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Blog da Garoa

31.dezembro.2011 11:36:25

Triste dia. Por Daniel

Nós tínhamos algumas paixões comuns, das quais falávamos: a vida, filhos, alguns amigos, jornalismo, bola rolando – e Machado de Assis. Dos livros, não falo em respeito a ele. Ele os criava; eu apenas os admiro (como a ele).

Daniel Piza foi enganado pela vida que amava tanto, e se foi.

Difícil entender. Muito difícil.

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Isso aqui nem é tão chocante, disse Roland Bigler, funcionário da Cruz Vermelha, auxiliar na negociação entre o governo peruano e o Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) em dezembro de 1996.  Naquele dia 17, no início da noite, guerrilheiros tomaram a casa do embaixador japonês Morihisa Aoki, em Lima, em uma cinematográfica ação que durou 126 dias, e terminou em tragédia em abril.

Todo mês de dezembro lembro de Bigler conversando sobre o trabalho de mediação do chefe dele, Michel Minnig. Bigler era um otimista. Trabalhava na Colômbia, de onde fora chamado às pressas para auxiliar Minnig. Dizia que lá, sim, a situação era complicada. Havia “caminhado sobre cadáveres na rua”, lembrava ele, contando sobre a missão da Cruz Vermelha no conflito entre as Farc e exército regular. Eram dias tensos na América hispânica.

Passados 15 anos, o continente mudou bastante. A América do Norte vive aperto econômico com seus Occupy isso, Occupy aquilo, e os latinoamericanos, cada qual com suas mazelas, desenvolvem suas economias em relativa paz. O show de horrores das guerras internas dos anos 70, 80 e 90 deu um tempo, embora ainda haja escaramuças em alguns pontos, como na própria Colômbia – país que tanto preocupava Bigler àquela época. Hoje, a realidade é bem diferente daquele Natal de 1996.

Cobertura

Cheguei a Lima naquele dezembro como repórter do Estado e passei as festas acompanhando as libertações de mais de 500 dos 600 reféns dominados na noite da recepção do embaixador Aoki. Era uma mansão que tinha na fachada cópia da casa principal do lendário filme “E o vento levou”.

Entre os reféns estava o embaixador brasileiro Carlos Coutinho Perez, um dos convidados para a comemoração do aniversário do imperador japonês Akihito. Coutinho foi libertado logo na primeira semana.

O casarão branco, com suas altas colunas no frontal, foi demolido meses depois da operação sangrenta que pôs fim ao sequestro. O governo peruano queria eliminar qualquer vestígio daqueles dias de rebeldia dos guerrilheiros chefiados por Néstor Cerpa Cartolini, o comandante Evaristo, que planejava reencontrar e libertar colegas de guerrilha da cadeia, entre eles a mulher dele, Nancy Gilvonio, e a norte-americana Lori Berenson.

Frustração

Cerpa queria pegar o então presidente Alberto Fujimori na festa. Mas o presidente escapou minutos antes da invasão do grupo de 14 guerrilheiros. O MRTA então planejava trocar os reféns, inclusive um irmão de Fujimori, pelos seus integrantes que mofavam no cárcere peruano.

Momentos de alta dramaticidade da hora da tomada da embaixada podem ser revistos em vídeo no Youtube, com imagens de arquivo da TV Piura. O material mostra as primeiras movimentações da polícia logo após a entrada dos guerrilheiros, quando ainda não se sabia exatamente o tamanho da ação. São imagens fortes, reveladoras do drama que o mundo veria por quatro meses.

Outro dia, assisti também a outro vídeo, The Lima Siege (link no final do post), uma reconstrução feita pelo Discovery Channel, que relembra o caso e conta detalhes de como os militares infiltraram equipamentos de escuta levados ao interior da mansão dentro de uma Bíblia – e até um espião – sem que os guerrilheiros se dessem conta.

Cartão

Bigler, um homem simpático e gentil, foi o responsável pelo meu acesso ao suíço Michel Minnig, o escolhido para fazer o meio de campo entre o que queria Cerpa Cartolini e o que pretendia Fujimori. Minnig estava na recepção no momento da invasão do MRTA,  e passou a ser o principal ator entre as partes.

Bigler chamou por mim numa manhã quente de Lima, quando uma multidão de jornalistas do mundo inteiro se acotovelava à porta da Cruz Vermelha, disputando um eventual contato com o negociador-chefe. Dois veículos de informação foram autorizados a entrar na sede da entidade para entrevistas. O Estado e uma TV da Suíça, país de Minnig.

No caminho para a sala, que ficava diante de uma piscina cercada por um gramado bem cuidado, o funcionário da Cruz Vermelha devolveu-me o cartão de visitas que eu mesmo tinha entregue ao motorista de Minnig durante uma das três madrugadas de vigília diante da casa da Cruz Vermelha.

Na segunda madrugada do plantão na calçada, consegui me aproximar do carro que sempre chegava rápido e entrava na garagem sem abrir os vidros. Nele estava o negociador. Ele era a única esperança dos jornalistas de saber o que realmente estava acontecendo no interior da mansão do embaixador. O Palácio estava blindado, o exército não ajudava e o casarão havia sido cercado e isolado.

Mas Minnig não dava entrevistas, segundo Bigler, para não comprometer a imparcialidade do trabalho da entidade. Esse é um dos pilares da atuação dos organismos de pacificação. Isenção. Mas ele havia cedido e falaria.

Encontro

Andei com Bigler pelo jardim até a sala de Minnig, que estava ao telefone falando com o  Palácio do governo. Minnig fez sinal para que sentasse. Ao terminar o telefonema, levantou-se para cumprimentar-me, falando espanhol. Era um homem claro, magro, de semblante calmo. Disse que não comentaria detalhes da negociação para não atrapalhar a conciliação, mas que estava pronto para a entrevista.

Finalmente, depois de dias de expectativa, três noites em claro na rua a espera de uma oportunidade, ali estava o homem. Eu havia decidido pagar o mico de ficar na calçada até o sol nascer na esperança de pegá-lo na entrada ou na saída da sede da Cruz Vermelha. Não esperava ser chamado para o interior da casa. Resolveria a parada ali no carro mesmo, se fosse necessário. Mas ouvir as impressões dele era fundamental naquele momento.

Japonês

Na primeira noite, cheguei à casa, que ficava no bairro chique de Lima por volta de 22h, 1h de Brasília, depois que o jornal em São Paulo já tinha encerrado sua edição do dia. Um jornalista, da agência japonesa de notícias Kyodo News, foi companhia nas duas primeiras madrugadas.

O Japão, por estar diretamente envolvido no incidente, tinha grande interesse jornalístico no caso. Na segunda noite, quando o carro de Minnig se aproximava do portão, já na madrugada, corri para a lateral da casa, mas só consegui entregar um cartão ao motorista, que abriu o vidro para pedir que me afastasse do caminho. Havia cerca de 3 mil jornalistas em Lima naquela cobertura. E Minnig ainda resistia.

O japonês era um rapaz simpático e se comunicava em espanhol. Passamos horas sentados na calçada conversando sobre os dois países e sobre aquela crise peruana. Estávamos todos cansados dos longos plantões diante da embaixada.

Propaganda

Os guerrilheiros faziam as libertações de reféns no horário nobre de TV, mais apropriado para a divulgação da causa deles porque burlavam a edição e os fatos apareciam ao vivo, principalmente no Japão. Acreditavam que poderiam com isso pressionar o governo japonês do então primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto a sensibilizar Fujimori para negociar.

Mas havia dias no cerco nos quais nada acontecia. Para frustração da massa de jornalistas que tomavam as ruas do bairro de San Isidro, isoladas pelos militares peruanos. Com aquele farto noticiário factual sendo oferecido a cada momento, a saída escolhida por muitas equipes era buscar novidades em outro “sítio”.

A casa da Cruz Vermelha era um deles. Quando o japonês não apareceu na terceira noite, pensei em abandonar a empreitada. Mas decidi aguentar mais aquela jornada. Foi mais uma noite sem sucesso. Minnig entrou novamente sem dar chance para uma pergunta.

Mas, pela manhã, veio a surpresa. Um funcionário da segurança abriu uma pequena janela de um palmo de altura e gritou o meu nome. Do outro lado da porta de aço havia ainda uma catraca, daquelas que têm ferros em cruz de cima a baixo e que só permitem a entrada de uma pessoa por vez. Bigler estava logo a seguir, com o meu cartão na mão.

Depois da entrevista, voltamos a conversar outras vezes. Bigler me ajudou a entender melhor o processo pelo outro lado das paredes daquele mundo violento. Voltei ao Brasil em janeiro, quando o drama da embaixada japonesa dava sinais de que o governo Fujimori prolongaria o cerco para ganhar tempo e organizar uma invasão.

Sempre que posso dou uma pesquisada para ver por onde anda aquela figura calma e atenciosa que me atendeu em Lima. Bigler permanece na Cruz Vermelha contribuindo pelo mundo com o diálogo em situações de risco. Uma nobre missão.

Fim do cerco

Quando Fujimori detonou a operação de resgate, em abril, eu estava na redação do Estado, em São Paulo. Vi pela TV, no meio da tarde, o momento do desfecho do sequestro da embaixada, que ainda continha 72 pessoas dominadas por Cerpa Cartolini. Bigler, acredito, deve ter ficado decepcionado com o final dos acontecimentos.

A imagem de Fujimori caminhando entre os corpos de guerrilheiros na escadaria da casa, logo após o combate, que foi estampada nos jornais do dia seguinte, sempre me recorda o esforço frustrado do funcionário da Cruz Vermelha para evitar a tragédia. E de sua expressão confiante num final negociado, algo diferente do que ocorria na Colômbia.

Retornei a Lima algumas vezes depois desse episódio. Uma delas para cobrir a campanha eleitoral que escolheu Alejandro Toledo presidente; outra para relatar negociações diplomáticas sobre a Alca. Recentemente, fiz uma viagem de quatro dias de ônibus de São Paulo a Lima.

O Peru mudou bastante. O país é hoje governado por Ollanta Humalla, um ex-militar que venceu eleições democráticas com discurso de esquerda e surfa em relativa prosperidade econômica no país. O Peru tem crescimento de PIB ao redor de 6%. Ex-guerrilheiros de extrema esquerda e ex-governantes corruptos, entre eles Fujimori e seu homem forte, Vlademiro Montesinos, estão na cadeia.

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Outro dia, início de dezembro, vi andando pela redação de O Estado de S.Paulo um ícone do silêncio, um homem que fala pelo que escreve – e que escrita! Era Luís Fernando Veríssimo. Portador do DNA da literatura, é um abençoado pelo humor e pela síntese, divindades que guiaram também os passos do poeta Mário Quintana, outro desses gnomos sulistas dos livros.

Veríssimo é um Quintana nos cartuns. O poeta adorava as palavras no fundo branco dos livros. Amava-as tanto que para não alterar-lhes o sentido no decorrer do tempo foi capaz até de admitir acento gráfico inexistente no original do próprio nome. Talvez por isso implicasse com histórias em quadrinhos, as primas das tiras –  forma de criação que Veríssimo gosta de usar para dizer mais com menos.  Com linhas e pontos, Veríssimo subverte a expressão (e o poeta).

Quem sabe se Quintana tivesse tido mais tempo (morreu em 1994) pudesse “sirrir”, como a Gabriela do poema Filó (“a gente se agachava a sirri que não parava mais”), apreciando a verve no traço único do filho de Érico. Ah, o Érico. Sim, aquele que além de adorar as tão adoradas palavras, certa vez salvou o poeta com a generosidade que só as grandes amizades são capazes de acalentar.

Érico, de extensa prosa, resumiu num bilhete com três palavras (a última uma aglutinação), vírgula e ponto final o aviso ao desempregado Mário dos anos 30 sobre as garantias para que deixasse o Rio de Janeiro e volvesse ao Rio Grande.

No sul, Quintana reencontraria, na editora do amigo, abrigo intelectual e dinheiro para viver – sinteticamente. Em livro de Néa Castro, Mário lembra que, no áureo tempo das longas cartas, o texto do pai de Luís Fernando cravava:  “Podes vir, mermão.”

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16.dezembro.2011 15:05:37

Passando a sacolinha…

A cidade tem acompanhado a polêmica sobre a distribuição de sacolinhas de supermercado. O comércio  será proibido de fornecer de graça a sacola plástica que o consumidor usa para carregar mantimentos – e que eventualmente serve para descartar lixo doméstico.

Agora o consumidor terá de pagar pelas embalagens das compras – são 1,7 bilhão de sacolinhas em 600 lojas de grandes redes, segundo dados do comércio. Ou seja, o consumidor vai continuar usando a tal embalagem para tirar o lixo, só que terá de desembolsar mais uns trocados. Isso, multiplicado por aquilo, dá uma boa quantia, não?

O argumento central da medida da campanha é o da proteção do meio ambiente.  A campanha é patrocinada pelo comércio. E muita gente que carrega a bandeira do ambientalismo embarca na ladainha. Jogam na sacolinha gratuita até a culpa pelas cheias na cidade. Falsa questão.

Já há material biodegradável para fazer sacolinha de supermercado que derreta no tempo. E as enchentes são coisa de incompetência de anos sem planejamento urbano – isso, sim, responsabilidade do poder público.

Na tal polêmica da sacolinha, é só trocar a de hoje, a famigerada poluidora e entupidora de bueiros, por uma que vire pó rapidamente. E deixar o comerciante livre para oferecer de graça a embalagem à freguesia.

 

 

 

 

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Dezembro já tem um eito, e se aproximam as festas. Tempo dos presentes, luzinhas brilhandos nas ruas e sacadas, cidade com jeito de alegria e expectativa de feriadão de descanso. Tempo também de rever o ano, fazer balanços, checar resultados, relembrar de encontros.

Olhando alguns momentos deste 2011, houve um que me pareceu muito especial. Depois de anos, reencontrei em junho o menino índio albino que havia conhecido em reportagem para o jornal.

O Estado publicou em julho a história do reencontro com Vanderlei Fernandes.

Recupero agora um vídeo, feito por aqueles dias, mas não publicado.

Ter sido recebido por ele na casa onde mora, na Ilha do Governador, no Rio, 15 anos depois do primeiro encontro, foi um presente.

 

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A ilha de excelência brasileira chamada São Paulo tem, seguramente, a maior concentração de hospitais de alto padrão e de profissionais de altíssimo nível no exercício da medicina no País. São 105 hospitais e pelo menos 9 mil clínicas, segundo dados da Prefeitura. E um exemplo desse poderio no serviço médico e pesquisa é a Faculdade de Medicina da USP, reconhecida mundialmente como top na formação de médicos.

É uma pena que toda essa experiência acumulada ainda não esteja largamente disponível para a população – em muitos e muitos casos confinada ao demorado atendimento do sistema público nas periferias do município e de seus vizinhos menos favorecidos.

Um desses complexos profissionais de saúde de ponta, o Instituto do Câncer de São Paulo, Icesp, é chefiado pelo médico Paulo Marcelo Hoff, oncologista que tem estado em moda nos últimos tempos pela importância da tarefa que desenvolve no combate à doença no setor público – e pelo trabalho na direção da área de oncologia do Hospital Sírio-Libanês tratando de pacientes famosos e políticos.

Aos 43 anos, Hoff é uma autoridade no assunto. Sob os cuidados dele e de sua equipe estão o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Roussef, o ator Reynaldo Gianecchini. O ex-vice-presidente José Alencar, que morreu em março depois de anos de luta, também foi atendido por Hoff.

Na semana passada, ele trabalhou na segunda sessão da quimioterapia do ex-presidente Lula, no Sírio, conheceu oficialmente as estimativas do Inca sobre o volume da doença no Brasil e abriu uma campanha paulista de prevenção do câncer no Icesp. Na sexta-feira, comentou a previsão do Inca, a cura do câncer e outros temas da República.

Paranaense de nascimento, mas gaúcho por adoção – o pai, Paulo Sérgio Hoff,  é de Santa Bárbara do Sul -, Hoff é professor da USP onde ensina que a batalha contra a temida doença já proporciona a cura em 60% dos casos. Formado na Universidade de Brasília, doutorado pela USP, e tendo feito residência em Miami, além de experiência em Houston, ele começa agora a trabalhar com jovens paulistas na tentativa de desarmar eventuais bombas  do câncer lá na frente.

Programa do governo estadual, via Icesp, pretende levar informação e esclarecimentos sobre a doença a 1,5 milhão de alunos por maio de palestras de 80 médicos da entidade em escolas.

Paralelamente a esse esforço de disseminação de conhecimentos sobre a doença, Hoff acaba de assinar o livro Como superar o câncer. É um guia para quem convive com o problema ou quer tirar dúvidas sobre a enfermidade e seu tratamento.

Editado pela Editora Abril, o livro tem a participação de 12 especialistas do hospital Sírio-Libanês. Os direitos foram doados. Está à venda por R$ 24,90.

Em forma de guia, é uma aula sobre o câncer. Leia abaixo um extrato do livro sobre a milenar história do conhecimento da doença.

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2500 a.C.

Um papiro egípcio dessa época contém descrições de quase 50 doenças. Entre elas, destaca-se o relato de uma massa proeminente no seio. Os detalhes dão a entender que o autor do documento descrevia um câncer de mama.

460-377 a.C.

Esses são os anos de nascimento e morte, respectivamente, de Hipócrates, considerado o pai da Medicina. Ele usou o termo câncer, sinônimo de caranguejo em grego, para descrever a doença pela primeira vez. A forma do crustáceo, observou Hipócrates, seria similar a de um tumor que se espalha pelo corpo. Mas ele acreditava que a responsável pelo mal seria uma suposta substância que circulava pelo organismo – a que deu o nome de bile preta.

Século 2

Cláudio Galeno, talvez o médico mais importante do Império Romano, foi responsável pela criação de uma espécie de manual da Medicina daqueles tempos. Ele afirmou que o câncer não tinha cura e que não deveria nem sequer ser tratado. Essa é uma das justificativas pela qual a doença foi pouco estudada na Idade Média.

1543

Neste ano, em pleno Renascimento, um dos estudos mais completos sobre a anatomia humana é realizado pelo belga Andreas Vessalius. Ele critica a falta de atenção com os tumores e questiona a teoria de Hipócrates sobre a bile negra.

1775

O inglês Percival Pott nota que limpadores de chaminés tinham um índice maior de câncer na bolsa escrotal. Isso por causa do contato constante com o alcatrão e outras substâncias tóxicas. É um dos primeiros relatos sobre a influência do meio ambiente no desenvolvimento da enfermidade.

1787

Começa-se a falar na capacidade do câncer criar vasos próprios para pegar nutrientes do corpo e se alimentar para crescer. O processo se chama de angiogênese e começou a ser observado mais profundamente pelo cirurgião escocês John Hunter nesse ano. Aliás, ele aperfeiçoou o que se considera ser o método científico, ou seja, esboçou as formas mais confiáveis para fazer pesquisas médicas, inclusive as relacionadas a tumores.

1867

São apontados os princípios básicos da antissepsia. De autoria do médico inglês Joseph Lister, métodos como limpar escrupulosamente as salas de operação tornaram todos os procedimentos cirúrgicos muito mais seguros.

1890

Data desse ano a mastectomia radical, ou seja, a retirada de toda a mama por causa de um tumor. Realizada pela primeira vez pelo cirurgião americano William Halsted, ela atualmente é pouco usada pela agressividade e pelos efeitos colaterais. Mas, mesmo assim, abriu as portas para tentativas de extrair o câncer do corpo.

1895

Wilhelm Roentgen, um físico alemão, consegue produzir radiação eletromagnética de modo a revelar partes do interior do corpo de uma pessoa. Essa nova tecnologia foi primordial para desenvolvimento do raio X. Oito anos depois, a cientista Marie Curie ganharia o Prêmio Nobel por, entre outras coisas, estudar os efeitos da radiação sobre os tecidos biológicos e firmas as bases da radioterapia, usada até hoje para combater o câncer.

1929

O hormônio estrogênio, mais ligado ao organismo feminino, é identificado pelo bioquímico americano Edward Doisy. Esse é o passo inicial para a criação de seus antagonistas, aplicados hoje na hormonioterapia para controlas cânceres como o de mama.

1946

Com base no gás mostarda, usado na Primeira e na Segunda Guerra Mundial como uma arma química, os farmacêuticos americanos Louis Goodman e Alfred Gilman produzem uma substância para exterminar células malignas do sangue. Começa a quimioterapia.

1971

O estão presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, assina o Ato Nacional contra o Câncer, um documento que visa estimular as pesquisas sobre a doença e fomentar o desenvolvimento de tratamentos para atacá-la.

1977

Os primeiros genes relacionados ao surgimento do câncer, conhecidos como oncogenes, são descobertos.

1997

A FDA, agência americana que regula medicamentos, aprova o primeiro anticorpo monoclonal contra o câncer, substância capaz de ajudar o próprio corpo a identificar células malignas. É o rituximab. A terapia alvo, como é chamada, ganha força.

2010

Novamente nos Estados Unidos, é aprovada a primeira vacina terapêutica contra o câncer – mais especificamente contra o tumor de próstata metastático, ou seja, que já se espalhou pelo corpo.

2011

O Instituto Nacional do Câncer, vinculado ao Ministério da Saúde, estima que, neste ano, serão diagnosticados 489 mil novos casos de tumores malignos no Brasil.

2011*

Instituto Nacional do Câncer, do Brasil, atualiza os dados de estimativas sobre a incidência da doença no país projetando para 2012 520 mil novos casos.*

Fontes:

“Como superar o câncer” (págs. 22 a 25), Dr. Paulo Hoff, Editora Abril, 2011,

 e  *Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA

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Capa do livro do oncologista Paulo Hoff e outros 12 especialistas

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(texto atualizado às 16h58 de 2/12)

 

 

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Tem gente que prefere areia, praia, sol de 40 graus, boa cerveja, guarda-sol. E, então,  se manda para o litoral paulista, Rio, Nordeste, Caribe – e vai curtir o verão. Tudo bem, cada um é cada um. Mas dá só uma espiada no que está acontecendo nas terras geladas do Canadá, no lado do Pacífico, um intrigante pedaço do mundo. O vídeo é do site da Grouse Mountain, parque existente dentro da cidade de Vancouver, que está abrindo a temporada de inverno. Temperatura lá hoje, 21 de novembro,  está em -2 graus centígrados. Uma maravilha!

Opening Day – Winter 2011/2012 from Grouse Mountain Resort on Vimeo.

 

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No Século 19, ai pelos anos 1830/50, o Brasil viveu uma situação muito interessante, semelhante, em parte, ao que ocorre hoje, mais 160 anos depois. Precisava povoar sua imensa extensão territorial para crescer, se desenvolver, se proteger. E precisava, ainda mais importante, substituir a mão-de-obra escrava, que era uma mancha cruel na formação do País.

A escravatura foi combatida por dentro na elite agrária de então, que dava suporte às estruturas de Estado, e de fora por opositores ferrenhos, brancos e negros, como Joaquim Nabuco e Luís Gama, Castro Alves e muitos outros.

Foi então adotada, ainda no período Imperial, uma política de atração de imigrantes, com facilidades burocráticas de instalação para quem chegava ao País interessado em construir uma vida de trabalho. Entre vasta literatura sobre a formação brasileira, um livro que sempre é bom visitar é “Terras Devolutas e Latifúndio – Efeitos da lei de 1850”, da professora Lígia Osorio Silva (Editora da Unicamp, 1996).

Com uma extensa pesquisa – 192 documentos (relatórios, pareceres, anais do Senado, mensagens oficiais), 23 livros e folhetos e consulta a outros 108 autores -, ela esmiúça o tema e mostra um quadro acurado da época, inclusive com informações de um ilustre funcionário público daqueles dias no Serviço de Terras e Colonização: Machado de Assis.

Por agora, quase dois séculos depois, o País vive novamente uma onda de imigração e recebe levas e levas de estrangeiros que por aqui buscam oportunidades de nova vida. Em crescimento, em com baixas taxas de desemprego, o Brasil, mais uma vez, os recebe. E, mais uma vez eles estão vindo, na maioria, de Portugal.

Nos últimos dias, com ajuda de colegas (Liege Albuquerque, de Manaus, e Jamil Chade, de Genebra), apurei os números desse fluxo migratório incentivado pela especial posição brasileira na economia mundial e por toda a crise de emprego que se abate sobre a comunidade internacional, principalmente sobre os europeus. O material está publicado no Estado, em papel, e no site.

O pessoal “de fora”, principalmente da Europa e Ásia, que lá atrás optou pelo Brasil – e os africanos, que foram arrastados – teve papel fundamental no Brasil nesse tempo todo. As marcas são visíveis não só no ambiente que nos envolve, mas principalmente, e literalmente, na cara do Brasil.

A mistura, é evidente, não foi assim uma Brastemp. Foi dura, injusta, em muitos momentos, como na relação entre brancos e negros – e até com os asiáticos, que ao chegarem a São Paulo, do distante Japão, e foram alojados em terrenos considerados mico imobiliário à época por ter sido um cemitério – o bairro da Liberdade. Os negros, nem se fala. E os índios? Hoje em franca recuperação populacional, quase foram exterminados.

De uns anos para cá, e cada vez mais – mostram os números de 2011 do Ministério da Justiça-, os hispânicos sul-americanos se somam a essa babel Brasil. Além de toda a força de trabalho que essa população empresta ao País, há uma riquíssima montanha de idiomas e de hábitos, criando uma peculiar diversidade de modos de vida deste lado do mundo.

Breve teremos aqui, certamente, ensinadores de mais uma língua, o aimará, dos bolivianos, uma das comunidades que mais crescem em regularização, de acordo com os dados do Departamento de Estrangeiros. E também do creole, dos haitianos, que olham o Brasil como a salvação para a miséria e a tragédia que destruiu sua terra em janeiro de 2010.

Nestes tempos bicudos lá fora, sejam todos bem-vindos.

Executivo brasileiro Artur Fuchs, CEO da Efacec, que retornou ao Brasil após duas décadas no exterior e contrata especialistas em Portugal/FotoWerther Santana/AE

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O português Marcos Pereira, que chegou a São Paulo em junho para trabalhar na multinacional Efacec. “Brasil está no caminho certo”, diz./Foto Airton Vignola/AE

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14.novembro.2011 20:16:26

O dom de alegrar

Responda rápido: o que têm em comum os padres Manoel da Nóbrega e Antonio Rodrigues (dos anos 1500) com Zequinha de Abreu, Antonio Rago e Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, (dos 1900) e uma turma que se reuniu sábado pela manhã na Rua França Pinto, 42, na Vila Mariana?

Respondo eu, rápido: a música.

Sobrevive naquele endereço, onde há uma loja de instrumentos musicais, o maravilhoso dom de artistas que - desde as missas monofônicas dos mosteiros quinhentistas - fazem a alegria de São Paulo com saraus, rodas de modinhas e chorinho.

Quem passava na porta da Casa Vitale, quase esquina com a Avenida Domingos de Moraes, no sábado, ouvia cavaquinho, pandeiro e violão dando vida a chorinhos – que são os netos das modas portuguesas, que devem ser netas, ou tataranetas, do velho cantochão, o canto das igrejas, ouvido pela primeira vez pelos nativos de Piratininga ao ser tocado sob a “batuta” e inspiração dos religiosos Nóbrega e Rodrigues.

Em seu belo ensaio “Arranjos e timbres da música em São Paulo”, publicado no volume 1 de “A história da cidade de São Paulo” (Paz e Terra, 2004), o doutor José Geraldo Vinci de Moraes ensina isso tudo, e muito mais. Recorri ao livro para entender um pouquinho mais da raiz daquele som que dá um charme especial ao quarteirão de comércio perto da hora do almoço.

E lá estavam as citações do doutor Vinci de Moraes rementendo também aos idos de 1818, quando nesta mesma São Paulo “os botânicos alemães Spix e Martius” relataram ter feito o mesmo que muitos fazem aos sábados na Vila Mariana: curtir um sarau de modinhas.

Por ali, certamente, ao som do cavaco de uma mocinha, havia alguma coisa de um outro personagem paulistano, que viveu entre 1880 e 1935: Zequinha de Abreu. Segundo o estudo do doutor Vinci de Moraes, depois de fazer nada menos do que Tico-Tico no Fubá, em 1917, Zequinha chegou a São Paulo onde tocou em bares, cinemas e – olhem só! – em casas de instrumentos e partituras.

São Paulo tem cada coisa! Para ouvir, clique aqui.

Roda de chorinho em loja da Vila Mariana/Foto: Pablo Pereira

 

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Dois craques do esporte brasileiro, Pelé e Ary Graça, da Confederação Brasileira de Vôlei, foram chamados para debater no Museu do Futebol, no Pacaembu, o futuro da educação e do esporte no Brasil. Segundo os promotores do evento, marcado para dia 18, às 14h, é uma iniciativa da empresa Kroton Educacional,  que atua no setor de ensino. O ponto é a formação de profissionais para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

 

 

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