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14.julho.2010 19:45:06

Como perder três copas

A Copa do Mundo acabou faz três dias.  Após a recepção festiva pelas ruas de Madri, o futebol espanhol dá seus primeiros passos como campeão do mundo. Mesmo que não repita a façanha no Brasil em 2014,  o título na África do Sul coloca os espanhóis  como favoritos ao título pelo menos nos próximos 20 anos.

E os holandeses? Qual será o efeito de perder a terceira final de Copa que disputa? Se nas duas primeiras vezes em que perderam a decisão (1974 4e 1978) eles eram favoritos e caíram elogiados, agora se confrontam com críticas ao estilo de jogo adotado.  O discurso atual era de que  se o futebol bacana de outrora encantou mas não levou, agora era a hora de levar o título mesmo sem  jogar bonito. Se nenhuma das duas opções deu certo, qual o caminho a adotar para entrar no clube dos campeões e acabar com a quimera holandesa?

Estava torcendo para a Holanda (ao contrário do polvo Paul, errei todos os palpites que fiz nessa Copa). Talvez por isso esteja tentando achar alguma  outra coisa além da superioridade espanhola para explicar o fracasso holandês. Para isso, fui fuçar nos arquivos do jornal para saber como foram as outras duas derrotas holandesas. Se não achei algo que sirva como ponto de interseção das três derrotas, pelo menos me deparei com dois textos do Alberto Helena Jr.  sobre as primeiras duas que valem ser revistos. A reprodução não ficou das melhores, mas acho que dá para ler:

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Jornal da Tarde – 08/7/1974

1974.07.08_JTxx

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Jornal da Tarde – 26/06/1978

1978.06.26_JTxx

1978.06.26_JTxxx

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A história não costuma ser generosa com finalistas perdedores que não se redimem em outras decisões. Hungria e a extinta Tchecoslováquia também perderam nas duas vezes que chegaram a uma final de Copa  e com o tempo desapareceram do mapa da primeira divisão do futebol mundial. A Suécia, finalista de 1958 contra o Brasil, também.

Ao sair derrotada de todas as decisões que disputou, o desafio da  Holanda  agora é lutar contra a próprio desânimo para mostrar que merece ser recebida no fechado clube dos campeões. Depois de 1962, quando o a Tchecoslováquia foi derrotada pelo Brasil, o futebol passou ter cada vez menos tolerância com bicões na final de sua festa  máxima.

FINAIS DE COPA DO MUNDO

2010 – Holanda 0 x 1 Espanha

2006 – Itália 1 (5) x 1 (3) França

2002 – Alemanha 0 x 2 Brasil

1998 – Brasil 0 x 3 França

1994 – Brasil 0 (3) x 0 (2)  Itália

1990 – Alemanha 1 x 0 Argentina

1986 – Argentina 3 x 2 Alemanha

1982 – Itália 3 x 1 Alemanha

1978 – Argentina 3 x 1 Holanda

1974 – Holanda 1 x 2 Alemanha

1970 – Brasil 4 x 1 Itália

1966 – Inglaterra 4 x 2 Alemanha

1962 – Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia

1958 – Brasil 5 x 2 Suécia

1954 – Alemanha 3 x 2 Hungria

1950 – Uruguai 2 x 1 Brasil

1938 – Itália 4 x 2 Hungria

1934 – Itália 2 x 1 Tchecoslováquia

1930 – Uruguai 4 x 2 Argentina

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Foi suado mas a Espanha chegou ao seu primeiro título mundial. O gol de Iniesta aos 10′ do segundo tempo da prorrogação evitou que mais uma decisão de Copa do Mundo fosse para os pênaltis. É bom para o futebol que tenha sido assim. Pênalti não é loteria mas é muito cruel.

Foi um jogo de muita tensão e pouco futebol nesta final da Copa da África do Sul que dá à Espanha o seu primeiro título em Copas do Mundo. Jogo de muita marcação, faltoso, de pouca criatividade de parte a parte. Alguns poucos lances de gol foram criados, mas desperdiçados pelos atacantes. Parecia que os jogadores tinham medo de decidir na hora agá.

Na verdade, para nós que vimos a festa de fora, foi um jogo muito igual em termos de  chances, com dois estilos diferentes se afrontando, mas com os dois times pouco inspirados, talvez meio travados pelo peso da decisão. Num lance isolado, a Espanha leva o título. E a Holanda é tri-vice, título que não convém a ninguém. Já virou tabu.

Venceu a equipe mais técnica, mas com um pobre saldo de gols – apenas oito marcados em sete jogos. É um rendimento baixo, de uma equipe que valoriza a posse de bola acima de tudo, mas carece de verticalidade e finalização. Isso precisa ser dito.

Mas vejo a festa em Madri e esqueço detalhes técnicos: me felicito com este povo, que ama o futebol como poucos. Depois precisaríamos refletir sobre o tipo de jogo que esta seleção se propõe, mas isso fica para mais tarde. O momento é para dar os parabéns. E, como brasileiros, abaixar a cabeça e pensar no futebol ridículo que apresentamos nesta Copa.

Precisamos tirar o chapéu para quem jogou bola.

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A música ‘Viva Hollandia’ embala os torcedores holandeses

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06.julho.2010 17:50:05

BRAVURA INDÔMITA

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Sejamos honestos: a Holanda poderia ter enfiado uma sacolada no Uruguai no segundo tempo.
Robben, por imodéstia pura, deixou de fazer um gol simples para tentar fazer um golaço quando seu time já vencia por 3 X 1.
Sejamos mais honestos ainda: o Uruguai mostrou muito mais fibra do que a seleção brasileira, que só foi histérica.
O jogo, por ser uma semifinal de Copa, foi inferior a muitos jogos das quartas-de-final.
No primeiro tempo, os dois times estavam muito fechados e os gols só saíram porque Bronckhorst e Forlán acertaram tiros extremamente felizes de fora da área – arriscaram e se deram bem.
A Holanda se especializou em chatear atletas e torcedores adversários com um recurso que a América Latina já aposentou: a catimba.
O teatro ruim de Sneijder e Robben não é digno do futebol que seu time apresenta.
O segundo tempo do Uruguai foi pior do que o segundo tempo do Brasil – foi um time apático, acomodado no empate, até ser sacudido por dois gols-relâmpago. Forlán parece que joga sozinho (e o treinador fez um favor à Holanda, tirando-o no finalzinho).
O segundo gol do Uruguai, em cobrança de falta ensaiada já nos descontos, animou um pouco a torcida brasileira, que nunca foi tão uruguaia quanto hoje.
Loco Abreu é uma figura folclórica, mas é muito pouco efetivo em situações como essa.
A Holanda chega à final da Copa do Mundo com méritos, embora não seja um time incomum, extraordinário.
Seus méritos estão na aplicação tática, na retomada veloz do jogo, no valor que dão a cada centímetro de campo.
O Uruguai foi valente, mas modesto demais em suas ambições. Precisa retomar a vontade de ser campeão.

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Com o perdão do clichê do título, foi isso mesmo o que aconteceu. O Uruguai, inferior tecnicamente à Holanda, perdeu mas vendeu caro a derrota. Caiu de pé, como se diz, nesse emocionante 3 a 2 que põe os laranjas em sua terceira final de Copa do Mundo. Como você lembra, as outras duas ela perdeu, em 1974 contra a Alemanha e em 1978 contra a Argentina.

Essa Holanda que agora chega à disputa do título contra o vencedor de Alemanha e Espanha não é nem de longe comparável às seleções de 1974 e 1978. Mas é incrivelmente eficaz. Não ataca muito. Quando o faz, é cirúrgica. Foi assim nos três gols que lhe deram a vitória. Snejider e Robben continuam a fazer a diferença. Além do mais, o conjunto é o seu forte. Não é aquele futebol encantador de antes, mas joga bem, de maneira consciente. Não é impossível que chegue ao seu primeiro título mundial, embora, na minha opinião, entre na final levemente inferiorizada, seja contra Alemanha, seja contra Espanha. Em especial se for contra a Alemanha, o time mais completo desta Copa.

E assim acabou-se, de maneira melancólica, a tal da “Copa América” na África. Os sul-americanos chegaram com força as quartas de final e já caíram todos. A Copa será europeia. E já existe um fato inédito a ser relacionado a esta Copa na África do Sul. Um europeu vencerá pela primeira vez fora do continente europeu. E a a balança se inclinará para a Europa: serão 10 títulos europeus contra 9 de sul-americanos em toda a história das Copas. Poderemos equilibrar o ponteiro em 2014.

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Qual será a final da Copa de 2010?

  • Holanda x Alemanha (58%, 694 Votes)
  • Uruguai x Alemanha (24%, 287 Votes)
  • Holanda x Espanha (10%, 124 Votes)
  • Uruguai x Espanha (8%, 86 Votes)

Total Voters: 1.191

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# No 23.º dia, ‘Copa América’ vira ‘Eurocopa’

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cronicasdacopa_blog

Kai Pfaffenbach/Reuters

Kai Pfaffenbach/Reuters

Maior que a fila por um terceiro título da Copa do Mundo, e lá se vão 28 anos até 2014, é o tempo que a Argentina não via uma goleada assim em Copa do Mundo. A Alemanha repetiu os 4 a 0 da Holanda sobre os Hermanos em 1974.

A diferença é que se tratava da Laranja Mecânica contra um time sem lá muita inspiração. Os comandados de Diego Maradona têm mais qualidade técnica, mas realmente se renderam ao show armado por Muller, Ozil, Schweinsteiger, Podolski e, principalmente, o artilheiro Klose.

E não é que essa Alemanha joga ao estilo “futebol total”. Como naquela Copa, os argentinos se viram cercados, sem saída de bola e, com uma defesa fraca, tiveram que suportar um ataque com cinco ou seis jogadores. Também não aguentaram. Goleada histórica, indiscutível.

Além disso, o resultado ainda celebra essa nova fase do futebol alemão. Incorporou à disciplina tática uma ousadia ofensiva que está mais do que provado que deu resultado.

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 sneijer_Jerry Lampen_EFE_intrablog

Wesley Sneijder marcou os dois gols holandeses contra o Brasil e se tornou herói. Pelo menos é o que a imprensa holandesa está dizendo depois da vitória laranja sobre o Brasil nesta sexta-feira.

parool

O Parool deu o título “Sneijder leva a Holanda a vitória histórica” à notícia da vitória holandesa e lembrou que, “assim como em 1994 e 1998, Brasil e Holanda se encontraram”.

O astro da seleção, porém, foi o maior destaque do texto. “Wesley Sneijder foi o grande homem da partida. A estrela da Internazionale de Milão fez o que tinha prometido. Ele decidiu o jogo”.

O jornal distinguiu as atuações de ambas as equipes nas duas etapas do jogo. No primeiro tempo, como diz o Parool, o domínio dos brasileiros foi completo, com “Robinho sendo, por vezes, inigualável, e Kaká com momentos de pura classe”. No segundo tempo, porém, o diário afirma que a seleção laranja melhorou e, “pela primeira vez desde 1974, venceu o Brasil em uma Copa do Mundo”.

detelegraaf

O De Telegraaf publicou a notícia sobre a vitória holandesa com o título “Maravilhas em Port Elizabeth”, em alusão à cidade onde ocorreu a partida. Segundo o jornal, a seleção holandesa “finalmente venceu a síndrome do Brasil”, já que a equipe havia sido derrotada pelos brasileiros nas Copas de 1994 e 1998.

O diário também destaca a atuação de Sneijder, autor dos dois gols holandeses, e diz que graças e ele está em busca do título após passar “pelo samba do futebol sul-americano”.

brabants

O Brabants Dragblad publicou “Holanda chega à semifinal” e deu destaque ao poder de reação dos comandados de Bert van Marwijk. “A Holanda venceu o Brasil por 2 a 1. Os dois gols contra os pentacampeões foram marcados no segundo tempo”, diz a página, também exaltando a “liderança de Sneijder” e a expulsão de Felipe Melo como um dos momentos chave do jogo.

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“O Brasil está fora”. “Brasil 2014″. “Sneijder se encarrega dos pentacampeões”. Foi com esses títulos que os principais jornais esportivos internacionais noticiaram a derrota do Brasil para a Holanda por 2 a 1 nas quartas-de-final da Copa do Mundo.

 ole

O argentino Olé!, famoso por zombar das derrotas da seleção brasileira foi o responsável pelo título de duplo sentido “Brasil 2014″, tudo grafado em laranja.

Segundo o jornal, houve “um pouco de gritaria” ao final do jogo, que terminou em “goleada”. Na página principal do site do Olé!, o texto diz que o Brasil jogava bem contra a Holanda, quando Sneijder marcou dois gols e provocou um “naranjazo” – o Maracanazo Laranja.

clarin

Outro argentino, o Clarín, coloca em sua manchete “Sem reação, Brasil deixa o mundial pela porta dos fundos”. Segundo o jornal, os comandados de Dunga “perderam para uma Holanda que era dominada”. Depois da expulsão de Felipe Melo, “o Brasil não se recuperou”, diz a notícia.

marca

No espanhol Marca, Sneijder, “o grande protagonista do jogo”, ganhou destaque especial. Segundo o jornal, o meia atacante holandês vive “um ano de sonhos”. O jogador, além de ser um dos principais nomes de sua seleção na Copa, foi campeão europeu pela Internazionale de Milão. Sobre o jogo em si, o Marca exalta o poder de reação da seleção holandesa.

elpais

O El País tembém destaca a expulsao do volante brasileiro e da falha de Júlio César no primeiro gol holandês. A foto em destaque é de Sneijder, o homem do jogo, segundo o jornal.

 lequipe

O L’Equipe, da França, intitula de “Samba da Holanda” a notícia sobre a derrota brasileira. O diário diz que os europeus “se vingaram” dos brasileiros, por quem foram eliminados dos mundiais de 1994 e 1998.

 corrieredellosport

No italiano Corriere dello Sport, quem ganha destaque, além do meia holandês, é o volante brasileiro Felipe Melo, cuja atuação foi “desastrosa, com um gol contra e uma expulsão”. O título: “Clamoroso! Brasil está fora!”

nyt

Até o New York Times, que dá pouco espaço à Copa, estampou uma foto da comemoração laranja em sua página principal. Segundo site o diário americano, “em um jogo digno de final da Copa do Mundo, o Brasil foi superado pela Holanda.”

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