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Quem Faz

PABLO PEREIRA. Formado pela PUC-RS em 1986, é jornalista do Estadão desde 2007. Foi Editor Executivo de O Estado de S.Paulo, do Jornal da Tarde e do estadão.com.br. Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), é repórter especial.

segunda-feira 27/12/10

É preciso saber viver, ensina o Rei

Um amigo que veio morar em São Paulo há muitos anos costumava brincar, quando elogiávamos a cidade em rodas de bar, que não se podia fazer isso diante dos paulistanos da gema – para não lhes dar o gostinho da glória. Na presença deles, nos divertíamos reclamando do trânsito e do antigo hábito de gastar a manhã de domingo lavando o carro na frente da garagem. Mas era só o nativo cair fora, São Paulo virava o que realmente é, uma ...

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terça-feira 21/12/10

Uma São Paulo olhando para fora – 2

Manuscrito de Thiago de Mello

As dores do parto começaram a atormentar o poeta e ele sentou-se, solitário, à janela do pequeno avião. Voava sobre a selva amazônica. Eu, quieto, dois bancos atrás, no corredor – só voo se for no corredor –, vi as contrações agitarem as entranhas do artista. Vi o silêncio expulsar daquele interior fervente as palavras que deram forma a um ser poético que se chama Centelha Fugaz.

A bordo de um jatinho, eu vi nascer um poema! O ...

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quarta-feira 15/12/10

Nós e os outros

Em férias no ano passado, caminhava eu, já de madrugada, por uma avenida famosa de Nova York quando cruzei na calçada com um cidadão que calmamente acompanhava seu cão naquele necessário passeio noturno de bicho de apartamentos. A 5ª Avenida é conhecida pelo seu requinte, pela agitação comercial. Mas àquela hora estava tranquila. Caminhávamos por ela como quem passeia num parque à luz do dia. E o homem ali, com seu prosaico compromisso de amizade. Lá, como cá, os cães precisam descer para ...

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domingo 12/12/10

Manias pela Angélica acima

Cada qual com sua mania, o gosto, não se discute. A frase do poeta, cantada em português pelo espanhol Juan Manuel Serrat, em disco antigo, me veio à cabeça outro dia ao subir a Avenida Angélica, cortando o bairro de Higienópolis de Santa Cecília à Consolação. Lembrei de Serrat porque como um antigo observador da cidade, Paulo Cursino de Moura, carrego o hábito (ou mania) de tentar saber o por quê do nome das ruas.

Pois, subindo a Angélica, com a minha mania, lembrei que por ali viveu a fazendeira Maria Angélica de Souza Queiroz Aguiar Barros (1842-1922), uma brava matriarca de família cafeeira, que empresta também nome a outra via do bairro, a Alameda Barros. O casarão da família ficava exatamente na esquina das duas vias. Dona Maria Angélica, que também tinha fazenda em Descalvado (SP), foi dona de chácara de 25 alqueires na subida da colina dos bons ares - morro que há um século foi consagrado a Higeia, a deusa grega da saúde e da limpeza.

Foi de dona Angélica, que por ali deu ordens por muitos anos, a curiosa e ousada iniciativa de importar vacas holandesas para ter leite em abundância em São Paulo. De maneira que, por muitos anos, houve gado leiteiro vagando pelo pasto do lugar onde hoje há o agitado Higienópolis, com seu recente e requintado shopping center, restaurantes de boa mesa e grandes e elegantes apartamentos. Naqueles tempos, a propriedade de dona Angélica se chamava Chácara das Palmeiras – daí também vem a conhecida “Rua das Palmeiras”, que margeia o famigerado Minhocão.

Mas, voltando à Angélica: até 1907, a avenida se chamava Rua Itatiaia, como nos conta o cronista Paulo Cursino de Moura (1897-1943) em suas “Evocações da Metrópole” (1932). Ao escrever sobre o bairro, Cursino se desmancha em elogios à matriarca. Ele a conheceu andando em “trecho da Alameda Barros”. Ao terminar sua crônica, Cursino faz uma ode às mães paulistanas e diz que “Porisso (sic), evocar, quando diante de nós uma placa azul escreve um nome que é um símbolo, é tocar no que a alma tem de mais sublime.”

Quando aborda o assunto em seu “Os palacetes paulistanos”, a historiadora Maria Cecília Naclério Homem também lembra que dona Angélica teve outras atitudes – manias, digo eu – pouco comuns para a sua época: loteou as terras da chácara e começou a vendê-las na contramão do usual. Levava o terreno quem desse a menor oferta, explica a autora, que acaba de publicar sua segunda edição (Martins Fontes, 2010) de estudo sobre “outras formas urbanas de morar da elite cafeeira”, ilustrada com fotos e plantas de palacetes, cenas de famílias, imagens de interiores e objetos, e mapas da cidade antiga.

Mas a angelical velhinha vestida toda de preto, de cabelos brancos e doce olhar, que Cursino encontrou na rua em domingo ensolarado e que a historiadora retrata como mantenedora de ampla família e benfeitora de entidades assistenciais, não era moleza – tinha lá seu jeito. “Autoritária e dona de princípios morais e religiosos muito rígidos, existia dificuldade no relacionamento entre mãe e filhos, bem como com os criados domésticos, os quais frequentemente ela confundia com escravos”, relata a autora.

 Bem, cada um é cada qual, disse o poeta espanhol. Ainda hoje há quem assim se comporte. E não se pode olvidar que se tratava de tempos anteriores à aparição de Fátima.

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segunda-feira 06/12/10

Sabadão, quase meia-noite, Avenida Paulista em festa

Eram 23h35 de sábado, 4, e a Avenida Paulista estava parada pelo excesso de carros, nos dois sentidos. Parecia pico de trânsito das 6 da tarde. Mas como àquele dia e àquela hora o paulistano não precisava ser tão escravo do relógio, o clima era de passeio. Os sons não eram de buzinas, mas de músicas natalinas.  Diante do Masp, o Trianon à noite tem estado diferente. As árvores estão enfeitadas até os galhos por luzes coloridas. E criam uma atmosfera de festa que ...

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quarta-feira 24/11/10

Luzes natalinas ainda em novembro

Luzes de Natal na Avenida Sumaré/Foto: Pablo Pereira

[caption id="attachment_2737" align="aligncenter" width="450" caption="Luzes de Natal na Avenida Sumaré/Foto: Pablo Pereira"][/caption] As luzes de Natal começam a se acender pela cidade. Noite passada foram as árvores do canteiro central da Av.Sumaré. Na Paulista, enfeites já estão sendo montados. Na Praça Mário Covas, esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo, já tem até o Papai Noel e suas renas.

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quarta-feira 27/10/10

Informação, liberdade, Memorial e livros

Está marcada para esta quinta-feira, 28, 19h30, na Livraria Cultura do shopping Bourbon (Rua Turiaçu), a sessão de lançamento de dois livros, editados pela Fundação Memorial da América Latina, que tratam de temas caros a São Paulo. O primeiro conta a história do "Memorial da América Latina - 21 anos". O outro, Liberdade de Expressão, é reunião de artigos sobre o ambiente da informação na América Latina. Um dos textos organizados por Cremilda Medina é o do jornalista José Maria Mayrink, ...

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terça-feira 26/10/10

A árvore, a omissão e a ameaça

Árvore na esquina das ruas Pamplona e Alameda Jaú, Jardins

Ela é enorme e está inclinada sobre a rua. Na calçada, suas raízes já desarrumaram o concreto. A árvore que dá sombra ao trânsito de carros e pedestres a duas quadras da Avenida Paulista, obviamente, não merece morrer. Mas, se ninguém ajudar, a próxima temporada de chuvas na cidade pode lhe ser fatal. Pior: a omissão de muitos anos com seu crescimento na esquina da Pamplona com a Jaú a transforma em uma ameaça às pessoas. Coitada. .
[caption id="attachment_2613" align="aligncenter" width="450" caption="Árvore ...

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sexta-feira 22/10/10

Novo livro conta história da formação paulista

Após sete anos de gestação, sai da oficina, em São Paulo, livro que mostra o jeito paulista de ser. Não do paulista da Capital, somente. Autores mostram o ambiente geográfico que formou o paulista para além da metrópole. História do Estado de São Paulo: A Formação da Unidade Paulista será apresentado neste sábado, 23, na Estação Pinacoteca. Editado pela Unesp, Arquivo Público do Estado e Imprensa Oficial, livro tem três volumes e aborda quatro temas principais: economia, sociedade, política e cultura.

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