Conformismo ou resiliência?- sobre os japoneses.
Extremamente triste a situação após a tragédia no Japão. Pior do que o próprio tremor - pior da história - e do consequente tsunami - foi a consequência na usina nuclear de Fukushima. E o prenúncio ainda existente de novas explosões e de uma possível catástrofe nuclear.
Sem entrar nos méritos dos investimentos ou não em energia nuclear - deixo isto para os especialistas - o que me chama a atenção mesmo é a reação dos japoneses a tudo isso. Desde o princípio, eles se demonstram calmos, equilibrados. Incrível como logo após o terremoto, o combustível já era racionado nos postos. Ou seja, havia um limite para abastecimento. Não era do tipo quem chega primeiro se garante e os outros que se estrepem. Claro, há um problema sério no que diz respeito a abastecimento de alimentos e água, mas às vezes imagino se uma tragédia dessa proporção acontecesse por aqui...
Essa organização japonesa é admirável. Por lá, fica claro que existe planejamento, treinamento, disciplina, sobretudo para momentos como esse. Já ouço muita gente aqui no Brasil reclamando de um certo tom de conformismo entre os japoneses. "Será que eles não deviam estar gritando por ajuda, exigindo informações transparentes do governo? Ninguém pede nada". Sim, concordo que é necessária mobilização para pedir mais transparência e atitude. Mas penso que o estado de espírito dos japoneses não seja de conformismo. Seja sim de resiliência. Passaram e estão passando por uma tragédia. Porém, se resguardam em energia. Talvez seja essa a atitude que eles estejam tomando.
Não sei, é difícil avaliar tão de longe. Mas o que quero dizer é que devemos olhar para essas culturas tão diferentes da nossa com respeito e, mais, com olhar atento de observação. O que podemos aprender com tudo isso? É claro que estamos temerosos e estamos orando para que novas explosões não aconteçam nos reatores ainda superaquecidos. Podemos ajudar arrecadando dinheiro e outros materiais de primeira necessidade - o que, aliás, está sendo muito bem feito inclusive pelas redes sociais. Mas eu passei a admirar ainda mais esse povo que parece saber diariamente de ameaças invisíveis e que mesmo assim não perde a vontade de seguir em frente.
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