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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

sexta-feira 26/02/10 14:00

Puxando pela memória

Sobrado da Baronesa de Tatuí ao fundo demolido em 1889

Pensar sobre o passado não é uma tarefa fácil para a vida agitada dos dias atuais, mas sempre se pode encontrar um tempinho. É prática saudável. Olhando na livraria o setor de história, encontrei edição de 2008 do Hernâni Donato Pateo do Collegio Coração de São Paulo, editado pela Loyola. E lá está a maquete do local por onde tudo começou em São Paulo. [caption id="attachment_1167" align="aligncenter" width="420" caption="Capa do livro Pateo do Collegio, Hernâni Donato/Reprodução"]Capa do livro Pateo do ...</p>								<a href=Ler post

segunda-feira 22/02/10 15:56

A vida é mais do que nitidez

Hildegard Rosenthal, autorretrato, 1940/Reprodução

Para quem gosta de história, bons personagens e fotografias de São Paulo, saiu o livro Metrópole, Hildegard Rosenthal. Publicado pelo Instituto Moreira Salles, é uma coletânea de fotos maravilhosas da fotógrafa Hildegard Rosenthal -- que morreu em 1990 --, com textos de Maria Luiza Ferreira de Oliveira e Beatriz Bracher. Nascida na Suíça, mas criada na Alemanha, Hildegard chegou a São Paulo em 1937. O livro é uma pérola da pesquisa e memória da cidade. As cenas de crianças e as imagens de artistas, como Alfredo ...

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segunda-feira 22/02/10 12:57

Cacarecos e Pernilongos

Terminado o carnaval, feitos os desfiles das escolas de samba vencedoras depois de apurados os desempenhos quesito por quesito, resta o ano, propriamente dito, pela frente. Olhando biografia de um dos personagens mais interessantes da cultura da cidade dos últimos, digamos, 50 anos, o grande Adoniran Barbosa, ou João Rubinato, para os mais íntimos, e que tem primoroso prefácio de Alberto Helena Jr., encontrei a referência a episódio do final dos anos 50 que tem a ver com esse início de 2010 -- carnavalesco e eleitoral. Há ...

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terça-feira 16/02/10 12:55

Luís Gama: olhaí, gente!

Outro dia, de madrugada, assistindo aos desfiles de carnaval de São Paulo, lembrei de Luís Gama, poeta, escritor, jornalista e rábula, que viveu na cidade na segunda metade do Século 19. É uma das principais figuras do abolicionismo paulista, militou contra a escravidão e foi parceiro de escritos de gente importante naqueles dias, como Joaquim Nabuco, Rui Barbosa.

Já falei aqui sobre esse personagem histórico da cidade, que teve trágica infância (foi vendido pelo pai) e rica superação pessoal, além de contribuição importante para a humanidade. Não me lembro de ter visto Luís Gama na avenida. Mas mesmo que já tenha sido homenageado, não seria demais fazer-lhe, como dizem os artistas, “uma releitura”.

Fica a sugestão para o próximo carnaval. E, abaixo, fragmentos do poema Meus amores, do seu Trovas Burlescas. Como lembra texto de Heitor Martins, um dos estudiosos de Luís Gama, o poema foi publicado no jornal Diabo Coxo, a 3 de setembro de 1865, e inserido nas Primeiras Trovas Burlescas a partir da terceira edição (1904)”:

Meus amores são lindos, cor da noite

Recamada de estrelas rutilantes;

Tão formosa creoula, ou Tétis negra,

Tem por olhos dois astros cintilantes.

.

Em rubentes granadas embutidas

Tem por dentes as pérolas mimosas,

Gotas de orvalho que o universo gela

Nas breves pétalas de carmínea rosa.

.

Os braços torneados que alucinam,

Quando os move perluxa com langor.

A boca é roxo lírio abrindo a medo,

Dos lábios se destila o grato olor.

.

O colo de veludo Vênus bela

Trocara pelo seu, de inveja morta;

Da cintura nos quebros há luxúria

Que a filha de Cineras não suporta.

.

A cabeça envolvida em núbia trunfa,

Os seios são dois globos a saltar;

A voz traduz lascívia que arrebata,

- E coisa de sentir, não de contar.

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domingo 14/02/10 16:55

Organizaram a festa, virou carnaval

O carnaval em São Paulo nasceu da organização de uma manifestação popular chamada entrudo, importada de Portugal, muito praticada na cidade até o fim da primeira metade do Século 19. Era mais ou menos assim: homens e mulheres iam às ruas para uma batalha de água e farinha e também bolas de cera durante três dias, no começo da Quaresma, começando num domingo. Era um hábito bem popular, comum aos escravos. Mas logo as classes mais abastadas aderiram à diversão. E começaram a ...

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sábado 13/02/10 17:29

Carnaval: é ruim, mas é bom

Uma boa noite de carnaval é quase sempre um convite a uma manhã insuportável, caso o sujeito tenha de sair da cama. Se ele seguir bem a receita da festa, como manda a cartilha, enfiar o pé na jaca e sapatear na dita cuja noite afora, pela manhã vai se encontrar na esquina da consciência com a desconciência, como diria Manoel de Barros, pedindo:  "por favor, me esqueçam". A maioria dos festeiros paga o preço -- e de bom grado. Porque grande parte confia no próprio ...

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sexta-feira 12/02/10 15:17

Milhões de pessoas no ar!

Aviões se preparam no Campo de Marte em 1927/Arquivo Público

Outro dia, quando caminhava pela manhã numa área descampada do Parque Ecológico do Tietê, próximo de Guarulhos, fiquei por algum tempo observando os aviões entrarem em rota de descida na direção do Aeroporto de Cumbica. Lá iam eles, mudos no vazio, até sumirem por trás dos prédios. Um após o outro. Gosto de aviões. Estejam eles no ar ou no chão; esteja eu dentro ou fora deles. Há anos, ao descer em Munique, achei engraçado encontrar um grupo de alemães num mirante ao lado do prédio principal do aeroporto. Eram curiosas ...

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terça-feira 09/02/10 17:16

A solidariedade ali, bem ao lado

Walterlice Maria Pereira Caffer, educadora: solidariedade nas ruas em SP

Ela chegou a São Paulo com a família, vinda de Franca, no Interior, com um ano de idade. E fez a vida na Capital. Walterlice Maria Pereira Caffer tem formação de educadora e está com 59 anos. Criou dois filhos, lecionou em colégios como Roldão Lopes de Barros, Lasar Segall, Maria Ribeiro Bueno Guimarães, escolas da Saúde e da Vila Mariana, região na qual foi morar em 1951. Hoje ela está aposentada. [caption id="attachment_974" align="aligncenter" width="420" caption="Walterlice Maria Pereira Caffer, educadora: solidariedade na rua em SP"] Ler post

sexta-feira 05/02/10 19:15

Agostini, crítica e história

É do italiano Angelo Agostini o desenho, reproduzido aqui, de dois cidadãos paulistanos remando numa canoa em plena rua alagada de São Paulo do Século 19.  Caricaturista, criador de histórias em quadrinho, Agostini usava o talento para a ironia para exercer em jornais e revistas sua crítica política -- e se divertir observando os costumes. Ele migrou para São Paulo em 1859. Foi contemporâneo de figuras importantes, como Luís Gama, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, José Maria da Silva Paranhos, que viveram aqueles tempos de agitação ...

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