, no final dos anos 1870, ele escreveu: 

The Post and Dispatch não servirá a nenhum partido, mas ao povo; não será órgão do “Republicanismo”, mas o órgão da verdade; seguirá as suas próprias convicções; não vai apoiar governo, mas criticá-lo; se oporá a fraudes e falsidades onde quer que ocorram  e defenderá princípios e ideias em vez de preconceitos e partidarismo “.

Pois hoje, neste  ambiente adverso – e violento -, é hora de se lembrar – e afirmar – sempre o jornalismo com maiúsculas, a apuração da informação de qualidade, de primeira fonte. De perseverar na busca pela verdade dos fatos, na radical premissa do jornalismo fiscalizador, na edição de notícias, análises e opiniões, com destaque para o mais importante no alto de páginas e home pages. Cada um desses itens é alimento para a boa saúde da democracia.

Não há jornalismo sem redações. E não há redação sem jornalista!

Só a prática obsessiva do jornalismo é garantia cristalina da fiscalização do exercício do poder. O jornalismo é a pedra no sapato dos oportunistas (mensalão petista, mensalão tucano, Lalau, PC Farias, Morgan, Teddy Roosevelt e tantos outros) que parecem sempre, como pontuava Pulitzer, dispostos a se apropriar da autoridade, que lhes é conferida pela sociedade para o bem comum, para acumular benefícios próprios ou para seus protegidos.

De novo: não há democracia sem jornalismo independente. No papel, na TV, no rádio, nos sites, nas revistas. Militantes políticos (velhas ou novatas raposas) e jornalistas, como lembra o texto do biógrafo Morris, são como uma moeda – não podem estar do mesmo lado!

A comunicação social controlada ou fatos sem edição, jogados na web sem organização (como chegaram a pregar jovens militantes das passeatas de junho), são gritaria, panfletos, propaganda de grupos de interesses isolados. Jornalismo, essencial ferramenta para sadia convivência da sociedade, é outra coisa.

Pulitzer neles, sempre!

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Sair de casa às 4h da matina, num dia normal de semana, e rodar por São Paulo provoca duas sensações bem contraditórias. A primeira é a de que com a cidade vazia chega-se rapidinho ao destino. Nada de incômodos engarrafamentos, nada de estressadinhos no trânsito, de gente sem educação cortando, agredindo, disputando vagas.

Mas a segunda, Deus me livre! A escuridão e o vazio das ruas dá medo. Dizem que a cidade não para, que há vida (boa) pela madrugada. Meia verdade. São Paulo dorme, sim. E quando notívagos param nos faróis, não há como fugir da sensação de que se pode, a qualquer momento, ser atacado – como num filme de zumbis.

A neura é muita! Infelizmente.

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06.dezembro.2013 11:59:41

O Obituário de Mandela

O Obituário é um dos textos jornalísticos mais desafiadores da faina de redação. A publicação sempre ocorre em momento delicado. Na imprensa mundial há casos que viram objeto de pesquisa acadêmica, material de ensino. O The New York Times é mestre no tema. O de hoje é uma aula. Começa no alto da capa, mais nobre espaço de uma publicação. Mas pode ser lido também na web. É o Obituário de Mandela. Para um grande homem, um escrevente de peso. O texto está assinado por um jornalistão, homem de 18 Pulitzer Prizes nas costas durante seu mandato na direção do jornal:

Mr. Bill Keller!

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Eita São Paulo! Eita Brasil! Pegou fogo num dos patrimônios da cidade, o Memorial da América Latina, obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Bombeiros sofrem na UTI com queimaduras gravíssimas nos pulmões, obras de arte foram destruídas e mais uma conta (custo da operação do combate ao incêndio e do tratamento dos feridos) será empurrada, claro, no contribuinte – esse mané que tudo paga sem reclamar. É de lascar!

A cara de pau dos gestores públicos brasileiros, os que mandam e os que fiscalizam, é tão acintosa, o comportamento dos “responsáveis” por administrar é tão rasteiro, que dá é pena.

Dizem agora que o Memorial, símbolo da integração regional da América de baixo – uma casa de cultura! -, não estava de acordo com as regras de segurança havia anos. Ou seja: havia muito tempo que o Memorial colocava em risco a vida de milhares de pessoas, adolescentes, crianças, que por lá passavam curiosos para encontrar saber. Ou, como diz o próprio presidente da Fundação, João Batista de Andrade, na Folha de S.Paulo, nunca esteve conforme com a exigência legal. O Memorial funcionava com alvará vencido, com documentos “especiais”.

Estava amparado pelo jeitinho nosso de cada dia, primo da feia conivência que alimenta a corrupção nas fábricas de alvarás para construtoras, uma delas recentemente estourada dentro da Prefeitura. E notem que agora não se trata de uma boate clandestinamente construída e enfeitada com materiais suspeitos para enriquecer irresponsáveis. É o Memorial! O Memorial não é mais deste ou daquele. O Memorial é da comunidade. Está ligado à Secretaria Estadual da Cultura (Lei 6472/89), editada no governo Quércia, mas é espaço público. Não é um curral estatal.

Sabem o que vai acontecer com quem deveria ter a obrigação de governar aquele espaço público com eficiência e com quem deveria ter fiscalizado e não cumpriu com a tarefa de evitar o que agora chamam de “acidente”? Absolutamente NADA!

E sabem por que? Porque o contribuinte, extorquido em sua renda suada pela cobrança abusiva de impostos, é mané mesmo. E o bando de  “administradores públicos” sabe que quem é mané paga essas contas sem protestar, como mansos cordeirinhos. No fundo, se merecem!

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Muitas cidades costumam ter seus mimos, aqueles espaços de vias públicas que se transformam em ícones locais, marcas de convivência. Nova York tem a Quinta Avenida e a Times Square, ambas bem conhecidas de milhares dos brasileiros que por lá se divertem – e cada vez mais!

Roma, Paris, Madri, Barcelona, Buenos Aires, Rio, Porto Alegre – e, claro, São Paulo- também conservam essas áreas cobiçadas por ávidos turistas e amadas por seus nativos. Ontem e hoje (26 e 27), a Avenida Paulista, marco maior da capital paulista, foi assunto de uma roda de debates que tenta olhar para ela não só na conjuntura de usos e costumes, mas também para o seu futuro próximo.

Para saber mais sobre a iniciativa, clique em Avenida Paulista.

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Nem tudo é discórdia no mundo dos índios que lutam por áreas ancestrais – lá dos tempos da Terra Brasilis, de Lopo Homem – e que há décadas são ocupadas por fazendeiros e outros produtores agrícolas país afora. No Mato Grosso do Sul (MS), um consenso anunciado hoje entre a prefeitura de Nioaque e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) vai beneficiar uma centena de pessoas da etnia Atikum.

O documento, com o aval do Ministério Público Federal (MPF), “prevê a permuta de uma área da União de 251 hectares no município de Caracol (MS) para a prefeitura de Nioaque, responsável por vender o imóvel e adquirir outro em seu município”. A área a ser adquirida será registrada em nome da União.  ”Com usufruto para os indígenas”, informa o MPF.

Esse é um modelo de arrumação que tem sido pregado como caminho para o desarme de dezenas de conflitos potenciais existentes naquele pedaço e que envolvem também as etnias guarani e terena. Pelo trâmite da coisa a partir de agora as partes (oficiais) têm 3 anos para fechar negócio com uma terra que os indígenas ajudarão a encontrar.

Para lembrar, o belíssimo Mapa de Lopo Homem é de 1519. O historiador português Jaime Cortesão (1884-1960) dizia em 1956, no Estado, que o documento era uma das provas de que as costas brasileiras já tinham sido ostensivamente frequentadas – e exploradas – quando se anunciou a “descoberta”.

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17.novembro.2013 17:29:03

O recado de Sandra Bullock

Recomeçar, sempre, não importa o tamanho da encrenca na qual você esteja metido. Mesmo que você esteja perdido no espaço, quase sem ar, sempre há uma saída. O filme Gravidade, do mexicano Alfonso Cuarón, com a bela americana Sandra Bullock, é isso. Desistir, jamais!

Para sair de órbita, vá ao cinema. Para brincar, clique em Initiate Spacewalk 

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PS:

São Paulo durante um feriadão é uma maravilha!

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Outro dia estive no Rio de Janeiro para uma reportagem sobre o empresário Eike Batista. O Rio é um belo lugar. Mas, como muita coisa no Brasil, anda pelas beiradas em muitos quesitos. Na recepção do hotel, em Copacabana, ouvi uma coisa triste. Era um grito que dizia muito sobre a realidade do mais famoso cartão postal brasileiro. Um rapaz chamava turistas europeus: “Favela tour, favela tour”!

O guia de passeio recolhia interessados na visita a um “ponto turístico” carioca. Chovia e o Cristo Redentor estava escondido. O Pão de Açúcar, idem. Praia, sem chance. Então lá foram eles, na van, curiosos como crianças no caminho do zoológico.

Foram ver os pobres brasileiros que vivem na miséria das montanhas encobertas pelo descaso de uma sociedade sem vergonha, corrupta, chinfrim, ruim, perversa, um povo que mantém aquele nervo exposto há décadas.

Duvido que a miséria mostrada aos turistas da Rocinha e do Alemão seja indispensável para a alma da cidade de Machado de Assis. Duvido que a pobreza e o desamparo sejam parte necessária da criatividade do samba, da perspicácia, da arte de viver devagar, daquelas milhares de criaturas que há gerações são obrigadas à penosa existência nas “comunidades”.

Recuso-me a crer que os “cariocach” dos morros não tenham inspiração para compor e cantar a magia que lhes emprestam aquelas paisagens maravilhosas, cortadas por colinas, mar e lagoa, se lhes for garantido o acesso aos bens de consumo das casas do asfalto.

Como na violenta e também desigual metrópole paulistana ou na distante capital nacional das fossas, Macapá, são vítimas de uma inominável preguiça geral e de uma letárgica e criminosa omissão de governos e mais governos. Formam uma enorme massa de gente usada bastante como moeda eleitoral, na maior cara de pau. E que vive a servir de bicho de gaiola para turistas.

Há por aí a discurseira oficial dos “nunca antes neste país” e de outros “entendidos, letrados”. Mas ainda falta muito, muito mesmo, para que o país possa encher a boca para se dizer uma democracia!

“Favela tour, favela tour”!, gritava o homem.

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Clique para ler a reportagem

 

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