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Blog da Garoa

25.dezembro.2009 09:03:33

Natal

Depois de tudo, das luzes coloridas, da missa do galo, da louca que derrubou o Papa, das coxas de peru, da maçã no creme vermelho, das frutas, das castanhas, dos telefonemas, do Feliz Natal, dos presentes, e da briga na família do prédio vizinho, às 4h20, o silêncio.

São Paulo, na manhã fresquinha de 25, parece curtir tranquilamente a data cristã. No passeio cotidiano das 6h30, Bob Schnauzer não encontrou nem o simpático poodle branquinho que sempre observa quieto a sua passagem. Nenhum carro. Ninguém. Só os sabiás, beliscando aqui e ali pelos jardins.

Mas daqui a pouco a cidade acorda!

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23.dezembro.2009 10:44:47

Almoço, às 9h; jantar, às 14h

São Paulo mudou muito, costumam dizer saudosos paulistanos. Têm razão. Outro dia, lendo sobre a gastronomia na cidade encontrei no trabalho de Alzira Lobo de Arruda Campos uma curiosa descrição do que eram os prazeres da mesa na virada do Século 20. Por lá já se comia, em datas festivas, o peru recheado e o leitão, que estão presentes em muitas ceias atualmente. Eram comuns também as empadas e os doces caseiros, como o doce de batatas ou de figo e o maravilhoso arroz de leite.

Mas o que mudou radicalmente, observando-se o relato da historiadora, foi o horário das refeições. “O almoço, às nove horas; o jantar, às duas. Às vinte horas, já noite, era servido chá com torradas, biscoitos e pão-de-ló”, conta Alzira. Existiam, mas eram raras, as famílias que faziam em casa à noite as “ceias de garfo”. No dia a dia, as famílias paulistanas de cem anos atrás tinham, em geral, cardápio com arroz, feijão, sopa, e carnes ensopadas – galinha, porco, carneiro ou vaca. E, nos finais de semana, grupos de amigos e famílias podiam, “por dez tostões por cabeça”, entrar nas chácaras dos arredores em busca de pitanga e gabiroba ou para “chupar jabuticaba no pé”.

Uma outra maravilha, relembrada pela escritora, era o hábito de caçar tanajuras para fritar. Ainda hoje é costume em comunidades do interior paulista. Outro dia vi isso acontecendo no Bosque da Princesa, um parque de Pindamonhangaba. As formigas, coitadas, apanhadas em pleno voo, vão direto para a frigideira. Viram tira-gosto, como em São Paulo na virada do século. “Saúvas-fêmeas torradas, vendidas em tabuleiro e consumidas às escondidas pela elite, pois era considerado um hábito de ‘bugre’, indigno com a civilidade dos novos tempos”, escreve Alzira. O texto dela também é uma delícia.

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Independência ou Morte, por Pedro Américo em 1888

"Independência ou Morte", por Pedro Américo, em 1888

Vista do Ipiranga, lugar onde foi proclamada a Independência do Brasil (em São Paulo, por Miguel Dutra, 1847)

"Vista do Ipiranga, lugar onde foi proclamada a Independência do Brasil (em São Paulo)", por Miguel Dutra, 1847

Vista de Peranza, lugar onde o atual imperador Dom Pedro ou o então príncipe regente declarou a Independência do Brasil, por Edmund Pink, 1823

"Vista de Peranza (sic), lugar onde o atual imperador Dom Pedro ou o então príncipe regente declarou a Independência do Brasil", por Edmund Pink, 1823

Essas três maravilhas, o óleo de Pedro Américo,  e as duas aquarelas, a de Miguel Dutra, e a de Edmund Pink, formam um conjunto de imagens que toda criança brasileira deveria conhecer muito bem. Não só pela beleza das obras, mas pelo que elas, em conjunto, representam.

A mais antiga, de Pink, foi pintada um ano após a independência ser gritada no Ipiranga. É do acervo de artes da Bovespa.

A segunda, de Dutra,  criada 24 anos mais tarde, em 1847, já mostra o marco comemorativo. E é do acervo do Museu Republicano de Itu, da USP.

E a mais conhecida, de Pedro Américo, do acervo do Museu Paulista, USP, riquíssima em detalhes e movimento, pintada em 1888, já no ocaso da monarquia, dá o tom épico ao famoso grito de D. Pedro 1º.

Podem ser apreciadas nos respectivos acervos, mas suas reproduções podem também ser admiradas no livro de Pedro Corrêa do Lago, Iconografia Paulistana do Século 19, editado pela Capivara, que comprei na livraria do Arquivo do Estado.

São três visões do mesmo cenário paulistano, no Ipiranga, construídas por observadores dotados de grande talento descritivo em momentos diferentes da vida brasileira.


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Outro dia, uma amiga do Garoa perguntou-me quando leria aqui algo sobre o bairro dela, Aclimação, belo lugar para se morar em São Paulo. Fui dar uma olhada nos escritos antigos para aprender sobre o assunto e encontrei coisas muito interessantes, outras chocantes.

Já sabia que o agradável bairro paulistano, que tem um belo parque com lago – que ultimamente anda fugidiço –fora uma das chácaras antigas nos arredores da São Paulo colonial.

Sabia também que ali foi construído um zoológico. E que abrigou um parque de exposições de animais, semelhante ao atual Parque da Água Branca, na região da Barra Funda. Foi criado à francesa. Aclimação foi área de aclimatação de animais.

O nome, claro, não escapou de uma prática que é própria da terra, uma encolhidinha de sílabas, e Aclimatação virou Aclimação.

Pois na aprazível Aclimação funcionou, no Século 19, também uma prática nada nobre, mas que fez escola — até os dias de hoje: os espancamentos de gente considerada fora da linha. Ou seja, tortura mesmo. Como aquelas largamente usadas nos porões dos governos militares ou como técnica de investigação em muita delegacia de polícia.

No caso da Aclimação, as vítimas descadeiradas a pau eram 0s negros escravizados. Era tanta brutalidade que, como lembra Levino Ponciano em seu São Paulo 450 anos, 450 bairros, o lugar era conhecido como Chácara Quebra-bunda.

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21.dezembro.2009 14:37:40

Inversão familiar

Comer bem e a qualquer hora é um dos prazeres que São Paulo oferece. E é daqueles que mais atraem gente de fora — e também muita gente daqui mesmo que odeia lavar a louça. Conheço gente que vem do interior distante passar o final de semana na cidade somente para curtir a gastronomia. Um amigo, que mantém os filhos na capital para estudar, costuma inverter os papéis na família. Em vez de esperar os filhos em casa no sábado e domingo para o reencontro à mesa em sua cidade tranquila, toca-se na sexta-feira à noite Marginal a dentro para aproveitar-se de algumas maravilhas que tem descoberto aqui e ali em São Paulo. E por aqui fica até a tarde de domingo, quando pega a estrada no rumo contrário do trânsito pesado. Numa boa. Neste feriado de Natal, quando milhares de carros estiverem querendo sair ao mesmo tempo da cidade, ele estará na pista livre do outro sentido, chegando.

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20.dezembro.2009 21:52:13

Viva a república!

São Paulo é um termômetro brasileiro. A grande metrópole dá as tintas na economia, dita o tamanho dos estoques e do consumo, mexe nas linhas do gráfico do PIB, não pode ficar de fora de nenhum cálculo sério sobre o rumo político nacional — e chama a atenção do país até nos dias de enchente. Os números são gigantes. Conta-se gente aos milhões, orçamentos aos bilhões, ruas aos milhares, restaurantes idem, espetáculos em cartaz às centenas, favelas também – e, às dezenas, os mortos pela violência diária.

Em São Paulo, como em muitos outros grandes centros urbanos, convivem os extremos da alegria e esperança com tristeza e desamparo. O problema é que na metrópole esses extremos ocorrem em larga escala. E, neste aspecto, a cidade – aqui peço licença a Claudia Belfort, do Sinapses – revela um comportamento bipolar.

Já me referi no Garoa ao fato de que há muita gente que enxerga a dureza dessas chagas que a sociedade ainda não curou, a despeito da discurseira e de alardeados programas sociais bem-intencionados, mas mal executados pelos poderes públicos.

Nestes dias de balanços e retrospectivas, certamente essa parte “vetusta”, como dizia o Barão do Rio Branco ao se referir a São Paulo colonial, há que ficar no horizonte, para nos lembrar da vida lá fora. Mas é preciso celebrar o alto-astral paulistano — igualmente festejado pelo Barão. Em discurso a estudantes, quando já era um influente líder do Itamarati, disse ele: “Revejo a cidade em que tive a fortuna de passar alguns dos melhores anos de minha vida”.

O Barão cursou, como Rui Barbosa, embora em ano diferente, a hoje centenária escola de Direito do Largo São Francisco. E viveu em repúblicas de estudantes. Dessas que hoje, 150 anos depois, ainda alegram a cidade, sustentadas na oferta de milhares de vagas universitárias, muitas delas em escolas de primeira, outras nem tanto.

No prédio onde moro há uma república. Animadíssima. Alguns síndicos e moradores conservam uma visão, digamos, jesuítica, quando reclamam das seculares habitações juvenis.

Alvaro Lins, na biografia do homem que há um século traçou o mapa nacional como é hoje, lembra que, em 1862, o então jovem Juca Paranhos, filho do senador José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, chegou a São Paulo como um dos 135 calouros do ano. Contando a vida do Barão, Lins revela um pedaço da vila colonial e lembra que já naqueles dias veteranos aplicavam trotes nos novatos. Mas as brincadeiras eram bem diferentes das de hoje. Ao chegarem, lembra o biógrafo do Barão, Rio Branco e seus colegas tiveram de recitar versinhos.

“Juro e prometo

Por esta zorra

Que hei de ser burro

Até que morra…”

A primeira república estudantil na qual morou o Barão foi na Rua Riachuelo. Depois, mudou-se para uma outra, numa esquina, que ficava na região da Sé: no Beco dos Cornos.

Como também dizia Emílio Zaluar, citado por Lins, São Paulo depende do viço cultivado na academia. “Tirem a academia de São Paulo e esse grande centro morrerá inanimado”, pregava Zaluar. Se, naquela época, Zaluar dizia que a vila era “triste, monótona e desanimada” e que precisava da estudantada para agitar o pedaço nos teatros e festivais, o gigantismo e a busca pela necessária excelência dos dias atuais tornaram a presença festiva da moçada ainda mais indispensável.

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16.dezembro.2009 13:40:23

O antigo e o moderno

Reportagem de Rejane Lima, de Santos, publicada hoje no Estado, sobre linha de bonde ampliada no centro histórico da cidade, é bem legal. Excelente iniciativa de Santos. Lembrei de viagem recente à bela e moderna San Francisco, na Califórnia, onde, óbvio, fui passear no bondinho pelas charmosas ladeiras. Pois São Paulo, sabemos, foi servida por muitos bondes, que infelizmente não existem mais. Bondes elétricos ajudariam no transporte público de determinadas áreas e devolveriam aconchego à cidade, hoje dominada pelos ônibus. E nem precisa ser como era em 1895.

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro, em 1895

Bonde movido a burros na Rua 15 de Novembro/Reprodução

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16.dezembro.2009 12:13:23

Coisas de dezembro

Outro dia, relembrando informações sobre a Alameda Casa Branca, palco de episódio importante na história política da cidade, em 1969, estive no Arquivo do Estado, na Avenida Cruzeiro do Sul, para onde foram levados documentos daquele período tenebroso. O prédio está em reformas, mas numa sala do térreo funciona uma livraria. Lá encontrei um exemplar do livro São Paulo, 1860 – 1960, A Paisagem Humana (Editora Terceiro Nome e Albatroz Editora), rico em informações e imagens da cidade.  Para quem curte aqui no Garoa essas viagens ao passado da metrópole, e ainda não tem o livro,  dois presentes de dezembro, uma foto e um texto:

Natal de 1953 na Praça Ramos de Azevedo, São Paulo/Reprodução

Natal de 1953 na Praça Ramos de Azevedo, São Paulo/Reprodução

E trecho de texto de Oswald de Andrade, de 1954:

“Havíamos dobrado a esquina de um século. Estávamos em 1900. Eu tinha dez anos, e morava, como disse, no alto da Ladeira de Santo Antônio. Lembro-me que esperei acordado a entrada do ano e do século, acreditando que, à meia-noite, qualquer coisa como um sinal metafísico se descobrisse no céu, pelo menos a data de 1900. Mas nada vi e fiquei cabeceando de sono, entre mamãe e as comadres.”

 

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15.dezembro.2009 12:25:17

São Paulo é boa para viver

Agradeço aos 375 amigos do Garoa que aceitaram participar da Enquete sobre a vida em São Paulo, disponível para votação de 30 de novembro até hoje, dia 15. Vejam abaixo a pergunta e o resultado:

Você acha São Paulo uma cidade boa para viver?

  • Sim (56%, 210 Voto(s))
  • Não (44%, 165 Voto(s))
  • Total de Votos: 375
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    11.dezembro.2009 14:50:46

    Uma rua e seu marco

    As ruas de uma cidade costumam revelar partes da história de um povo. Em muitos casos extrapolam os acontecimentos ali vividos e se transformam em ícones de um tempo. Outro dia, andando a pé pelos Jardins, passei por um ponto de São Paulo que há 40 anos é muito comentado: duas quadras da Alameda Casa Branca, distantes algumas centenas de metros do Parque Trianon e do Masp. O local, que nos anos 60 passava por forte alteração na paisagem, com a construção de vários prédios no lugar do casario de sobradinhos, foi palco de um fato que mudou a vida política brasileira: a morte do militante comunista Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN).

    O cerco policial a Marighella ocorreu entre a Alameda Lorena e a Rua José Maria Lisboa, tendo no meio a pequena Tatuí. Recentemente uma polêmica envolveu o bairro quando se decidiu colocar ali um marco do acontecimento. Há hoje na calçada, à sombra de uma pequena árvore, uma discreta lembrança, que exige esforço do observador para descobrir do que se trata.

    Marco de homenagem a Carlos Marighella na Al. Casa Branca

    Marco de homenagem a Carlos Marighella na Al. Casa Branca

     De qualquer forma, a Casa Branca, local escolhido pelo líder esquerdista para um encontro com frades dominicanos e no qual caiu numa armadilha policial, ainda vai continuar a atrair a curiosidade cada vez que alguém comentar a história política brasileira.

    Os fatos que ali se desenrolaram foram tão relevantes para o país que muitos historiadores já se debruçaram longamente sobre aqueles rápidos minutos da noite do dia 4 de novembro de 1969 em busca dos detalhes e de cada momento da operação. Há outros pesquisadores estudando as minúcias da ação policial que colocou fim na trajetória de um dos principais líderes da esquerda radical brasileira.

     O ex-integrante do antigo PCB tinha rachado com a direção do partido, criado a ALN e, após uma viagem a Cuba, se decidido pelo caminho da luta armada pelo poder no Brasil, batendo de frente com os militares que governavam com mão-de-ferro. Naqueles dias, o principal ato de força da ditadura, o AI-5, não tinha ainda um ano — o aniversário da escuridão, aliás, é domingo, dia 13.

    Num dos seus livros sobre o período, A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari trata do caso da Casa Branca e compara o episódio Marighella a outras duas mortes históricas: a de Getúlio Vargas, no Rio, em agosto de 1954, e a de Tancredo Neves, em abril de 1985, em São Paulo.

    Dizem também documentos do Arquivo do Estado de São Paulo, localizado na Avenida Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, onde repousam centenas de pastas sobre o que foi o trabalho do DOPS, famigerado cérebro da repressão brasileira em São Paulo, que muito ainda há por ser lido a respeito daquele dia e daquele lugar.

    A Casa Branca esteve fortemente ligada ao que veio a ser o projeto da luta armada no país e ao que seria o futuro da resistência à ditadura nos anos seguintes ao assassinato de Marighella. O local foi escolhido por Marighella, imaginam historiadores, por ser uma região de poder aquisitivo elevado e, portanto, menos visada pela polícia. Em outros documentos do DOPS há referências também a ruas da Vila Mariana como palco de encontros clandestinos dos então perseguidos que viviam protegidos pelo anonimato da grande cidade.

    Do outro lado, a Casa Branca esteve ligada também à vida funcional do grupo montado pelo chefe da repressão, delegado Sérgio Paranhos Fleury, para o cerco ao baiano Carlos Marighella.

     Cinco dias após o ataque ao carro que estava estacionado na altura do número 800 da rua, um dos chefes do DOPS, Ivair Freitas Garcia, fez pedido de promoção para 12 delegados, 23 investigadores, 1 motorista, 7 guardas-civis, 1 cabo PM e 1 soldado PM. Todos largamente elogiados “pela bravura na ação”.

    Relatório do DOPS. Clique para ver íntegra no celular e leia abaixo na web

    Clique aqui para ver a íntegra no celular ou abaixo para ler na web

    A versão do caso que está no documento é carregada de ufanismo, afinal tratava-se de um chefe da polícia pedindo promoção, por ordem do diretor geral do DOPS, para o grupo que havia acabado de matar um temido líder de esquerda. O aparelho de estado brasileiro havia conseguido relevante vitória contra o inimigo esquerdista, e o cônsul americano em São Paulo, pelo tamanho do evento, apressou-se a informar ao Departamento de Estado americano, como mostra o livro de Gaspari.

    Em 1996, com o debate nacional sobre reconhecimento das vítimas, mortos e desaparecidos, no período da ditadura, o caso Marighella voltou a ser estudado com lupa. A família de Marighella descobriu o relatório que pedia as promoções. E nele encontrou clareza sobre um detalhe relevante do caso: Marighella não tivera tempo de reação, contrariando versão então vigente de que teria havido tiroteio. O relatório dá conta de que Marighella não disparou nem um tiro sequer.

     Outras reportagens da época ajudam a compor o quadro do que se sucedeu na famosa Casa Branca e poderão, eventualmente, servir de documento futuro para a descrição do que foi aquele cenário. No Estado do dia 5, dia seguinte ao cerco, há um relato sobre a geografia daquela parte do bairro, hoje uma agradável área residencial, mas com alguns prédios comerciais.

    Conta o jornal, em sua página 14, que “partindo da Alameda Lorena, em direção à Paulista, do lado esquerdo, logo na esquina há um prédio em construção. Depois, um sobrado – por sinal desocupado. Em seguida outro prédio em construção e uma casa térrea (em frente da qual estava estacionado o Volkswagen azul onde Marighella foi morto). Ao lado dessa casa, mais um prédio em construção, mais outro em seguida e, finalmente, um prédio habitado, mas recuado da rua. Do lado direito, 5 sobradinhos. Depois, dois prédios em construção. Depois, mais duas casas.”

    Eram mesmo tempos de fortes mudanças na cidade – e no país.

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