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Blog da Garoa

Confira o resultado da Enquete:

Pergunta:

Já morreram 68 pessoas no Estado de São Paulo, em dois meses, por causa das chuvas. Quem você acha que é responsável pela tragédia?

  • O governo federal (2%, 2 Voto(s))

  • O governo estadual (56%, 57 Voto(s))

  • O governo municipal (5%, 5 Voto(s))

  • As próprias famílias das vítimas (9%, 9 Voto(s))

  • O excesso de chuvas (10%, 10 Voto(s))

  • Os três níveis de governo (18%, 19 Voto(s))

  • Total de Votos: 102

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As enchentes e deslizamentos de terra provocados pelas águas já mataram 68 pessoas no Estado de São Paulo em dois meses de chuvas intensas na região. Tem chovido mais do que o normal nos últimos dez anos, dizem os especialistas. E pode ainda chover forte durante fevereiro e março. Basta sair às ruas para notar que as águas da chuva não descem e que, em geral, as pessoas continuam expostas ao sofrimento causado pela ausência de um escoamento rápido. Na coluna ao lado, a Enquete quer saber quem você acha que é responsável por essa tragédia.

Já morreram 68 pessoas no Estado de São Paulo, em dois meses, por causa das chuvas. Quem você acha que é responsável pela tragédia?

Texto atualizado para correção do número oficial de mortes: são 68 e não 69 como havia sido noticiado nesta sexta-feira.


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25.janeiro.2010 19:46:08

A beleza nos vitrais

Diversas construções públicas, igrejas, residências e outros monumentos de São Paulo conservam relíquias de um artesão alemão que migrou para a cidade na década de 1870 em busca de alívio para suas dores reumáticas. Esse alemão, do norte, era Conrado Sorgenicht. Ele fundou em São Paulo a Casa Conrado, em 1889, especializada em vitrais.

Conrado, que morreu em 1901, trabalhou c0m artistas como Benedito Calixto, espalhando a beleza da arte em vidro em painéis por prédios de São Paulo no final do Século 19. Os mais conhecidos são os da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, do Mercado Municipal, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da FAAP, de Igrejas como a da Nossa Senhora da Consolação, da Sé e até uma em Caraguatatuba.

Os descendentes de Conrado prosseguiram com o negócio por muito tempo e sua obra não ficou, obviamente, restrita a São Paulo. A qualidade dos vitrais da Casa Conrado varou o país e pode ser encontrada em outros estados, como Rio, Minas, Espírito Santo.

Andando pelo Mosteiro de São Bento, aberto para visitação na manhã deste 25 de Janeiro, aniversário da capital paulista, encontrei a assinatura “Casa Conrado” também nos belos vitrais que adornam boa parte das laterais da Capela do Colégio. São peças maravilhosas. Há painéis planos, ondulados. Há pequenos quadros em baixo relevo, entre estruturas de metal fundido já desgastado pelo tempo. E pequenas janelas, que necessitam de cuidados. Mas todos conservam uma beleza cativante.

Vitrais da Capela do Mosteiro de São Bento

Vitrais da Capela do Mosteiro de São Bento

 

Vitral amarelo 111

Detalhe de vitral na Capela de São Bento

 

Vitral vinhas222

Afresco em parede da Capela de São Bento

A história dos vitrais no Brasil tem bom documento preparado pela pesquisadora Regina Lara Silveira Mello, pela Unicamp, Casa Conrado, cem anos do vitral brasileiro. Ela conta detalhes de como Conrado veio parar em São Paulo e relaciona vários locais nos quais se pode apreciar a arte daquele pioneiro paulistano-alemão.

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25.janeiro.2010 15:33:07

Portas abertas no Mosteiro

As portas do Mosteiro de São Bento, fundado em 1598, foram abertas nesta segunda-feira, 25, pela manhã para a visitação da exposição dos artistas Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti. Por volta de 10h, no portão de acesso à Faculdade São Bento, próxima do Viaduto Santa Efigênia, a fila tinha cerca de 200 pessoas. Entravam somente pequenos grupos. A demora criou uma fila de mais de uma hora do lado de fora. Dentro, as pessoas se aglomeraram pelos corredores desde o térreo até o segundo andar, onde fica a capela que teve parte do seu interior restaurada.

Fila na frente do Mosteiro de São Bento, Centro de SP

Fila na frente do Mosteiro de São Bento, Centro de SP

Várias salas do térreo, os parlatórios, e do primeiro andar foram preparadas para as telas e esculturas dos três artistas. Há belos painéis em ambientes com boa iluminação natural. A exposição de artes é um bom programa.

Mas a abertura de dependências até hoje fechadas ao público externo também proporciona um bom passeio. Uma das salas mais procuradas é aquela na qual o Papa Bento despachou durante visita a São Paulo. Lá está a cadeira na qual o líder máximo da Igreja sentou-se e outros móveis usados na recepção de autoridades. É a única sala na qual é proibido fotografar.

O acesso à clausura, logo no térreo, permanece vedado. Mas dos corredores do primeiro andar é possível ter-se uma visão parcial da área restrita dos religiosos. E dos corredores mais ao fundo, já no colégio, pode-se ver também o jardim.

 Não é um programa muito fácil para pessoas idosas porque o acesso aos dois andares superiores é feito pelas escadarias. Mas antes do meio-dia desta segunda-feira havia muitos visitantes da terceira idade na expectativa do que veriam nos andares de cima do Mosteiro (veja localização). Além das obras, a recompensa, certamente, os aguardava na capela restaurada, com seus belos vitrais, um altar diferente e o belo e intrigante teto do salão.

Capela do Colégio do Mosteiro de São Bento

Capela do Colégio do Mosteiro de São Bento

Vitrais da Capela do Colégio, painéis em alto e baixo relevos

Vitrais da Capela do Colégio, painéis em alto e baixo relevos

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24.janeiro.2010 18:58:45

Janeiro diferente

A cidade de São Paulo faz aniversário, 456 anos, em um janeiro chuvoso e, por isso, bastante revelador dos enormes desafios existentes para a construção do conforto dos quase 11 milhões de habitantes. Outros janeiros comemorativos se foram e neles os assuntos mais dramáticos eram os pedágios lotados, seus preços, engarrafamentos e os números de acidentes nas estradas. Hoje, não. A agenda trata das águas e de seus estragos por aqui mesmo.

grafico_populacao 333

Quem gosta da cidade e nela encontra muitos encantos, lamenta. Certamente são reflexos de um passado pujante, que ajudou em muito a formar a aura de cidade dos sonhos de milhões. Olhando-se a evolução da população, pode-se ver a linha do gráfico ameaçando pular fora do quadro numa explosão impressionante.

 Nos anos 1860, 30 mil pessoas viviam em SP. Com o fim da escravidão e a chegada dos imigrantes, foi a 130 mil (no começo da República). A cidade demorou 350 anos para chegar aos 240 mil habitantes (em 1900). E, em um século, saltou para os quase 11 milhões atuais.

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A cidade de São Paulo completa nesta segunda-feira, dia 25, seus 456 anos. Tinha ela ainda cerca de 30 mil habitantes, em 1862, quando por aqui chegou para tentar a vida um dos principais personagens da história dos seus registros: Militão Augusto de Azevedo.

Militão veio do Rio. Viveu entre 1837 e 1905. E deixou uma coleção maravilhosa de fotografias de São Paulo. É, reconhecidamente, pelos livros que cuidam da memória paulistana, um dos grandes responsáveis pelo que se conhece do passado da cidadezinha que ainda não havia desabrochado, mas que já começava a atrair levas e levas de migrantes. Há belas obras literárias e iconográficas dedicadas a Militão, como na Iconografia Paulistana, da Capivara.

 Houve, sem dúvida, à época, outros dedicados amantes da fotografia que gravaram imagens também importantes, como Marc Ferrez, Guilherme Gaensly. Alguns lembrados, por exemplo, em estudo de Boris Kossoy, para o livro A História de São Paulo, a cidade no Império, 1823 a 1889.

Assim como os pintores que perpetuaram a cidade, alguns já lembrados aqui, que fixaram paisagens, tipos, arquitetura e comportamentos e nos permitem hoje apreciar como eram os ancestrais de São Paulo.

Mas Militão tem capítulo especial. Ele viveu de sua produção de fotos, retratou o casario, é um marco. E deixou um documento importante para a cidade. Então, para lembrar de como tudo começou, nesta véspera da efeméride maior da cidade, nada melhor do que uma olhadinha em fotos. No caso, na foto do fotógrafo:

Militão Augusto de Azevedo, retratado por Valério Vieira (Reprodução)

Militão de Azevedo, retratado por Valério Vieira (Reprodução)

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A tragédia das águas em São Paulo e arredores vem de longa data. Os moradores da cidade e de sua região metropolitana parecem condenados para sempre à ineficiência da administração pública. E não dá nem para dizer que quem está no governo, seja ele local, estadual ou federal, e que tem o poder de manejar os orçamentos, é gente que nunca viu água suja na altura do peito dentro de casa e que, portanto, nada fará mesmo porque não conhece de perto o cheiro da urina dos ratos e nunca ouviu de madrugada os estalos do barranco forçando a parede dos fundos.

Outro dia, depois de assistir o filme de Fábio Barreto sobre a vida do presidente Lula, no “Lula, o filho do Brasil”, lançado no começo do mês, voltei ao livro de Denise Paraná para relembrar histórias da saga da família em São Paulo.

Há lá relatos que parecem muito com esses que hoje afligem tanta gente na periferia da metrópole: o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teve a casa da família alagada quando era jovem, junto com seus irmãos e a mãe, dona Lindu. Há no filme de Barreto uma cena que retrata isso. E nos depoimentos do livro de Denise há muito mais detalhes.

Mas parece que não adianta mesmo. Nem com um presidente da República que já acordou à noite com a água pelo pescoço essa barbaridade se resolve. Vai continuar mesmo morrendo gente.

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Cidade incomodada com trânsito, assustada com os desabamentos matando mais gente, só desta vez pelo menos 5 pessoas mortas por soterramentos na região metropolitana, outro tanto desaparecido logo cedo da manhã após uma chuva fortíssima na madrugada, uma situação muito difícil. São Paulo sempre conviveu com as enchentes, desde os tempos de vila colonial, com as águas do Tamanduateí e outros córregos sendo retratadas nas belas telas de Benedito Calixto, de 1892, ou pelas fotos de 1958, na Rua da Cantareira ou, ainda, no que ficou conhecido como “Piscina” do Adhemar.

Cena da Inundação na Várzea do Carmo, de Benedito Calixto

Reprodução: Inundação na Várzea do Carmo (Benedito Calixto)

Enchente de 1958: Piscina do Adhemar, no Anhangabaú

Piscina do Adhemar, no Anhangabaú, em 1958 (Reprodução)

Mas de uns anos para cá a situação ficou muito pior. O volume de pessoas atingidas e a gravidade dos efeitos das águas, que requisitam espaço para se espraiar, foram multiplicados quando mais e mais pessoas se aproximaram de suas áreas de domínio. Obviamente que faltou planejamento e o poder público fracassou. Não só não conseguiu evitar que a população ocupasse as beiradas perigosas de morros como não consegue oferecer solução de engenharia para acomodar no seio da terra a água caída do céu.

Há muito tempo que o rio não é do rio. Pelo mundo, a engenharia doma as águas.

Lamentavelmente São Paulo já está acostumada com as desculpas dos administradores públicos, que se sucedem na cadeira do poder sem apresentar soluções para o problema. Toda vez é uma discurseira sobre as bombas de túneis que não funcionaram, que estão vindo não se sabe bem de onde e indo também não se sabe bem para qual cruzamento submerso. É a mesma ladainha. Uma ladainha cantada, cada vez mais, sobre cadáveres. E sobre milhões de contribuintes que têm o dia corrompido pela ineficiência do serviço público.

E o cidadão morga horas no trânsito ou anda a pé por quilômetros e perde o dia de trabalho. Os hospitais sofrem, as empresas perdem, as abóboras bóiam no Ceagesp e a cidade para para ver descer a água e surgir o barro, a sujeira, o caos. E, vejam, ainda estamos em janeiro, aliás, na semana dos 456 anos da cidade, que se completam no dia 25.

E a temporada das águas de março ainda nem começou.

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Quem é rato de museu, como este Garoa, que se diverte ao andar por acervos, arquivos e coleções em busca do passado, não pode deixar de conhecer o acervo digital do Arquivo Público do Estado de São Paulo, cujo endereço virtual está na Lista de Links aí ao lado. É uma jóia, renovada, que tem 250 mil páginas de documentos para consulta. 

Viaje no tempo navegando entre milhares de documentos importantíssimos para a memória brasileira e informações de fonte primária que ajudam a levar luz sobre a formação do jeito paulista de viver. É possível encontrar, por exemplo, dados sobre a população de São Paulo em 1765 nos originais da Lista da gente de São Paulo. O documento digitalizado pode facilitar a consulta sem os eventuais danos da manipulação de um objeto centenário, frágil, que precisa ser preservado. Um prato cheio.

Primeira página de censo de 1765 em São Paulo

Primeira página de censo de 1765 em São Paulo

Disponível também no Arquivo Público na web está ofício, de 1841, com relação de negros escravizados com seus nomes e respectivas marcas. Na coluna ao lado, o local do corpo das pessoas no qual podiam ser encontradas as marcas de seus proprietários, feitas com ferro em brasa.

Documento de 1841 com lista de negros e suas marcas

Documento de 1841 com lista de africanos e suas marcas

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Uma das variáveis que podem servir para medir a qualidade de vida em São Paulo é o trânsito. Enquete não é pesquisa, mas pode dar uma ideia do impacto desse incômodo para os paulistanos. Veja: dos 110 amigos do Garoa que até hoje aceitaram participar de uma enquete sobre o tema, 83 perdem uma hora ou mais de seu precioso tempo todos os dias no trânsito da capital. E 39 (35%) deles declara que perde mais do que duas horas do dia.

Veja a pergunta e as alternativas de respostas:

Faça as contas: quanto tempo do seu dia você perde no trânsito em São Paulo?

  • sim, meia hora (8%, 9 Voto(s))
  • sim, uma hora (15%, 16 Voto(s))
  • sim, duas horas (25%, 28 Voto(s))
  • sim, + de duas horas (35%, 39 Voto(s))
  • não, não perco tempo no trânsito (17%, 18 Voto(s))
  • Total de Votos: 110
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     Atualização do post às 11h51 de 19/01.

    Menos de 24 horas após o post acima, o número de votos na Enquete do Garoa dobrou, mas não há mudanças relevantes no quadro anterior de respostas. O resultado até este momento:

    Faça as contas: quanto tempo do seu dia você perde no trânsito em São Paulo?

  • sim, meia hora (7%, 16 Voto(s))
  • sim, uma hora (15%, 36 Voto(s))
  • sim, duas horas (24%, 56 Voto(s))
  • sim, + de duas horas (41%, 97 Voto(s))
  • não, não perco tempo no trânsito (13%, 32 Voto(s))
  • Total de Votos: 237
  • Veja a evolução da votação ao lado.

    Paulistanos e a cidade, segundo o Ibope

    Na pesquisa do Ibope sobre satisfação dos paulistanos com a cidade, feita para o Movimento Nossa São Paulo e divulgada hoje, mostrada na reportagem de Gabriel Vituri e Renato Machado, a tela sobre o trânsito joga luz sobre pontos discutidos por leitores aqui:

    Tela com dados sobre satisfação no trânsito/Ibope
    Reprodução de tela da pesquisa do Ibope: percepção negativa

     

    Post atualizado às 12h50.

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