BLOGS TERRITÓRIO ELDORADO

17.03.11

Conformismo ou resiliência?- sobre os japoneses.

por
Elias Awad
, Seção: Artigos, Reflexões 11:28:42.

Extremamente triste a situação após a tragédia no Japão. Pior do que o próprio tremor - pior da história - e do consequente tsunami - foi a consequência na usina nuclear de Fukushima. E o prenúncio ainda existente de novas explosões e de uma possível catástrofe nuclear.

Sem entrar nos méritos dos investimentos ou não em energia nuclear - deixo isto para os especialistas - o que me chama a atenção mesmo é a reação dos japoneses a tudo isso. Desde o princípio, eles se demonstram calmos, equilibrados. Incrível como logo após o terremoto, o combustível já era racionado nos postos. Ou seja, havia um limite para abastecimento. Não era do tipo quem chega primeiro se garante e os outros que se estrepem. Claro, há um problema sério no que diz respeito a abastecimento de alimentos e água, mas às vezes imagino se uma tragédia dessa proporção acontecesse por aqui...

Essa organização japonesa é admirável. Por lá, fica claro que existe planejamento, treinamento, disciplina, sobretudo para momentos como esse. Já ouço muita gente aqui no Brasil reclamando de um certo tom de conformismo entre os japoneses. "Será que eles não deviam estar gritando por ajuda, exigindo informações transparentes do governo? Ninguém pede nada". Sim, concordo que é necessária mobilização para pedir mais transparência e atitude. Mas penso que o estado de espírito dos japoneses não seja de conformismo. Seja sim de resiliência. Passaram e estão passando por uma tragédia. Porém, se resguardam em energia. Talvez seja essa a atitude que eles estejam tomando.

Não sei, é difícil avaliar tão de longe. Mas o que quero dizer é que devemos olhar para essas culturas tão diferentes da nossa com respeito e, mais, com olhar atento de observação. O que podemos aprender com tudo isso? É claro que estamos temerosos e estamos orando para que novas explosões não aconteçam nos reatores ainda superaquecidos. Podemos ajudar arrecadando dinheiro e outros materiais de primeira necessidade - o que, aliás, está sendo muito bem feito inclusive pelas redes sociais. Mas eu passei a admirar ainda mais esse povo que parece saber diariamente de ameaças invisíveis e que mesmo assim não perde a vontade de seguir em frente.

22.11.10

Até onde chega uma rivalidade?

por
Elias Awad
, Seção: Artigos, Esporte 00:11:50.

Caros leitores, talvez vocês tenham notado, talvez não, mas raramente posto aos finais de semana. Não que não tenha vontade, mas é que me forço mesmo a me afastar um pouco do computador para ficar mais com a família nos momentos de folga de minha esposa Lúcia e das crianças na escola.

Porém, não consigo não escrever nessa noite de domingo sobre os jogos desta tarde. Campeonato brasileiro chegando ao fim e a disputa por pontos corridos deixa tudo mais emocionante e indefinido. Isso faz com que os clubes que ainda disputam realmente algo importante – o título, uma vaga no G4 ou escapar do rebaixamento – estejam focados na vitória, claro. E de repente alguém dirá: qualquer time estará sempre focado na vitória.

Talvez não.

Não é a primeira vez, nem será a última, mas é interessante ver situações como as que tivemos hoje à tarde. Destaco: Vitória 1x1 Corinthians, Palmeiras 0x2 Atlético Mineiro, Botafogo1x2 Internacional, São Paulo 1x4 Fluminense.

Vamos por partes...
Corinthians precisava ganhar para praticamente colocar as mãos no taça; Vitória querendo eliminar o risco do rebaixamento.
Palmeiras com foco na Sul-Americana; Atlético Mineiro querendo escapar do rebaixamento.
Botafogo disputando um 4º lugar para ficar no G4 (numa briga direta com o Grêmio); Internacional sem chances importantes no Brasileiro.
São Paulo também sem chances no Brasileiro; Fluminense precisando ganhar para tomar a liderança do Corinthians.

Foi inevitável. Torcedores palestrinos, do Vitória e tricolores (tanto do Rio como de Sampa) tinham hoje um desejo em comum: azedar o esquema do Corinthians (rs). Vi palmeirenses mais preocupados com os jogos do Corinthians e do São Paulo do que com o do próprio time; vi são paulinos e fluminenses parecerem uma só torcida e, claro, os baianos do Vitória rezarem para sair mais um contra o timão.

Entre os torcedores do São Paulo faixas com o pedido de “entrega” chamaram a atenção. Mesma coisa na torcida colorada. Os gaúchos do Inter queriam que o próprio time entregasse a vitória para o Botafogo que, então, tomaria a última vaga do G4 que está agora com o Grêmio.

No caso dos paulistas, a torcida ficou satisfeita. No sul, alguns provavelmente sim, mas aqueles que pediram a derrota do próprio time, viram um 2x0 em cima da equipe carioca e várias defesas incríveis de um 4º goleiro do Internacional!!!

Será que houve “entrega” por parte do São Paulo? Será que deveria ter havido no caso do Inter? Será que uma rivalidade tamanha entre São Paulo, Palmeiras e Corinthians e Inter e Grêmio provocam possíveis derrotas propositais?

Torcedor é torcedor. Tem direito de pedir o que quiser e torcer para quem quiser. Claro, é curioso ver os são paulinos praticamente comemorando um gol tomado por Rogério Ceni. Mas chegarmos a acreditar que os próprios jogadores também teriam esse sentimento...não sei, não.

O futebol já não é mais paixão há muito, amigos. Trata-se de mercado de trabalho. Reservas querem se destacar quando podem, jogador quer mais é fazer gol e correr pro abraço. Goleiro jamais quer tomar frango. O próprio Ceni – que tem a carreira mais do que consolidada e nem precisaria provar nada pra ninguém – fez defesas incríveis no jogo de hoje.

O tema é polêmico, claro. Mas acho que quem entra em campo, entra pra ganhar. Sim, entram os reservas, goleiros mais do que substitutos. Mas eu gosto de pensar que quem entra na disputa quer a vitória sempre.

Ao menos deveria ser assim. No futebol e na vida. É o que eu acho...
E vocês?
Algum palpite para Palmeiras x Fluminense??? (rs)

17.11.10

José Roberto Guimarães – outro grande líder

por
Elias Awad
, Seção: Artigos, Esporte, Grandes Líderes, Homenagens, Motivação 23:04:00.

Faz dias já que estou para escrever sobre ele aqui. José Roberto Guimarães, técnico da seleção feminina de vôlei, pra mim, é outro exemplo de liderança.

Já escrevi posts sobre Bernardinho, e é mais do que justo e merecido falar do Zé também. Que cara maravilhoso!

Uma pena realmente ele não ter conseguido – junto com as meninas – o título deste Mundial. Porém eu acho que o jogo que marcou essa equipe não foi o final. Foi sim certamente o da semifinal. Que jogo, caros ouvintes!!! Brasil x Japão no sábado foi sensacional! E mostrou bem o espírito desse time e o estilo de seu líder.

Zé é um líder sensível, equilibrado, mais paternal do que o comum. E paternal no esquema pai rígido, não daqueles que só sabem agradar ao filho. Pai daqueles que educam mesmo, cobram mesmo, crítico, mas sem desmotivar. Zé tem um jeitinho Zé de ser. Parece que ele nasceu para liderar o feminino.

Embora ele tenha liderado extremamente bem também o masculino. Aliás, Zé Roberto tem um feito único nas costas: foi técnico campeão olímpico tanto com os meninos, em 1992, como com as meninas, em 2008.

Mas ele parece entender quando e como falar com as jogadoras. Quando é hora de acalmar, quando é hora de puxar pelo braço e falar grosso de modo que não assuste e sim inspire.

Isso é ser gênio, na minha opinião.

Só com a seleção feminina, ele já levou 5 Gran Prix e a maior das disputas: a Olimpíada em Pequim. E claro que ele quer mais. Agora a meta é Londres 2012. Estaremos de olho e demais na torcida. Além, claro, de tentando aprender um pouco com Zé.
Aliás, descobri que ele abriu uma conta no twitter: @zrguimaraes. Pelo número de atualizações, ele está ainda se adaptando à ferramenta. Mas já vou começar a seguir, claro.
E como estamos falando de um grande líder, compartilho uma frase que ele gosta de usar que diz muito sobre o estilo Zé de liderar.

“Não caminhe atrás de mim, que eu posso não liderar. Não caminhe na minha frente, que eu posso não seguir. Simplesmente, caminhe ao meu lado e seja meu amigo.”

Ótima, não?
E abaixo um trechinho de uma palestra motivacional dele. Fiquei com vontade de presenciar uma.

Leia também: Transformando Suor em Ouro;

Bernardinho é o cara!

10.11.10

Quanto vale a credibilidade?

por
Elias Awad
, Seção: Artigos 22:58:27.

Caro blogueiro... Essa é uma pergunta dura e de fácil resposta: Não tem preço!!!
Talvez seja uma situação vivida nos últimos dias pelo empresário Sílvio Santos e sua diretoria executiva, com o rombo do Banco Panamericano, que faz parte do Grupo Sílvio Santos.

Liquidação do Banco... Prejuízo dos credores... Fraude... Quando essas possibilidades começaram a ser levantadas, o homem teve que encher o velho Baú com dinheiro emprestado - R$ 2,5 bilhões - e rapidamente mostrar e comprovar que o Banco Panamericano tinha condições de saldar as dívidas.

Falhas internas foram cometidas e detectadas pelo Banco Central, durante análise da carteira negociada pelo Banco Panamericano com os Bancos de Varejo, como são conhecidas instituições financeiras Bradesco, Itaú, entre outras.

Problema ocorrido, só havia 2 caminhos: os acionistas resolverem o problema, ou o Banco Central liquidar o Panamericano.

Nessa hora, Sílvio Santos entrou na negociação! O Dinheiro apareceu e o rombo foi sanado.

Claro que nem todo o problema na vida é referente a dinheiro ou custa R$ 2,5 bilhões, mas isso serve de lição a todos nós: quando o assunto é patrimônio, a credibilidade é o maior de todos eles e deve sempre ser preservada!!!

Quando o tema for moralidade, a ética também deve ser preservada.

Mas... Na grande maioria dos casos, esses conceitos de credibilidade e de ética andam juntos nas tomadas de decisões.

Leia a reportagem do Estadão - Fraude no Panamericano.

10/11/2010

15.10.10

Bernardinho é o cara!

por
Elias Awad
, Seção: Artigos, Esporte, Homenagens, Motivação 21:00:04.

Terminando a semaninha curta e passo por aqui apenas para comentar um fato que não poderia deixar de falar.
Foi no domingo, mas merece ser relembrado como um dos fatos (junto, claro, ao resgate dos mineiros) da semana.

O que foi a consciência coletiva da seleção brasileira de voley no mundial? Eu não me canso de me surpreender positivamente com Bernardinho e seus liderados.

Tri Mundial???

Isso é para poucos, muitos poucos. Só Itália é Tri também, porém não com o mesmo líder.
Diferentes gerações e mesmos resultados. Incrível.
Muita gente pegou no pé por conta da derrota para a Bulgária, quando Bernardinho não colocou em quadra nenhum levantador da equipe, nem Murilo, eleito, ao final do campeonato, o melhor jogador do Mundial. Perder beneficiou a seleção que já estava classificada por antecipação e ainda caiu, por perder, na fase seguinte, numa chave mais fácil, com Alemanha e República Tcheca.

Depois ficamos sabendo que tudo foi decidido em grupo muito por conta de poupar Bruninho que estava jogando sem reserva, já que Marlon passou por sérios problemas de saúde. Diante disso, eu pergunto? Qual o gravíssimo problema nisso? Não é possível ter o mínimo de estratégia? O problema aí foi de quem estabeleceu essas regras esdrúxulas, ou seja, Federação Internacional de Vôlei.

Acho que isso é apenas um detalhe diante da série de vitórias da seleção brasileira e da indiscutível qualidade técnica do time e, claro, de todo staff.

Só tenho uma coisa a falar: SENSACIONAL!
Por isso, neste finzinho de sexta, desejo a vocês tamanha motivação para vencer quanto a de Bernardinho e todos liderados. Exemplos!!

Ótimo final de semana!!

Acesse também: Transformando Suor em Ouro, outro post deste blog sobre o grande mestre dos mestres, Bernardinho.

13.10.10

Resgate aos mineiros – parte II

por
Elias Awad
, Seção: Artigos 23:38:21.

Depois de cerca de 24 horas do início do resgate dos mineiros chilenos que ficaram mais de dois meses numa profundidade absurda – 688 metros -, não posso deixar de voltar ao assunto.

Quem leu meu post de ontem - O que os mineiros podem nos ensinar - pode pensar que baterei na mesma tecla...

Mas hoje, dia seguinte, com todos os mineiros – TODOS – resgatados, nossa cabeça vira enquanto nosso coração vibra, não?

Quando o primeiro mineiro, Florencio Ávalos, apontou e, então, saiu da Fenix, eu pergunto quem não se emocionou? E que surpresa vê-lo firme, controlado, bem. A decisão por Ávalos veio por conta de seu estado físico e emocional. Era um dos líderes em melhores condições. Ser o primeiro é uma atitude de muita coragem. Afinal, apesar de muitos cálculos e todos os cuidados, de fato poderia sim acontecer qualquer coisa naquela primeira subida da minúscula cápsula. Florencio, de 31 anos, agiu de forma brava, belíssima, como um pai que salta antes de um filho para mostrar que o caminho é seguro.

Por outro lado, que emoção também ao vermos o último mineiro, Luis Urzúa Iribarren. Se ser o primeiro foi uma responsabilidade e tanto, imaginem a situação desse último. Ver um a um todos os colegas saírem. Ficar feliz por todos e esperar pacientemente a própria vez. Luis era também um dos líderes do grupo e era o chefe de turno no momento do acidente em agosto. Chamou pra ele. Não fugiu. E cumpriu o papel que a ele incumbiram: o de um verdadeiro capitão – sempre o último dos últimos a zarpar.

Eu estou impressionado com esse resgate. Por todo o ineditismo, mas principalmente por tantas lições que tiramos dele.

Acesse: Quem são os mineiros, um a um.
Resgatado último mineiro preso em mina no Chile.

12.10.10

O que os mineiros podem nos ensinar

por
Elias Awad
, Seção: Artigos 22:41:50.

Desde 5 de agosto eles estão presos, soterrados há praticamente 700 metros de profundidade! Ninguém pode saber o que isso significa, mesmo com as imagens e cartas enviadas desde que uma sonda chegou a eles e consegue transportar cápsulas com essas mensagens.

Desde então, o mundo acompanha essa história tão angustiante quanto surpreendente. Eles recebem assistência psicológica, nutricional, física. Mas mais interessante foi assistir à forma como os 33 (32 chilenos e 1 boliviano) elegeram alguns líderes entre eles.

Eles têm atividades, exercícios, tarefas. Conseguiram estabelecer uma rotina. E assim passaram todo esse tempo, um dia por vez, noite após noite.

Quanta superação! E que lição sobre a importância da legitimidade de líderes, do estabelecimento de regras, tarefas, rotina.

Nesta noite estamos todos de olho num momento tão esperado sobretudo para eles, sobretudo para as famílias de cada um. Espera-se para essa noite e madrugada adentro o resgate dos mineiros. Todos estamos ansiosos, rezando, torcendo, fazendo pensamento positivo e tudo mais. Vai dar certo!!

Vamos torcer também para que essa dramática história não seja explorada de forma antiética, exagerada ou condenável nem por jornalistas, nem por empresas que podem visar não apenas ao bem dos envolvidos, mas aos próprios bolsos. Não transformemos o caso em mais uma “Montanha dos Sete Abutres”. Por favor.

22.09.10

Lá se vai o Dorival…

por
Elias Awad
, Seção: Artigos, Esporte 20:50:46.

Caro blogueiro, certamente a demissão de Dorival Jr. será mais um dos muito exemplos existentes sobre um antigo chavão popular - a corda arrebenta sempre do lado mais fraco.

Mas, analisando mais profundamente a situação, em qual deles está o lado mais fraco? Em Dorival Jr. ou em Santos e Neymar? Sim, pois Santos e Neymar agora estão na mesma "panela".

Claro que analisamos o que vemos, lemos, ouvimos e assistimos. Podemos questionar Renê Simões sobre muitos aspectos futebolísticos, mas quando o assunto é educação, posso afirmar, pelo tempo que estive envolvido com reportagens no futebol, que ele - Renê Simões - tem profunda educação; um verdadeiro gentleman. E quando alguém assim diz que nunca viu alguém tão mal-educado no futebol quanto Neymar, é preciso prestar atenção.

Bem, mas particularmente acredito que o lado mais fraco em que a corda estourou é o do Santos e o do Neymar. Certamente, é o que diz o mundo corporativo.

O Santos se agarra na tese de que Dorival, de forma insubordinada, descumpriu aquilo que havia combinado com o Santos, ou seja, suspender Neymar por apenas um jogo. Já Dorival afirma que a suspensão era por tempo indeterminado, e que já era certa a suspensão por no mínimo um jogo.

Certamente, a voz final é a do empregador, daquele que paga. E a opção, então, foi a de colocar Neymar em campo contra o Corinthians, o que representa um time mais forte, mais audiência na Globo, mais torcida no estádio...

Mas o Santos cometeu mais de um erro. Vou citar 3 deles.

- demitiu aquele que tem liderança máxima, o técnico, desbancando a autoridade dele e criando um precedente perigoso.
- será que a direção do Santos perguntou ao grupo de jogadores quem eles apoiavam? Se a continuidade ou fim da punição ao Neymar? Pelo que me consta, Neymar discutiu não só com 1, mas com 2 líderes importantes, o técnico e o capitão da equipe...
– provavelmente o Santos trocou 6 por 3; quais as opções que existem no mercado para se contratar como técnico? Émerson Leão? Parreira????????? Não acredito que algum deles tenha hoje mais motivação para dirigir o Santos que tinha Dorival Jr.

Então, que isso sirva de lição a todos nós. Antes de tomar uma decisão, veja que tipo de exemplo você deixará aos seus comandados; consulte o seu grupo de trabalho para saber onde está verdadeiramente o melhor caminho a seguir na situação; e não deixe que uma atitude tomada por impulso prejudique a ordem do ambiente, assim como a qualidade do mesmo.

Agora, ficam esses 'diz-que-diz' e a turma do twitter se diverte:

"Neymar entrou no Burger King e pediu um Big Mac. E foi atendido."
"Hoje Neymar não treina! Vai dar uma palestra sobre poder e liderança para Barack Obama, Roberto Justus e Eike Baptista"
"Até pouco tempo Neymar era um Menino da Vila, hoje a Vila é do Menino."

....

Na enquete aqui do Território Eldorado, a gente vê que a maioria parece saber mais de gestão de pessoas do que soube a diretoria do clube ao tomar essa decisão. Acesse: enquete: Santos, Neymar, Dorival

15.09.10

Obrigado e volte sempre! (para que todos os dias sejam dos clientes!)

por
Elias Awad
, Seção: Artigos 11:42:14.

Ah... Como é bom ouvir essa frase depois que finalizamos uma compra... Talvez ela até tenha sido criada por um daqueles gênios do comércio do passado: Salim, Isaac, Joaquim, Vicente, Thomyo... Sim, porque a miscigenação de povos é a grande marca da nossa cultura e do desenvolvimento brasileiro.

Por falar nisso, é inegável o crescimento, o aperfeiçoamento e a evolução tecnológica alcançados pelo comércio, agora fundamentado não só em lojas isoladas, mas sim em grandes e enormes redes de varejo.

Claro, com isso ganha a população que compra melhor, recebe os produtos em casa, liga para o SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente – se precisar de ajuda e hoje em dia até aciona as redes sociais.

Mas, como sempre, tanta evolução deixa certas seqüelas. Certamente, se elas existem, estão na relação empresa-cliente e no atendimento pós-venda. As lojas se preocupam em vender mais barato ou com juros menores, mas ainda pecam na qualidade do atendimento e no respeito ao consumidor.

Você não cansa de viver situações desse tipo? Eu também! Tenho até vários exemplos, como quando certa vez, em um restaurante de uma grande rede, a garçom disse ao servir o café: “Cuidado ao tomar, caiu café no pires enquanto eu trazia...”. Ora... se caiu café, então por que ele não voltou à cozinha e trocou a bebida? Talvez, na visão do garçom, ele até sinta que tenha feito um grande ato ao avisar que havia um “pequeno riacho” de café...

Outra vez ainda, no caixa de uma loja de uma grande rede de supermercados, avisei a moça que havia optado por não levar determinado produto, que era mantido em geladeira, e que então era preciso providenciar o retorno ao local refrigerado. Ela então emendou: “E o que eu tenho a ver com isso”? Respondi: “Realmente nada, desculpe. É que pensei que você estava aqui para auxiliar os clientes e não simplesmente para passar produtos na máquina do código de barras...”.

Bem, eu poderia ficar aqui por horas retratando situações como estas, mas também teria grandes exemplos de como se deve tratar um cliente com a mesma alma com que faziam os Salins, Isaacs, Joaquins. Vicentes e Thomyos do passado.

Como sempre fez o Rei do Varejo, Samuel Klein, fundador da Casas Bahia e de quem tive o privilégio de escrever a biografia. Desde os tempos em que vendia Vodcka ou outros produtos na Alemanha, ele sempre colocou o respeito ao cliente à frente da venda. Com essa mesma “estratégia” e conduta ele venceu como mascate no Brasil, e tornou-se o maior varejista do país.

Implementou em suas lojas um sistema de atendimento que até hoje é a marca registrada da rede: recepcionar o cliente, levá-lo até o fundo da loja e fazê-lo sentar, deixando-o confortável. Assim começa o ritual da venda do mestre Samuel Klein!

Então, como clientes, vamos sempre impor nossas necessidades e direitos, mas também cumprir nossos deveres. Assim, todos ficam satisfeitos. Assim, todos vão e voltam!

Ah... Esqueci de dizer que escrevi tudo isso para comemorar o seu dia, o meu dia, o nosso dia!

Hoje é dia 15 de setembro, dia do cliente! Então, agradeço o seu carinho e atenção, foi um prazer estar com você por alguns minutos e...
OBRIGADO, E VOLTE SEMPRE!!!

25.08.10

Mergulho em outro mundo

por
Elias Awad
, Seção: Artigos, Biografados, Eventos, Programa 23:13:37.

Laurentino Gomes e euFoi um verdadeiro prazer poder participar um pouco mais ativamente da 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Quando soube que gravaria dois programas diretamente de lá e ainda teria a oportunidade de fazer o lançamento de mais uma biografia (“Nunca é Tarde para Realizar” – Vicencio Paludo), fiquei orgulhoso e animado, mas confesso que não imaginei quão gratificante seria.

Na primeira semana de evento, já ganhei o 1º presente, entrevistando Laurentino Gomes. Foi uma conversa muito, mas muito enriquecedora, caros leitores. Colega no jornalismo, colega nas letras. Compartilhamos antes, durante e depois da entrevista muita história boa. Autor do bestseller “1808” e de “1822” - que será lançado em setembro – Laurentino me proporcionou um aprendizado e não uma entrevista.

Ao final da gravação com ele, recebi a confirmação de que conseguiríamos entrevistar para o outro programa direto da Bienal ninguém menos que Tatiana Belinky. Não coube em mim. Fiquei extremamente feliz. Tatiana é admirável. Aos 91 anos, tem uma lucidez e uma propriedade no que fala que chamam demais a atenção.

Repassando o roteiroQuando, portanto, a vi chegando ao estande da Novo Século para a gravação do Biografias, me esqueci completamente da suposta “imparcialidade” de entrevistador. Queria homenageá-la e não sabia exatamente como. Pra mim, era muito especial – como foi – poder entrevistá-la. Se todos pudéssemos ao menos um dia, ao menos uma vez, embarcar num papo com um grande escritor, acho que seríamos pessoas mais abertas ao conhecimento.

Graças à agilidade e persistência da querida Adriana Franco ainda conseguimos que uma floricultura entregasse em plena Bienal uma dúzia de rosas àquela tão delicada personagem do Biografias. Grande Adriana!

A entrevista foi incrível. Tatiana é livre. Livre quando falamos em idéias e conceitos. Uma pessoa libertária. Ela é tão simples quanto única. Durante o programa, crianças e adultos interagiram, o que foi também muito legal.

Eu e Tatiana BelinkyNa mesma tarde que recebemos Tatiana no estande, recebemos muitas pessoas para o lançamento do “Nunca é Tarde para realizar”, inclusive das carinhosas filhas do S. Vicencio que vieram do sul apenas para isso.

Além de tudo, quando sobrou tempo, fui andar nos corredores da Bienal. Uma imensidão de livros, de gente, de criança. Foi realmente tudo muito bom. Uma das sessões por lá chamada “O Livro é uma Viagem” me levou a pensar sobre isso mais uma vez. Como é bacana mergulhar profundamente numa obra, numa vida de um personagem fictício ou real, não é mesmo? E que absurda a ideia de que os livros vão acabar. Eles podem mudar a cara ou o meio (virtual ou físico), mas as histórias nunca se cessarão.
Ainda bem.