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Blog da Garoa

Nestes dias de futebol de alto desempenho, com o que o mundo tem de mais avançado no esporte, a época é de deleite para milhões de torcedores no Planeta. São as “batalhas” sadias, o encantamento de massas pelo desempenhos de seus ídolos, segundo regras da moderna convivência. Uma festa da humanidade. Tudo isso vem ocorrendo em escala mundial há menos de um século - e a história desse esporte maravilhoso é fascinante.

São Paulo já conta com o Museu do Futebol, que está no Pacaembu, um espaço nobre do tema, no qual é possível encontrar belos momentos de bola rolando e desse mundo especial. Agora, pegando a onda do que acontece na África, o Arquivo Público do Estado adiciona memória em um site. Há informação e imagens preciosas. Clique na foto: 

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Mais um cinema morreu outro dia em São Paulo. Era uma iniciativa dos artistas Alexandre Borges e Júlia Lemmertz: chamava-se Cine Arte Lilian Lemmertz, homenagem à arte da mãe de Júlia. Ficava na Rua Clélia, na Água Branca. Está no escuro, em silêncio.

O fechamento de uma sala de exibição é sempre uma perda, em qualquer lugar. Uma tela apagada é menos espaço de diversão, reflexão, pensamento. Menos gente alimentando a alma. Nos últimos anos nasceram várias salas nos shoppings da cidade, moderníssimas, muito procuradas. Mas, no caso das casas de arte – assim como no caso das pessoas –, a estatística vale zero.

Outro dia, conversando com um velho observador dessa cena, Máximo Barro, professor da FAAP, lembramos de outras perdas de salas.

“O antigo Cine Bandeirantes, no Paissandu, virou abrigo de carros. Outros cinemas se transformaram em igrejas, supermercados. O Ipiranga era o mais belo. O Cine República foi demolido para dar lugar ao Metrô, e até hoje nada foi construído lá”, recorda o professor. “O República se gabava de ter a maior tela da América. Havia salas muito confortáveis. Você estava sentado e não precisava encolher os joelhos para dar passagem.”

Máximo Barro conta que a primeira projeção na cidade ocorreu em 7 de agosto de 1896. Chamavam de “photographia animada”. A “sessão” foi para autoridades. Um caderno especial sobre o centenário do Estado, publicado em 1975, oferece rico material sobre o alvorecer do cinema na cidade.

O pioneiro foi o francês Georges Renouleau. Ele tinha casa na Rua Marechal Deodoro. Ao lado, uma lotérica. Durante a comemoração de um bilhete premiado, a casa foi invadida por um buscapé. E pegou fogo. O artista perdeu tudo. Abalado, Renouleau voltou à França. Lá teve contato com os Lumière e, entusiasmado, retornou a São Paulo com o cinematógrafo. “A primeira ‘sessão’ foi em uma casa que existia na Rua Boa Vista com a Ladeira Porto Geral”. Ficou “em cartaz” por dois meses.

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

Clique no Suplemento:

CAPA DO SUPLEMENTO cinema

Abaixo, vídeos com filmes da época, dos Lumière, os pioneiros do cinema, inspiradores Georges Renouleau.

 

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No início, a produção de cinema era de publicidade e de documentários, registros de cenas que aconteciam diante da câmera sem interferência de arte de contar histórias. A percepção do uso do corte no tempo para permitir o salto cronológico da narrativa em imagens e som só viria a aparecer anos depois. Numa de suas observações sobre a novidade cinematográfica, por exemplo, Ruy Barbosa escreveu crônica, aí pelos anos 20, dizendo que a maravilha daquela novidade era a qualidade de registrar fatos sem a direção que ele, Ruy, observava no teatro.

Mas as coisas mudaram rápido. E o que era registro virou arte. Ainda bem!

 

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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 O corre-corre da vida da cidade, os engarrafamentos e o tempo desperdiçado nos deslocamentos alimentam o mau humor e o tédio e, às vezes, nos impedem de aproveitar coisas legais que estão à volta. Anos atrás, quando morei na região de Perdizes, circulava muito pelo bairro. E imaginava o canteiro central da Avenida Sumaré mais verde, um espaço mais agradável para se ver.

Na balada da vida, mudei de casa, passei um tempo sem curtir a Sumaré, mas, ultimamente, tenho passado por lá com frequência. Outro dia, parei para registrar a agradável cena que aprendi a curtir: o canteiro central, que virou pista para caminhadas de moradores, tem árvores altas, empresta ao corredor até um clima de cidade do Interior e, bem cedinho, é tranquila. É um bom começo de dia passar por ali – com pouco trânsito e bastante verde.

 

Avenida Sumaré, logo após o amanhacer, ainda com pouco trânsito

Av. Sumaré, logo após o amanhacer, arborizada, e ainda com pouco trânsito

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Pista para caminhadas no canteiro central da Av. Sumaré

Pista para caminhadas no canteiro central da Avenida Sumaré

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O domingo ensolarado em São Paulo lotou, mais uma vez, o Vale do Anhangabaú. Paulistanos foram ver, no telão, o Brasil avançar na Copa da África (Brasil 3 x 1 Costa do Marfim). E, após o apito final, as cornetas ecoaram pelas ruas e edifícios ainda por um bom tempo. Foi um belo final de tarde na cidade. Na próxima sexta, 25, será a vez de enfrentar Portugal. Aposto um pão na chapa que muita gente por aí não sabe bem para quem torcer.

Post atualizado às 10h54:

Ainda mais agora, depois do placar dos portugueses contra a Coreia do Norte: 7 x 0.

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 Uma olhadela na paisagem de São Paulo mostra a crescente presença dos prédios de luxo, com apartamentos de andar inteiro, objetos do desejo de muito paulistano nesses dias de explosão imobiliária e crédito facilitado. Pudera. Com tanto carro atravancando as ruas e solapando o precioso tempo do paulistano, nada melhor do que ter conforto no lar após um dia duro na firma.

Essa busca pela boa morada em condomínios verticais nem é tão antiga por aqui. Começa a aparecer à larga na cidade na década de 30, quando Rino Levi (1901-1965) identifica oportunidade na mudança de comportamento habitacional e aposta suas fichas no Edifício Columbus, prédio erguido na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no centro.

A cidade vivia o tempo da construção de seus primeiros arranha-céus, como o Martinelli, que acabava de subir na Líbero Badaró. E o Columbus foi o primeiro edifício de apartamentos de luxo, projetado em 1928, construído em 1932, com 12 andares, a entrar no mercado. O prédio nasceu do desafio de “abrigar numerosas famílias e (…) oferecer-lhes o maior confôrto (sic) possível”, diz Levi no livro sobre sua arquitetura, publicado em 1974 em Milão. Os apartamentos do Columbus marcaram o jeito de morar na cidade que iniciava fase de forte crescimento.

“Do ponto de vista funcional, o prédio representava uma completa renovação nos hábitos paulistanos”, escreveu Nestor Goulart Reis Filho, comentando a obra do arquiteto. O Columbus, com seus mármores, granito preto, linhas retas e curvas, luzes e sombras, mostrou o expressionismo alemão por 40 anos – foi demolido em 1971. A região mudou e veio a marreta.

Ainda há muitos Rino Levi pela cidade, felizmente, ensinando o jeito de morar no passado. E o que aconteceu com o Columbus foi um daqueles infelizes momentos paulistanos. Memória? Dane-se a memória.

 

Edifício Columbus, projeto de Rino Levi, construído na Av. Brigadeiro Luiz Antonio em 1932/Reprodução

Edifício Columbus (ao centro), projeto de Rino Levi, construído na Av. Brigadeiro Luiz Antonio em 1932/Reprodução

 

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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Rino Levi, arquiteto
Rino Levi, arquiteto

Jardins em parceria com Roberto Burle-Marx (casa da família Gomes, em São José dos Campos, 1951), Casa Medice (Santo Amaro, 1935), Edifício Prudência (Higienópolis, 1944), cinemas, hospitais, bancos e até o Viaduto do Chá, de 1934. São criações que fazem parte do legado desse paulistano, filho de italianos, formado em Arquitetura em Roma em 1926. Rino Levi deu vida natural a ambientes, unindo o interno e o externo pela luz. O mais recente ataque a essa memória ocorreu com o incêndio no Teatro Cultura Artística e seu painel de Di Cavalcanti.

(Texto publicado em O Estado de S.Paulo)

ESCLARECIMENTO: O projeto do Viaduto do Chá, criação de Rino Levi, de 1934, foi classificado em segundo lugar no concurso de ideias para aquela obra. Foi considerado pelos julgadores “a solução mais conveniente no que respeita à viação e à estática”. Mas o projeto executado foi do arquiteto Elisário Bahiana.

 

 

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O verde e o amarelo se espalharam pela cidade hoje, estreia do Brasil na Copa da África. As cores da Seleção vão enfeitar São Paulo por muitos dias, como ocorreu no Anhangabaú, lotado de torcedores durante a tarde. E como ocorre agora à noite no velho casarão da esquina da Ministro Rocha Azevedo – que no Natal atrai atenção para a decoração de Papai Noel.

O time de Dunga venceu os vermelhos coreanos por 2 x 1, placar magrinho, na primeira empreitada. Agora, para passar à próxima fase, faltam os amigos do Drogba, da Costa do Marfim, e a galera portuguesa do Cristiano Ronaldo. Eu aposto um pão na chapa que haverá muita gente com o coração na mão nos próximos dias nas padarias paulistanas.

 

Casarão na Paulista 1

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A cidade passou a semana na atmosfera da moda, com a São Paulo Fashion Week, evento que projeta o modelo das roupas da próxima estação e coloca a Bienal do Ibirapuera no mapa dos negócios do setor. É evento relevante para a indústria do vestir. E, de quebra, revela talento e elegância da mocidade em belos momentos nas passarelas.

Toda essa concentração de beleza e charme, que tem em torno de dez anos nesse formato, é somente uma amostra do que São Paulo já viu nessa vitrine. A evolução das costuras paulistanas mostra que o vestuário por aqui já deu muito pano para mangas.

“Agora já tão usano,

A saia da anca lisa…

Num demora vem o uso:

visti saia sem camisas…” (sic)

A quadrinha, cantada em festas de família do interior, na segunda metade do século 19, criticava os costumes das mulheres que à epoca se aventuravam a mostrar os ombros, lembra Gilberto Leite de Barros em seu A Cidade e o Planalto (1967, Martins Editora).

No capítulo “A moda feminina no século 19”, Barros conta que “em 1865, inscreviam-se entre as costureiras de classe: Madame Martin, estabelecida na Rua do Ouvidor; Mme. Pruvot e Mme. Pascau, na Rua da Imperatriz; Mme. Rochat na Rua de São Bento”.

Diz o observador paulistano, referindo-se às influências do corte europeu na cidade brasileira oitocentista: “Trabalhava (…) pelo ajustamento dos vestidos na cintura alargando o quadril na forma de violão, ou abrindo o decote sôbre (sic) o colo; neste último caso uma nesga de seio era dado a ver”.

Barros lembra que as primeiras lojas de roupas feitas apareceram em São Paulo em 1865 pela mão de um francês, João Batista Pascau – que era casado com a referida Madame Pascau. Vendo uma boa oportunidade, o casal abriu a loja “Ao Profeta”. Vendiam tanto para mulheres quanto para homens.

Os Pascau foram os pioneiros nesse comércio até que outro francês, Gustave Bernard, aproveitando-se da reclamada ausência de bons alfaiates na cidade – como costumava repetir o poeta Castro Alves –, criou, em 1877, à Rua da Imperatriz, a casa “Au Printemps”.

A história da moda mostra, no decorrer dos anos, que a capital se vestiu à europeia por muito tempo. Mas revela também que ousadias já chocaram mais nas ruas do que nas passarelas.

(texto publicado em O Estado de S.Paulo)

Flávio de Carvalho caminha pelas ruas de São Paulo de saiote, chocando o mundo masculino em 1955/Reprodução

Ousadia: Flávio de Carvalho caminha pelas ruas de São Paulo de blusa e saiote, chocando o mundo masculino em 1955/Foto: Reprodução

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O Parque Antártica vai ser reformado para abrigar melhor a torcida palmeirense. Estive lá no último jogo oficial do campo, dias atrás, quando o velho Palestra venceu um time do Rio Grande. O Palmeiras anda meio sem brilho, agora à espera dos gols do novo avante, Kleber, e do comando do Felipe Scolari, que, dizem, está apalavrado com o clube da Rua Turiassu. Olhando um livro de fotos antigas da cidade encontrei a imagem de como era o Parque em 1904.

 

Parque Antártica em 1904

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