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22.junho.2011 18:51:19

Vida dura

A vida não está fácil para os uruguaios no Pacaembu. Do lado de fora, os torcedores do Peñarol – cerca de 2,5 mil – sofrem com as pedradas dos santistas. Entre os jornalistas do país vizinho, o descaso é o maior problema.

Com apenas 24 lugares para repórteres de imprensa escrita, os uruguaios acabaram sem bancadas para posicionar seus computadores. Pior, sem internet sem fio, eles ainda sofrem para ter conexão.

Na despedida de Ronaldo da seleção brasileira, há 15 dias, uma estrutura para cerca de 300 jornalistas foi montada, o que garantiu conforto a todos. Hoje, porém, o Santos e o Brasil mostraram que não pensam na imprensa.

Nada foi organizado para jornalistas. Todos estão se acotovelando, até mesmo brasileiros, brigando por ao menos uma cadeira. Para piorar, funcionários da Federação Paulista de Futebol que deveriam organizar o setor, ainda queriam desalojar os uruguaios.

Um tumulto se iniciou e eles acabaram liberados para ficar na vexatória sala de imprensa a céu aberto, ao lado dos torcedores.

“E ainda querem fazer Copa aqui no Brasil. Isso aqui é uma vergonha”, protestou um dos cerca de 50 uruguaios presentes ao Pacaembu.

A queda de energia nas cabines fechou o pacote de vexames. / BRUNO DEIRO, DANIEL AKSTEIN BATISTA E FÁBIO HECICO

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Horas antes da final da Copa Libertadores, torcedores do Peñarol passearam pela Avenida Paulista e exibiam sua paixão.


Foto: Tiago Queiroz/AE

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Na entrada principal do Pacaembu, uma testemunha da conquista de 1962 sobre o Peñarol chegou cedo para ver o Santos tricampeão, outra vez sobre os uruguaios. O aposentado Manoel Dias, de 69 anos, estava na Vila Belmiro há 49 anos, quando o Santos ganhou a Libertadores pela primeira vez.

Ele chegou às 15h30 ao Pacaembu para garantir a entrada de aposentado. O filho, Reginaldo, teve de enfrentar 7 horas na fila na semana passada para garantir seu ingresso.

“Não poderia perder o Santos campeão outra vez. Da outra vez que pegamos o Peñarol, eu estava lá e dei sorte”, diz ele. Em jogo confuso, a partida em 1962 terminou empatada por 3 a 3, mas o árbitro daquele jogo invalidou boa parte do segundo tempo, anulando o terceiro gol santista. No desempate, o Santos ganhou por 3 a 0 e confirmou o título.

Ao redor do Pacaembu, o clima era tranquilo e muitos aproveitaram para fazer churrasco no entorno do estádio.

Outros, como o catarinense Luiz Alfredo, de 53 anos, aproveitaram para visitar o Mujseu do Futebol e desfrutar a vista do estádio, horas antes da grande decisão. Acompanhado pelo filho Vinicius, de 15 anos, ele saiu de Rio do Sul para ver a partida e aposta em título do Santos, com vitória por 3 a 1. / BRUNO DEIRO, DANIEL AKSTEIN BATISTA, FÁBIO HECICO

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Jogo 31

  • Ituano (57%, 32 Votes)
  • Empate (29%, 16 Votes)
  • Linense (14%, 8 Votes)

Total Voters: 56

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Jogo 32

  • São Bernardo (40%, 20 Votes)
  • Oeste (38%, 19 Votes)
  • Empate (22%, 11 Votes)

Total Voters: 50

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Jogo 33

  • Noroeste (51%, 24 Votes)
  • Bragantino (30%, 14 Votes)
  • Empate (19%, 9 Votes)

Total Voters: 47

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Jogo 34

  • Santos (67%, 43 Votes)
  • São Caetano (28%, 18 Votes)
  • Empate (5%, 3 Votes)

Total Voters: 64

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Jogo 35

  • Mirassol (45%, 20 Votes)
  • Empate (32%, 14 Votes)
  • Santo André (23%, 10 Votes)

Total Voters: 44

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Jogo 36

  • Portuguesa (51%, 24 Votes)
  • Ponte Preta (34%, 16 Votes)
  • Empate (15%, 7 Votes)

Total Voters: 47

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Jogo 37

  • São Paulo (50%, 32 Votes)
  • Americana (41%, 26 Votes)
  • Empate (9%, 6 Votes)

Total Voters: 64

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Jogo 38

  • Botafogo (44%, 31 Votes)
  • Grêmio Prudente (31%, 22 Votes)
  • Empate (25%, 18 Votes)

Total Voters: 71

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Jogo 39

  • Palmeiras (61%, 60 Votes)
  • Paulista (27%, 27 Votes)
  • Empate (12%, 12 Votes)

Total Voters: 99

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Amigos, o futebol brasileiro nos reserva surpresas incríveis. Eu achava já bastante interessante que Rivaldo, o grande craque da Copa de 2002, fosse presidente e jogador de um mesmo clube, o Mogi Mirim, pois poderia pôr em prática a frase antológica de Neném Prancha, o maior filósofo da bola: “O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. Pois bem. Não teremos a oportunidade de ver a tese de Neném realizada na prática porque Rivaldo jogará pelo São Paulo e não pelo Mogi. Continuará presidente? Não parece estranho um jogador atuando por um clube e presidindo outro? Mas, quer saber? Estou muito curioso para ver Rivaldo na equipe do São Paulo. No Mogi, ele seria o salvador da pátria, literalmente o dono do time, aquele que joga por todos.

Tarefa ingrata, ainda mais para um veterano. No Tricolor, em time estruturado, cercado de bons jogadores, poderá mostrar se ainda conserva aquela lucidez, o toque refinado que mostrou em seus melhores tempos. Aposto que será a cereja no bolo. Aquele que dará dois ou três toques decisivos durante um jogo, fazendo a diferença com sua categoria. No futebol, cada vez mais dependente da parte física, 38 anos pesam. Mas a técnica não se desgasta com o tempo. Apura-se. Acho que Rivaldo não esqueceu como se joga bola em sua passagem pelo Uzbequistão e ainda guardou algumas cartas na manga para botá-las sobre a mesa em tempo oportuno.

Não deixa de ser curioso, e até comovente, ver reunida no Brasil boa parte da seleção que nos deu o quinto título mundial. Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians, Ronaldinho no Flamengo, e, agora, Rivaldo no São Paulo. Nenhum deles jogava em clube brasileiro na época da Copa de 2002. Ronaldo estava na Inter de Milão, Rivaldo no Barcelona, Ronaldinho no Paris Saint Germain, Roberto Carlos no Real Madrid.

Brilharam na Europa, ganharam todo o dinheiro que o futebol pode proporcionar, e agora retornam ao país de origem, como se tivessem cumprido um período de exílio e voltassem como filhos pródigos. Vários outros jogadores dessa conquista estão por aí. Marcos e Rogério Ceni, que nunca saíram. Juninho Paulista é dirigente do Ituano, Denílson é comentarista de TV. E vai por aí.

Fico fascinado por esses jogadores que voltam, depois de findo o seu período de estrelato no Primeiro Mundo. Alguns com idade avançada, ou com problemas físicos, outros desiludidos e saudosos, chegam e desmentem os críticos mais pessimistas. Ronaldo veio a ser decisivo em 2009 e impõe respeito com sua presença. Roberto Carlos é o melhor lateral-esquerdo em atividade (falhou no domingo, todos falham).

Agora, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Além do que podem fazer em campo, o fator marketing é soberano. Ídolo em casa, transformado em ícone publicitário, é dinheiro em caixa. O futebol hoje é isso. Mas, claro, há o jogo e, no gramado, esses velhos mestres ainda têm o que mostrar.

Acima de tudo funcionam como referência para as torcidas. Será que têm ideia da responsabilidade que assumem perante torcedores carentes de ídolos? Não sei. Espero que sim. Senhores boleiros veteranos, sejam bem-vindos à casa, mas não decepcionem suas torcidas. A mística do futebol depende da magia que só a presença de vocês, craques, proporciona. Mesmo o marketing depende disso, não esqueçam.

Me engana… Qualquer análise do Campeonato Paulista 2011 passa por uma obviedade: este novo sistema foi feito para classificar todos os grandes e mais quatro (ou três, se considerarmos que a Portuguesa ainda faz parte do primeiro grupo) convidados para os playoffs. É o problema de campeonatos disputados fora do sistema de pontos corridos.
Proporcionam jogos finais emocionantes, mas o preço a pagar é uma série de partidas iniciais que não valem rigorosamente nada. Troca-se um desfecho emocionante por uma primeira fase mais do que previsível.

Será que vale a pena?

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Jogo 21

  • Bragantino (74%, 43 Votes)
  • Empate (14%, 8 Votes)
  • Santo André (12%, 7 Votes)

Total Voters: 58

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Jogo 22

  • São Paulo (74%, 43 Votes)
  • Empate (19%, 11 Votes)
  • Ponte Preta (7%, 4 Votes)

Total Voters: 58

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Jogo 23

  • Mogi Mirim (55%, 29 Votes)
  • Empate (38%, 20 Votes)
  • Mirassol (7%, 4 Votes)

Total Voters: 53

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Jogo 24

  • Portuguesa (68%, 36 Votes)
  • Linense (17%, 9 Votes)
  • Empate (15%, 9 Votes)

Total Voters: 53

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Jogo 25

  • Corinthians (63%, 50 Votes)
  • Noroeste (24%, 19 Votes)
  • Empate (13%, 11 Votes)

Total Voters: 80

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Jogo 26

  • Paulista (41%, 28 Votes)
  • Empate (40%, 27 Votes)
  • São Bernardo (19%, 13 Votes)

Total Voters: 68

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Jogo 27

  • Santos (81%, 63 Votes)
  • Empate (10%, 8 Votes)
  • Grêmio Prudente (9%, 7 Votes)

Total Voters: 78

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Jogo 28

  • Palmeiras (56%, 41 Votes)
  • Empate (25%, 18 Votes)
  • Oeste (19%, 14 Votes)

Total Voters: 73

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Jogo 29

  • São Caetano (54%, 35 Votes)
  • Empate (37%, 24 Votes)
  • Ituano (9%, 6 Votes)

Total Voters: 65

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Jogo 30

  • Americana (38%, 26 Votes)
  • Botafogo (32%, 22 Votes)
  • Empate (30%, 20 Votes)

Total Voters: 68

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Jogo 11

  • Ponte Preta (64%, 56 Votes)
  • Mogi Mirim (18%, 16 Votes)
  • Empate (18%, 15 Votes)

Total Voters: 87

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Jogo 12

  • Portuguesa (72%, 59 Votes)
  • Empate (22%, 18 Votes)
  • Oeste (6%, 5 Votes)

Total Voters: 82

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Jogo 13

  • Santo André (64%, 52 Votes)
  • Empate (27%, 22 Votes)
  • Linense (9%, 7 Votes)

Total Voters: 81

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Jogo 14

  • Santos (89%, 79 Votes)
  • Mirassol (7%, 6 Votes)
  • Empate (4%, 4 Votes)

Total Voters: 89

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Jogo 15

  • São Caetano (63%, 51 Votes)
  • Empate (32%, 26 Votes)
  • Americana (5%, 4 Votes)

Total Voters: 81

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Jogo 16

  • São Paulo (71%, 60 Votes)
  • Empate (18%, 15 Votes)
  • São Bernardo (11%, 9 Votes)

Total Voters: 84

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Jogo 17

  • Corinthians (59%, 54 Votes)
  • Bragantino (22%, 20 Votes)
  • Empate (19%, 17 Votes)

Total Voters: 91

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Jogo 18

  • Paulista (38%, 35 Votes)
  • Empate (35%, 32 Votes)
  • Grêmio Prudente (27%, 25 Votes)

Total Voters: 92

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Jogo 19

  • Botafogo (55%, 50 Votes)
  • Empate (27%, 25 Votes)
  • Noroeste (18%, 16 Votes)

Total Voters: 91

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Jogo 20

  • Palmeiras (44%, 48 Votes)
  • Ituano (38%, 41 Votes)
  • Empate (18%, 20 Votes)

Total Voters: 109

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Jogo 1

  • Santos (72%, 522 Votes)
  • Linense (18%, 127 Votes)
  • Empate (10%, 74 Votes)

Total Voters: 723

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Jogo 2

  • Grêmio Prudente (41%, 260 Votes)
  • Empate (32%, 201 Votes)
  • São Bernardo (27%, 167 Votes)

Total Voters: 628

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Jogo 3

  • São Caetano (53%, 323 Votes)
  • Oeste (24%, 145 Votes)
  • Empate (23%, 144 Votes)

Total Voters: 612

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Jogo 4

  • Palmeiras (61%, 391 Votes)
  • Botafogo (20%, 126 Votes)
  • Empate (19%, 125 Votes)

Total Voters: 642

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Jogo 5

  • São Paulo (62%, 417 Votes)
  • Mogi Mirim (21%, 139 Votes)
  • Empate (17%, 119 Votes)

Total Voters: 675

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Jogo 6

  • Corinthians (50%, 346 Votes)
  • Portuguesa (28%, 194 Votes)
  • Empate (22%, 147 Votes)

Total Voters: 687

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Jogo 7

  • Bragantino (43%, 254 Votes)
  • Empate (35%, 205 Votes)
  • Americana (22%, 135 Votes)

Total Voters: 594

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Jogo 8

  • Paulista (54%, 315 Votes)
  • Empate (26%, 153 Votes)
  • Ituano (20%, 113 Votes)

Total Voters: 581

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Jogo 9

  • Santo André (49%, 284 Votes)
  • Noroeste (34%, 198 Votes)
  • Empate (17%, 97 Votes)

Total Voters: 579

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Jogo 10

  • Ponte Preta (59%, 353 Votes)
  • Mirassol (21%, 129 Votes)
  • Empate (20%, 121 Votes)

Total Voters: 603

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A esta altura do campeonato, seria chover no molhado dizer que tudo está em aberto. Na disputa por pontos corridos é difícil acontecer definição muito antecipada, a não ser que haja um time diferente dos outros, em patamar muito mais elevado, uma super equipe. Não é o caso. Nem de longe. Todos os candidatos apresentam deficiências mais do que evidentes.

Não existe time imbatível, sabemos. Mas o que acontece com os líderes do Campeonato Brasileiro de 2010 é coisa de outra ordem: eles se revelam frágeis demais, incapazes de garantir uma sequência de vitórias que os levaria diretamente ao título. Veja o caso do Cruzeiro, que levou uma virada do Grêmio nesta última rodada. Alguma surpresa? Nenhuma. O outro time que já havia sido dado como virtual campeão – o Fluminense – parece que perdeu o embalo.

O Corinthians ainda não saiu da crise que lhe tirou o fôlego para a atropelada final. A pergunta que se faz é se Tite, que dirigiu o time na época da MSI (lembram?), dará conta de estabilizar um clube que parece destinado a viver em transe permanente. Domingo passado, poderia ter se redimido. Foi prejudicado. Não fosse a malfadada arbitragem brasileira, o Corinthians, que em outras ocasiões já foi por ela mesma ajudado, estaria embolado com os dois frente. Mas, como Cruzeiro e Fluminense também não fizeram a lição de casa, o Corinthians acabou não desgrudando tanto. Arrisca-se muito quem já o considera carta fora do baralho.

Assim como se arrisca quem descartar Santos e Inter, que vêm imediatamente atrás. O Inter tem ainda um belo elenco, um tanto enfraquecido pela venda de jogadores mas, mesmo assim, poderoso pelos padrões do futebol brasileiro. Pode se concentrar de novo no campeonato e talvez esboçar um sprint no fim. Eu não ficaria admirado.

O mesmo se pode dizer do Santos. Assim como o Inter, o Peixe não está em jejum de títulos este ano. Já ganhou o Paulista e a Copa do Brasil, que lhe garante na Libertadores do ano que vem. Parece ter recuperado apetite. Haja vista as boas vitórias nas últimas partidas e até mesmo a derrota épica para o São Paulo no clássico. Perdeu o jogo mas não perdeu a pose. Tem um adversário em tese muito fácil na próxima rodada, o na prática já rebaixado Grêmio Prudente – e, se houver novos vacilos no pelotão da frente, pode encostar. Não é impossível, já que o Corinthians tem clássico contra o Palmeiras, o Fluminense pega o Atlético-PR em Curitiba e o Cruzeiro enfrenta seu maior rival, o Atlético Mineiro, em ascensão e desesperado para sair da zona de rebaixamento. São três jogos complicadíssimos, todos de prognóstico impossível. Assim, não será uma anomalia se, na próxima rodada, as primeiras colocações estiverem ainda mais emboladas, prenunciando uma chegada de arrepiar.

Essa irregularidade toda dos times tem lá suas vantagens. A maior delas é que os jogos estão ficando cada vez mais emocionantes. Os times, pelo menos alguns entre eles, aprenderam que pouco têm a lucrar com o empate. Então deixaram pra lá formações defensivas e partiram com tudo para o ataque. É o que explica a excepcional qualidade de uma partida como São Paulo 4 x Santos 3, um San-São como nos velhos tempos.

O Santos já havia firmado uma tradição de jogo ofensivo. O São Paulo vinha se arrastando, até ganhar nova moral com Carpegiani e deslanchar no campeonato, vencendo três vezes seguidas. Essa nova mentalidade do Tricolor explica também o desfecho da eletrizante partida de domingo. Ao invés de se acomodar com o empate, quando tinha um jogador a menos em campo, o São Paulo continuou a contra-atacar com perigo, até ser beneficiado pelo gol de Jean já nos acréscimos.

Foi sorte? Foi. Mas a sorte não dá a menor pelota a quem não a persegue.

(Coluna Boleiros, 19/10/10)

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