MONTEVIDÉU – Nem Thomaz Bellucci, tampouco Bruno Soares ou Rogério Dutra da Silva. Todos estes foram nomes importantes na vitória do Brasil sobre o Uruguai pela Copa Davis, mas o personagem do confronto se chama Jose Luis de La Mano. Não sabe quem é? Os torcedores que acompanharam os jogos no Carrasco Lawn Tennis apelidaram-no de “tiozinho da corneta”.
Sem descanso, de La Mano “sonorizou” o confronto do início ao fim, sem esmorecer. Surpreendente tanta vitalidade e fôlego para um senhor de 75 anos. O segredo: uma boa dose de sofrimento no passado, grande amor ao esporte e prática frequente de atividade física. No caso, o tênis, em que se considera um “jogador de bom nível”.
Embora a torcida pelo Uruguai, de La Mano não nasceu no país vizinho, mas sim na Espanha. Mudou-se para cá depois de perder pai, mãe e avó durante a Guerra Civil espanhola, vagar pelas ruas por cinco anos e correr o mundo servindo à Marinha. O motivo: uma mulher, claro. Encantou-se por uma uruguaia e, ele mesmo filho de um homem nascido à beira do Rio da Prata, converteu-se celeste de uma vez por todas.
O “tiozinho da corneta” não perdia um intervalo entre os pontos para usar seus instrumentos de trabalho: um trombone, um pandeiro e a voz. Sabia que o Uruguai sem Pablo Cuevas, seu melhor jogador, não seria páreo para o Brasil. Mas há 25 anos acompanha a equipe celeste na Davis. Diverte-se em divertir.
“Esporte é diversão, companheirismo, alegria. Não há porque brigar”, afirma. O Uruguai já perdeu o confronto, mas a “corneta” de Jose Luis de La Mano e os gritos de “Sooooooy celeste, soooooooy celeste, celeste yo lo soy” ou “Uruguay, Uruguay, más grande que tu no hay” que a torcida uruguaia entoava a partir dos acordes de seus instrumentos vão ficar marcados na memória dos brasileiros que assistiram o confronto no Carrasco Lawn Tennis Club por um bom tempo. Com afeto.
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MONTEVIDÉU – O torcedor de futebol de São Paulo deve ter saudade daquelas barraquinhas que vendiam sanduíche de pernil em volta do Pacaembu e do Morumbi, principalmente. Na capital paulista, elas agora estão proibidas. Montevidéu tem o seu similar ao sanduíche de pernil: o já afamado choripan. E o prazer de apreciá-lo no entorno das arenas esportivas da cidade está liberado.
Para quem não conhece, o choripan não passa de uma linguiça assada e colocada dentro de um pão francês. Os uruguaios acrescentam o molho chimichurri à simples iguaria, o que, acreditem, faz toda a diferença. No entorno da arena montada no Carrasco Lawn Tennis Club, onde Uruguai e Brasil se enfrentam pela Copa Davis, é possível experimentar um choripan por módicos 55 pesos uruguaios (cerca de R$ 5).
A higiene da barraquinha não é das melhores, mas vale à pena provar o choripan ou um chivito. Por volta do meio-dia, o local começa a encher de frequentadores. E a grande churrasqueira à lenha montada para assar os pratos típicos locais também é responsável pelo cheiro de fumaça que ficarão impregnados em suas roupas.
Aliás, esse é um contra de Montevidéu – talvez o único, porque a cidade é linda e os uruguaios um povo muito acolhedor. Devido ao frio e ao excesso de lareiras acesas, o cheiro de fumaça se espalha por alguns bairros da cidade. Tem quem goste, mas ficar com aquele odor nos pesados casacos logo no primeiro uso não é sensação das mais agradáveis para os turistas.
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Não deu tempo. Arquibancada fixa ao lado da área reservada ao público brasileiro ainda está em obras
MONTEVIDÉU – Quem assiste ao confronto entre Uruguai e Brasil pela Copa Davis nem percebe que a arena montada no Carrasco Lawn Tennis, tradicional clube de tênis de Montevidéu, ainda está em obras. Uma estrutura fixa que estava planejada para ficar pronta antes do duelo, ainda precisa de muito trabalho para ser concluída.
A arquibancada deixaria a área vip reservada para o público brasileiro um pouco maior, mas o presidente da Confederação Brasileira de Tênis minimiza o atraso. “Infelizmente, não vendemos todos os ingressos que tínhamos à disposição, então aquela área não fez falta”, afirma. “É claro que ficou uma coisa feia, a estrutura nem está perto de ficar pronta, mas não causou grande prejuízo ao confronto.”
A presença de público do primeiro dia ficou bem abaixo do esperado. Dos 4 mil lugares que a organização do confronto diz que é a capacidade da arena, nem metade chegou a ser utilizada. A explicação: a ausência de Pablo Cuevas, principal jogador uruguaio, esfriou os jogos. Cuevas era a única esperança do Uruguai, já que os demais jogadores da equipe têm ranking muito baixo e não foram páreo para o Brasil no primeiro dia de confronto.

Madeira à mostra. Vista de fora, percebe-se que falta muito para a estrutura fixa da quadra ficar pronta
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MONTEVIDÉU – O capitão uruguaio da Copa Davis, Enrique Perez, não estava de “broma”. A lesão de Pablo Cuevas, 55.º do ranking, não era despiste e o principal tenista do Uruguai não entrou em quadra no primeiro dia do confronto com o Brasil. Melhor para Rogério Dutra da Silva.
O número 2 do Brasil no confronto, 135.º do mundo, não se incomodou com as bolas altas de Marcel Felder, o novo número 1 uruguaio, 367.º do ranking mundial. E como a quadra não estava tão lenta quanto se esperava, Rogério ainda pode atacar bastante o fraco backhand do rival.: 6/2, 6/2 e 6/3 em 2 horas e meia de jogo.
A presença da torcida uruguaia decepcionou e foi de pouca ajuda para os tenistas do país. Havia menos donos da casa do que brasileiros na arena montada no Carrasco Lawn Tennis Club, em Montevidéu. Isso que o ingresso para eles era mais três vezes mais barato – enquanto eles pagavam cerca de R$ 50 pelos três dias, os brasileiros gastaram R$ 170.
Ficou tudo aberto para o Brasil aplicar 2 a 0 no primeiro dia e encaminhar a vaga na repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis. E Thomaz Bellucci confirmou a superioridade brasileira com vitória sobre Martín Cuevas: 6/1, 6/4 e 7/5. O irmão mais novo de Pablo, com 19 anos, jogou bem e mostrou que tem futuro.
*Atualizado às 16h36
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‘Sentiu falta de alguém?’ pergunta a moça. Nome de Pablo Cuevas, lesionado, ficou fora do sorteio
MONTEVIDÉU – Pode não passar de uma desconfiança infundada, mas o sorteio do confronto entre Uruguai e Brasil pela Copa Davis deixou uma grande pulga atrás da orelha dos brasileiros. O capitão uruguaio Enrique Perez optou por não contar com Pablo Cuevas no primeiro dia de jogos porque o número 1 do país ainda não está totalmente recuperado de uma fratura por estresse no joelho direito sofrida em Roland Garros.
A “broma” – pegadinha, no castelhano dos uruguaios – pode estar no fato de que Perez, alegando lesão de algum de seus titulares, pode fazer alterações na equipe até uma hora antes da partida. A dúvida ficou na cabeça de João Zwetsch, o capitão brasileiro, porque sem Pablo Cuevas o Uruguai não teria muitas chances contra o Brasil. Por que poupá-lo no primeiro dia e arriscar sair perdendo o confronto por 2 a 0?
Perez justifica que Cuevas ainda sente dor. O capitão uruguaio também disse durante a semana que esperaria seu melhor jogador, 54.º do mundo, até o último minuto. É rara alguma mudança dessas no dia do confronto. Mas a verdade mesmo então só saberemos às 10 horas desta sexta-feira – o confronto começa às 11 horas (horário de Brasília).
Foto: Marcelo Ruschel – POA Press/Divulgação
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Jogo pelo terceiro lugar é fogo. Viram a comemoração meio desanimada? É que na cabeça dos alemães eles deveriam estar disputando o título e não esse prêmio de consolação, que quase nada acrescenta ao currículo deles. Mas o jogo, em si, foi bom.
Não apenas pelo placar, mas porque tivemos jogadas interessantes. Não, a Alemanha não fez aquele partidaço, mas é porque faltava o fogo da motivação, aquele algo mais dos jogos decisivos. Este era meio assim, meia boca, apesar de todos os discursos politicamente corretos.
O legado dos dois times é bom. O Uruguai, apesar da derrota por 2 a 3, sai com a auto-estima resgatada. Não podemos esquecer que se classificou para a Copa na bacia das almas, na repescagem. Foi muito mais longe do que todos os analistas, e eles inclusive, previam. O saldo é bom.
Assim como é bom para a Alemanha, que chegou a pensar que poderia sair campeã, deve estar decepcionada mas, se parar para pensar, vai chegar à conclusão de que formou uma bela base para o próximo Mundial. A seleção está quase pronta e o técnico Löw fez um belo trabalho. Pisou na bola em um único jogo, quando resolveu trair o estilo que havia se mostrado vencedor. Poderia estar na final, mas perdeu para a Espanha, que é uma grande seleção.
E do Brasil, o que restou? Nada.
A gente tem de pensar nas nossas preferências, mas tem de pensar também no futebol. No bem do futebol. Mesmo os mais anti-portenhos não conseguiriam secar a Argentina contra a Grécia. Que futebol feio, o dos gregos! Não dá para entender como ganharam uma Eurocopa contra o Portugal de Felipão. Lances toscos e a maior inapetência pelo ataque. Estavam sendo desclassificados e não arriscavam ir à frente. A bola pune, como diz Muricy.
Não vi o outro jogo, mas acompanhei alguns dos melhores (!?) lances. Vi chances de gol inacreditavelmente perdidas pela Nigéria. Uma delas, debaixo das traves. Um amigo santista lembrou que parecia lance do Cléber Pereira em seus melhores (piores) momentos. Pena para a África, que está apresentando um mau futebol na primeira copa realizada no continente.
E sorte para a Argentina, que pega o México nas oitavas. Para os hermanos, pode não ser uma carne assada, mas é muito melhor do que a outra alternativa, o Uruguai. Esse sim seria um jogão. Pelo menos para nós, que o acompanharíamos de fora. Agora o Uruguai pega a Coreia. Tem tudo também para avançar.
E, assim, a Copa da África vai se transformando, cada vez mais, na Copa dos sul-americanos.
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Agora ficou difícil. Com a derrota por 3 a 0, a África do Sul foi para o buraco. Para conseguir se classificar, precisa ganhar da França e ainda torcer por uma combinação de resultados. É muito difícil. E, com a goleada, o moral ficou baixo.
A África do Sul mostrou no primeiro tempo que assimilou bem o estilo de Carlos Alberto Parreira. Bola prá lá, bola prá cá e…nada. Parecia bem postada em campo, mas não era incisiva no ataque. Não se lembra de uma única chance real criada.
O Uruguai, pelo contrário, tentava, e era mais efetivo quando atacava. Desse modo, Forlán chutou, a bola bateu nas costas de um sul-africano e matou o goleiro. Teve sorte. Claro. Mas, se não tivesse tentado, nada teria acontecido.
Não é só defeito da África do Sul – o Uruguai marca bem, não dá espaços e, quando o adversário precisa se abrir mais para empatar o jogo, aproveita os contra-ataques. Mas não cai na armadilha de recuar demais e está sempre causando preocupação aos bafana bafana.
A câmera passa por Parreira. Olhos parados. O que passará por sua cabeça? Como alterar o placar? Jogar o time para o ataque e arriscar tudo de vez? Isso seria contrariar tudo o que pensa do futebol e, talvez, da vida. Correr riscos. Ele não gosta. Afinal, se a África do Sul fizer um golzinho, ainda pode alimentar a esperança. Mas sem ao menos tentar? Numa jogada de linha de fundo, bem construída, cabeçada de Mphela e quase o empate. Mas aos 22′ do segundo tempo, foi o primeiro lance de perigo criado pelos africanos. Isso basta para ganhar uma partida? Claro que não. Mesmo porque o Uruguai é sempre melhor.
Aos 30′, pênalti para o Uruguai, que pode matar o jogo. Além disso, o goleiro Khune foi expulso. Forlán chuta no alto, indefensável, e converte. O Uruguai já vai encaminhando bem a sua classificação. E a África do Sul, que enfrenta a França em seu último jogo, pode estar se despedindo do Mundial. Seria a primeira vez que o anfitrião cai na primeira fase. Para completar a goleada, Suárez cruza e Álvaro Pereira marca o terceiro da celeste olímpica.
Vejo a torcida abandonar o estádio, com suas roupas coloridas, suas vuvuzelas agora silenciadas. É muito triste.
Forlán foi o nome do jogo. Por ele, dou nota 5 à partida.

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Dizem que a França sempre começa em vantagem porque hino mais empolgante que a Marselhesa não há. Verdade. Mas é preciso também jogar bola. E ter um Zinedine Zidane no time ajuda bastante. Só que a França não tem mais Zizou. Precisa se esquecer dele e passar para outra fase da sua história. Esta primeira partida de Copa do Mundo, contra o Uruguai, poderia ser um primeiro passo nessa fase francesa pós-Zidane. Não foi.
E bem que a França começou a jogar melhor. Tomou a iniciativa e o Uruguai, de Diego Lugano, se defendia, na base da raça. O toque de bola francês é melhor e, passado o momento de nervosismo inicial, a bola é colocada no chão e as jogadas começam a fluir. Como se previa, Ribery é o mais perigoso. Escapa pela esquerda, cruza e Govou quase marca.
Mas Diego Forlán dá o troco e o goleirão francês espalma. Nem tenta segurar a Jabulani, que chega cheia de efeito. Forlán é o mais perigoso, pelo lado uruguaio. Quando chega. Mas não chega muito, mesmo porque a bola não vai muito até ele. O maior problema do Uruguai é no meio-campo. Não cria. A França tem mais volume de jogo, mas pouco ameaça o gol uruguaio. Na verdade, os goleiros, até o intervalo, tiveram pouco trabalho.
O engraçado é que, no primeiro tempo, prenunciava-se um jogo melhor do que ele realmente foi. No segundo, houve pouca coisa além de marasmo. Aos 26’ entrou Thiery Henry no lugar de Anelka, para tentar mudar o jogo. Aos 27’ Forlán perde a maior chance do Uruguai e, em seguida, entra o Loco Abreu, para delírio da torcida do Botafogo. É o Fogão na Copa.
Lodeiro, do Uruguai, tem a duvidosa honra de ser o primeiro a ser expulso na Copa da África, aos 36’, com toda a justiça. Com 10 em campo, a coisa ficou mais complicada para o Uruguai que, mais do que nunca, limitou-se a se defender. E foi só. A França perdeu a sua pouca criatividade e, com mais volume, mas pouca eficácia, não chegou a ameaçar de fato. Um 0 x 0 clássico. Quer dizer: chato. Porque existem 0 x 0 interessantes, mas este não foi um deles.
Para nós, esse jogo tinha um significado especial, pois essas duas seleções marcaram (negativamente) a trajetória da seleção brasileira. O Brasil foi a sete finais de Copa ao longo da história. Perdeu duas e ganhou cinco. Das que perdeu, uma foi para o Uruguai, em 1950, e outra para a França, em 1998.
Mas isso foi o passado. Do jeito que jogaram, França e Uruguai parecem ter pouca coisa a apresentar neste Mundial. A França talvez possa evoluir; o Uruguai, não vejo como, pois é bem limitado. Em todo caso, este grupo A ficou bem embolado, com todo mundo com um ponto cada – África do Sul, México, Uruguai e França. Qualquer um pode se classificar ou ficar de fora, pelo que apresentaram nesses dois primeiros jogos.
Na verdade, faltou futebol. As duas seleções têm muita tradição – três títulos mundiais, dois do Uruguai e um da França. Tradição vale, mas não ganha jogo. E nem dá espetáculo. Numa escala de 0 a 10, eu daria 4 a este França x Uruguai. O melhor ainda está por vir. Esperamos.
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