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Blog da Garoa

Os pesquisadores norte-americanos Gary e Rose Neeleman, que trabalham em uma trilogia sobre a imigração EUA-Brasil, acabam de escrever seu segundo livro sobre a imigração de soldados confederados dos EUA na segunda metade do Século 19.  São 300 páginas contando a tentativa de colonização do Brasil por americanos, incentivada pelo imperador D. Pedro 2º, após a Guerra de Secessão (1865). A obra ainda não tem data para ser lançada no Brasil.

O livro trata da história de exilados do trágico conflito na América do Norte e de como foi o fracasso de projetos de criação de comunidades em Santarém, no Pará, dizimados pelo abandono e pelas moléstias da selva. Por outro lado, destaca o sucesso da empreitada dos confederados na região de Nova Odessa e Americana, em São Paulo.

O primeiro da série, Trilhos na Selva, saiu no Brasil em 2010. Um novo livro, ainda em fase de pesquisa, vai contar a história da presença na Amazônia dos soldados da borracha no Século 20. E dos contatos entre os presidentes Franklin Delano Roosevelt e  Getúlio Vargas. É pesquisa garimpada em documentação do Congresso americano.

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Minha amiga paulistana Giovanna Montemurro, jornalista, recebeu da avó uma edição de um curioso livro sobre a vida nos anos 50, presente à época nas casas preocupadas com a educação feminina: a Enciclopédia da Mulher. Editado no Brasil pela Editora Globo em 1955, lembra Giovanna que o “livrão”, como ficou conhecido na família dela, é uma tradução do francês. Sabendo que este Blog da Garoa curte a memória, “emprestou” o tesouro para leitura.

Há lá coisas maravilhosas e reveladoras do comportamento da época. De dicas de arquitetura e decoração em seção assinada por ninguém menos do que Lina Bo Bardi a tarefas que hoje são executadas à larga por homens, como cozinhar, organizar recepção, cuidar das crianças. Há ainda capítulo sobre a mulher no trabalho, cuidados com a beleza e aquelas coisas que são mesmo exclusivas das mulheres, como a maternidade, a amamentação dos bebês. E há também uma lista de livros que toda moça deveria ler. “Nunca tive aborrecimento que uma hora de leitura não dissipasse” – escrevia Montesquieu”, diz a Enciclopédia.

E quem está pensando que a obra aconselha somente distração e afazeres culinários e domésticos, coisas de uma mulher  que não existe mais, engana-se. Entre os livros indicados estão obras como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Braz Cubas, de Machado de Assis, e O Tempo e o Vento e a Vida de Joana D´Arc, de Erico Verissimo. E mais: O Idiota, de Dostoiewski; O Caminho de Swann, de Proust; Madame Bovary, de Flaubert; A Mãe, de Gorki, além de Balzac, Stendhal, Tolstoi. “É preciso lê-los e relê-los (sic)”, ensina a Enciclopédia.

Essa relíquia de biblioteca, memória conservada pela vovó de Giovanna, dona Dima (de Nadima), contém ainda uma curiosa tabela sobre as medidas físicas para a mulher perfeita. Mostra, entre outras coisas, que num corpo feminino dos anos 50 a barriga da perna devia ter a mesma medida do pescoço, 34,2 centímetros!

  

Reprodução

 

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Uma das coisas mais duras para uma pessoa, fora a morte de gente querida, é não ter um local digno para morar. Ter uma casa organizada para abrigar os filhos, para fugir do atávico temor do escuro, para curtir a memória do aconchego uterino, é necessidade mais do que básica. Dá integridade aos adultos, confiança aos jovens, agasalho aos idosos, estabilidade às famílias.

É por isso, talvez, que o drama de pessoas obrigadas a “morar embaixo da ponte”, acabada expressão de abandono, seja sempre tão tocante. Infelizmente, neste país ainda tão injusto – e nesta São Paulo tão rica -, esta é uma realidade tão presente quanto ignorada pelos administradores públicos que vivem sentados sobre burras cheias do dinheiro do contribuinte.

Bom dia, esse 9 de julho, feriado na cidade, para conhecermos a história do casal que, mesmo morando sob um viaduto da Zona Leste, mantém viva consigo uma das mais belas atitudes humanas, a honestidade. Eles encontraram dinheiro na rua, R$ 20 mil, certamente quantia que lhes seria muito útil. E devolveram o pacote.

Mesmo na miséria, necessitados, não perderam a dignidade – o homem teria dito à polícia que havia se lembrado de ensinamento recebido da mãe. Eles continuarão dormindo ao relento, mas com a paz de quem não pega o que não é seu e nem se beneficia do alheio.

O casal do viaduto, triste exemplo dos milhões de desvalidos brasileiros, paulistanos, esquecidos pelo Estado, escancara uma pouco notada, porém não menos abjeta, forma de enganação. Não é só o corrupto escrachado que lesa os cofres públicos e afronta a cidadania diariamente que deve ser combatido.

Ignorar o senso público e viver das benesses do dinheiro tomado do contribuinte, gozar de promoção pessoal pelo porte de uma caneta que, mesmo sem assinar cheques para a própria conta bancária confere poder e prestígio, é também uma forma de corrupção. É sim uma parceria com os parasitas que, sem cerimônias, se locupletam nos cofres públicos.

Não basta ser eleito pelas urnas e não roubar formalmente. É preciso bem mais do que isto. É preciso cumprir fiel e obstinadamente uma agenda efetiva de ações com senso público, como o compromisso de buscar condições de financiamento para a casa própria e eliminar essa chaga absurda dos sem-teto. Os que fazem a vida operando a gestão dos negócios da federação, estados e municípios deveriam conviver mais com o povo que é obrigado a morar embaixo da ponte.

Em tempo:

Rejaniel Jesus Silva Santos. Esse é o nome do homem que encontrou dinheiro na rua e o devolveu ao dono, o proprietário de um restaurante que havia sido assaltado.

(texto publicado originalmente na Edição Noite do Estadão no iPad no dia 9/09 e atualizado aqui no Blog da Garoa às 13h do dia 10/07)

 

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05.julho.2012 17:18:50

Pietá de lá e Pietá de cá

A obra Pietá, de Michelângelo, encontra-se na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Esculpida ainda antes do descobrimento oficial do Brasil, em mármore, é uma maravilha com meio milênio de idade. Foi feita quando o artista tinha 23 anos e é uma referência universal da criação artística. Quem já viu, não esquece; quem ainda não viu, deveria proporcionar a si próprio esse prazer.

Para quem ainda não teve a oportunidade de apreciá-la ou gosta da obra e quer reviver a emoção de estar em sua presença sem ter de ir à Itália, uma dica é a Igreja de Santo Inácio de Loyola, na Vila Mariana, em São Paulo. Lá está uma réplica da Pietá. Produzida no mesmo tamanho da obra original, foi concebida pelo escultor peruano Jorge Luís Vargas, em 2000. Está bem na entrada da igreja, à direita.

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Pietá, de Michelângelo,  no Vaticano/Foto: Pablo Pereira

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Réplica da Pietá, de Jorge Luís Vargas, na Vila Mariana/Foto: Pablo Pereira

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04.julho.2012 23:53:39

Honrarias para Daniel Piza

Para um brasileiro que amava a arte de Machado de Assis e usava suas habilidades pessoais e profissionais na defesa de um país mais próximo da leitura não poderia haver homenagem mais acertada. O nome dele vai ser eternizado no alto das páginas dos históricos escolares de crianças pobres da zona norte do Rio de Janeiro. Toda vez que alguém olhar as notas dos meninos da Escola Municipal de Acari encontrará a inspiração de seu nome: Daniel Piza.

Daniel, jornalista de primeiro time, pai apaixonado de duas meninas e um menino, que deixou este mundo há seis meses, na véspera do réveillon, recebe a honraria de ser nome de escola, feliz iniciativa da Prefeitura do Rio, no dia no qual seu amado Corinthians brilha na inédita conquista da Libertadores.

Se não tivesse sido traído pela vida, como foi, certamente Daniel teria ido ao Pacaembu para ouvir o bando de loucos que o emocionava e com o qual dividia abertamente o prazer de torcer no futebol. E nesta quinta-feira, 5 de julho, seus leitores teriam mais um de seus textos para ler no Estadão. E nós, da redação, mais um papo com cafezinho de máquina, em pé, no corredor.

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Um dos principais estádios de futebol do País, o Pacaembu, construído nos anos 40, serve hoje de palco para uma disputa histórica, a decisão da Libertadores da América entre Corinthians e Boca Junior, da Argentina. A cidade passou o dia na expectativa desse jogão, histórico para a fiel torcida corintiana que nunca teve o prazer de torcer pelo clube na final da competição. Mais uma noite de gala para o Estádio Paulo Machado de Carvalho, espaço esportivo que, pela sua relevância na formação da cidade, é tombado pelo Patrimônio Histórico.

Que vença o melhor futebol!

 

 

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São Paulo é, sem dúvida, uma cidade bem resolvida do ponto de vista das iniciativas privadas, das decisões e negócios que não dependem diretamente da máquina municipal. Mas quando se trata de serviço público, o quadro é outro. A Prefeitura, que hoje tem à mão um orçamento de quase R$ 40 bilhões por ano, sócia compulsória na renda do contribuinte, prefere agir apagando incêndios – e está longe de entregar o prometido nas campanhas eleitorais.

Assista aos vídeos produzidos para série de reportagens do Estado, publicadas no caderno especial Desafio São Paulo, no dia 1º de julho, abrindo a cobertura de eleições municipais do jornal. Foram cinco trabalhos produzidos e editados nos formatos papel e webTV. O resultado é um rápido painel da vida real de moradores da cidade que, em sua rotina, dependem de serviços públicos do município.

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E um grupo de senhores vereadores da Capital paulista inventou um jeito de receber sem trabalhar. Montaram um esquema dentro da Câmara que lhes permite a “presença” na Casa, mesmo estando fora, para evitar um desconto de R$ 465 no pagamento por falta no serviço. A fraude, praticada por pelo menos 17 parlamentares, foi mostrada pelo Estado no domingo, 1 de junho, em reportagem dos jornalistas Adriana Ferraz, Diego Zanchetta, J.F. Diorio e Juliana Deodoro.

O material publicado mostra como é feita a falcatrua. Funcionários da Câmara, um deles conhecido como Zé Careca, pagos também pelo dinheiro do contribuinte paulistano, são encarregados de “acertar” a coisa para garantir a mamata. Com essa prática, o vereador pode andar por aí livremente sem medo de ser feliz no final do mês. Não precisa permanecer na Casa. O Zé Careca garante!

Os senhores vereadores que usam o esquema Zé Careca de apertar o botão da presença na ausência deveriam era dar uma gorjeta ao homem, afinal, se ele “abonar”, digamos, uns dez dias, terá assegurado ao caixa deles um depósito de uns quatro paus e meio, pelo menos, que deveriam ser descontados a bem do cumprimento da lei.

E mais: agora, com essa revelação do Estado, quem terá certeza de que não tem gente, entre os protegidos por Zé Careca, que deixou de cumprir com a obrigação legal por 20 ou até 30 dias?

A mutreta para garantir o salário na Câmara dos Vereadores paulistanos é mais uma das peças de desqualificação dos políticos que os próprios representantes do povo acrescentam ao descrédito do eleitor. São tantas. Altos salários, infidelidade partidária, denúncias de corrupção, ineficiência.

A cada revelação desse tipo o Legislativo, nesse caso o municipal, que tem 55 vereadores, fica mais enfraquecido. Eles mesmos se encarregam de tornar o ambiente do serviço público insalubre, pleno de desconfianças, de suspeitas, de insatisfação. É uma pena que esses escândalos, práticas reveladoras do descaso da representação democrática com o contribuinte, continuem a enxovalhar a cidadania.

A constatação da existência desse tipo de falcatrua correndo solta no Legislativo, sem dúvida, leva muita gente a pensar na efetiva validade de seu voto. Diga, aí: por que ir às urnas para escolher vereador em outubro se ele, ao assumir, vai para lá fazer esse tipo de coisa? Vá lá um trabalhador normal burlar o ponto na empresa onde trabalha para ver o que lhe acontece?

Mas e os vereadores? Ah, esses podem. O Zé Careca garante!

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(texto publicado no dia 2 no Estadão Noite no iPad)

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A capacidade do administrador público de São Paulo produzir inutilidades, quando deveria estar pensando em soluções efetivas para as mazelas urbanas, é impressionante.

Vejam agora a tentativa de proibir a distribuição gratuita de sopão para pessoas necessitadas. Bem no meio de uma grave crise de segurança pública, com os paulistanos se sentindo ameaçados até dentro de casa, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana tem a “brilhante” iniciativa de tentar impedir que quase 50 entidades sociais da cidade alimentem voluntariamente pessoas que precisam de ajuda para o mais elementar direito humano, o de comer.

Em vez de melhorar os serviços da Prefeitura para atrair as pessoas para seus programas de assistência, o poder público municipal faz outra coisa: quer punir quem faz caridade. A preocupação da turma definitivamente não está no drama das pessoas que precisam de auxílio. Estão preocupados é com o marketing da administração, afinal, estamos à beira de uma eleição. É aquela velha máxima da Lei Ricupero: o que é bom a gente mostra, o que não é, esconde! Para os idealizadores das medidas “higienizadoras” das ruas, o problema não está na existência do necessitado; está na presença dele em público.

Mas, pensando bem, essa “criatividade” toda demonstrada na proposta de impedir o sopão nas ruas até que faz sentido. Bate com a história recente da administração paulistana. Há anos a cidade convive com a ineficiência do setor público no drama do crack na região central. A administrador público permitiu que a praga da pedra de cocaína se transformasse em um problema social que hoje atinge alguns milhares de dependentes químicos.

Essa omissão criou a famigerada Cracolândia. Só se movimentou em operações policiais e de assistência social quando foi pressionada, no final do ano passado, pela ideia do Palácio do Planalto – muito atrasada, diga-se, e preparando terreno para uma investida eleitoral – de lançar um programa nacional contra a droga.

Portanto, a posição de “esconder” as filas de famintos de rua nos finais de tarde em abrigos da Prefeitura é coerente. Incapazes de criar efetivas alternativas de convencimento para reais mudanças na vida dessas pessoas, tratemos de encher os abrigos. Tudo a ver com a política exercida nos últimos anos. Já houve na cidade até um momento (quem não se lembra?) no qual se teve a “ilustrada” iniciativa de colocar pedras sob viadutos para impedir o uso dos locais como dormitório por moradores de rua.

O genial Tutty Vasquez, em sua verve habitual no estadão.com.br, dá, afinal, o tom a esse recorrente tema paulistano. Explica o humorista: “O que o prefeito quer proibir é o amor ao próximo desordenado praticado por bandos de voluntários não governamentais fora das tendas oficiais de convivência social.”

O Tutty está certo!

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(texto publicado no dia 29/6 no Estadão Noite no iPad)

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A Espanha encheu os olhos do mundo do futebol neste domingo, 1 de julho. Quem gosta do esporte – e, óbvio, não torce para a Itália – não teve do que reclamar após os 90 minutos em Kiev na decisão da Eurocopa. Os espanhóis jogaram como sempre. E fizeram 4 a 0 na boa seleção de Pirlo e Balotelli, arrematando o segundo título do campeonato. Show de bola.

Iniesta e companhia jogam o fino há bastante tempo. Tocam curto e de primeira, não dão chutão, não fazem o irritante chuveirinho – tão nosso conhecido no Brasil -, erram poucos passes, empurram o adversário para um jogo em metade do campo e conquistam terreno com posse de bola. No caso da Itália, coitada, ainda deu azar de ter de terminar a partida com 10 homens por ter perdido um por lesão, o que levou os que sobraram em campo a uma certa prostração diante da Fúria espanhola. Outro dia, escrevi que os espanhóis têm hoje o melhor futebol do mundo. A turma do vermelho e amarelo confirma agora essa superioridade.

No final, os jogadores foram buscar as crianças, devidamente uniformizadas, para brincar no gramado enquanto esperavam a glória de erguer a cobiçada taça. Andei pela Espanha dias atrás e senti no povo a sede de redenção vivida por conta da crise econômica que obrigou o país a ir ao Fundo Monetário pedir dinheiro para saldar as contas.

A vitória da seleção na Eurocopa, sabemos, não resolve a coisa, mas certamente ajuda a mitigar os estragos da vida real. Aquela imagem da La Roja no campo, com seus filhos, certamente será bastante explorada nesta semana como um grito de arrumação, como aquela vinheta que por aqui foi muito famosa – “Brasil!” -, quem não se lembra…

Aliás, a coisa até já começou. Hoje. no site do El País, cuja manchete era “España celebra La Roja”, um cronista arrisca-se até a levantar uma dúvida: “Es España mejor que el Brasil de 1970″, pergunta em título. E o texto:  ”Henry Winter lo dice en su crónica del partido en The Telegraph, no solo son tres títulos consecutivos, es la manera de jugar lo que permite “la comparación legítima” de “las luciérnagas rojas” (así llama a la selección) “con los grandes artistas del Brasil de 1970, los Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson y Rivelinho”.

Bom, os espanhóis são muito bons e tal. Mas daí a querer comparar com 70 já é demais…

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