A faina jornalística não é mais a mesma. Quem assistiu ontem, 29 de agosto, o que fez à noite o influente jornal norte-americano The New York Times na cobertura da convenção do Partido Republicano, em Tampa, na Flórida, pode notar que a coisa muda rapidamente. O grande Times se tocou do novo mundo que emergiu do avanço na tecnologia da informação nos últimos dois ou três anos e partiu para uma ofensiva para entregar seu conteúdo de excelência também na rede de smartphones, tablets, celulares com web e laptops.
É uma rede portátil que grassa pelo mundo permitindo a mistura de textos, áudios e imagens na exploração de uma nova realidade dos hábitos de consumo de informação. As pessoas já não checam mais as novidades uma vez por dia; vão várias vezes às casas produtoras e editoras de notícias. E gente jovem, que nunca abriu um jornal na vida, se informa pelas novas plataformas.
O Times claramente persegue a ideia de se transformar no tronco principal da Hidra tecnológica que já está presente em nosso cotidiano – e cada vez mais de olho nos nossos bolsos. Até pouco tempo a TV era o bicho papão dos eventos ao vivo, deixando aos jornais em papel os complementos. Mas isso não é mais assim.
Um dos papas do jornalismo mundial, o Times colocou uma turma de profissionais para cobrir o evento da campanha dos EUA, ao vivo, direto da agradável Tampa, na Flórida, como se fosse uma das poderosas redes de TV americanas. Show de bola!
Mais uma vez, o Times faz um trabalho arrebatador, como, aliás, tem feito ao desenvolver times que criam novas maneiras de apresentação de conteúdos jornalísticos, os infográficos. Com a competência que tem demonstrado ao liderar os avanços nessa nova maneira de apresentar notícias, o Times dá o tom no jornalismo. Ontem, colocou vídeo ao vivo no alto de sua homepage, uma prática que ainda é tabu para muita gente.
A campanha eleitoral na televisão começou para valer no município de São Paulo. Os candidatos à sucessão de Gilberto Kassab jogam pesado. Dois dos principais políticos brasileiros, Lula e Serra, estão engalfinhados na disputa.
Lula, tentando eleger seu candidato, Fernando Haddad. E Serra jogando pelo próprio projeto político. Depois de perder a eleição para presidente da República para Dilma Rousseff, o líder tucano espera que os seus 44 milhões de votos para o Planalto o ajudem a continuar liderando o grupo que já manda na cidade de São Paulo há quase dez anos.
Na paralela cresce entre os paulistanos o apoio ao novato Celso Russomanno, bem colocado nas avaliações dos institutos de pesquisa mas ainda carecendo de consolidação no universo da parte televisiva da campanha.
O que se espera agora é que, ao final da primeira semana de exposição na TV, uma nova pesquisa avalie o impacto da largada. Somente aí é que se terá noção do impacto do horário gratuito na cabeça do eleitorado. É quando, certamente, os estrategistas e seus produtos olharão o quadro para checar eventuais mudanças de rumo na retórica eleitoral.
Por enquanto, caso o eleitor queira uma noção geral de como está a cidade sem a contaminação provocada pelo interesse político na propaganda de cada um dos lados, pode checar a São Paulo real em pelo menos dois trabalhos jornalísticos especiais publicados no jornal O Estado de São Paulo e aqui no estadão.com.br.
São dois belos diagnósticos das carências dos moradores da rica cidade cuja Prefeitura tem um orçamento público de R$ 40 bilhões por ano.
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