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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

domingo 30/05/10

Eco universal de uma cidade

A cidade de São Paulo mantém, desde sempre, as portas abertas para os de fora. É uma das suas virtudes, construída à revelia de governos e cultivada pela inexorável atração exercida sobre os "estrangeiros", sejam eles de língua portuguesa ou não. Outro dia, olhando um quadro de Lasar Segall, no qual ele se pinta um moreno brasileiro, lembrei de uma de suas cartas ao artista russo Wassily Kandinsky, com quem manteve correspondência nos anos 30. Kandinsky já era um grande pintor, morava ...

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domingo 30/05/10

O caminho das pedras (preciosas)

José Bonifácio e as pedras

Boa parte da interiorização brasileira até o século passado passou pelo caminho das pedras. E a Vila de São Paulo era um dos trilho da descoberta de ouro e outras pedras de alto valor. Quem não se lembra das minas, aqui bem pertinho, no vistoso pico do Jaraguá? Pois o morro, desenhado em 1807 por John Mawe, era só um dos pontos da mineração. A caça se espalhou por Guarulhos, Itapecerica, São Roque, Mogi e arredores. É história contada no ...

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segunda-feira 24/05/10

Despedida do Palestra, como nos velhos tempos

Último jogo no Palestra 1

 O estádio Palestra Itália, do Palmeiras, como o Pacaembu, da Prefeitura, é mais do que um local de jogos do clube. Já é um patrimônio da cidade, com mais de cem anos na história paulistana. Surgiu em 1902 como um campo de futebol, evoluiu para um estádio nas mãos do então Palestra, mudou com o mundo - e o clube - no pós-guerra, foi reformado nos anos 50 e chegou aos dias de hoje com uma das boas opções de lazer ...

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domingo 23/05/10

Uma São Paulo olhando para fora

Outro dia, procurando nas estantes de casa o exemplar de Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de Alcântara Machado, no qual pretendia reler histórias dos bairros de São Paulo, encontrei um outro livro, que me é muito caro – de um outro autor: Thiago de Mello.

Lá pelos idos de 1997, quando eu já trabalhava como repórter de O Estado de S.Paulo, assisti ao parto de um poema de Thiago de Mello durante uma viagem sobre a selva amazônica, onde ele tinha uma bela casa, desenhada por seu amigo Lúcio Costa. Thiago lá passava dias e dias em contato direto com o mundo das águas e das matas.
Trabalhando para uma reportagem sobre a seca que castigava a Amazônia, encontrei o poeta no aeroporto. Íamos no mesmo rumo. Comemorando a coincidência, fiquei vigiando. E o vi rabiscando durante o voo de Manaus a Parintins, região na qual os leitos de rios e lagos estavam à mostra, rachados pelo desarranjo climático.
No dia seguinte, acompanhado pelo fotógrafo Alberto Araújo, fui recebido pelo escritor em casa, na Freguesia do Andirá, em Barreirinha, coração do Amazonas. Aprendi com Thiago que lá moravam os índios que descobriram os sabores do guaraná, e que o velho poeta dependia de tudo aquilo para viver. Thiago via a beleza da vida na floresta, nos paranás, nos nativos e nas cores de um tucano quase domesticado que frequentava seu quintal – e se chamava Flor da Mata.
No livro Campo de Milagres, de 1998, pela Bertrand, Thiago publicou o poema Centelha Fugaz, que era a obra que ele rabiscava durante a viagem – e que vi nascer. É um olhar sobre a vida difícil de uma menina que ele conhecera bebê, e que acabara de ver na tristeza. Uma personagem brasileira, como as criaturas de Alcântara Machado.
A prosa nos conta histórias, mas sempre vi em poetas “historiadores” com o olhar mais aproximado da essência humana. Guardo a folha de papel, de meu bloquinho de anotações, que Thiago pediu para me presentear com 20 palavras, duas vírgulas, um ponto – e a assinatura. Tudo ornado com o desenho do perfil da mata amazônica, vista da varanda, no outro lado do Andirá.
 

 (texto publicado em O Estado de S.Paulo)

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domingo 23/05/10

Na literatura, pistas da mistura

Se o paulista Eduardo Prado emprestou seu jeito de viver para que o português Eça de Queiroz criasse Jacinto de Tormes, de A Cidade e as Serras, em São Paulo outro escritor, paulistano, Antônio de Alcântara Machado, foi buscar em modo de vida de "estrangeiros" o sumo para sua prosa. Alcântara é autor de saborosos textos sobre hábitos e costumes dos imigrantes nos anos 2o na pauliceia. Uma dessas encantadoras criações é o sardento Gaetaninho, da Rua Oriente, que está no ...

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terça-feira 18/05/10

Reler, relembrar, viver com prazer

Outro dia, alguém lembrou que José Mindlin dizia que reler era um prazer, melhor até do que ler. É uma verdade. Fui reler o livro "Às Margens do Sena", do grande jornalista Reali Jr. Não lembrava que Reali dava até a receita original do sanduíche mais famoso da cidade, o bauru. Aparece lá, na pág. 65, quando Reali conta que conheceu o inventor do bauru, o radialista Casimiro Pinto Neto (1914-1983). Reler é mesmo um prazer. E reler a vida de ...

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domingo 16/05/10

Anos 50: previsão de clima alterado

O trabalho de geógrafos da década de 50 sobre o clima paulistano está no livro A Cidade de São Paulo, Estudos da Geografia Urbana (1958). A obra detalha a evolução térmica na cidade. Sobre a chuva fina, diz: “a crônica paulistana do passado registrou (...) o fenômeno, responsabilizando-o pelos invernos extremamente úmidos ou associando-o à primavera, aos dias de ventos frios, que a capital paulista chegou a receber o epíteto de cidade da garoa”. Explica que “a garoa é fenômeno ...

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sábado 15/05/10

Virada em São Paulo, festa como sonhavam os poetas

 A São Paulo gigantesca, terra das oportunidades, problemática, mas moderna, conectada e requintada, não perdeu sua vocação de cidade festeira, como foi na pátria dos estudantes oitocentistas, e daí por diante. A moçada da época olhava para a Vila Imperial em busca da formação universitária, mas, diante do isolamento da época, como registraram poetas e intelectuais, criava suas próprias alternativas de divertimento. Neste final de semana a cidade está como aqueles antepassados gostariam de vê-la: em festa. O evento chamado de Virada Cultural tem uma avalanche de oportunidades ...

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terça-feira 11/05/10

SP de Debret e Castro Alves em animação de cinema na TV

Assisti, no último domingo, 9, à noite, ao filme Sete Voltas, da TV Cultura, que conta histórias de bairros de São Paulo. É uma criativa forma de falar sobre o passado da cidade. Leve, bem-humorada, a primeira parte do filme usa animação de obras importantes na memória paulistana, como telas de Debret, e outros artistas, mais fotografias de Militão de Azevedo.  O Tamanduateí de então serpenteava pela baixada na qual se construiu o que hoje é o Parque Dom Pedro 2º. Um dia, ...

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