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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

quarta-feira 28/09/11

Milhares de mulheres de Gala

fotodemapaSeadecurvas

Outro dia, passei um sábado e domingo de folga em casa em São Paulo. Normalmente muitos paulistanos não se aguentam nas calças até a noite de sexta-feira, ansiosos para deixar a cidade depois de uma semana estafante. E se vão ao campo, às praias, à serra, espairecer. Mas ficar por aqui nos finais de semana também é uma boa. Nos sábados, pela manhã, o trânsito ainda é pesado. Muita gente guarda para essas horas tarefas caseiras, como fazer supermercado, ir às ...

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quarta-feira 28/09/11

Seu Guima, do Jockey, 40 anos de bola

Seu Guima no campo de treinos do Butantã/Foto: Paulo Liebert/AE

Ele convive com anseios e expectativas de meninos boleiros e suas famílias na Zona Sul de São Paulo. Pelas mãos dele, que está com 75 anos, já passaram, em quase meio século, segundo seus cálculos, cerca de 200 mil jovens com seus sonhos de sucesso nos campos de futebol. José Guimarães Júnior montava e domava cavalos de corrida no Jockey Club até que um dia, em 1961,  sofreu uma queda e quebrou as costelas. Decidiu trocar os cavalos pela bola. Funcionário ...

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terça-feira 20/09/11

No sertão, à noite

Missa em posto em Cabrobó/ Foto: José Patrício/AE

Outro dia, quando andava pelo interior do país para uma reportagem sobre a presença do crack em pequenas cidades, a viagem ia tensa pela estrada vazia, noite a dentro, após um entardecer muito bonito no sertão de Pernambuco. Na BR 428, que liga Petrolina a Salgueiro, a forte presença da polícia, com barreiras e relatos de alta voltagem dando conta do combate pesado ao tráfico de drogas na região chamada de polígono da maconha. Há um clima de insegurança constante naquela ...

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sábado 17/09/11

Tristes momentos de um PS em São Paulo

A ilha de excelência chamada São Paulo tem seus locais de tristeza profunda e desolação. Abandonados à própria sorte, jovens médicos plantonistas, meia dúzia de enfermeiros dedicados e dezenas de pacientes em estado de carência absoluta de atendimento e carinho habitam nestes dias o Pronto Socorro do Hospital São Paulo, na Vila Clementino, Zona Sul da Capital.

Espalhados em uma saleta lotada de pronto atendimento num corredor do SUS, passam horas, dias, à mercê de um serviço público capenga, desumano, doente. Que só não é pior por conta de um punhado de abnegados que insistem em medicar e socorrer no peito e na raça.

“E olha que neste final de semana até que está tranquilo”, resumiu, na noite de sábado, um funcionário ao sair da sala de sutura no meio de um corredor atulhado de gente à espera de um curativo, de um diagnóstico ou até de uma cirurgia de urgência.

Macas pelo corredor, ocupadas há dias, já têm números fixados na parede: viraram leito. Na noite de sexta-feira, um homem de idade avançada, deitado sobre uma maca bem na frente da sala de baleados, fraturados e cortados, chamava por ajuda. Com um colete imobilizando seu pescoço, estava com a bexiga cheia e não conseguia levantar-se sozinho para urinar. Era a imagem do desconforto.

No canto do corredor que dá acesso à ala do atendimento particular e convênios – onde a situação é de tranquilidade (uma internação sai por R$ 5 mil, uma cirurgia exige depósito de R$ 10 mil) -, uma mulher parece morar na maca. Atrás dela, contra a parede, uma sacola com roupas e objetos pessoais. Quieta, não reclama. Ao lado dela está o setor de atendimento de saúde mental. Mais macas, pessoas agitadas. Todo mundo no soro.

Nas paredes do PS, cartazes informam: greve no hospital. A estrutura da entidade, ligada ao Ministério da Educação, funciona precariamente na ala do SUS. Os servidores estão parados. Há dias pressionam por melhores condições de vida.

Tristes momentos da república na maior metrópole do País. Estão todos em sofrimento. Servidores irritados, jovens médicos em começo de carreira aos lamentos, e seus desamparados pacientes, que precisam do Estado brasileiro, abandonados. O Estado cobrador de impostos, mais uma vez, os deixa a todos na mão.

 

 

 

 

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sexta-feira 16/09/11

Círculos, coisa de gênio

estrelas

Outro dia comentei aqui a ligação de Lasar Segall, cuja casa na Vila Mariana foi transformada em museu, com o russo Wassily Kandinsky, pintor que admiro. Foram contemporâneos, amigos. Quando o lituano Segall refugiou-se no Brasil, trocaram correspondência, material que recentemente foi catalogado e oferecido em ensaio pela equipe de Vera D'Horta como um presente a nós, mortais. Agora, olhando a imagem do novo planeta, divulgada pela revista Science,  e que está abaixo, lembrei ...

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quinta-feira 15/09/11

João, João, João. João da Caatinga

solo ajustado

Andei outro dia pelo sertão de João Cabral de Melo Neto. Vi o poeta na curva da esturricada caatinga, no umbu, no xique-xique, no mandacaru. Mestre João, operário da palavra exata, crua. Em “O Hospital da Caatinga”, brilha como fio de faca. A caatinga de João é  "hospital",  ortopédico, a curar o atrofiado, o informe, o torto - sujeitos que povoam o deserto. Paus curvos (como Van Gogh) e pontiagudos (como João Cabral) buscam vida nas frestas dos raios do sol ...

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quinta-feira 01/09/11

Uma valsa para São Paulo

Ouvindo ontem, no início da noite, o programa do maestro Júlio Medaglia na Rádio Cultura, curti no carro a bela valsa composta por ele, e que ganhou poema de Jean Garfunkel. A peça foi composta, segundo o autor, para uma orquestra alemã. Para mim, é uma homenagem a São Paulo. Ouça a Valsa Paulistana na comovente interpretação de Leniza Castello Branco, enfeitada pela maravilha da flauta de Maria de Lourdes Carvalho. . . Para ouvir mais da cantora clique ...

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