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Blog da Garoa

 

 

(Vídeo publicado em 29/10/2012 acompanhando reportagem sobre a situação dos caiová no MS)

 

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22.outubro.2012 16:39:59

A longa (e bela) arte de viver

Viver é bom. Viver bastante, melhor ainda. Viver mais de cem anos deve ser uma coisa extraordinária. Nestes tempos de alongamento importante na expectativa de vida nacional, mais e mais pessoas vão além dos 70. Muita gente pode beber na fonte dessa longevidade. Muitos jovens podem se inspirar nos ricos legados dessa gente especial ainda na presença dela.

Estar no mesmo ambiente de uma pessoa que além dos 72 anos da média brasileira viveu outras três décadas é uma beleza pura. Neste final de semana, uma família orgulhosa festejou a lucidez e a capacidade de sorrir, chorar e emocionar de uma centenária.

Observe o número que está sobre o bolo de aniversário de dona Nenéia Perotti, uma simpatia que vive em Mogi das Cruzes, interior paulista.

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O primeiro debate do segundo turno em São Paulo não teve um ganhador disparado, aquele candidato que põe o adversário na lona, que expõe claramente as deficiências do outro, que mostra que é bem melhor, vence por nocaute. Não foi isso que aconteceu no debate da Band na noite de quinta-feira. Mas o encontro entre Fernando Haddad (PT), que lidera no Ibope com 49%, e José Serra (PSDB), que tem 33%, teve sim um perdedor.

Serra perdeu a oportunidade de expor as fragilidades políticas de Haddad. Deixou de traduzir claramente para o eleitor da periferia, onde precisa crescer, o que significa exatamente o escândalo de corrupção do PT que o Supremo Tribunal Federal está julgando. O PT nunca esteve tão vulnerável diante de um dos pilares da vida pública, a retidão, a ética, o combate à corrupção. Se isso não é sopa no mel para um debate político eleitoral, o que mais pode ser? Imaginemos a situação invertida. No passado, com muito menos munição do que isso o PT fez estragos eleitorais poderosos na tropa tucana.

O mensalão deu de mão beijada ao candidato do PSDB dias e dias de marketing negativo do adversário. A expectativa agora no confronto direto dos dois projetos de governo era que Serra transformasse a maré de escândalos de Delúbio, José Dirceu e Genoino em tsunami da roubalheira e ataque aos cofres públicos nacionais, inclusive com reflexos em São Paulo. Manchetes de jornais, longos programas de televisão em horário nobre e coberturas intensivas de rádios mostraram ao Brasil, exatamente durante a campanha, a maneira de operar de membros do partido de Haddad, gente muito ligada à cidade. Mas Serra praticamente não tocou no assunto.

Equivocado, aceitou a esperteza do petista que logo de saída propôs um debate “de alto nível” no campo dos problemas de São Paulo. É claro que a equipe de Haddad sabe que ele é menos preparado do que Serra. E o marqueteiro João Santana operou Serra. O tucano caiu na armadilha como um pato. Inebriado com o próprio desempenho de homem público, entrou por um caminho de divulgação de obras no qual o imaginário do eleitor está muito nublado pelos problemas do dia a dia e, portanto, no qual ele tem mais a perder do que a ganhar. Serra, aliás, deveria era fugir do debate em campo aberto sobre a administração da cidade. Ele carrega consigo um aliado que está no comando da Prefeitura, Gilberto Kassab, que tem avaliação sofrível da população.

Serra é realmente melhor preparado do que Haddad. Já esteve na Prefeitura com a caneta na mão, coisa que Haddad só tenta agora. Serra já foi ministro do Planejamento da República, depois ministro da Saúde. Serra teve 44 milhões de votos em disputa nacional pelo Planalto. Do outro lado, Haddad foi ministro uma vez, da Educação, é íntegro, não está no meio da podridão mensaleira, não tem flanco pessoal descoberto. Mas no início da campanha tinha 3% nas pesquisas, teve votação inferior no primeiro turno, nunca antes neste país disputou um cargo no voto e ainda tem contra si o peso da caneta do ministro Joaquim Barbosa.

Ao adotar o caminho paz e amor, proposto no debate por Haddad, e tentar reafirmar competências administrativas que o paulistano já sabe que ele tem (mas que Kassab encobriu), Serra deixou de cutucar com força as contradições éticas do PT. E ajudou o adversário a ficar do tamanho dele. O tucano precisava de um nocaute neste primeiro debate. Vai ser difícil virar o jogo. Serra legitimou a candidatura de Haddad.

P.S.: Horas depois do debate, pela manhã, o Datafolha confirmou a dificuldade da empreitada tucana: Haddad, 49%; Serra, 32%, ou seja, 17 pontos percentuais de vantagem para o petista.

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(Texto originalmente publicado no Estadão Noite, no iPad, em 19/10)

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O bom jornalismo é a busca constante e incessante pela verdade. É o trabalho de tornar público aquilo que está escondido, na sombra. É jogar luz sobre fatos, intenções, sempre que esses fatos e comportamentos sejam de relevante interesse público. É fiscalizar o poder, fustigar os agentes públicos, apertar políticos e expor contradições de modos de vida. Vale para o poder público (Executivo, Legislativo e Judiciário), mas vale também para a vida privada no que ela tem de impacto sobre o conjunto da sociedade.

Esse conceito básico do jornalismo, abordado nos últimos dias em encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) em São Paulo, embutido também no discurso de Arthur Sulzberger Jr, do The New York Times, que participou da reunião, é ensinado nas escolas de jornalismo e praticado nas boas casas do ramo no Brasil, como, aliás, reconheceu o presidente da entidade, Milton Coleman, do The Washington Post. Não há novidade nessa premissa defendida na SIP em São Paulo. Mas é sempre muito bom reafirmá-la.

A propósito desse debate, renovado nos idiomas português, espanhol e inglês na SIP, é bom olhar um pouco para a situação que está em foco neste momento na campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo na qual se enfrentam dois projetos políticos, do PT e do PSDB.

Durante a redemocratização brasileira, o PT, nascido da enorme expectativa de massas excluídas pela economia dos anos de chumbo e pelo autoritarismo da ditadura militar, cumpriu seu papel democrático não só como ser uma instituição do novo regime brasileiro. Foi também de muita serventia em redações.

Muitos jornalistas, brasileiros e estrangeiros, que cobriram esse universo brasileiro nos anos 80, 90 e 2000 tiveram petistas como fontes. Aos poucos os representantes de oposição penetravam nas estruturas formais, principalmente pela via do Legislativo, dominadas pelos velhos MDB e Arena – e depois por seus arranjos substitutos, PMDB, PFL.

Esses novos atores políticos foram ferramentas relevantes para a prática do bom jornalismo e para o país abrindo portas para investigações, acesso a documentos, confrontando ideias. Assim funcionou com partidos revividos, como PSB, os PCs, e também com muitos tucanos, gente que também por anos batalhou contra o viés autoritário e pelo direito de perguntar – como costumava lembrar o paulista Mário Covas.

Pela via das urnas, felizmente, o PSDB virou governo – assim como o PT. E, segundo a esperança e a vontade popular, os partidos, amparados por seus desempenhos eleitorais, foram mudando a visão atrasada do coronelismo, do autoritarismo, da larga prática de assistencialismo que por décadas regulou a política brasileira e sustentou máquinas administrativas dependentes das estruturas de Estado.

O que ocorreu então, e que é natural no processo político, foi que o tamanho da expectativa do eleitor se revelou bem maior do que a capacidade dos partidos e seus agentes de entregar todo o prometido. E apareceram as frustrações, de parte a parte. Mas é preciso entender que isso tudo faz parte do processo democrático e que as urnas devem ser novamente oferecidas para que o eleitor faça revisões e reencaminhamentos que achar necessárias no decorrer do tempo. Aí está a riqueza da democracia. O caminho é a urna.

O PT, com seu gosto pelo aparelhamento revelou-se uma espécie de neo-PFL, um PRI mexicano de fala portuguesa – e por boa parte disso respondem atualmente no Supremo Tribunal Federal alguns dos seus principais líderes. Já o PSDB carrega consigo questões para as quais não consegue oferecer soluções efetivas. E sofre com uma fadiga de propostas, avaliação que, aliás, tem por pai um expoente tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Voltando à questão da imprensa, foco da semana pós-SIP e pré-eleição, lembremos que quando ainda estava na oposição pura o PT carregava consigo setores mais ou menos tolerantes com a crítica. Para quem foi jornalista de política (ou acompanhou de perto o tema nos últimos 30 anos) houve momentos tensos na relação com personagens petistas.

Qualquer pergunta que fosse feita fora da caixinha na qual estavam os pensamentos petistas era vista como coisa de inimigo. A crítica, segundo essa militância política fundamentalista, era feita para desestabilizar o PT. Um jornalista do próprio Times chegou a ser ameaçado de expulsão por reportagem sobre hábitos do presidente da República, Lula, o grande líder do petismo nacional.

É óbvio que no jornalismo, como em qualquer setor, há preferências ideológicas à esquerda e à direita. Mas aqui trata-se de ver o momento da prática profissional do bom jornalismo, como um princípio da democracia, portanto, daquele momento regido pelo manual da boa conduta, da ojeriza ao venal, à desonestidade com o leitor.

Por muito tempo reportagens e perguntas, feitas de acordo com o manual do bom jornalismo, foram tachadas de instrumentos de sacanagem contra o PT. Essa prática de desqualificar o interlocutor, de jogar sobre o profissional insinuações de estar a serviço de interesses obscuros, é, em última análise, um desrespeito com a consciência do contribuinte. Assim também ocorreu durante o governo Fernando Henrique quando uma poderosa máquina de assessorias de imprensa, centralizada no Palácio do Planalto a pretexto de ajudar, organizar, funcionava na verdade como verdadeira barreira à livre circulação da informação – coisa que velhos jornalistas do Planalto diziam não ter vivido nem nos tempos duros do general Nini (Newton Cruz).

Recentemente, no episódio do julgamento do mensalão, foi a vez de o ex-deputado José Genoino, ex-presidente do PT, voltar aos tempos de desconfiança exacerbada. Achando-se injustiçado pelas notícias, perdeu a compostura e reagiu contra repórteres chamando-os de urubus, como se os jornalistas que o acompanhavam no dia da eleição paulistana fossem o cerne da questão – e não a conduta dele, julgada incorreta pelo Supremo.

Para terminar, nada mais fora de tempo do que creditar à imprensa a responsabilidade de atos equivocados dos agentes da democracia representativa. A imprensa é necessária. E não só em Cuba, como gostam de afirmar lideranças políticas que se dizem modernas. Aqui, também. Um país com imprensa livre é sinal de estabilidade, de civilidade, de democracia, de sociedade desenvolvida. Os políticos devem, sim, explicações públicas sobre seus atos. E devem, sim, esclarecer toda e qualquer dúvida que eventualmente apareça em relação a sua conduta.

O trabalho dos profissionais de imprensa é perguntar, questionar, mexer em feridas. Fora disso é outra coisa, é propaganda. Se há divergência sobre uma determinada questão colocada no sagrado dever de perguntar de um jornalista, deve, sim, o político, agente público, manter-se à altura da cadeira que persegue e responder, esclarecer.

Tergiversar, fugir das questões, tentar tachar o jornalista de portador de intenções outras que não as de sua profissão é agir contra a sociedade. E insinuar que um repórter age em favor de um adversário, como também tem feito o candidato tucano José Serra, em mais de uma ocasião (no UOL; na Rádio CBN), como lembra artigo de Eugênio Bucci no Estado, e no debate Estadão/TV Cultura, acrescento, não é prática democrática, é truculência.

O país mudou. A imprensa vive dias de fortes transformações nos modelos de negócios e nas práticas de apuração e edição, mas sempre em busca da informação de qualidade, da prestação de serviço de alto nível às liberdades. Neste momento torna-se claro que para alguns petistas e tucanos a única verdade que lhes serve não é a do relevante interesse público, aquela premissa defendida na SIP. A verdade que a eles lhes convém é a deles próprios. E só.

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Boa parte da disputa pela Prefeitura de São Paulo vai ocorrer num cenário bem distante da terra da garoa. Lances relevantes da guerra pela cobiçada caneta de prefeito paulistano, que vale R$ 40 bilhões por ano, já estão ocorrendo nesta cidade que não tem prefeito, mas que não há quem não conheça: Brasília.

Durante o primeiro turno, foi de lá que saiu a ordem para que Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, que fazia cara de paisagem em relação ao candidato do PT indicado por Lula, Fernando Haddad, entrasse na campanha em troca de um ministério, o da Cultura, que vinha sendo chefiado por Ana de Hollanda, irmã de Chico, filha de um dos maiores intelectuais paulistas, Sérgio Buarque de Hollanda, ex-diretor do Museu Paulista, ex-professor da USP, e de dona Maria Amélia, matriarca da família que viveu anos na famosa casa da Rua Buri, no Pacaembu.

Pois foi de Brasília que saiu o tiro que abateu a paulistana Ana de Hollanda para que Marta se acomodasse no staff do Planalto e apoiasse Haddad, ele próprio um ex-integrante da Esplanada. E foi por Brasília, igualmente, que o candidato tucano José Serra, o adversário de Haddad no dia 28, já lutou colecionando mais de 44 milhões de votos no país. E é de lá que Serra hoje tenta se afastar ao máximo para eliminar a ideia disseminada em São Paulo de que só pensa na cidade inventada por Oscar Niemeyer.

Pois, mais uma vez, será de Brasília que deverão sair nos próximos dias elementos que podem ser decisivos para o futuro imediato dos paulistanos. Um deles, no terreno das alianças, já está sendo costurado entre Lula e o vice-presidente da República, Michel Temer, que é o apoio de Gabriel Chalita (PMDB), quarto colocado no primeiro turno, para Haddad.

Outros dois lances, ainda mais relevantes, estão por ocorrer. Primeiro, a construção da ponte entre o PT e o PRB, o partido que deu sustentação a Celso Russomanno na conquista dos mais de 1,3 milhões de votos contados no último dia 7. Pelos principais líderes nacionais do PRB e pastores de igrejas evangélicas que tentaram eleger Russomanno mas fazem parte da base de apoio do governo federal, deve passar a decisão sobre se agora são Haddad ou Serra. E, por fim, há a bomba política das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que lá no desértico clima do cerrado julga o mensalão.

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Ainda era noite de domingo quando se soube que José Serra e Fernando Haddad haviam passado para o segundo turno da eleição em São Paulo. E ainda não havia acabado a apuração e o candidato tucano já sinalizava o tom que espera para o próximo embate: discutir o mensalão.

Nos próximos dias as atenções estarão voltadas para o plenário do Supremo Tribunal Federal. Líderes importantes do PT, como José Dirceu, estão na reta dos ministros do STF. E Serra aposta nisso como desgaste político de Haddad. Por seu lado, o candidato petista e seu padrinho Lula tentarão demonstrar que o tema não tem relação com a vida do eleitor na cidade.

O que é certo, pelo menos por enquanto, é que o bombardeio do mensalão não foi assim tão efetivo contra Haddad, já que o candidato manteve-se na margem histórica dos cerca de 30% do eleitorado que o PT tem na cidade mesmo depois da contundência das decisões que emergiram do STF nos últimos dias. Nessa balada, a chapa vai ter de esquentar bastante no STF nos próximos dias para que as fichas de Serra virem valor.

Até lá, o que se tem mesmo como relevante é o preço que o candidato Celso Russomanno, que por mais de mês liderou as pesquisas e foi relegado a terceiro plano pelo eleitor paulistano, vai querer por seu espaço político. Russomanno fez uma bela votação. Alcançou 1.324.021 votos, 21% do eleitorado da capital. E pelo menos no primeiro momento esse desempenho é que pode estabelecer a diferença na campanha que segue até o dia do juízo derradeiro, dia 28.

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Tudo indica que a cidade de São Paulo ainda terá de esperar mais 20 dias para saber quem será o substituto de Gilberto Kassab na Prefeitura. A julgar pelos números dos institutos de pesquisas Celso Russomanno, José Serra e Fernando Haddad, nesta ordem no ranking das intenções de voto, brigam embolados, esquina por esquina, na caça ao voto.

Essa divisão no eleitorado foi estreitada nos últimos dias pelo registro, nos dois principais institutos (Datafolha e Ibope), da queda de Russomanno. Ele vinha na frente desde a metade de agosto. Mas perdeu força na reta de chegada. E a piscada do líder deu um gás nos comitês dos adversários e levou a um acirramento dos ânimos na campanha de TV.

Assim, ao votarem no domingo os paulistanos dificilmente darão a um dos candidatos uma vantagem clara suficiente para matar a questão no primeiro turno. Então, no segundo turno, quem sobrar na corrida até o dia 28 arrastará consigo uma herança tensa do primeiro turno, de qualquer que seja dos lados. Notem que o tiro da segunda volta é mais curto do que o de eleições anteriores. É natural, portanto, que os nervos ainda estejam à flor da pele quando as alianças começarem a ser alinhavadas.

Como é arriscado fazer prognósticos quando a coisa está nesse pé – diferente, por exemplo, do caso do atual prefeito Eduardo Paes, do Rio, que tem larga vantagem e pode encerrar já a eleição -, pelo menos será possível se saber, ainda na noite de domingo, o tamanho do estrago eleitoral provocado na campanha por um outro fato político não menos tenso e relevante, o julgamento do escândalo do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

As condenações de petistas como José Genoino, João Paulo Cunha e os votos de ministros contra o ex-todo-poderoso José Dirceu, todos figuras relevantes no recente cenário político de São Paulo, vão grudar em Haddad – eleitoralmente em falando? Ou teremos vivido um período de um intenso bombardeio vindo de Brasília com muito barulho mas pouca pontaria?

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O que o distinto contribuinte espera de um administrador público? Espera que ele ofereça soluções para os conflitos de interesse da vida em sociedade. Espera que o administrador público resolva os problemas que surgem da convivência urbana – já que o que está na ordem do dia é o comando da Prefeitura.

Mas todo mundo sabe, também, que desde que Jericó, a 11 mil anos, começou a se formar como pioneira da vida urbana, que não basta agir nas cidades como gerente ou zelador – ficar tampando buracos, trocando lâmpadas ou desentupindo bueiros.

É preciso que o administrador público, em seu competente espaço geográfico e político, seja mais do que um síndico. É preciso ser estrategista, pensar, planejar o bem comum de médio e longo prazos. É preciso que o administrador público seja alguém que use os orçamentos para se antecipar às crises.

Reportagem de Adriana Ferraz, no Estadão, sobre os gastos da Prefeitura de São Paulo com emergências, nos mostra o quanto estamos distantes desse ponto. Somente neste ano, o administrador público municipal gastou R$ 23 milhões com obras de emergência em viadutos e pontes na cidade. É o preço da falta de planejamento. Não é possível esperar a enchente para construir o piscinão; apagar o incêndio para construir habitação popular; cair um pilar para refazer a ponte.

Quem não investe em melhorias e conservação paga por isso. Adriana Ferraz conta ainda que de 2009 para cá a cidade “gastou nove meses mais com correção das chamadas ‘obras de arte viárias’, que incluem ainda túneis e passagens subterrâneas, do que com manutenção.”

E note que, segundo a reportagem, neste cálculo da cobertura emergencial de ocorrências na cidade ainda não há o custo do conserto do Viaduto Orlando Murgel, destruído parcialmente dias atrás por um incêndio de uma favela, a Favela do Moinho, uma das mais de 1.500 chagas sociais existentes na cidade há anos.

O financiador, lembremos, é o amigo contribuinte paulistano – de quem o caixa municipal suga mais do que deveria, e sem a menor cerimônia. A Fazenda anual é bilionária, na casa dos R$ 40 bilhões, e crescente. E, segundo a propaganda eleitoral na TV, há milhões sobrando no cofre. Não é mais falta de dinheiro. É falta de visão.

(texto também publicado na Edição Noite do Estadão no iPad)

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29.setembro.2012 12:17:31

Miniconto paulistano

Lá estava ele, parado no trânsito da Rebouças, perto do Hospital das Clínicas, às 10h do ensolarado sabadão, quando a moça do rádio do carro informou: “Temos 4 quilômetros de congestionamento em São Paulo. A Avenida Rebouças tem o único engarrafamento da cidade”.

 

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Manifestantes tomam as ruas de Madrid novamente nesta quarta-feira, 26, 24 horas depois de uma outra concentração de cerca de 5 mil pessoas diante do Congresso terminar em pancadaria no enfrentamento com a polícia na tarde/noite do que já ficou conhecido como 25-S (setembro). As imagens dos conflitos na rua, transmitidas ao vivo por sites espanhóis, mostram um pouco do clima tenso vivido na Espanha nos últimos meses.

A frustração na Espanha, que visitei em junho, cresceu bastante neste segundo semestre depois que Madrid tomou pé do tamanho da crise financeira do país e abriu negociações com o Fundo Monetário Internacional para obter financiamento de ajuda do déficit. Os efeitos nocivos da crise econômica sobre a sociedade espanhola detonam o emprego e desatam amarras que havia muito tempo nem eram notadas, como as do nacionalismo de comunidades autônomas do reino de Juan Carlos – observem a Catalunha, que no último dia 14 saiu às ruas gritando por independência, cujos ecos já bateram aqui,  e que se prepara para eleições antecipadas para novembro.

Com o país em dificuldades econômicas e pressões políticas em alta, a polícia desce a marreta na rua e até engrossa o coro dos manifestantes de Madrid com gente do próprio partido da situação, o PP. Como o comerciante do bar Prado, mostrado no El País, que se dizia do PP mas impedia a polícia de caçar manifestantes dentro de seu restaurante.

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