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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

quarta-feira 30/03/11 12:13

Lição de parceria

Foi reservado a esta São Paulo da garoa o final da vida do vice-presidente José Alencar, depois de anos de luta contra uma doença terrível. Há homens que por seus atos públicos deixam fortes marcas na sociedade. José Alencar é um desses brasileiros dos quais o país vai se lembrar por suas posições claras em favor de uma causa que acreditava - e  ao servir de escada para Lula.  A história, certamente, vai julgá-los - como já o fez com outros brasileiros de ...

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terça-feira 15/03/11 18:34

Coisas de outros carnavais – 2

Reportagem publicada no Jornal da Tarde em 22 de junho de 1966

O carnaval passou, os sambas das escolas deste 2011 vão ficar na memória dos fãs e já se começa a pensar no próximo desfile, de fevereiro de 2012. Esse período do ano é sempre um bom palco para o país curtir uma coisa que já há anos é fundamental para os brasileiros (e até para os estrangeiros):  música na rua. Gente em festa, alegre, feliz com uma batucada de samba -ou um frevo, um maracatu, um forró danado de ...

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segunda-feira 14/03/11 16:28

O tempo e a filosofia do Benedito

O jornalismo é uma atividade visceralmente ligada ao tempo. É a rotina da correria, da obediência cega aos prazos, da falta de tempo, do encolhimento do tempo. A indústria da informação vive do domínio de períodos medidos em relógio e calendário - no jargão das redações é a chamada edição.

Conta-se a história fatiando-se o tempo em uma sequência de horas ou dias. Cronologia, aliás, que o homem já aprendeu a subverter também com cinema, rádio e televisão.

Nos últimos anos, a rede de computadores acelerou violentamente esse processo, em escala mundial, e inexoravelmente transformou o fluxo do conhecimento humano, as necessidades e os hábitos, e até os ambientes íntimos – cadê as salas de leitura?

É certo que rádio, TV e web, veículos que transitam no mundo da informação de curtíssimo prazo, são importantes. Para muitos, até indispensáveis. Entre eles, muito dependentes da palavra oral, há, porém, que se destacar uma pequena-grande diferença: o blog. É recurso ágil para ir-e-vir aos fatos. 

E mais, o que é fantástico: com a possibilidade de uma discussão aberta com um interlocutor, muitas vezes, anônimo. É um desafiador espaço de comunicação, que pode, além de tudo, acontecer em tempo real. Pula-se o tempo da carta, como ocorre aqui mesmo neste Blog da Garoa, um espaço dedicado a tempos distintos.

Pois diante desse mundo de frenética difusão de notícias, de conhecimento, é preciso, sempre, recorrer a uma calmaria para olhar uma questão crucial: a qualidade do tempo.

Felizmente, um dos espaços preservados para esse exercício é o das palavras pretas sobre papel branco, o mundo dos livros.

Na literatura encontra-se satisfação diferente daquela que o jornalismo pretende entregar. Na forma e no conteúdo. Um bom livro tem quase tudo que um humano precisa. É certo também que já há no seu encalço o famigerado leitor digital (e-reader) a lhe ameaçar com a aposentadoria – como ocorreu, no mundo dos sons, com o disco de vinil.

Mas o livro, no aconchego da biblioteca, guardiã maior das palavras e da reflexão, é objeto que exige espaço e um tempo próprios. Dele saem ligações com velhos escribas e questões de fundo, como a milenar dúvida das Confissões de Santo Agostinho: o que é o tempo?

Talvez com isso tudo na cabeça, um pensador brasileiro tem apontado sua lupa para os escritos desde a epopeia e a tragédia. Esse homem é Benedito Nunes, filósofo, paraense, professor da Faculdade de Filosofia de Belém, amante do silêncio das palavras, crítico literário e ensaísta.

Outro dia, li o texto “O tempo na literatura”, que é um raciocínio de Benedito Nunes para Ensaios filosóficos (Martins Fontes, 2010). Logo na abertura, quando aborda a narrativa histórica e também a dimensão do tempo na ficção, o filósofo destaca três pontos fundamentais para escritores e leitores (aliás, igualmente relevantes para o exercício do ofício jornalístico). É a ”regra das três unidades” (lugar, tempo e ação).

Benedito Nunes usa a “regra” para atravessar milênios – dos gregos a Clarice Lispector (uma de suas especialidades), passando por Santo Agostinho, Goethe, Newton, Edouard Dujardin, Joyce, Thomas Mann, Proust, Borges, Machado de Assis e Guimarães Rosa.

Em outra de suas produções, ”Introdução à República de Platão”, o professor fala de também de conceito que nos é, a nós que habitamos a vasta metrópole paulistana, atual e apropriado. Diz: ”(…) a cidade surge da carência dos indivíduos, ‘quando nenhum de nós se basta a si mesmo e necessita de muitas coisas”.

Que grande verdade essa, trazida por Benedito Nunes aos anos 2000, para os milhões de viventes desse gigantesco e agitado emaranhado de interesses que é São Paulo.

Agora é momento de uma pausa. Vamos a um dos mais intrigantes componentes do tempo. No último dia 27 parou o relógio da vida física do adorador de livros Benedito Nunes. Aos 81 anos, o filósofo morreu em sua cidade, Belém.

Fiquei matutando: não sei se o tempo de Benedito Nunes acabou. Mas, tenho certeza, ele passa à categoria daqueles que aguardam por um observador desapressado (diria Manoel de Barros) que lhes narre a história num bom livro – seja à Dom Casmurro (do fim para o começo), seja como em Proust (de recordação em recordação), como o próprio Benedito Nunes ensinou.

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quarta-feira 09/03/11 09:22

Coisas deste e de outros carnavais

 Ainda é carnaval pelo país, as escolas de samba campeãs estão sendo conhecidas (Vai-Vai venceu em SP e a melhor do Rio sai nesta quarta, 9, à tarde*) e em outras cidades blocos e trios mantêm foliões em festa pelo menos até o final da semana. E nessa época sempre nos vem à cabeça aquela velha discussão: São Paulo tem bom carnaval? São Paulo tem samba de qualidade? Tem. Tem sim. São Paulo tem bom carnaval nas escolas de samba, espetáculo a cada ...

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