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Blog da Garoa

28.setembro.2011 21:36:45

Milhares de mulheres de Gala

Outro dia, passei um sábado e domingo de folga em casa em São Paulo. Normalmente muitos paulistanos não se aguentam nas calças até a noite de sexta-feira, ansiosos para deixar a cidade depois de uma semana estafante. E se vão ao campo, às praias, à serra, espairecer.

Mas ficar por aqui nos finais de semana também é uma boa. Nos sábados, pela manhã, o trânsito ainda é pesado. Muita gente guarda para essas horas tarefas caseiras, como fazer supermercado, ir às comprinhas corriqueiras, lavanderia etc. E a cidade se agita bastante desde cedo. Mas, com o cair da tarde, tudo se acalma (para voltar a ferver à noite).

Aos domingos, um passeio matinal com o cachorro mostra que a turma está por casa até mais tarde. A manhã domingueira é uma delícia em São Paulo nesta época.

Pois, dizia eu,  passei os dois dias em casa. Foi tempo de receber gente da família para uma agradável, digamos, colocação de assuntos em dia. Lá estavam, à determinada altura, uma dúzia de mulheres conversando em animadíssima roda na sala.

Olhei aquela cena, e pensei: isso aqui é uma boa cópia de mundo atual. Só havia quatro homens adultos no ambiente, sendo que um deles não saía da cozinha, encarregado, óbvio, de abastecer as damas em alarido com os comes e bebes. A mulherada é maioria mesmo, vive mais, e, sem dúvida, manda muito mais (aliás, até em Brasília é assim).

Na minha rua é visível o crescimento da população feminina idosa. Senhoras andam aos pares; filhas adultas acompanham suas mães de cabecinhas brancas em caminhadas tranquilas; e até nos restaurantes de comida por quilo, que proliferaram no bairro, é possível notar que a freguesia quase sempre é de gente que já governou famílias e famílias, criou e forneceu muitos sabores, mas não quer mais qualquer relação com cozinha.

As estatísticas do Seade (SP) mostram que o envelhecimento é generalizado no país, e que SP segue a mesma linha. A pirâmide populacional se transformou. E cada vez mais vamos ver isso acontecer nos próximos anos e décadas.

Curioso é que na quinta-feira, portanto dois dias antes, eu tinha retirado da estante um livro do qual gosto muito ( “Más allá del jardín”), do escritor espanhol Antonio Gala, um craque da literatura no idioma de Cervantes. Gala trata com maestria exatamente esse universo: as mulheres maduras, seus interiores, suas histórias, suas almas.

O livro (Editora Planeta, 1995, Barcelona) é parte de uma extensa obra que tem textos para teatro e poesia carregada de verdades. Um primor de mergulho na personalidade feminina através de Palmira Gadea, uma senhora que vive com seu belo jardim, em Sevilha, e que, de repente, descobre o mundo existente além de suas lindas flores, de sua família harmônica, netinhos vindouros, seu cão, Juba – e muitas lembranças. É uma bela história sobre rica personalidade, e com um final surpreendente.

Lá em casa, no final de semana, havia pelo menos umas quatro ou cinco Palmiras. Milhares de outras mulheres de Gala passeiam por São Paulo, a cidade que outrora, ainda vila, era conhecida não pela beleza dos longevos, mas pela algazarra dos jovens. O famoso burgo dos  estudantes.

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Cópia de gráfico do Seade que mostra a mudança na pirâmide populacional de São Paulo, comparando dados de 1950, 2000 com projeção de 2050, em estudo de abril de 2010

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Ele convive com anseios e expectativas de meninos boleiros e suas famílias na Zona Sul de São Paulo. Pelas mãos dele, que está com 75 anos, já passaram, em quase meio século, segundo seus cálculos, cerca de 200 mil jovens com seus sonhos de sucesso nos campos de futebol.

José Guimarães Júnior montava e domava cavalos de corrida no Jockey Club até que um dia, em 1961,  sofreu uma queda e quebrou as costelas. Decidiu trocar os cavalos pela bola. Funcionário do clube, fundou, em 1970, uma escolinha de futebol para atender aos sócios. Mas a ideia acabou crescendo e o projeto Pequeninos do Jockey virou um centro de formação de atletas, que atrai crianças e adolescentes da região.

Seu Guima já viu nascer ali craques como Júlio Baptista, Zé Roberto, Edu Manga, André Luiz, entre outros. Mas viu também muitos dos sonhos de fama e dinheiro terminarem em dificuldades e frustração. “Isso tem muito”, disse ele na semana passada, olhando o treino coletivo de garotos no campo do clube Espada de Ouro, ao lado da chácara do Jockey, no Butantã, onde funciona o Centro Desportivo Espadinha.

“Por isso que nosso trabalho aqui é focado na formação da pessoa, do homem. Se vai ser craque, é outra coisa”, diz ele. Seu Guima, na verdade, está na agenda de empresários e agentes de atletas que miram nas escolinhas e na várzea de São Paulo como celeiros de futuros jogadores. Ele admite que faz indicações, mas nega que receba dinheiro por isso.

Com cerca de 600 meninos matriculados nos diversos horários de treinamento no projeto Pequeninos do Jockey, Seu Guima coordena uma equipe de 22 pessoas e oferece um espaço de 11.600 metros quadrados de campo para treinamentos. Na sessão da manhã da última sexta-feira, pelo menos 45 garotos passaram pelo gramado sintético do clube.

Ele tem razão quando diz que é muito difícil um craque acontecer nos dias de hoje. Com a experiência de quem já viu milhares de casos, ressalta que para estourar um jogador depende de uma série de fatores dando certo ao mesmo tempo. “Tem de estar no lugar certo e na hora certa”, resume.

Muito distante das poderosas máquinas dos clubes e dos milionários fundos de investimentos e de seus sofisticados Centros de Treinamento, Seu Guima administra um orçamento de R$ 25 mil.  “Há muitos meninos com talento. Mas isso não garante nada. Os clubes têm lá seus grupos também muito bons. É muito difícil de entrar”, conta ele. Apesar da grande concorrência, diz, “tem jogador nosso por aí tudo”.

O ex-jóquei lembra que já forneceu jogadores talentosos para clubes como o São Paulo, que é da região. Até que um dia, numa solenidade, foi chamado pelo então presidente e recebeu uma notícia: “O São Paulo vai pagar ao senhor 5% do valor de cada atleta indicado”, prometeu-lhe o dirigente.

Ele recorda que, a partir de então, cada menino que indicava para treinar na base do São Paulo era barrado.  “Mandei vários meninos lá. Todos voltaram sem ter chance. Daí, parei de indicar. Quando surgiu o tal do dinheiro no meio, não funcionou mais.”

Seu Guima afirma que não recebe dinheiro como olheiro. Mas admite que não há como controlar o assédio dos agentes. “Eles falam direto com os pais”, explica. “Muitas vezes os garotos saem daqui, viajam, e depois voltam dizendo que não era bem o que tinham prometido para eles”, afirma.

Acostumado com esse ambiente, ressalta que vive do Jockey, que, aliás, lhe permite inclusive moradia no interior da chácara. “Sou muito grato ao Jockey”, afirma. E garante que até põe dinheiro do próprio bolso no projeto da escolinha. Mostrando as salas cobertas de troféus na sede da chácara, ele explica que a receita vem também da cobrança das mensalidades (de R$ 10 a R$ 70) e de repasses do Jockey para o projeto.

Orgulhoso, mostra na parede do casarão da chácara o ex-craque Bellini festejando com ele e um time de garotos a conquista do torneio de 1982 na Escandinávia. E curte os recortes de jornais europeus com notícias de campeonatos vencidos por sua meninada.

“O único jogador que veio aqui e pagou passagens de dois meninos para uma viagem à Europa, foi o Zé Roberto”, afirma Seu Guima. Os times da escolinha costumam viajar para competições na Europa, onde colecionam títulos. São meninos de 5 aos 16 anos, que competem em torneios amadores como o Gotchia CUP, em Gotemburgo, na Suécia.

Se esses jovens atletas amadores vão ou não virar estrelas, é outra história. Mas já é, com certeza, uma boa ganhar troféus em gramados europeus em plena adolescência. Andando no campo de treinos dos Pequeninos do Jockey  entre os meninos, cumprimentado por pais e mães agradecidos, Seu Guima repete. “Tem de ser bom de bola, e melhor na escola”.

Para ver o site oficial dos Pequeninos, clique aqui

 

José Guimarães Júnior e o craque Zé Roberto/Foto: Paulo Liebert/AE

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Com o presidente da Fifa, João Avelange, em 1988/Reprodução

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Seu Guima com troféu entregue por Bellini/Foto: Paulo Liebert/AE

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Seu Guima no campo de treinos do Butantã/Foto: Paulo Liebert/AE

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20.setembro.2011 13:11:58

No sertão, à noite

Outro dia, quando andava pelo interior do país para uma reportagem sobre a presença do crack em pequenas cidades, a viagem ia tensa pela estrada vazia, noite a dentro, após um entardecer muito bonito no sertão de Pernambuco. Na BR 428, que liga Petrolina a Salgueiro, a forte presença da polícia, com barreiras e relatos de alta voltagem dando conta do combate pesado ao tráfico de drogas na região chamada de polígono da maconha.

Há um clima de insegurança constante naquela estrada, ainda mais à noite. E mais: com armamento de cano longo, às vezes artesanal, a bandidagem assalta carros e caminhões. Por cima de tudo, pequenas cruzes à margem da estrada marcam as mortes em acidentes com animais em todo o trajeto. Jegues e cabras costumam atravessar a pista com frequência, provocando graves ocorrências.

Cerca de duas horas depois de Petrolina, finalmente, apareceu a placa: Cabrobó. Passava das 20h quando vimos um posto. Ainda com um quarto de tanque de combustível, achamos, o colega José Patrício, do Estado, e eu, que deveríamos tocar direto para Salgueiro, adiante mais uns 60 quilômetros. Chegar logo, descansar do dia cheio, calorento, e da travessia da caatinga.

Mas aí pintou uma dúvida – que não durou mais do que alguns segundos. Não! Vamos parar, sim, e abastecer. Nunca se sabe o que pode acontecer na estrada a esta hora e com esse clima de insegurança noturna. O posto estava lotado de caminhões. Uns estacionados, outros em fila nas bombas de diesel. E quase desistimos. Novamente, voltamos atrás. “Entra ali, entra ali, por trás, a bomba do etanol pode estar do lado de lá”. Devagar, fizemos a volta nas carretas. Lá estava a bomba do álcool, livre.

Ao abrir a janela para falar com o frentista, notamos que havia música no ar. Era um cântico religioso, vindo de um caminhão bem ao lado da bomba. E havia muita gente olhando para um telão. Enquanto o rapaz enchia o tanque, notamos um sacerdote na carroceria de um caminhão branco, abençoando as pessoas.

Naquele momento, chamava para a comunhão. Muita gente voltou a se aproximar do altar improvisado. Havia até algumas freiras entre o povo. Em seguida, encerrou a cerimônia. E começou a distribuir terços coloridos.

……………………………………………………………………………Foto: José Patrício/AE

Ficamos sabendo então, pela moça do projetor das imagens do telão, que aquela era a missa do padre Miguel, um padre camioneiro, que reza pelas estradas brasileiras e que, naquele dia, naquele local, repetia a cerimônia de uma vez por ano – e exatamente naquele horário.

Até a chegada a Salgueiro, para onde seguimos, já em velocidade mais baixa e com os tercinhos recebidos,  ficamos matutando, cada um com seus botões: caramba, cruzando o sertão pernambucano, à noite, no improviso, ameaçados até por jegues, encontramos aquela cena.

Fomos “obrigados” a tomar uma cerveja em nome do padre Miguel.

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-Para ler a reportagem e ouvir entrevistas, publicadas no domingo, dia 18/09,  clique aqui.

-Para ler a continuação, publicada na segunda-feira, dia 19/09,  clique aqui

-Para ver e ouvir Edição Especial  sobre a reportagem clique aqui

 

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A ilha de excelência chamada São Paulo tem seus locais de tristeza profunda e desolação. Abandonados à própria sorte, jovens médicos plantonistas, meia dúzia de enfermeiros dedicados e dezenas de pacientes em estado de carência absoluta de atendimento e carinho habitam nestes dias o Pronto Socorro do Hospital São Paulo, na Vila Clementino, Zona Sul da Capital.

Espalhados em uma saleta lotada de pronto atendimento num corredor do SUS, passam horas, dias, à mercê de um serviço público capenga, desumano, doente. Que só não é pior por conta de um punhado de abnegados que insistem em medicar e socorrer no peito e na raça.

“E olha que neste final de semana até que está tranquilo”, resumiu, na noite de sábado, um funcionário ao sair da sala de sutura no meio de um corredor atulhado de gente à espera de um curativo, de um diagnóstico ou até de uma cirurgia de urgência.

Macas pelo corredor, ocupadas há dias, já têm números fixados na parede: viraram leito. Na noite de sexta-feira, um homem de idade avançada, deitado sobre uma maca bem na frente da sala de baleados, fraturados e cortados, chamava por ajuda. Com um colete imobilizando seu pescoço, estava com a bexiga cheia e não conseguia levantar-se sozinho para urinar. Era a imagem do desconforto.

No canto do corredor que dá acesso à ala do atendimento particular e convênios – onde a situação é de tranquilidade (uma internação sai por R$ 5 mil, uma cirurgia exige depósito de R$ 10 mil) -, uma mulher parece morar na maca. Atrás dela, contra a parede, uma sacola com roupas e objetos pessoais. Quieta, não reclama. Ao lado dela está o setor de atendimento de saúde mental. Mais macas, pessoas agitadas. Todo mundo no soro.

Nas paredes do PS, cartazes informam: greve no hospital. A estrutura da entidade, ligada ao Ministério da Educação, funciona precariamente na ala do SUS. Os servidores estão parados. Há dias pressionam por melhores condições de vida.

Tristes momentos da república na maior metrópole do País. Estão todos em sofrimento. Servidores irritados, jovens médicos em começo de carreira aos lamentos, e seus desamparados pacientes, que precisam do Estado brasileiro, abandonados. O Estado cobrador de impostos, mais uma vez, os deixa a todos na mão.

 

 

 

 

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16.setembro.2011 18:38:31

Círculos, coisa de gênio

Outro dia comentei aqui a ligação de Lasar Segall, cuja casa na Vila Mariana foi transformada em museu, com o russo Wassily Kandinsky, pintor que admiro. Foram contemporâneos, amigos.

Quando o lituano Segall refugiou-se no Brasil, trocaram correspondência, material que recentemente foi catalogado e oferecido em ensaio pela equipe de Vera D’Horta como um presente a nós, mortais.

Agora, olhando a imagem do novo planeta, divulgada pela revista Science,  e que está abaixo,

lembrei de uma tela de Kandinsky chamada  ”Alguns círculos” ,  que pode ser apreciada no Guggenheim de Nova York ou nos principais catálogos da obra do artista. Em 1926, o russo genial pensou as suas formas redondas como símbolos da eternidade e do infinito.

Perfeito.

 

 

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Andei outro dia pelo sertão de João Cabral de Melo Neto. Vi o poeta na curva da esturricada caatinga, no umbu, no xique-xique, no mandacaru. Mestre João, operário da palavra exata, crua. Em “O Hospital da Caatinga”, brilha como fio de faca.

A caatinga de João é  “hospital”,  ortopédico, a curar o atrofiado, o informe, o torto – sujeitos que povoam o deserto. Paus curvos (como Van Gogh) e pontiagudos (como João Cabral) buscam vida nas frestas dos raios do sol – até cansar.

Em “Bifurcados de ‘habitar o tempo”, a caatinga pernambucana do poeta João “ata a imaginação”, prende-a;  e   ”fere com seu vazio em riste”.

Em “Pernambuco em mapa”, João prega altivez,  como um mandacaru  a dar uma “banana/a todos que do Sul/olham-no do alto da mandância.”

Salve João Cabral de Melo Neto!!!

(Poemas citados estão no livro “A educação pela pedra e depois”, Editora Nova Fronteira, 1997)

 

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15.setembro.2011 22:26:30

Vizinho do sabiá

Há muitos anos, entrevistei em São Paulo um estudioso das aves, que costumava gravar o som dos pássaros. Chamava-se Dalgas Frisch, morava no Morumbi, e estava às voltas com um falcão peregrino que migrava toda temporada do Hemisfério Norte – e tinha São Paulo como ponto de relax na viagem até  o Polo Sul.

Na conversa, o homem reclamou que a cidade era pobre de aves, que não tinha árvores frutíferas. De lá para cá, a coisa melhorou bastante, acho. Basta ver o tanto de passarinhos que voa por aí.

No jardim do meu prédio, uma pequena árvore, de copa bem verde, abriga uma família de sabiás. Por vezes até passeiam no chão. Catam insetos nos finais de tarde. São gordinhos, laranja por baixo, cinza no dorso. Parecem um casal. Não sei se são os mesmos de outros anos.

Nos últimos dias, andavam sumidos – ou seria eu que andava com a cabeça cheia demais? O fato é que outro dia, às 5h05, despertei com o bicho cantando a plenos pulmões bem ao lado de minha janela. Lá fora, escuro ainda, 5h05 no relógio. Só depois de algum tempo da cantoria é que começaram a surgir os primeiros barulhos de carros a subir a rua. O bairro ainda dormia.

Aí notei que em seu repetitivo cantar ele respondia a outros que o imitavam mais ao longe. Fui à janela para ver se descobria qual era o galho. Não consegui ver nada. Só ouvia. Aos poucos, o rumor da cidade foi tomando o ambiente.

Mas o sabiá nem se tocou. E prosseguiu como se marcasse território com a voz. Lembrei que estamos em setembro, tempo de filhotinhos. Eram 5h40 quando percebi que tinha se calado. Fiquei ainda esperando pouco para ouvi-lo de novo. Nada. Mas, àquela altura,  ele já tinha se danado comigo. Sem sono, tive um ataque de  Dalgas Frisch – e  gravei o som do safadinho.

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01.setembro.2011 16:12:04

Uma valsa para São Paulo

Ouvindo ontem, no início da noite, o programa do maestro Júlio Medaglia na Rádio Cultura, curti no carro a bela valsa composta por ele, e que ganhou poema de Jean Garfunkel. A peça foi composta, segundo o autor, para uma orquestra alemã. Para mim, é uma homenagem a São Paulo. Ouça a Valsa Paulistana na comovente interpretação de Leniza Castello Branco, enfeitada pela maravilha da flauta de Maria de Lourdes Carvalho.
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Para ouvir mais da cantora clique aqui.

(Post atualizado às 12h de 5/01/2012 – ver comentário enviado por Leniza)

 

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