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Blog da Garoa

São Paulo tem hábitos estranhos. E perigosos. Famosa pela estatística de acidentes de trânsito, terror dos motociclistas que se machucam e morrem nas ruas congestinadas, a cidade convive há algum tempo com as turmas noturnas das bicicletas. Eles estão por vários bairros, com suas bikes e roupas de atleta. É a falta de parques, de áreas seguras para a prática do ciclismo.

 

Ciclistas na Avenida Sumaré, em Perdizes

Ciclistas na Avenida Sumaré, em Perdizes

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O Edifício Martinelli, marco histórico da construção na cidade, foi aberto à visitação. Reportagem de Cristiane Bomfim, do Jornal da Tarde, com fotos de André Lessa, mostra que visitante tem mais um mirante disponível para ver o Centro de São Paulo por cima.

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Há anos, viajando no interior de Portugal, encontrei no ambiente da fria Serra da Estrela um cenário de pequenas propriedades, com gente do campo vivendo em sítios cercados por muros de pedras. A bucólica paisagem pedrenta da bela região da Beira, que tem um parque nacional, levou-me a pensar nas dificuldades encontradas pelos desbravadores portugueses que aqui, no quinhentista planalto paulista, sem a abundância das pedras, tiveram de recorrer ao barro e às varas para erguer muros e paredes – na hoje escassa, porém famosa, engenharia da taipa.

Aquela São Paulo aparece em diversas obras literárias, ensaios, pesquisas, pinturas ensinando como um punhado de aventureiros d’além-mar criou do nada as bases da metrópole.

O Brasil não era Brasil e Portugal já tinha fronteira consolidada. Camões escrevia os cantos de seus Os Lusíadas mais ou menos nos mesmos dias, aí pelos 1550/70, nos quais Anchieta, por aqui, redigia suas cartas – que podem ser vistas no Mosteiro de São Bento. Pouco restou desse lastro português. Mas a São Paulo moderna soube conservar parte da gente ibérica, presente hoje menos na arquitetura e mais nos hábitos e costumes.

Semana passada, “viajei” novamente a Coimbra e região, desta vez pelas páginas de 90 anos do Clube Português, de São Paulo, livro lançado na sexta-feira. E encontrei lá diversas pistas da herança portuguesa na cidade. O clube, que tem rico acervo, foi fundado em 14 de julho de 1920, em Perdizes. Um almoço na Casa de Portugal, que fica na Av. Liberdade, 602, também comemorou o lançamento do livro. A Casa de Portugal  reúne acervo sobre a presença portuguesa.

O livro sobre o Clube conta histórias de ancestrais dos Ermírio de Moraes, e de outros luso-paulistanos, como o arquiteto Ricardo Severo (1869-1940). Nascido em Lisboa, criado no Porto, mas que morreu em São Paulo.

“Queremos restaurar o clube”, diz o advogado José de Oliveira Magalhães vice-presidente da entidade, ele próprio “um brasileiro nascido em Portugal”. Magalhães é de Cabeceiras de Basto, Braga.

Reprodução de capa de obra do acervo do Clube Português

Reprodução de capa de obra do acervo do Clube Português

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Retrato de Camões, óleo de A. Neves e Souza, do acervo do Clube

Retrato de Camões, óleo de A. Neves e Souza, do acervo do Clube

.(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

.(Texto corrigido e ampliado no blog em 28/07).

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Um rico acervo mora no Clube Português. São obras raras, relacionadas no livro organizado por João Alves das Neves. Há adornos, coleções de revistas e jornais, telas e livros centenários, como Vocabulário Portuguez e Latino, de Raphael Bluteau, publicado em Coimbra em 1712, e as Rimas várias de Luis de Camões, comentadas por Manuel de Farias y Souza, edição de 1685, de Lisboa. Ou, ainda, o Poema Épico A Liberdade de Portugal defendida pelo Senhor Rey D. João I, da Real Officina da Universidade, em 1782. Há lá a história de Inês de Castro, a rainha morta do d. Pedro I português – os túmulos estão lado a lado no belo Mosteiro de Alcobaça.

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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 Outro dia, por conta de post sobre o pedaço paulistano de Alberto Santos Dumont, conheci o livro “As glórias, a luta e o martírio de Santos Dumont”, do jornalista e escritor Fernando Jorge, pela Geração Editorial. Há lá informações deliciosas sobre a vida do pai da aviação.

 O homem gostava de camarão com quiabo, só dormia no escuro absoluto, era de poucas palavras, gostava de uma cervejinha e tinha paixão por um chapéu panamá, de abas caídas. E foi o inventor da corrida de triciclos na França.

 O livro reproduz a espantosa fotografia (abaixo), tirada em campo francês, que mostra a contribuição de um jumento para a odisseia espacial, puxando o 14 Bis. E contém ainda um curioso apêndice sobre erros comuns a respeito de Santos Dumont em biografias, dicionários e enciclopédias.

burrico cortado

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Muito se falou recentemente sobre a Seleção Alemã de futebol, multiétnica, que ficou com o bronze na Copa da África jogando uma bola redondinha. Choveram elogios à moderna composição do time, que surpreendeu ao usar diversos jogadores de origem estrangeira na disputa esportiva mais nacionalista do mundo. Havia no grupo até um brasileiro, Cacau. Fez bem o técnico deles em escalar o que tinha de melhor sem olhar para a origem do craque. Na hora de a bola rolar, em qualquer atividade humana, vale é a qualidade.

Nos antigos campos paulistanos, essa “novidade” da mistura apresentada pelos alemães já foi bem conhecida. Houve aqui um meio-alemão famoso, Arthur Friedenreich, 1,75 m, esguio e rápido, goleador. Nasceu no bairro da Luz e lutou na guerra por São Paulo, Era filho de seu Oscar Friedenreich, alemão, e de dona Matilde, brasileira, filha de escravos, como lembra Marcos Guterman em O futebol explica o Brasil (Editora Contexto).

Friedenreich, que faria aniversário neste domingo, 18, era garoto que ia mal na escola e bem nos gramados. Foi ídolo do futebol dos primeiros 30 anos do Século 20 e sua história pode ser encontrada em clubes da cidade, como Pinheiros (antigo Germânia), Athletico Paulistano, onde dá nome ao campo e tem estátua, e no São Paulo.

Quando a Copa do Mundo for disputada nos gramados brasileiros, em 2014, o país estará comemorando 100 anos da primeira participação de Fried na Seleção brasileira. Foi num jogo contra o time do Exeter City, da Inglaterra, e no qual o centroavante paulistano deu, literalmente, seu sangue pelo Brasil: perdeu dois dentes numa disputa de bola. Na semana passada, o Instituto Martius-Staden (SP) criou espaço para homenagear “El Tigre” Friedenreich. A CBF também guarda imagens (foto acima) dessa epopeia do jovem teuto-brasileiro que encantou torcidas quando o esporte bretão ainda engatinhava por aqui, trazido por Charles Miller. No meio de brucutus que recorriam à força bruta do rúgbi no controle da posse da bola, Fried criou o drible curto e rápido, refinando o trato da vovó da jabulani.

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo) 

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O goleiro uruguaio rebateu com os punhos a bola jogada na área. Corria o primeiro tempo da segunda prorrogação, da segunda partida, entre Brasil x Uruguai pela Copa Roca (Júlio Roca, general argentino) em 29 de maio de 1919, no Rio. O centroavante brasileiro Friedenreich pegou o rebote, bateu forte, à meia altura, no meio do gol. Às 16h53 ele decretou o 1 x 0 que deu ao Brasil o título contra o Uruguai. Arthur Friedenreich (1892-1969) foi o goleador do campeonato, com 5 gols. O relato detalhado, minuto a minuto, pode ser lido n’O Estado de 30/05/1919. Clique no recorte:

 

Recorte de pág. de O Estado de S.Paulo, 30 de maio de 1919

Recorte de pág. de O Estado de S.Paulo, 30 de maio de 1919

 

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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O frio, que chegou hoje (terça-feira) a São Paulo com uma chuvinha, após dias e dias de clima seco, poluição e calor fora de época, se anuncia como um convite para uma fugidinha, nos próximos dias, em busca de um bocado de serra. Outro dia, privado de sair da cidade por um plantão de final de semana, fui à TV, tarde da noite, e encontrei, em transmissão da Rede Cultura, momentos de beleza que vinham da montanha. Era a abertura do festival de clássicos de Campos de Jordão. E lá, no programa, estava a música do Antonin Dvorák.

O maestro Carlos Kalmar dava um show com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, regendo a Sinfonia nº 7.

 

Maestro Carlos Kalmar, regendo a Sinfônica de São Paulo/Reprodução de TV

Maestro Carlos Kalmar, regendo a Sinfônica de São Paulo/Reprodução de TV

  

 Ouça o 3º movimento da sinfonia, orquestra de Hong Kong, regida por Daniel Raiskin

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Terminado o programa, já na madrugada, fui à vitrola e ao meu Dvorák preferido. O ”Allegro ma non troppo”, do nº 12, Op. 96, ‘American’ – que pode ser ouvido abaixo.

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A respeito de texto sobre Santos Dumont, publicado no O Estado de S.Paulo no último domingo, 11, e reproduzido abaixo aqui no Blog, recebo carta do leitor Henrique Gândara, de Ribeirão:

“Sr. Editor,

Na edição de ontem, 11 de julho, caderno CIDADES, última página, matéria a respeito de SANTOS DUMONT. Seu autor omitiu alguns dados a respeito de ALBERTO SANTOS DUMONT e de sua família. Por desinteresse e ou desinformação. A família Dumont veio de Minas Gerais para a região de Ribeirão Preto onde adquiriu enorme gleba de terra fértil onde abriu uma fazenda no século XIX, a Fazenda Dumont ou Fazenda dos Dumont. Era tão grande a propriedade rural que construiu-se uma estrada de ferro particular dentro dos limites da fazenda. Era para transportar mercadorias, produtos da fazenda, empregados, utensílhos e para os proprietários percorrerem sua terra com rapidez e conforto.

Contavam os mais antigos moradores de Ribeirão Preto que Alberto Santos Dumont adolescente, era muitas vezes visto pela ruas da então pequena Ribeirão. O tempo passou, Alberto foi para a Europa, conquistou os ares e os ares da fama, tornando-se o personagem citado nesse texto. A fazenda teve seu período áureo, ao redor da sede formou-se um vilarejo que ficou distrito de Ribeirão Preto.

No início da segunda metade do século passado o distrito se emancipou, tornou-se município de Dumont , hoje com qualidade de vida invejável onde existem vários condomínios residenciais de todas as classes que abrigam famílias que antes moravam em Ribeirão Preto.

Dumont dista de Ribeirão Preto dez quilometros de estrada de rodagem, mais perto do que muitos bairros da cidade grande e existe plano de transformar a curta estrada em avenida. Da ferrovia particular sobraram escombros e sinais da sua existência. Em Ribeirão Preto há uma rua em bairro de classe média, com nome de Rua Henrique Dumont.

Espero que , de modo modesto, tenha contribuido para enriquecer o teor do escrito referido no início deste texto.

 Henrique Gândara

Ribeirão Preto”

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Ele era mineiro, viveu e ficou famoso na França, por sua ousadia de voar, mas foi um paulistano. Referências sobre ele e sua obra estão pela cidade. E neste mês de julho, tempo da Revolução Constitucionalista, sempre volta à memória. Santos Dumont, a pai da aviação (1906), é lembrado nas praças 14 Bis (Bexiga) e Campo de Bagatelle (Santana) e no casarão da Alameda Cleveland (Santa Cecília), hoje preservado pela Fundação de Energia de São Paulo, no qual viveu com a família.

A ligação de Alberto Santos Dumont (1873-1932) com São Paulo aparece bem no livro Santos Dumont, bandeirante dos ares e das eras, de Paulo Urban e Homero Pimentel (Editora Madras). Ganhei o livro do amigo jornalista Ari Camargo, um amante das histórias paulistanas. Li também Os meus balões, tradução do original Dans L’Air, obra da biblioteca de O Estado de S.Paulo.

Os livros contam detalhes saborosos da trajetória do inventor brasileiro. Foi em São Paulo que o pai dele, Henrique Dumont, o emancipou, aos 18 anos, e deu-lhe umdote em títulos suficiente para que se dedicasse ao sonho de voar sem se preocupar com rendas.

A obra de Urban e Pimentel lembra o ocaso do “Petit Santôs”, como o visionário adorador de balões e maquinetas era chamado em Paris por ser franzino. Em 1932, doente, refugiado no Guarujá para tratamento, vê-se Santos Dumont no meio do conflito político entre São Paulo e o governo central. E tem sua obra maior, o avião, sendo usada “pelo ditador Vargas” na guerra contra São Paulo. “Era sábado, 23 de julho. Dumont recebe pelo rádio a notícia de que aviões legalistas haviam bombardeado o Campo de Marte , em São Paulo, e que voavam para atacar Santos, São Vicente e Guarujá”, conta o livro.

Aos 59 anos, Santos Dumont vivia deprimido. E, naqueles dias, acumulava a frustração de tentar influir em busca de apoio mineiro para São Paulo, sem conseguir. Redigira manifesto conclamando Minas Gerais a juntar-se aos paulistas contra o governo central, mas fracassara. “Entrou em pânico”, relatam os historiadores. Culpava-se “por toda a desgraça que via exposta à sua volta”. Contam os biógrafos que ele desistiu da vida no apartamento 152 do hotel La Plage enforcando-se com “duas gravatas vermelhas”.

Getúlio Vargas, ao saber da morte mandou mudar a causa mortis para “parada cardíaca”, negando ao país o motivo do falecimento do “herói nacional”. Anos depois, em 1954, o próprio Getúlio buscaria no ato que tentara esconder a sua entrada para a história.

Página do livro Os meus balões, tradução do original Dans L'Air, de Santos Dumont

Página do livro "Os meus balões", tradução do original em francês "Dans L'Air", de Santos Dumont, na qual o inventor comenta seu primeiro balão, o "Brasil"

Ilustração de Santos Dumont, que abre a edição de exemplar de "Os meus balões", de 1938

Caricatura de Alberto Santos Dumont, que abre a edição de exemplar do livro "Os meus balões", de 1938

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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