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Blog da Garoa

Rodando pelo interior do País nestas férias de julho, fui conhecer a cidade de Aracati, ao lado da vila de Canoa Quebrada, no Ceará. O município tem hoje cerca de 70 mil habitantes e fica à beira do Rio Jaguaribe, a 150 km de Fortaleza. É cidadela antiga, com construções do Século 18, como a Igreja do Senhor do Bonfim, que data de 1774, uma das relíquias preservadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 2000.
 
Na Avenida Coronel Alexanzito está o prédio barroco da Igreja, branca, com sua porta pesada de madeira e as duas torres com seus sinos. Ao longo da rua, casas e sobrados com suas fachadas coloridas ou cobertas por azulejos, amostras do apreço português pela beleza externa dos ambientes.
 
Belo passeio!
 
Além, é claro, do desfrute das praias com peculiar contraste de mar e areias coloridas e das falésias, do bem-humorado Jegs Bar, uma carrocinha de bebidas de praia, puxada por um jegue chamado Barrichelo. E das bordadeiras do labirinto, uma renda produzida pela arte manual com linhas e agulhas de nativos de Canoa Quebrada. 
 
O Nordeste brasileiro é uma beleza. No retorno do passeio, no final da tarde, uma paradinha para saborear a deliciosa tapioca doce (última foto) da praça das tapioqueiras, em Fortaleza.
 
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Casario com azulejos na Av. Coronel Alexanzito em Aracati/Foto: Pablo Pereira

Igreja do Senhor do Bonfim em Aracati/Foto: Pablo Pereira

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Tapioca Romeu e Julieta, da praça das Tapioqueiras, em Fortaleza
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Com esse tempo frio, como nos idos da cidade antiga, quando Castro Alves caçava nos charcos gelados da Várzea do Carmo, São Paulo tem clima de inverno perfeito. Essa temperatura ao redor dos 10 graus centígrados, como tem feito, e com a garoa no final da tarde, traz aquela atávica vontade de buscar no fogo o aconchego. E por aí vai, uma lasanha derretendo, um bom vinho tinto, mais a boa companhia dos livros.

Neste julho paulistano, que lá nos Oitocentos juntava geadas nos descampados das chácaras, tenho lembrado de recentes dias nos quais levei ao extremo a necessidade de procurar abrigo quentinho ao fim da tarde. Foi na vila de Whistler, no Canadá, em janeiro de 2010, quando passei uma temporada com neve pelo joelho e temperaturas em torno dos 8 graus negativos. Uma maravilha!

Lá fora, tudo branco. Na sacada, gelo pendente do teto, estalactites de meio metro, por trás das quais eu via a neve cair trazendo a noite. Foi lá, naquela vila de montanha, à beira do Alasca, que notei que o que os olhos veem o coração, sim, sente: para aquecer melhor o ambiente do chalé, no horário de descanso dos passeios sob a neve, tínhamos a calefação, obviamente. E o ambiente interno a 21 graus, que ninguém é pinguim o tempo todo. Até os ursos se recolhem. Mas, em casa, havia também uma deliciosa lareira virtual.

É, uma TV, transmitida por um canal a cabo, ficava lá, o tempo todo mostrando uma lareira crepitando. Perfeita. Sintonizar aquele canal maluco ajudava a manter a sensação térmica, e prolongava o prazer de curtir aquele belo mundão branco, quase azulado, intrigante como um filme de John Huston sobre texto de  James Joyce.

No Canadá, levei ao limite o prazeroso convívio com as baixas temperaturas, coisa que não fazia havia muito tempo, acho que desde a primeira infância. Passei dias no frio intenso. Imagino que com sensações parecidas com as que aqui viveram, na geladinha Vila Imperial oitocentista, os friorentos Castro Alves e Fagundes Varela.

Canal de TV com imagens de lareira/ Foto: Pablo Pereira

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