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Blog da Garoa

Saiu oficialmente local e data da exposição dos paineis Guerra e Paz, de Portinari, em São Paulo. A partir de 6 de fevereiro – até 21 de abril – paulistanos poderão visitar as obras no Memorial da América Latina. Depois elas seguem para Hiroshima, Oslo e Cidade do México.

 

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O pensador Affonso Romano de Sant’Anna escreveu no excelente Sabático, editado por Rinaldo Gama (abaixo, os links), citando McLuhan, a metáfora da lagarta e a borboleta. Perfeita para esses tempos de revolução tecnológica e de imensas dúvidas sobre o futuro breve.

Trata o professor Romano de Sant’Anna do aumento na produção brasileira de livros, uma avalanche deles tira a indústria livresca do marasmo nos últimos anos. Mas aí vem a questão do pensador: e os leitores? Lá está, no artigo publicado na contracapa do Sabático, a argumentação, que não transcreverei aqui.

Lendo, lembrei de imediato da professora venezuelana Carlota Perez, estudiosa dos impactos da tecnologia no mundo (Technological Revolutions and financial capital – The Dynamics of Bubbles and Golden Ages, UK, 2002), que deu cores atuais ao que pensa no encontro sobre Web 2.0, encerrado na quinta-feira em Nova York.

Dizia ela que estamos, sim, bem no centro de uma virada tão violenta na civilização, o que ela chama de revolução tecnológica global, que os atuais líderes mundiais não conseguem pegar o sentido da coisa. E perdem precioso tempo.

Estão, segundo ela – e para sua irritação – tentando controlar as coisas da mão para a boca, por meio de ferramentas obsoletas, como controle de déficit público e regras de fluxos de capitais, tudo isso com o foco na visão nacionalista ocidental. E não enxergam o futuro e as profundas transformações, já em curso, atropeladas pelas trocas nos modos de produção, criadas na vida moderna a partir da família chip. Governantes e políticos parecem as lagartas de McLuhan olhando a sensacional borboleta e pensando: Não, não. Eu não quero me transformar naquele monstro.

Como dizem os paulistanos jovens, “meu, se liga”, o mundo mudou. A economia mudou. A vida mudou. Antes de morrer, Steve Jobs ensinou a moçada: “Stay hungry, stay foolish”. E os jovens, lá fora, repetem: “Hei, I have butterflies in my stomach”.

É preciso se atracar com os desafios, sentir o frio na barriga, manter a fome de saber, estar aberto à inocência e dar asas à inovação, criar! – em vez de agarrar-se à escuridão da ignorância e dos truques do velho remediar.

No caso do Brasil, a vida tem mudado para melhor. Milhares e milhares de pessoas entram todo dia no consumo. Alvíssaras! Passamos os últimos 40 ou 50 anos sonhando intensamente com isso. Houve a noite escura da política do autoritarismo, depois a angústia da demora na criação e distribuição dos recursos e, hoje, o principal inimigo (enorme) que se apresenta é um ornitorrinco manco: cara de corrupção, braços de fisiologismo, cérebro de oportunismo e coberto, óbvio, pela chaga da pobreza, infeliz herança que nos fere fundo desde os tempos de Nabuco. Mas, apesar disso tudo, os dias já são agora outros. Estão claros, prometem frescor.

E já que o assunto aceita o poliglotismo, muchachos, adelante! A agenda mundial tem de mudar. Como ensina a global-cidadã Carlota Perez, as bolhas econômicas são seguidas de explosões. É preciso inversões massivas na inovação tecnológica para entrar de vez no novo mundo. É preciso sair do cassino financeiro; o dinheiro precisa gerar conhecimento.

O atual sistema de produção de bens e a distribuição de riquezas faliram – vejam as ondas de desconforto. Carlota tem razão. O problema é que Obamas, Dilmas, Sarkozys, Merkels, seus colegas – e seus financiadores -, continuam como lagartas a pensar na borboleta como um monstro.

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Leia o artigo de Affonso Romano de Sant’Anna

Saiba mais sobre  Carlota Perez

Ouça Carlota Perez na Web 2.0

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Na próxima terça-feira, dia 18, às 10h, no Memorial da América Latina, João Candido Portinari, filho de Candido Portinari, vai anunciar oficialmente o local e a data da exposição na cidade dos painéis “Guerra” e “Paz”, que foram restaurados e começam uma turnê por várias cidades. As obras passaram mais de meio século na ONU, em Nova York, e voltaram ao Brasil em dezembro. O Rio já viu os painéis que foram pintados entre 1952 e 1956 pelo artista de Brodowski (SP).

Preparando o evento da transferência da obra, João Candido conta que os painéis foram pintados em Botafogo, no Rio, em um estúdio da antiga TV Tupi. “Meu pai não tinha um ateliê. Ele pintava em casa”, explica João Candido. Mas para aquela obra, naquelas dimensões (14m x 10m), ele precisava de mais espaço. E pintou em um galpão.

Durante os estudos para Guerra e Paz, Portinari começou a sofrer com a intoxicação pelas tintas. E, em 1954, foi vítima de uma hemorragia. Os médicos, então, o proibiram de usar tintas. Ele reclamou publicamente. Em uma entrevista ao Jornal O Globo, da época, disse: “Estou proibido de viver”, lembra João Candido. Mas logo achou o caminho dos lápis de cor e seguiu criando. Em 1955, voltou às tintas e, num espaço de 9 meses, deu à luz sua obra prima.

Segundo João Candido, o Memorial foi escolhido para o anúncio por ser um espaço criado por Oscar Niemeyer especialmente para uma outra obra de Portinari, o Tiradentes.

Portinari morreu no dia 6 de fevereiro de 1962.

Enquanto aguarda a chegada das obras, você pode curtir um pouco dos painéis clicando aqui.

João Candido Portinari, filho do pintor/Foto: Divulgação

 

(texto atualizado às 16h32)

 

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Nos últimos dias, acompanhei pela web um encontro importante para essa área, que é o Web 2.0, que aconteceu em Nova York. Uma avalanche de novidades desabou lá. Estão no site do evento, que é muito bom. Mas para quem gosta do assunto, há uma participação muito interessante que é a entrevista da professora Carlota Perez, de Cambridge, falando sobre muita coisa interessante, como a segunda bolha da internet.

Ouça (em inglês)

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Escrevi outro dia que adoro mapas. Pois, para quem curte a geografia, o Google está apresentando em Nova York, neste momento, uma ferramenta maravilhosa, um aprimoramento de seu sistema de mapas. O MapsGL. Veja aqui.

http://www.web2expo.com/webexny2011/.

 

 

 

 

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03.outubro.2011 15:21:43

Salve o Belas Artes

Muito interessante, e corajosa, a decisão do Condephaat de abrir processo de tombamento do Belas Artes, na Paulista com Consolação. E inteligente a opção por compor um conjunto com o antigo Riviera, do outro lado da rua.  Pague-se ao proprietário o que for de direito, mas permita-se à cidade a existência daquele ponto. Por muitos anos, foi um local de convergência cultural, de opção de lazer, de agradável convivência. Lembro de muitas e muitas caminhadas noturnas por ali, quando nem havia metrô, após um cineminha e o obrigatório chopinho a posteriori.

Tomara que a iniciativa vingue.

Leia a notícia, relatada por Luísa Alcalde

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