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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

sexta-feira 25/02/11

Um retrato da intimidade de Machado

Carolina Augusta Xavier Novaes

Conheci por estes dias a foto de um rosto que havia muito tempo me intrigava. Carolina Augusta Xavier de Novaes (abaixo, fotografada em 1869) foi, certamente, a pessoa mais íntima de uma das principais inteligências brasileiras, o escritor Machado de Assis.  Dona Carolina era portuguesa. Casou-se com o gênio das letras no ano da foto, no Rio. Quando Machado a perdeu, em 20 de outubro de 1904, depois de 35 anos de casamento, a vida na Rua Cosme Velho passou a ser ...

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quarta-feira 23/02/11

Ele pinta o rosto da fé em SP

A começar pelo nome, a cidade de São Paulo é coalhada da religiosidade católica. Nasceu assim. Há muitas outras religiões representadas com seus templos de destaque, mesquitas, sinagogas. Mas os nomes de santos e episódios bíblicos são parte das ruas da cidade desde os primórdios da colina da Sé. Outro dia, assisti a um vídeo que mostra isso nas estações do Metrô e outros pontos importantes da cidade. Todo esse envolvimento da Igreja está igualmente presente com força em outras cidades - vide Rio ...

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domingo 20/02/11

Viagem pelas mãos da artista

Pia Inglesa, de 1884, desenho de Diana Dorothèa Danon

Apreciar fotos antigas é quase uma necessidade para muita gente. Mais cedo ou mais tarde você folheia álbuns, viaja no tempo, sorri consigo mesmo - ou até chora de saudade.  No caso da cidade de São Paulo antiga, mestres como Militão de Azevedo e  Guilherme Gaensly deixaram acervos preciosos para a alegria dos pesquisadores e dos curiosos.  São registros de ouro. Mas a arte de retratar a cidade conta também com mãos ricas na reprodução, pelo traço, das sombras, da luz, das perspectivas. Conheci ...

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quinta-feira 17/02/11

Enchentes. Só pode ser praga antiga

Há muito tempo li uma fábula que explicava as fases da lua. Havia uma ave enorme, cabeçuda, pescoço pelado, coleira de plumas, que quando a lua estava cheia, no céu, linda, voava até lá e ia comendo pedaços daquela gigantesca melancia branca até a lua ficar um fiapo entre as estrelas. Faz tempo, mas ainda lembro que havia no livrinho até o desenho do bicho, barrigudo, deitado, aguardando a lua crescer novamente lá no alto, atrás da janela.

Bom, o tempo passou. A vida não pode mais ser vista assim. É pau puro. Há muitos transtornos no caminho. E alguns deles, como as fases da lua, se repetem. Ontem, após quase três horas dentro de um carro na cidade, mais uma vez, conflagrada pela enchente, pensei: a única explicação razoável para o que acontece com as chuvas em São Paulo talvez esteja numa historinha singela – como a fábula da ave e a lua. É isso! E lembrei daquele Debret, de 1827, que mostra soldados colonizadores, no meio da selva, matando índios botocudos a tiros de bacamarte.

Essa água toda, que a nossa engenharia moderna não consegue domar, deve ser das lágrimas dos massacrados. Só pode ser praga. Algum cacique, antes do último suspiro, deve ter dito: “Jamais habitarão essas terras em paz. Os céus vos castigarão”. Não há outra explicação. Não é possível que não seja isso.

 Nossos engenheiros estudados, chefiados por espertíssimos políticos amparados por rios de dinheiro da enorme máquina de arrecadação na administração pública, já deveriam ter conseguido soluções, já teriam construído reservatórios profundos, bacias em margens alargadas suficientes para guardar as águas das chuvas e evitar perdas e danos – e até mortes de pessoas.

 Se até hoje não conseguiram – e a gente já sabe que as enchentes virão, como as fases da lua – só pode ser por que são mesmo lágrimas dos céus, praga da brava, coisa antiga.

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quarta-feira 16/02/11

Um dia muito duro em SP!

Acabo de ficar 2h45 dentro de um carro para percorrer um trecho que em dias normais é feito em 25 minutos. Ninguém merece!  Mas isso nem é nada perto do drama de muita gente que, mais uma vez, está há horas dentro d`água, vai perder tudo e passar a noite na lama. Ô São Paulo! Da irritação à raiva. Depois, o desânimo. Que pena!

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terça-feira 08/02/11

Olha o carnaval aí, gente!

 Olha o carnaval aí, gente!,  costuma gritar o cantor da Beija Flor, escola de samba do Rio. O bordão de Neguinho pegou pelo país. Olha o carnaval aí, gente! E aí entram aquelas baterias poderosas, com seus sambas-enredo de sacudir quarteirão. As escolas de São Paulo também têm seus grandes momentos.  Ouça aqui. Mas se o amigo ainda prefere o carnaval das marchinhas, à moda antiga, pode relembrar a beleza da brincadeira em endereços virtuais maravilhosos. Clique e ouça aqui. Ou divirta-se com ...

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sexta-feira 04/02/11

A insubstituível mesa do bar

Todo mundo sabe que muito já se fez pela humanidade em mesas de bar. Há restaurantes que mantêm a mesa predileta de famosos desocupada mesmo com a casa lotada e extensa lista de espera. No meu bairro, em São Paulo, há uma explosão de bares, centenas de mesas, uma beleza. Até uma padaria descobriu a importância desse rentável e divertido equipamento social urbano. Seus frequentadores passam horas curtindo o templo do pãozinho - só que na calçada. Em Lisboa, um bar cultua a mesa que sustentava a solidão de Fernando Pessoa, ...

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