A jogada espetacular do segundo gol de Neymar na vitória do Santos por 3 a 1 sobre o Internacional, na Libertadores, lembrou um outro lance antológico de um craque que atingiu até muito mais do que Neymar já fez na carreira: Ronaldo Fenômeno.
Contra o Compostela, pelo Campeonato Espanhol de 1996, o então destaque do Barcelona arrancou e fez fila, como o jogador santista. Vendo os gols, você acha que são parecidos?

O cartunista Maurício de Sousa fez sua homenagem ao atacante Ronaldo com o desenho acima, postado em seu Twitter (@mauriciodesousa), com todos os personagens futebolistas do criador da Turma da Mônica: Dieguito, Boa Bola, Pelezinho e Ronaldinho Gaúcho. A imagem acima é de divulgação.
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Estamos todos ainda sob efeito da emoção provocada pela despedida de Ronaldo. A entrevista coletiva do Fenômeno foi tocante. Duvido que o mais duro coração não tenha amolecido, mesmo a contragosto, com as palavras do agora ex-jogador. Eu mesmo fiquei com nó na garganta em vários momentos. Despedidas são assim. Lembram o inevitável fim de tudo. Choramos por quem se despede e choramos por nós mesmos.
Enfim, decisão tomada, Ronaldo sai da vida de jogador de futebol para entrar na História. Torna-se mito e, nesse processo, todas as arestas são limadas e todos os feitos engrandecidos. Basta ver o tom superlativo do noticiário. Nesse momento, qualquer tentativa analítica será vista como indesejável frieza. Normal. A emoção é uma droga benigna, euforizante. Pode entorpecer o senso crítico, mas desperta o melhor em nós. Não acho ruim. Considero essa troca da lucidez pela sensibilidade uma boa relação custo-benefício. Desde que temporária.
Haverá tempo de sobra para a razão. Por exemplo, quando a poeira baixar, teremos de voltar à questão do hipotireoidismo, disfunção alegada por Ronaldo para justificar seu sobrepeso e a permanente dificuldade de se manter em forma. Se ele não pôde se tratar de doença tão grave porque a medicação seria pega no antidoping, teremos de concluir que o futebol profissional é uma atividade criminosa. Acho que os médicos do Corinthians nos devem duas ou três palavras sobre o assunto.
A outra coisa a lembrar mais tarde é que nem sempre Ronaldo foi essa figura unânime que agora parece ser. A natureza “cordial” do brasileiro, somada à emoção do momento, fará com que seja esquecida a faceta polêmica do Fenômeno. Quem tem um pouco de memória sabe que os mesmos que hoje o colocam no patamar da genialidade o responsabilizaram pela derrota do Brasil na Copa de 1998. Verdade que se resgatou no Mundial seguinte, tornando-se, junto com Rivaldo, o principal responsável pelo penta. É pena que em 2006 tenha naufragado, junto com toda a seleção.
É verdade que, ao retornar ao Brasil, Ronaldo teve um ótimo primeiro ano com a camisa do Corinthians. Vocês se lembram. Foi uma volta badalada, cercada de grande expectativa por muita gente e ceticismo por outros tantos. Quando marcou o primeiro gol com a camisa do Timão, e contra o Palmeiras ainda por cima, foi um acontecimento de primeira grandeza. Quando teve uma atuação de sonho na Vila Belmiro, assinalando dois gols de pura arte contra o Santos, houve quem saudasse o ressurgimento do craque extraordinário, pentacampeão do mundo, três vezes o melhor segundo a FIFA. Continuasse assim, justificaria mais uma convocação para a seleção, o que não aconteceu.
O fato é que a quase totalidade da carreira de Ronaldo se deu longe dos nossos olhos. Não por culpa dele.
Faz parte das circunstâncias da carreira atual do jogador de futebol, da qual ele foi exemplo acabado. Atleta globalizado, deixou o País ainda garoto para brilhar na Europa. Venceu em vários dos principais clubes da Europa. Conquistou títulos e marcou gols de todos os jeitos. Mas isso não basta. Apesar de tudo o que se diz sobre internet, TV a cabo, Facebook, Twitter e sobre a ilusão de estarmos em todos os lugares ao mesmo tempo, continua a existir um bom e extenso oceano entre a América do Sul e a Europa. Há distâncias ainda maiores, e estas se medem pela régua da dimensão simbólica. Ronaldo, o supercraque, para nós se resumia às suas apresentações na seleção brasileira. E, depois, no Timão.
Ele só voltou a ser nosso, de fato, quando vestiu, com a maior naturalidade, a camisa do Corinthians. E digo “nosso” porque não pertenceu apenas à Fiel, mas também a todas as torcidas do Brasil. Convenhamos, a volta do Fenômeno mexeu com todo mundo naquele ano de 2009. Houve muito ti-ti-ti e os paparazzi trabalharam como nunca. E, sobretudo, houve os gols e jogadas de técnica refinada – que é o que importa.
Voltar ao Brasil e encerrar a carreira num clube de massa foi o maior gol do Fenômeno, a sua tacada de mestre. É a pedra fundamental na construção do mito, que agora começa.
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Ronaldo está certo em encerrar a carreira?
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Amigos, o futebol brasileiro nos reserva surpresas incríveis. Eu achava já bastante interessante que Rivaldo, o grande craque da Copa de 2002, fosse presidente e jogador de um mesmo clube, o Mogi Mirim, pois poderia pôr em prática a frase antológica de Neném Prancha, o maior filósofo da bola: “O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. Pois bem. Não teremos a oportunidade de ver a tese de Neném realizada na prática porque Rivaldo jogará pelo São Paulo e não pelo Mogi. Continuará presidente? Não parece estranho um jogador atuando por um clube e presidindo outro? Mas, quer saber? Estou muito curioso para ver Rivaldo na equipe do São Paulo. No Mogi, ele seria o salvador da pátria, literalmente o dono do time, aquele que joga por todos.
Tarefa ingrata, ainda mais para um veterano. No Tricolor, em time estruturado, cercado de bons jogadores, poderá mostrar se ainda conserva aquela lucidez, o toque refinado que mostrou em seus melhores tempos. Aposto que será a cereja no bolo. Aquele que dará dois ou três toques decisivos durante um jogo, fazendo a diferença com sua categoria. No futebol, cada vez mais dependente da parte física, 38 anos pesam. Mas a técnica não se desgasta com o tempo. Apura-se. Acho que Rivaldo não esqueceu como se joga bola em sua passagem pelo Uzbequistão e ainda guardou algumas cartas na manga para botá-las sobre a mesa em tempo oportuno.
Não deixa de ser curioso, e até comovente, ver reunida no Brasil boa parte da seleção que nos deu o quinto título mundial. Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians, Ronaldinho no Flamengo, e, agora, Rivaldo no São Paulo. Nenhum deles jogava em clube brasileiro na época da Copa de 2002. Ronaldo estava na Inter de Milão, Rivaldo no Barcelona, Ronaldinho no Paris Saint Germain, Roberto Carlos no Real Madrid.
Brilharam na Europa, ganharam todo o dinheiro que o futebol pode proporcionar, e agora retornam ao país de origem, como se tivessem cumprido um período de exílio e voltassem como filhos pródigos. Vários outros jogadores dessa conquista estão por aí. Marcos e Rogério Ceni, que nunca saíram. Juninho Paulista é dirigente do Ituano, Denílson é comentarista de TV. E vai por aí.
Fico fascinado por esses jogadores que voltam, depois de findo o seu período de estrelato no Primeiro Mundo. Alguns com idade avançada, ou com problemas físicos, outros desiludidos e saudosos, chegam e desmentem os críticos mais pessimistas. Ronaldo veio a ser decisivo em 2009 e impõe respeito com sua presença. Roberto Carlos é o melhor lateral-esquerdo em atividade (falhou no domingo, todos falham).
Agora, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Além do que podem fazer em campo, o fator marketing é soberano. Ídolo em casa, transformado em ícone publicitário, é dinheiro em caixa. O futebol hoje é isso. Mas, claro, há o jogo e, no gramado, esses velhos mestres ainda têm o que mostrar.
Acima de tudo funcionam como referência para as torcidas. Será que têm ideia da responsabilidade que assumem perante torcedores carentes de ídolos? Não sei. Espero que sim. Senhores boleiros veteranos, sejam bem-vindos à casa, mas não decepcionem suas torcidas. A mística do futebol depende da magia que só a presença de vocês, craques, proporciona. Mesmo o marketing depende disso, não esqueçam.
Me engana… Qualquer análise do Campeonato Paulista 2011 passa por uma obviedade: este novo sistema foi feito para classificar todos os grandes e mais quatro (ou três, se considerarmos que a Portuguesa ainda faz parte do primeiro grupo) convidados para os playoffs. É o problema de campeonatos disputados fora do sistema de pontos corridos.
Proporcionam jogos finais emocionantes, mas o preço a pagar é uma série de partidas iniciais que não valem rigorosamente nada. Troca-se um desfecho emocionante por uma primeira fase mais do que previsível.
Será que vale a pena?
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O Corinthians espera cumprir o jogo atrasado contra o Vasco (remarcado para 13 de outubro) para completar o primeiro turno e aí tirar a diferença de três pontos para o Fluminense. Mas a decisão mesmo acontece antes, já próxima quarta-feira, contra o próprio líder do Campeonato Brasileiro.
Não é exagero dizer que os times disputam a “final antecipada”, na 22.ª rodada no Engenhão. Tricampeão brasileiro, o técnico Muricy Ramalho sabe bem a importância deste tipo de jogo. Mas do outro lado existe um Fenômeno: Ronaldo parece mesmo que voltou e só a sua presença já preocupa os adversários.
E tricolores e corintianos que tenham cuidado. Cruzeiro, Santos e até São Paulo (atual oitavo colocado) chegam com força para a sequencia da competição. Diante das últimas vaciladas, os adversários vão chegando. Como gosta de dizer Muricy: “a bola pune, meu filho”.
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Os jogadores do Corinthians receberam a visita da apresentadora Maisa, do SBT. A garotinha tirou fotos ao lado de Ronaldo e Dentinho no Parque São Jorge. O Fenômeno divulgou a imagem do encontro em seu Twitter e escreveu o seguinte recado. “Uma pequena e ilustre visitante.”
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Recuperado ou não da eliminação na Copa Libertadores, o Corinthians é o único com 100% de aproveitamento no Campeonato Brasileiro. Se o futebol ainda não é vistoso, as duas vitórias em dois jogos recolocam o time nos trilhos no ano do centenário.
Ainda assim, o técnico Mano Menezes preferiu remoer a eliminação e cair em uma manjada desculpa do futebol brasileiro. “É difícil jogar duas competições, passamos por isso com Paulista e Libertadores. Por mais que você tenha jogadores de qualidade, não tem um time para colocar”, disse.
Todo mundo sabe que o calendário é apertado, que os times não têm tempo para treinar, mas passou. Bola para frente. Para complicar ainda mais, Ronaldo quer renovar as esperanças colocando ainda mais pressão. A Libertadores 2011 não é mais a do centenário. Não tem mais jeito.
Enquanto isso… São Paulo e Santos vão pensando em Copa Libertadores e Copa do Brasil, respectivamente. Esses pontinhos perdidos nas primeiras rodadas podem sim fazer falta. A história dos pontos corridos mostra isso. Já o time do Palmeiras precisa melhorar mesmo. Questões extra-campo tem de ser resolvidas rapidamente, porque a bola do time está muito murcha.
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POR ANTERO GRECO
antero.greco@grupoestado.com.br
Houve época em que uma vitória ou uma derrota duravam muito. Jogadores e torcidas curtiam as glórias por semanas, assim como curavam as feridas sem pressa. Os episódios seguiam seu curso natural. Agora, sobram atropelos, as competições se sobrepõem, não há tempo para respirar. O título de ontem já era, não há pausa para que a eliminação seja digerida. A fila precisa andar.
Veja o Santos. Uma semana atrás, ganhou o Paulistão e parece que foi no ano passado. Na quarta-feira, decidiu vaga na Copa do Brasil e ontem estreou na Série A nacional, com times misto e belo empate de 3 a 3 com o Botafogo. O Palmeiras perdeu o rumo em Goiânia, entrou em parafuso e neste sábado teve de encarar a desconfiança da torcida no Brasileirão. Fez 1 a 0 no Vitória, mas num sufoco só. O São Paulo se livrou do Universitario na Libertadores e daqui a pouco pega o Fla, que renasceu na beata derrota para o Corinthians.
A roda-viva me traz a tema importante. Estou a imaginar qual Corinthians estará no Pacaembu, logo mais. Aquele instável, porém confiante de alcançar a glória das Américas que se via desde julho, ou o que saiu de cabeça inchada, após a vitória estéril sobre o Fla? Um Corinthians que vai encarar o Atlético-PR como primeiro rival a derrubar na caminhada do quinto título nacional, ou que se contentará só com vaga na Libertadores – sempre ela, a maldita, a inatingível?
Espero que seja um Corinthians realista, mas não desanimado. Compenetrado, mas não sisudo. Eficiente, mas não burocrático. Paciente, mas não conformado. Um Corinthians que dê valor à taça da qual abriu mão de brigar em 2009 porque se guardava para a Libertadores. Um Corinthians que não seja meia-boca, como nos últimos dez meses.
Para isso, tem de mudar. A torcida andava entorpecida com o sonho de grandeza e relevou deslizes, ignorou oscilações, perdoou atuações irregulares. Agora, será diferente. O mito da Fiel que apoia é verdadeiro e até virou lugar-comum. Como é real, e complicado, o mito da Fiel que cobra. Ambos estarão presentes no mais charmoso estádio paulistano, mas temo que o segundo tenda a prevalecer, se não se ajustar logo.
O Brasileiro será a oportunidade para muitas apostas corintianas mostrarem que não foram fogo de palha nem estão no Parque como figurantes. Coloco nesse balaio Tcheco, Danilo, Iarley, Edu, Marcelo Mattos, Defederico, o próprio Roberto Carlos – que não têm tanto tempo de casa. Ou Ralf, Jucilei, Alessandro, Souza, Escudero, Balbuena. Ou Ronaldo. Elenco grande e variado, que carece de homogeneidade e constância.
O futuro do Fenômeno é dos que mais me intrigam. Por se tratar de astro, merece olhar atento. Na quinta-feira, acusou o golpe e se magoou, quando questionaram seu comprometimento com o clube. A pergunta me soou descortês e poderia ter sido formulada de outra forma, ainda que a intenção do repórter fosse saber o que faltou para Ronaldo e time evitarem eliminação.
Ronaldo alegou que se dedica aos treinos, mas que idade, 8 operações e dores limitam seus movimentos. Não duvido de quem foi eleito três vezes o melhor do mundo. O tempo, porém, é implacável. Ronaldo sabe que deve treinar bem mais agora do que dez anos atrás para ter performance menor. A carreira embicou na curva descendente – e não há demérito nisso, é vida. Duro, mas biológico. Como admitiu, daqui pra frente precisa ter muita sensibilidade para saber parar, antes de tornar-se sombra do que foi.
Ronaldo reclamou de falta de respeito com os ídolos domésticos e sente isso na pele. Discordo. Ele é admirado, respeitado, amado. Só os rudes contestariam sua trajetória e importância. Nada pode ser suprimido de suas conquistas. Só que não deve receber como desfeitas as críticas sobre o desempenho atual. Ronaldo está na ativa e fica sujeito a avaliações como qualquer atleta. As restrições ou os elogios de hoje não negam nem reforçam o restante da carreira.
Ronaldo é um mito, mas sempre Homem e não Deus. Portanto, falível. Encará-lo assim é sensato. E justo.
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Ronaldo lamenta a única chance que teve no Maracanã – Wilton Júnior/AE
O Flamengo levou a melhor sobre o Corinthians e o técnico Mano Menezes ganhou um problema: o que fazer com o atacante no jogo de volta da Copa Libertadores? O Fenômeno passou em branco no Maracanã e foi presa fácil para os zagueiros adversários.
Uma boa jogada nos 90 minutos. Pouco para quem já foi Fenômeno, um jogador a menos para um time que precisa reverter o 1 a 0, em 5 de maio, no Pacaembu.
Apesar da omissão de Ronaldo dentro de campo (enfrentou bem os protestos da torcida flamenguista desde sua chegada), Mano parece insistir com o camisa 9 entre os titulares. “O desempenho dele é melhor que o dos outros na comparação lá na frente. E nessa hora não adianta voltar todas as baterias apenas para cima de um jogador”, disse.
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