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Blog da Garoa

30.março.2011 12:13:26

Lição de parceria

Foi reservado a esta São Paulo da garoa o final da vida do vice-presidente José Alencar, depois de anos de luta contra uma doença terrível. Há homens que por seus atos públicos deixam fortes marcas na sociedade. José Alencar é um desses brasileiros dos quais o país vai se lembrar por suas posições claras em favor de uma causa que acreditava – e  ao servir de escada para Lula.

 A história, certamente, vai julgá-los – como já o fez com outros brasileiros de ponta, muitos deles com influência direta no cotidiano da cidade. 

 O que é certo é que esse episódio da parceria do empresário com o líder sindical, que desembocou em mudanças relevantes no país, que se encerra por agora, deixa uma bonita mensagem ao resgatar um dos valores mais autênticos das relações humanas desde outrora: a lealdade na parceria.

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16.março.2011 16:36:45

Manhã fresquinha, com garoa

Quem passou nesta quarta-feira pela Casa de Dona Yayá, na Major Diogo, 353, no Centro, lembrou de outros tempos não só pela resistência da residência preservada pela USP. É que aí pelas 7h caía uma garoa gostosa, que obrigava o uso de sombrinha e guarda-chuva. Manhã fresquinha, na faixa dos 15 graus. Como em outros tempos.

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O carnaval passou, os sambas das escolas deste 2011 vão ficar na memória dos fãs e já se começa a pensar no próximo desfile, de fevereiro de 2012. Esse período do ano é sempre um bom palco para o país curtir uma coisa que já há anos é fundamental para os brasileiros (e até para os estrangeiros):  música na rua. Gente em festa, alegre, feliz com uma batucada de samba -ou um frevo, um maracatu, um forró danado de bom. Ao fim de tudo, o que fica é o prazer de ter vivido dias e dias sob o império das notas musicais.

Mas tem gente que não gosta de carnaval. Mais: tem gente que abomina carnaval. Gente que não suporta a batida das baterias, não vê graça numa moça-passista. Talvez também não goste de cores – ou seja doente do pé. Paciência. Neste mundão tem gosto para tudo, inclusive para quem detesta a cadência das mulheres lindas a sorrir no gozo do samba. Paciência.

Felizmente, gente como Adoniran e muitos outros, lembrados por amigos do blog, pegaram o sentido da coisa e fizeram bons sambas no passado para que esse gênero da música tivesse futuro também em São Paulo. Outro dia, lendo sobre a obra de Adoniran, encontrei referência da visita do velho sambista a um dos bairros que foram eternizados em sua obra, o Jaçanã.

Estavam lá, nas páginas preservadas do Jornal da Tarde, textos e fotos que narravam o sentimento do artista com a derrubada da estação tão cara àqueles paulistanos. E criou uma letra de samba exclusivamente para o jornal. Uma preciosidade! – pelo menos para quem gosta de samba, de bom humor, da cadência das passistas, da felicidade no rosto das mulheres bonitas, da música nas ruas.

Veja abaixo:

Reportagem publicada no Jornal da Tarde em 22 de junho de 1966

Letra de samba de Adoniran sobre estação do Jaçanã, em 1966

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O jornalismo é uma atividade visceralmente ligada ao tempo. É a rotina da correria, da obediência cega aos prazos, da falta de tempo, do encolhimento do tempo. A indústria da informação vive do domínio de períodos medidos em relógio e calendário - no jargão das redações é a chamada edição.

Conta-se a história fatiando-se o tempo em uma sequência de horas ou dias. Cronologia, aliás, que o homem já aprendeu a subverter também com cinema, rádio e televisão.

Nos últimos anos, a rede de computadores acelerou violentamente esse processo, em escala mundial, e inexoravelmente transformou o fluxo do conhecimento humano, as necessidades e os hábitos, e até os ambientes íntimos – cadê as salas de leitura?

É certo que rádio, TV e web, veículos que transitam no mundo da informação de curtíssimo prazo, são importantes. Para muitos, até indispensáveis. Entre eles, muito dependentes da palavra oral, há, porém, que se destacar uma pequena-grande diferença: o blog. É recurso ágil para ir-e-vir aos fatos. 

E mais, o que é fantástico: com a possibilidade de uma discussão aberta com um interlocutor, muitas vezes, anônimo. É um desafiador espaço de comunicação, que pode, além de tudo, acontecer em tempo real. Pula-se o tempo da carta, como ocorre aqui mesmo neste Blog da Garoa, um espaço dedicado a tempos distintos.

Pois diante desse mundo de frenética difusão de notícias, de conhecimento, é preciso, sempre, recorrer a uma calmaria para olhar uma questão crucial: a qualidade do tempo.

Felizmente, um dos espaços preservados para esse exercício é o das palavras pretas sobre papel branco, o mundo dos livros.

Na literatura encontra-se satisfação diferente daquela que o jornalismo pretende entregar. Na forma e no conteúdo. Um bom livro tem quase tudo que um humano precisa. É certo também que já há no seu encalço o famigerado leitor digital (e-reader) a lhe ameaçar com a aposentadoria – como ocorreu, no mundo dos sons, com o disco de vinil.

Mas o livro, no aconchego da biblioteca, guardiã maior das palavras e da reflexão, é objeto que exige espaço e um tempo próprios. Dele saem ligações com velhos escribas e questões de fundo, como a milenar dúvida das Confissões de Santo Agostinho: o que é o tempo?

Talvez com isso tudo na cabeça, um pensador brasileiro tem apontado sua lupa para os escritos desde a epopeia e a tragédia. Esse homem é Benedito Nunes, filósofo, paraense, professor da Faculdade de Filosofia de Belém, amante do silêncio das palavras, crítico literário e ensaísta.

Outro dia, li o texto “O tempo na literatura”, que é um raciocínio de Benedito Nunes para Ensaios filosóficos (Martins Fontes, 2010). Logo na abertura, quando aborda a narrativa histórica e também a dimensão do tempo na ficção, o filósofo destaca três pontos fundamentais para escritores e leitores (aliás, igualmente relevantes para o exercício do ofício jornalístico). É a ”regra das três unidades” (lugar, tempo e ação).

Benedito Nunes usa a “regra” para atravessar milênios – dos gregos a Clarice Lispector (uma de suas especialidades), passando por Santo Agostinho, Goethe, Newton, Edouard Dujardin, Joyce, Thomas Mann, Proust, Borges, Machado de Assis e Guimarães Rosa.

Em outra de suas produções, ”Introdução à República de Platão”, o professor fala de também de conceito que nos é, a nós que habitamos a vasta metrópole paulistana, atual e apropriado. Diz: ”(…) a cidade surge da carência dos indivíduos, ‘quando nenhum de nós se basta a si mesmo e necessita de muitas coisas”.

Que grande verdade essa, trazida por Benedito Nunes aos anos 2000, para os milhões de viventes desse gigantesco e agitado emaranhado de interesses que é São Paulo.

Agora é momento de uma pausa. Vamos a um dos mais intrigantes componentes do tempo. No último dia 27 parou o relógio da vida física do adorador de livros Benedito Nunes. Aos 81 anos, o filósofo morreu em sua cidade, Belém.

Fiquei matutando: não sei se o tempo de Benedito Nunes acabou. Mas, tenho certeza, ele passa à categoria daqueles que aguardam por um observador desapressado (diria Manoel de Barros) que lhes narre a história num bom livro – seja à Dom Casmurro (do fim para o começo), seja como em Proust (de recordação em recordação), como o próprio Benedito Nunes ensinou.

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 Ainda é carnaval pelo país, as escolas de samba campeãs estão sendo conhecidas (Vai-Vai venceu em SP e a melhor do Rio sai nesta quarta, 9, à tarde*) e em outras cidades blocos e trios mantêm foliões em festa pelo menos até o final da semana.

E nessa época sempre nos vem à cabeça aquela velha discussão: São Paulo tem bom carnaval? São Paulo tem samba de qualidade?

Tem. Tem sim. São Paulo tem bom carnaval nas escolas de samba, espetáculo a cada ano mais elaborado. E a cidade também produziu excelentes sambistas em outros estilos. E faz tempo que é assim.

Um dos principais craques foi o grande João Adoniran Barbosa Rubinato.

Entre outras coisas muito boas feitas tendo a cidade como cenário, o homem criou o “Trem das Onze”, um grande sucesso dos anos 60  e que sempre é muito lembrado.

O carnaval de Adoniran era tão legal que a editora Irmãos Vitale, que ainda hoje edita músicas em São Paulo, e que naquela época cuidava dos direitos de Adoniran, começou a vender o “Trem” no exterior.

Como aqui, o  velho Jaçanã do Adoniran foi um sucesso lá fora.

Na onda da exportação da música do senhor Rubinato, o “Trem” chamou a atenção de um cantor italiano, Riccardo Del Turco, que decidiu pegar carona no sucesso do Jaçanã com uma versão. Na Itália, “Trem das Onze” se chamou ”Figlio Unico”.

Quando Adoniran descobriu que seu samba fazia sucesso na Itália – e ele não recebia um tostão -, ficou uma arara.

Há um livro, do escritor Celso de Campos Junior, da Editora Globo, uma boa biografia de Adoniran, que conta os detalhes desse episódio.

Quem quiser ouvir uma amostra do “Trem das Onze”, em italiano, encontra fácil a versão na internet, no Youtube.

Então: “Trem das Onze”, só pra ficarmos com um produto de excelente qualidade – e bem paulistano.

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*No Rio, deu Beija Flor. A escola que fez homenagem a Roberto Carlos.

(texto atualizado às 18h06)

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E para quem quer ouvir o “Trem” no original, com os Demônios da Garoa, clique aqui. Ouça a música tocada no estúdio da TV Estadão, após entrevista a Felipe Machado.

(Texto atualizado em 26/o3)

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“Sou cabra da peste

vim lá do nordeste

São Paulo é minha capital”

Bem bonito o refrão da escola Tucuruvi, que tem como tema a migração nordestina para São Paulo. As três passistas que estão à frente da bateria são um show.

E tem o som de uma sanfona no samba. Bem legal.

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Comer bem é uma das marcas de São Paulo há muito tempo. Há na cidade pelo menos 12.500 restaurantes, segundo levantamento do Estado, publicado em janeiro. Pode-se comer bem também em bares – e eles somam 15 mil. Portanto, de mesa o paulistano entende. Há aí os mais caros, claro, até extorsivos, os da moda, com sua comida de grife, seus chefs famosos, e os mais em conta e os botecos. Comida boa para todos os bolsos.

O caderno Paladar é referência nessa área e tem lá os melhores pratos e perfis desses cozinheiros top da cidade mostrando maravilhas irresistíveis para especialistas ou curiosos (como eu).

Mas, pessoal, outro dia comi uma lasanha inesquecível. Massa levinha, recheio com sal no ponto, bem cortada, molho suculento, quente, e com aroma de dar água na boca. Mas foi bem longe daqui, num lugar chamado Eataly, em Nova York – que, aliás, tem recebido bastantes turistas brasileiros.

É um novo mercado de produtos italianos – e também americanos – tipo mercado público, com restaurantes (carnes, peixes, pizzas e massas), padaria, cervejaria, sorveteria – e outras “ias” maravilhosas. Fica na 5ª Avenida, 200, com 23rd Street.

Nova York se orgulha de servir bem, tem 24 mil restaurantes, com raridades sofisticadíssimas. Mas nesse mercado, um charmoso andar térreo, com mezanino, não é preciso esbanjamento. O lugar é uma associação do famoso chef Mario Batali com os empresários Oscar Farinetti, Lidia Bastianich e Joe Bastianich, todos cobras-criadas no assunto.

Você caminha na direção das mesas por entre prateleiras de pães e produtos frescos – ou empacotados -, coisa de dar dó de não comprar. Depois da lasanha, acompanhada por um tinto, tomei o digestivo na saída, no quiosque do Caffe Vergnano. Tudo simples, mas prazeroso. Confira o cardápio.

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