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Blog da Garoa

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A ilha de excelência brasileira chamada São Paulo tem, seguramente, a maior concentração de hospitais de alto padrão e de profissionais de altíssimo nível no exercício da medicina no País. São 105 hospitais e pelo menos 9 mil clínicas, segundo dados da Prefeitura. E um exemplo desse poderio no serviço médico e pesquisa é a Faculdade de Medicina da USP, reconhecida mundialmente como top na formação de médicos.

É uma pena que toda essa experiência acumulada ainda não esteja largamente disponível para a população – em muitos e muitos casos confinada ao demorado atendimento do sistema público nas periferias do município e de seus vizinhos menos favorecidos.

Um desses complexos profissionais de saúde de ponta, o Instituto do Câncer de São Paulo, Icesp, é chefiado pelo médico Paulo Marcelo Hoff, oncologista que tem estado em moda nos últimos tempos pela importância da tarefa que desenvolve no combate à doença no setor público – e pelo trabalho na direção da área de oncologia do Hospital Sírio-Libanês tratando de pacientes famosos e políticos.

Aos 43 anos, Hoff é uma autoridade no assunto. Sob os cuidados dele e de sua equipe estão o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Roussef, o ator Reynaldo Gianecchini. O ex-vice-presidente José Alencar, que morreu em março depois de anos de luta, também foi atendido por Hoff.

Na semana passada, ele trabalhou na segunda sessão da quimioterapia do ex-presidente Lula, no Sírio, conheceu oficialmente as estimativas do Inca sobre o volume da doença no Brasil e abriu uma campanha paulista de prevenção do câncer no Icesp. Na sexta-feira, comentou a previsão do Inca, a cura do câncer e outros temas da República.

Paranaense de nascimento, mas gaúcho por adoção – o pai, Paulo Sérgio Hoff,  é de Santa Bárbara do Sul -, Hoff é professor da USP onde ensina que a batalha contra a temida doença já proporciona a cura em 60% dos casos. Formado na Universidade de Brasília, doutorado pela USP, e tendo feito residência em Miami, além de experiência em Houston, ele começa agora a trabalhar com jovens paulistas na tentativa de desarmar eventuais bombas  do câncer lá na frente.

Programa do governo estadual, via Icesp, pretende levar informação e esclarecimentos sobre a doença a 1,5 milhão de alunos por maio de palestras de 80 médicos da entidade em escolas.

Paralelamente a esse esforço de disseminação de conhecimentos sobre a doença, Hoff acaba de assinar o livro Como superar o câncer. É um guia para quem convive com o problema ou quer tirar dúvidas sobre a enfermidade e seu tratamento.

Editado pela Editora Abril, o livro tem a participação de 12 especialistas do hospital Sírio-Libanês. Os direitos foram doados. Está à venda por R$ 24,90.

Em forma de guia, é uma aula sobre o câncer. Leia abaixo um extrato do livro sobre a milenar história do conhecimento da doença.

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2500 a.C.

Um papiro egípcio dessa época contém descrições de quase 50 doenças. Entre elas, destaca-se o relato de uma massa proeminente no seio. Os detalhes dão a entender que o autor do documento descrevia um câncer de mama.

460-377 a.C.

Esses são os anos de nascimento e morte, respectivamente, de Hipócrates, considerado o pai da Medicina. Ele usou o termo câncer, sinônimo de caranguejo em grego, para descrever a doença pela primeira vez. A forma do crustáceo, observou Hipócrates, seria similar a de um tumor que se espalha pelo corpo. Mas ele acreditava que a responsável pelo mal seria uma suposta substância que circulava pelo organismo – a que deu o nome de bile preta.

Século 2

Cláudio Galeno, talvez o médico mais importante do Império Romano, foi responsável pela criação de uma espécie de manual da Medicina daqueles tempos. Ele afirmou que o câncer não tinha cura e que não deveria nem sequer ser tratado. Essa é uma das justificativas pela qual a doença foi pouco estudada na Idade Média.

1543

Neste ano, em pleno Renascimento, um dos estudos mais completos sobre a anatomia humana é realizado pelo belga Andreas Vessalius. Ele critica a falta de atenção com os tumores e questiona a teoria de Hipócrates sobre a bile negra.

1775

O inglês Percival Pott nota que limpadores de chaminés tinham um índice maior de câncer na bolsa escrotal. Isso por causa do contato constante com o alcatrão e outras substâncias tóxicas. É um dos primeiros relatos sobre a influência do meio ambiente no desenvolvimento da enfermidade.

1787

Começa-se a falar na capacidade do câncer criar vasos próprios para pegar nutrientes do corpo e se alimentar para crescer. O processo se chama de angiogênese e começou a ser observado mais profundamente pelo cirurgião escocês John Hunter nesse ano. Aliás, ele aperfeiçoou o que se considera ser o método científico, ou seja, esboçou as formas mais confiáveis para fazer pesquisas médicas, inclusive as relacionadas a tumores.

1867

São apontados os princípios básicos da antissepsia. De autoria do médico inglês Joseph Lister, métodos como limpar escrupulosamente as salas de operação tornaram todos os procedimentos cirúrgicos muito mais seguros.

1890

Data desse ano a mastectomia radical, ou seja, a retirada de toda a mama por causa de um tumor. Realizada pela primeira vez pelo cirurgião americano William Halsted, ela atualmente é pouco usada pela agressividade e pelos efeitos colaterais. Mas, mesmo assim, abriu as portas para tentativas de extrair o câncer do corpo.

1895

Wilhelm Roentgen, um físico alemão, consegue produzir radiação eletromagnética de modo a revelar partes do interior do corpo de uma pessoa. Essa nova tecnologia foi primordial para desenvolvimento do raio X. Oito anos depois, a cientista Marie Curie ganharia o Prêmio Nobel por, entre outras coisas, estudar os efeitos da radiação sobre os tecidos biológicos e firmas as bases da radioterapia, usada até hoje para combater o câncer.

1929

O hormônio estrogênio, mais ligado ao organismo feminino, é identificado pelo bioquímico americano Edward Doisy. Esse é o passo inicial para a criação de seus antagonistas, aplicados hoje na hormonioterapia para controlas cânceres como o de mama.

1946

Com base no gás mostarda, usado na Primeira e na Segunda Guerra Mundial como uma arma química, os farmacêuticos americanos Louis Goodman e Alfred Gilman produzem uma substância para exterminar células malignas do sangue. Começa a quimioterapia.

1971

O estão presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, assina o Ato Nacional contra o Câncer, um documento que visa estimular as pesquisas sobre a doença e fomentar o desenvolvimento de tratamentos para atacá-la.

1977

Os primeiros genes relacionados ao surgimento do câncer, conhecidos como oncogenes, são descobertos.

1997

A FDA, agência americana que regula medicamentos, aprova o primeiro anticorpo monoclonal contra o câncer, substância capaz de ajudar o próprio corpo a identificar células malignas. É o rituximab. A terapia alvo, como é chamada, ganha força.

2010

Novamente nos Estados Unidos, é aprovada a primeira vacina terapêutica contra o câncer – mais especificamente contra o tumor de próstata metastático, ou seja, que já se espalhou pelo corpo.

2011

O Instituto Nacional do Câncer, vinculado ao Ministério da Saúde, estima que, neste ano, serão diagnosticados 489 mil novos casos de tumores malignos no Brasil.

2011*

Instituto Nacional do Câncer, do Brasil, atualiza os dados de estimativas sobre a incidência da doença no país projetando para 2012 520 mil novos casos.*

Fontes:

“Como superar o câncer” (págs. 22 a 25), Dr. Paulo Hoff, Editora Abril, 2011,

 e  *Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA

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Capa do livro do oncologista Paulo Hoff e outros 12 especialistas

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(texto atualizado às 16h58 de 2/12)

 

 

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Tem gente que prefere areia, praia, sol de 40 graus, boa cerveja, guarda-sol. E, então,  se manda para o litoral paulista, Rio, Nordeste, Caribe – e vai curtir o verão. Tudo bem, cada um é cada um. Mas dá só uma espiada no que está acontecendo nas terras geladas do Canadá, no lado do Pacífico, um intrigante pedaço do mundo. O vídeo é do site da Grouse Mountain, parque existente dentro da cidade de Vancouver, que está abrindo a temporada de inverno. Temperatura lá hoje, 21 de novembro,  está em -2 graus centígrados. Uma maravilha!

Opening Day – Winter 2011/2012 from Grouse Mountain Resort on Vimeo.

 

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No Século 19, ai pelos anos 1830/50, o Brasil viveu uma situação muito interessante, semelhante, em parte, ao que ocorre hoje, mais 160 anos depois. Precisava povoar sua imensa extensão territorial para crescer, se desenvolver, se proteger. E precisava, ainda mais importante, substituir a mão-de-obra escrava, que era uma mancha cruel na formação do País.

A escravatura foi combatida por dentro na elite agrária de então, que dava suporte às estruturas de Estado, e de fora por opositores ferrenhos, brancos e negros, como Joaquim Nabuco e Luís Gama, Castro Alves e muitos outros.

Foi então adotada, ainda no período Imperial, uma política de atração de imigrantes, com facilidades burocráticas de instalação para quem chegava ao País interessado em construir uma vida de trabalho. Entre vasta literatura sobre a formação brasileira, um livro que sempre é bom visitar é “Terras Devolutas e Latifúndio – Efeitos da lei de 1850”, da professora Lígia Osorio Silva (Editora da Unicamp, 1996).

Com uma extensa pesquisa – 192 documentos (relatórios, pareceres, anais do Senado, mensagens oficiais), 23 livros e folhetos e consulta a outros 108 autores -, ela esmiúça o tema e mostra um quadro acurado da época, inclusive com informações de um ilustre funcionário público daqueles dias no Serviço de Terras e Colonização: Machado de Assis.

Por agora, quase dois séculos depois, o País vive novamente uma onda de imigração e recebe levas e levas de estrangeiros que por aqui buscam oportunidades de nova vida. Em crescimento, em com baixas taxas de desemprego, o Brasil, mais uma vez, os recebe. E, mais uma vez eles estão vindo, na maioria, de Portugal.

Nos últimos dias, com ajuda de colegas (Liege Albuquerque, de Manaus, e Jamil Chade, de Genebra), apurei os números desse fluxo migratório incentivado pela especial posição brasileira na economia mundial e por toda a crise de emprego que se abate sobre a comunidade internacional, principalmente sobre os europeus. O material está publicado no Estado, em papel, e no site.

O pessoal “de fora”, principalmente da Europa e Ásia, que lá atrás optou pelo Brasil – e os africanos, que foram arrastados – teve papel fundamental no Brasil nesse tempo todo. As marcas são visíveis não só no ambiente que nos envolve, mas principalmente, e literalmente, na cara do Brasil.

A mistura, é evidente, não foi assim uma Brastemp. Foi dura, injusta, em muitos momentos, como na relação entre brancos e negros – e até com os asiáticos, que ao chegarem a São Paulo, do distante Japão, e foram alojados em terrenos considerados mico imobiliário à época por ter sido um cemitério – o bairro da Liberdade. Os negros, nem se fala. E os índios? Hoje em franca recuperação populacional, quase foram exterminados.

De uns anos para cá, e cada vez mais – mostram os números de 2011 do Ministério da Justiça-, os hispânicos sul-americanos se somam a essa babel Brasil. Além de toda a força de trabalho que essa população empresta ao País, há uma riquíssima montanha de idiomas e de hábitos, criando uma peculiar diversidade de modos de vida deste lado do mundo.

Breve teremos aqui, certamente, ensinadores de mais uma língua, o aimará, dos bolivianos, uma das comunidades que mais crescem em regularização, de acordo com os dados do Departamento de Estrangeiros. E também do creole, dos haitianos, que olham o Brasil como a salvação para a miséria e a tragédia que destruiu sua terra em janeiro de 2010.

Nestes tempos bicudos lá fora, sejam todos bem-vindos.

Executivo brasileiro Artur Fuchs, CEO da Efacec, que retornou ao Brasil após duas décadas no exterior e contrata especialistas em Portugal/FotoWerther Santana/AE

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O português Marcos Pereira, que chegou a São Paulo em junho para trabalhar na multinacional Efacec. “Brasil está no caminho certo”, diz./Foto Airton Vignola/AE

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14.novembro.2011 20:16:26

O dom de alegrar

Responda rápido: o que têm em comum os padres Manoel da Nóbrega e Antonio Rodrigues (dos anos 1500) com Zequinha de Abreu, Antonio Rago e Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, (dos 1900) e uma turma que se reuniu sábado pela manhã na Rua França Pinto, 42, na Vila Mariana?

Respondo eu, rápido: a música.

Sobrevive naquele endereço, onde há uma loja de instrumentos musicais, o maravilhoso dom de artistas que - desde as missas monofônicas dos mosteiros quinhentistas - fazem a alegria de São Paulo com saraus, rodas de modinhas e chorinho.

Quem passava na porta da Casa Vitale, quase esquina com a Avenida Domingos de Moraes, no sábado, ouvia cavaquinho, pandeiro e violão dando vida a chorinhos – que são os netos das modas portuguesas, que devem ser netas, ou tataranetas, do velho cantochão, o canto das igrejas, ouvido pela primeira vez pelos nativos de Piratininga ao ser tocado sob a “batuta” e inspiração dos religiosos Nóbrega e Rodrigues.

Em seu belo ensaio “Arranjos e timbres da música em São Paulo”, publicado no volume 1 de “A história da cidade de São Paulo” (Paz e Terra, 2004), o doutor José Geraldo Vinci de Moraes ensina isso tudo, e muito mais. Recorri ao livro para entender um pouquinho mais da raiz daquele som que dá um charme especial ao quarteirão de comércio perto da hora do almoço.

E lá estavam as citações do doutor Vinci de Moraes rementendo também aos idos de 1818, quando nesta mesma São Paulo “os botânicos alemães Spix e Martius” relataram ter feito o mesmo que muitos fazem aos sábados na Vila Mariana: curtir um sarau de modinhas.

Por ali, certamente, ao som do cavaco de uma mocinha, havia alguma coisa de um outro personagem paulistano, que viveu entre 1880 e 1935: Zequinha de Abreu. Segundo o estudo do doutor Vinci de Moraes, depois de fazer nada menos do que Tico-Tico no Fubá, em 1917, Zequinha chegou a São Paulo onde tocou em bares, cinemas e – olhem só! – em casas de instrumentos e partituras.

São Paulo tem cada coisa! Para ouvir, clique aqui.

Roda de chorinho em loja da Vila Mariana/Foto: Pablo Pereira

 

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Dois craques do esporte brasileiro, Pelé e Ary Graça, da Confederação Brasileira de Vôlei, foram chamados para debater no Museu do Futebol, no Pacaembu, o futuro da educação e do esporte no Brasil. Segundo os promotores do evento, marcado para dia 18, às 14h, é uma iniciativa da empresa Kroton Educacional,  que atua no setor de ensino. O ponto é a formação de profissionais para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

 

 

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Gravação de Paulo Liebert, com texto e edição de Gabriela Valente, da TV Estadão, mostra um ato admirável do professor Benedito Lima de Toledo, um conhecido do Garoa. Ele doou acervo riquíssimo para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. O professor é uma autoridade em São Paulo. É um apaixonado pela formação da megalópole, como ele próprio definiu a mancha urbana paulistana que se alastra no rumo de outras cidades.

Ouça a entrevista:

 

Há dois anos, quando o Garoa foi criado, o professor Benedito Lima de Toledo aceitou conversar sobre o tema “São Paulo”.  Esse vídeo andou sumido dos arquivos do Blog. Mas, em respeito à relevância do personagem, foi recuperado.

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10.novembro.2011 22:06:31

Férias, cidades, onças e ursos

Os paulistanos têm, mais e mais, se arriscado fora dos limites da grande cidade que se ergueu sobre taipa e pedregulho, cresceu de repente, no Século 20, varou várzeas e rios e tornou-se um emaranhado de quase 100 mil ruas e mais de 11 milhões de viventes. Milhares deles “vazam” da megalópole nos finais de semana, esbaforidos, em todos os rumos, em busca de compensações telúricas para seus dias de reclusão urbana na faina da sobrevivência.

E, na caçada ao descarrego, o paulistano não usa somente as boas estradas como modernos varadouros que levam ao conforto das férias e feriados. Também nos aeroportos, com destinos cada vez mais distantes, nota-se acúmulo de gentes que vão, ansiosos, e que voltam, revigorados.

Só pelo aeroporto de Guarulhos, de janeiro a setembro, segundo a Infraero, passaram 13.635.799 pessoas em embarques e desembarques domésticos. E outros 8.537.775 fizeram embarques e/ou desembarques em voos de (ou para) outros países. São mais de 22 milhões de operações. Para ajudar na comparação, no país inteiro, considerando todo o movimento dos aeroportos, a Infraero registrou 119.746.166 de operações domésticas e 13.608.785 de operações internacional. É gente à beça viajando de avião.

Tem sido assim, de maneira geral, desde que uma parte importante da população começou a amealhar mais renda, lá nos anos 90 – lembram da empregada do ex-presidente Fernando Henrique, uma senhorinha que foi passar as férias na Europa? Pois então! Já faz anos que se viaja como nunca antes neste país. Desde os tempos nos quais a Grécia, coitada, atraía como paraíso afrodisíaco de águas claras e muita história.

Pois, agora, para quem deseja ir ao exterior, está com grana, mas quer evitar o conturbado berço da velha democracia, lá vai uma sugestão. Devidamente testada e aprovada. Mas cuidado: é preciso ter sangue frio. Na verdade, é preciso ter muito sangue quente. Trata-se de uma maravilha canadense chamada Vancouver.

Nos últimos anos, essa tem sido uma das melhores, quando não é a melhor, cidade do mundo para se viver, segundo o ranking anual da revista The Economist. E quando falei de testada, é isso mesmo. Eu mesmo testei. Já faz meses, mas parece que foi ontem. Andei pelas montanhas com neve à altura das canelas, numa das mais excitantes paisagens que já vi – e pisei. E me apaixonei.

Noves fora a elevada qualidade de vida, o transporte público de fazer inveja e o alegre clima de estudantado – como na velha vila paulistana imperial, que abrigou maravilhosos festeiros, barulhentos, irreverentes, gente que hoje é venerada, como Castro Alves, Fagundes Varela e tantos outros intelectuais – a cidade canadense oferece ainda um inesquecível cheiro silvestre, de mar e mato. Tudo geladinho.

No parque do Ibirapuera deles, que fica no alto de uma montanha chamada Grouse Mountain, essa pureza toda é alimento para humanos e ursos. Isso mesmo. Há ursos selvagens vivendo em harmonia com as pessoas. E, para além daqueles que moram no parque, protegidos, há outros, soltos, que descem dos bosques e frequentam as ruas da cidade em áreas tranquilas. Já imaginaram o que é viver assim? Criar os filhos com essa perspectiva?

Outro dia, quando uma onça foi encontrada em uma casa aqui nos arredores da Serra da Cantareira, lembrei de Vancouver. São belos acontecimentos esses encontros dos racionais maquinados com os que estão em puro estado natural. Como cá, lá os bichos deles produzem uma espécie de fascínio. Os deles, ainda mais instigantes, principalmente para as crianças: nesta época eles entram no sono da hibernação. Tente explicar isso para um menino!

Tudo isso me veio à cabeça quando recebi, por e-mail, outro dia, as primeiras fotos da verdejante Grouse sendo pintada de branco. Era a primeira neve da temporada. Uma festa da natureza.

Bueno, se já chegamos até aqui nesse papo de recuerdos, uma última “viajadinha”: será que aqui, na antiga vila jesuíta, quando as onças passeavam nas matas do Caaguaçu – que vinham até o Trianon -, o carrancudo capitão-do-mato não se emocionava ao ver a cidade se enfeitar com a brancura da geada?

Duvido!

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08.novembro.2011 13:22:29

Governantes e governados

Os colegas jornalistas Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta informam que a Prefeitura de São Paulo desistiu de impor novas faixas exclusivas para motos na cidade. E pode até acabar também com as duas que já foram riscadas no chão da Sumaré e na Vergueiro. É que os da Prefeitura chegaram à conclusão de que não só as faixas não reduziram os acidentes com motos no trânsito como aumentaram o número de vítimas.

Ao ler a reportagem lembrei de uma passagem do velho e bom livro Um certo capitão Rodrigo, de Erico Verissimo, editado em 1973. Dizia lá o grande escritor, usando seu fascinante Pedro Terra, que fumando no escuro, pensava: ” (…) governo era uma palavra que significava algo de temível e ao mesmo tempo de odioso. (…) Era o governo que fazia as leis – leis que sempre vinham em prejuízo do trabalhador, do agricultor, do pequeno proprietário.”

Parece que muito longe da pequena Santa Fé da Província de São Pedro – e tanto tempo depois – as autoridades continuam se esforçando para oferecer ao contribuinte a oportunidade de alimentar o asco e o desprezo.

 

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07.novembro.2011 11:25:54

O enigma SP

São Paulo provoca nas pessoas uma enorme variedade de sentimentos. Há gente que é absolutamente agradecida à cidade, ama de paixão esse espaço gigante, não a deixaria por nada. Outros, odeiam, querem se ver livres dela, ir embora, buscar sossego em outras paragens. É da vida. Trata-se de uma subjetividade ligada à reação de cada um ao que lhe acontece na existência em um determinado espaço geográfico. E o que dizer da interpretação dada a SP pelo artista Criolo? Ouça:

 

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