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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

quarta-feira 25/01/12

Falta administrador, mas ainda tem sabiá e maritaca

No cinema, quando quer informar ao espectador que o que ele está vendo se passa num ambiente de cidade grande, o diretor costuma usar o truque sonoro das sirenes de ambulância de fundo. E o sujeito logo entende que a coisa ali é barra pesada, que trata-se de um modo de vida urbano com toda a complicação que dessa realidade advém. São Paulo é assim. Complexa, gigante, com muitas sirenes e interesses de todos os tipos. Ricos, pobres, remediados, desamparados, todos ...

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quinta-feira 19/01/12

É possível largar o crack

A jornalista Camila Tuchlinski entrevistou um ex-usuário de crack. É um excelente trabalho. Um depoimento tocante pelo drama de um personagem da Cracolândia paulistana, que perdeu anos da vida metido com as pedras. Mas é também um sopro de esperança nesse grave quadro de degradação humana que se vê todos os dias na cidade. O vício do crack é uma doença. É difícil, mas tem saída. Já se conseguiu reverter o quadro do cancerígeno tabaco no mundo. Como não se consegue ...

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terça-feira 17/01/12

SP, terra da cracolândia, não informa dados para mapa

Mapa mostra que município de São Paulo não informa a ocorrência do crack

Para além do drama da cracolândia de São Paulo, a praga do crack começa a aparecer concretamente nas estatísticas mostrando a dura realidade do avanço das drogas no interior do Brasil. Um mapa da presença da droga, preparado pela Confederação Nacional dos Municípios, concluído no final do ano, mostra o tamanho da chaga município por município, segundo informações dos gestores de saúde das comunidades. Veja aqui. No Estado, dos 645 municípios, 552 foram pesquisados. E ...

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segunda-feira 16/01/12

Maria Moura, a cozinheira que sobrevive no meio do caos da Cracolândia

Maria Moura Soares na cozinha de casa em São Paulo/Foto Evelson de Feitas/AE

“Maria, tem comida?”, disse um homem magro, barbado, agitado, que atravessou correndo a rua Dino Bueno, Centro de São Paulo, na direção da calçada onde Maria Moura Soares estava diante da porta de casa. “Ainda tem”, respondeu ela. “Mas é 5”. O homem, que saiu do meio do grupo que se aglomerava na rua Helvétia, coração da Cracolândia, tirou do bolso duas notas de R$ 2, entregou, e disse que depois voltaria para pegar o almoço e aí pagaria o restante.

Maria Moura, como gosta de ser identificada, tem 46 anos, mora na região há 11 e convive com a droga na porta de casa há pelo menos dois anos. Nos últimos dias, ela acompanha bem de perto a operação de combate ao consumo de crack na área.

Conhecida da vizinhança pela fala fácil e o tempero da marmita, a cozinheira fornece comida caseira, serviço que lhe garante o sustento de 7 crianças, 3 filhos e quatro netos, na pequena casa, quase na esquina mais agitada do bairro. Ela atende a todos com discurso envolvente de comerciante. “Aqui em casa eu tenho mesa e quatro cadeiras para servir o almoço”, afirmou. “Vai comendo e vai saindo, dando lugar a outro”, resumiu Maria Moura, explicando o negócio.

No almoço da última sexta-feira, após a correria da manhã dos viciados na pedra, espantados da Helvétia pela polícia para desobstrução da via, o “restaurante caseiro” de Maria Moura servia peixe frito, peito de frango e costela (de vaca) ao molho, com arroz, feijão e salada. “Prato feito é R$ 5, comercial (bandeja) é R$ 7”, dizia ela. E acrescentava “a Tubaína é R$ 2 e o copo de suco, R$ 1”.

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Maria Moura Soares na cozinha de casa/Foto Evelson de Feitas/AE

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Naquele dia, Maria Moura colocou a comida no fogo mais cedo. Teve de sair para levar o filho ao médico às 14h. “Meu menino faz tratamento na Santa Casa. Ele está com um problema no ouvido. Com a graça de Deus, vai ficar bom”, contou a baiana, da região de Feira de Santana. Ela sobrevive da renda da cozinha e de um arrendamento de um bar, que fica na esquida, ao lado da casa.

“O problema desse pessoal aí tem uns dois anos”, disse Maria Moura. “Agora, com essa operação, eles vão se tratar”, afirmou ela. Nos últimos meses, os “nóias”, como os chama Maria Moura, dormiam na calçada diante da porta dela. E havia muito lixo espalhado na rua. “Agora está mais limpo. Vai ser bom pra eles. O pessoal da saúde está encaminhando eles. E aqui agora está mais tranquilo, tem muita polícia, e o pessoal da Prefeitura”, declarou.

Maria Moura contou ainda que sofre na própria carne com a situação da droga. Uma filha e um filho dela estão presos, depois de se envolveram com a pedra. Mãe natural de 7 filhos, ela ainda teve coragem para criar filho de outros. “São 8. Um é de criação”, explicou, lembrando da família que deixou na Bahia, onde vivem a mãe dela e irmãos. “Isso aqui não era assim”, lamentou.

A vida dura de Maria Moura piorou ainda mais nos últimos meses. Ela pagava R$ 2 mil de aluguel pela casinha de dois quartos, sala, banheiro, e pela área do bar existente ao lado. “Mas faz 3 meses que parei de pagar o aluguel”, disse ela. Da porta de casa, que mantém trancada por dentro por temor de invasâo contra as crianças, Maria Moura assistia a tudo sob tensão.

Na tarde da quinta-feira, agentes de saúde contavam 18 pessoas na lista dos viciados que procuraram ajuda para banho, corte de cabelo ou atendimento médico. Na esquina da casa de Maria Moura, carros de polícia estacionados. Outros, circulando, além de motos e agentes da Guarda Metropolitana andando pela vizinhança.

Segundo um dos coordenadores do serviço social da Prefeitura, seis pessoas haviam concordado em receber internação naquela tarde – três deles menores de idade. Jonatan, de 11 anos, Abraão e Felipe, de 16, foram encaminhados para o Caps 1. Os três adultos que aceitaram ajuda foram levados para a AMA da Sé. Um era do Guarujá.

“Aos poucos eles nos procuram”, diz um dos funcionários encarregados do contato na rua. Olhando um grupo de cerca de 60 pessoas, que se aglomeravam na quadra da Helvétia, entre Dino Bueno e Barão de Piracicaba, ele não parecia muito animado.

“É uma situação muito difícil”, disse, observando a movimentação do grupo agitado. Atrás dele, caminhões continuavam a recolher o lixo retirado dos imóveis abandonados que eram usados como moradia pela turma do cachimbo. “Já saíram daqui 69 toneladas de lixo, contando as 3,5 toneladas que estavam nas ruas”, afirmou outro funcionário. “Mas ainda tem casarão aí que nem foi mexido”, completou. Maria Moura, na calçada, atenta, vigiava tudo.

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domingo 08/01/12

Daniel queria ser Daniel. E é

Caía uma chuva de pedras no meio da tarde do sábado, em Higienópolis, bairro do Centro de São Paulo, quando começou a missa de sétimo dia da morte de Daniel Piza, na Igreja Santa Teresinha, rua Maranhão. Estavam lá a família, amigos, colegas e, tenho certeza, muitos leitores de Daniel. Todos tocados pela cerimônia que buscava um pouco de conforto para quem dele gostava. Fica a imagem jovial, alegre, de Daniel - e sua obra, seja nos seus silenciosos amigos livros, ...

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sexta-feira 06/01/12

A calamidade da pedra de cocaína

Quando ocorre uma grande enchente, um desabamento de morro, um incêndio de favela, terremoto, tsunami, calamidades de larga repercussão social, a sociedade costuma reagir rapidamente para tentar controlar os danos e abrir portas para a recuperação das perdas, sejam elas humanas ou materiais. Aparecem mutirões, surgem rapidamente anúncios de dinheiro oficial, nascem iniciativas individuais de solidariedade - que podem não conter efetivas soluções, mas sempre serão elogiáveis por aliviarem o desconforto de alguns e servirem para disseminar a vontade coletiva de ...

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