
Revoltado. Lucas xinga o árbitro Gutemberg de Paula Fonseca após ser expulso de campo
Se você ler apenas o resultado, está tudo certo: São Paulo 2 a 0 no Santa Cruz, na Arena Barueri, entende que o time paulista fez o que precisava para se classificar às oitavas de final da Copa do Brasil 2011. Mas não é, foi um jogo de descontrole (não tanto quanto o Santos, mas isso é tema de outro post). Dos jogadores aos torcedores são-paulinos, tendo como exemplo a jovem estrela Lucas.
Transtornado por ter sido expulso, aos 42 minutos do segundo tempo, quis partir para cima do árbitro Gutemberg de Paula Fonseca. Quis brigar com todo mundo. Péssima atitude. Vai descansar a cabeça, ficando fora do primeiro jogo contra o Goiás, o próximo adversário. Foi o reflexo dos nove amarelos e quatro expulsos (sendo três do time pernambucano). Problemas de todos os lados, incluindo o árbitro, que quis evitar a violência e enervou os times.
Paulo César Carpegiani terá de colocar a cabeça de todos no lugar. O time sentiu a pressão dos 21.066 pagantes. E das comemorações dos últimos dias. Na bola, para constar, teve o domínio do jogo e de chances de gols. Poderia ter ganho tranquilamente.
Soberba. E o que dizer de Rogério Ceni? A cavadinha no pênalti cometido estupidamente por André Oliveira (não pode colocar o braço na cara) foi arrogante. Por isso, bem feito por ter perdido – Tiago Cardoso caiu mas voltou a tempo e espalmou a bola, defendendo o chute. O capitão são-paulino nunca bateu assim. Fico com a impressão de que lhe subiu à cabeça os gols centenários e as homenagens. Ignorou o outro lado – mas não acredito em menosprezo com o Santa Cruz. Quase complicou a classificação do time. O goleiro já foi mais simples.
Vexame. Do Atlético Mineiro, fora da Copa do Brasil, no 0 a 0 com o Grêmio Prudente, que passa de fase. O time de Presidente Prudente é lanterna do Paulistão. Sem mais explicações.
AS FRASES
“Caí e consegui levantar. Dou glória a Deus por tudo isso”
TIAGO CARDOSO, goleiro do Santa Cruz, sobre a defesa do pênalti batido por Rogério Ceni.
“Eu treinei a batida e o Tiago sabia disso. A responsabilidade é minha. Desçam o pau porque eu perdi o pênalti, e não a forma. Eu treino”
ROGÉRIO CENI, goleiro do São Paulo, justificando o erro na cobrança de pênalti.
Rogério Ceni foi soberbo na cobrança de pênalti que perdeu?
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Rogério Ceni e Paulo César Carpegiani se disseram vencedores morais do clássico em que o São Paulo perdeu por 2 a 0 do Santos. Muita gente lhes dá razão. Baseados em quê? Em números. No maior tempo de posse de bola, nos chutes a gol, nos passes trocados. Quem olhar as estatísticas, sem saber do resultado, concluiria por goleada tricolor – fora o show de bola. Já o resultado do jogo – números outra vez – diz o contrário. Venceu o Santos, com menor número de chutes a gol, menos posse de bola, menor número de passes trocados. Foi superior “apenas’’ num item – o número de vezes que conseguiu balançar as redes do adversário. Mero detalhe. Dois detalhes.
É curioso como toda essa análise numerológica tem de se servir de elementos mágicos para explicar por que o placar final não refletiu as estatísticas do jogo. “Tivemos falta de sorte’’, disseram. Quer dizer, tudo saiu como o planejado, mas o acaso não quis que a superioridade fosse traduzida em vitória. Por exemplo, aquela bola chutada na trave por Jean, e que deixou os são-paulinos com o grito preso nas amídalas: por que não foi gol ? “Ora, porque a bola não quis entrar’’.
Essa frase, de boleiros novatos ou veteranos e de comentaristas de todas as índoles, traduz nossa perplexidade diante do jogo. Em falta de melhor explicação, atribui-se ao objeto bola poder de decisão sobre a sua própria trajetória. Em meio às explicações estatísticas da ciência exata, estamos às voltas com a forma mais arcaica do pensamento mágico. Mandinga junto com o notebook do professor.
Com as estatísticas queremos cercar o imponderável de um jogo que não cessa de nos desafiar por suas oscilações. A meu ver, é inútil querer transformá-lo em ciência. O futebol é uma arte – no sentido amplo do termo. Um artesanato, que pode (e deve) ser aperfeiçoado no plano coletivo e no individual, mas tem muito mais a ver com o “saber fazer’’ de um pintor ou de um trabalhador especializado do que com as equações da ciência. Tem mais parentesco com a culinária e a escultura do que com a física e matemática. Ninguém sabe de antemão se um prato novo será genial ou apenas bom. Ou se uma tela revolucionará a arte da pintura ou será apenas repetição de centenas outras já existentes de forma rotineira pelo mundo.
Conclusão, minha pelo menos: no futebol, como nessas artes correlatas, é mais interessante analisar a qualidade do que a quantidade. De que vale ter dado mais passes, se a troca de bolas laterais de 3 metros conta tanto quanto o lançamento fatal de 40 metros? De que serve contar os tiros à meta se um chute torto na bandeirinha de escanteio vale a mesma coisa de uma colocada no ângulo? Qual o valor da posse de bola se a cifra não conta o que se fez durante esse tempo?
Claro que ataques sistemáticos, repetidos e eficientes tendem a se traduzir em gols. Tendem, mas também isso não é certo. E não precisamos de estatísticas para comprová-lo. O povo, mais sábio, apenas diz: futebol é bola na rede. Quem precisa de mais ciência e mais certezas, errou de esporte.
Na Colômbia. Quer dizer que já está tudo perdido para o Corinthians, como ouvi dizer por aí? Nada disso. Pelo menos não é a minha impressão. A situação é difícil, mas não desesperadora. Basta vitória simples, ou empate com gol marcado, para o Timão passar à fase de grupos da Libertadores. Tarefa nada impossível, mesmo na casa do adversário – e estamos falando do Tolima, não do Boca Juniors. O problema não é nem o adversário, mas a maneira como o Corinthians vem jogando. Não faltou garra, abnegação ou seriedade no primeiro jogo. Faltou fluência. É impressionante como às vezes uma única peça perdida desarticula todo o conjunto. Essa peça chama-se Elias. Não há substituto para ele. Esse é o “x’’ do problema. Não para o jogo contra o Tolima, mas para o resto do ano.
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Amigos, o futebol brasileiro nos reserva surpresas incríveis. Eu achava já bastante interessante que Rivaldo, o grande craque da Copa de 2002, fosse presidente e jogador de um mesmo clube, o Mogi Mirim, pois poderia pôr em prática a frase antológica de Neném Prancha, o maior filósofo da bola: “O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. Pois bem. Não teremos a oportunidade de ver a tese de Neném realizada na prática porque Rivaldo jogará pelo São Paulo e não pelo Mogi. Continuará presidente? Não parece estranho um jogador atuando por um clube e presidindo outro? Mas, quer saber? Estou muito curioso para ver Rivaldo na equipe do São Paulo. No Mogi, ele seria o salvador da pátria, literalmente o dono do time, aquele que joga por todos.
Tarefa ingrata, ainda mais para um veterano. No Tricolor, em time estruturado, cercado de bons jogadores, poderá mostrar se ainda conserva aquela lucidez, o toque refinado que mostrou em seus melhores tempos. Aposto que será a cereja no bolo. Aquele que dará dois ou três toques decisivos durante um jogo, fazendo a diferença com sua categoria. No futebol, cada vez mais dependente da parte física, 38 anos pesam. Mas a técnica não se desgasta com o tempo. Apura-se. Acho que Rivaldo não esqueceu como se joga bola em sua passagem pelo Uzbequistão e ainda guardou algumas cartas na manga para botá-las sobre a mesa em tempo oportuno.
Não deixa de ser curioso, e até comovente, ver reunida no Brasil boa parte da seleção que nos deu o quinto título mundial. Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians, Ronaldinho no Flamengo, e, agora, Rivaldo no São Paulo. Nenhum deles jogava em clube brasileiro na época da Copa de 2002. Ronaldo estava na Inter de Milão, Rivaldo no Barcelona, Ronaldinho no Paris Saint Germain, Roberto Carlos no Real Madrid.
Brilharam na Europa, ganharam todo o dinheiro que o futebol pode proporcionar, e agora retornam ao país de origem, como se tivessem cumprido um período de exílio e voltassem como filhos pródigos. Vários outros jogadores dessa conquista estão por aí. Marcos e Rogério Ceni, que nunca saíram. Juninho Paulista é dirigente do Ituano, Denílson é comentarista de TV. E vai por aí.
Fico fascinado por esses jogadores que voltam, depois de findo o seu período de estrelato no Primeiro Mundo. Alguns com idade avançada, ou com problemas físicos, outros desiludidos e saudosos, chegam e desmentem os críticos mais pessimistas. Ronaldo veio a ser decisivo em 2009 e impõe respeito com sua presença. Roberto Carlos é o melhor lateral-esquerdo em atividade (falhou no domingo, todos falham).
Agora, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Além do que podem fazer em campo, o fator marketing é soberano. Ídolo em casa, transformado em ícone publicitário, é dinheiro em caixa. O futebol hoje é isso. Mas, claro, há o jogo e, no gramado, esses velhos mestres ainda têm o que mostrar.
Acima de tudo funcionam como referência para as torcidas. Será que têm ideia da responsabilidade que assumem perante torcedores carentes de ídolos? Não sei. Espero que sim. Senhores boleiros veteranos, sejam bem-vindos à casa, mas não decepcionem suas torcidas. A mística do futebol depende da magia que só a presença de vocês, craques, proporciona. Mesmo o marketing depende disso, não esqueçam.
Me engana… Qualquer análise do Campeonato Paulista 2011 passa por uma obviedade: este novo sistema foi feito para classificar todos os grandes e mais quatro (ou três, se considerarmos que a Portuguesa ainda faz parte do primeiro grupo) convidados para os playoffs. É o problema de campeonatos disputados fora do sistema de pontos corridos.
Proporcionam jogos finais emocionantes, mas o preço a pagar é uma série de partidas iniciais que não valem rigorosamente nada. Troca-se um desfecho emocionante por uma primeira fase mais do que previsível.
Será que vale a pena?
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Ninguém pode dizer, em sã consciência, que a primeira rodada do Campeonato Paulista tenha sido uma festa para os olhos de um apreciador de futebol. Equipes ainda meio tortas, fora de forma, desfalcadas, desentrosadas – tudo isso de certa forma era esperado neste início de temporada. Em alguns casos, houve time que superou as expectativas e foi pior do que se imaginava. Não vamos desanimar.
Sim, porque, apesar disso tudo, não é que tivemos momentos muito interessantes? Por exemplo, o Santos, sem oito titulares, passeou no jogo contra o Linense e pelo menos um dos quatro gols que marcou foi muito bonito. Escapada de Zé Love pela esquerda e toquinho esperto na saída do goleiro, que foi mal no lance. Adílson Batista jogou com três atacantes, mostrando disposição de dar continuidade à filosofia de jogo ofensiva do Peixe.
Mas o momento mais surpreendente (e bonito) da rodada, claro, foi o gol olímpico de Roberto Carlos contra a Portuguesa. O lance teve aqueles ingredientes que agradam em cheio ao boleiro amante da arte do futebol. Foi misto de técnica refinada e pura malandragem. Enquanto o goleiro da Lusa se distraía orientando a defesa para a cobrança de escanteio, Roberto cobrou depressinha, com o lado de fora do pé, bola baixa, que fez a curva improvável e entrou na meta. Houve ainda a participação de um jogador do Corinthians, que voltava da linha de fundo e abriu as pernas para deixar a bola passar. Na opinião do comentarista de arbitragem da Globo Renato Marsiglia, esse fato torna o lance irregular. Mas não lhe tira o mérito, se não quisermos nos ater à fria letra da lei. E muito menos lhe tira a graça – no sentido amplo do termo.
O que é a graça? Aquilo que surpreende, que sai do esquadro, da “normalidade’’, da rotina do jogo. A graça tem algo de espiritual, é como uma iluminação, a exposição de uma possibilidade que não sabíamos existir. Tem algo de cômico também. Faz rir. Garrincha fazia a torcida rir, ao entortar seus “joões’’. Pelé fazia rir, ao se enganchar num adversário para simular uma falta dentro da área. A graça pode vir de um drible, de um passe inesperado, de uma malandragem genial. Pode ser um gol como o de Roberto, o primeiro gol olímpico em sua longa e vitoriosa carreira. Gol olímpico é sempre uma maravilha, desafia a linearidade do pensamento. Para o leigo, parece algo impossível. Pelas leis da física é pensável, mas é muito difícil. Quando ainda inclui um ingrediente de malícia, como foi o caso nesse gol do Corinthians, ele se torna ainda mais fascinante.
Enfim, esses momentos, para uma rodada de abertura, estão mais do que bons.
O que ainda não dá é para fazer prognósticos em relação aos grandes que, para ser franco, se bateram contra adversários muito fracos. Quer dizer: infelizmente já dá para falar alguma coisa do Palmeiras. Se Santos, São Paulo e Corinthians, com mais ou menos brilho, fizeram a lição de casa e já embolsaram três pontos, o Palmeiras empacou diante do Botafogo de Ribeirão Preto – e jogando em casa. Na estreia, o time de Felipão ganhou sua primeira vaia da torcida. Outras virão? Como as coisas não vão exatamente lá muito bem pelos lados do Parque Antártica, até o Palmeirinhas já foi desclassificado da Copa São Paulo.
Convenhamos: é preciso caprichar na ruindade para cair nas fases iniciais da Copinha. E os meninos do Palmeiras dançaram diante do velho Nacional, da rua Comendador Souza, sim senhor! Com eleição pela frente, o Palestra ainda tem muito tempo para se aprumar e fazer de 2011 um ano diferente de 2010. Mas é melhor não facilitar muito, não. Mesmo porque, com crise política ou sem, a turma do amendoim continua sempre atenta e vigilante.
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A Copinha não engrenou, os “reforços” do seu clube não entusiasmam: então o que fazer, antes que comecem os campeonatos regionais, quer dizer, o futebol para valer? A resposta: divertir-se, se isso for possível, com o imbróglio da contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo, depois de oscilar entre Grêmio, Palmeiras e até Corinthians.
Coberto de razão, Pelé disse que era indigno de uma pessoa humana, um ídolo ainda por cima, submeter-se dessa forma a um leilão. De fato. Como achar normal esse tipo de comportamento, mesmo em mundo tão mercantilizado como o nosso? É evidente que todo profissional tem o direito de exigir a máxima recompensa por seu trabalho. Mas não existiria aí certo exagero, proporcional às cifras fantásticas pleiteadas pelo Gaúcho e por seu agente-irmão, Assis? Não precisariam de jeito nenhum chegar à utopia proposta por Pelé – jogar de graça para o Grêmio, pois já teria conta bancária bem fornida, para ele e para as gerações vindouras. Ora, se existe uma coisa que os ricos nunca acham que têm demais é dinheiro. Exatamente por isso são ricos.
Ronaldinho, o bon vivant Ronaldinho, dos pagodes, dos dribles e das baladas, não seria exceção. Quer mais e mais, como qualquer pessoa em sua condição. Mas não poderia ter encontrado um meio-termo entre ética e ambição, fechando com o Grêmio para resgatar aquela antiga dívida simbólica com a torcida do seu clube de origem? Não. Para variar, o vil metal falou mais alto.
É possível que esse leilão de Ronaldinho não seja lá tão diferente de outras “negociações” envolvendo jogadores. Talvez seja apenas mais tosca e explícita, por isso nos chame a atenção. Na verdade, é até útil para tomarmos consciência daquilo em que se tornou o mundo do futebol, pelo menos este futebol profissional de alto nível, com tantos interesses econômicos implicados.
Para o bem e para o mal vivemos na era do marketing, da publicidade. Jogadores como Ronaldinho e outros do mesmo patamar valem pela imagem. Nem precisam jogar tanto assim para justificar as cifras que movimentam.
A prova é o outro Ronaldo, o Fenômeno. Chegou desacreditado ao Corinthians, fez um bom 2009 e um 2010 pífio. Apesar de alguns gols magníficos, se fôssemos julgar Ronaldo pelo critério míope do custo benefício (Quanto onera em salário? Quanto rende dentro de campo?), o resultado seria negativo. Mas esse é o cálculo errado. A conta certa é verificar quanto se gasta com o Fenômeno e quanto ele traz de volta sob forma de marketing. E, feita essa conta, o saldo será amplamente positivo, jogue bem ou mal. Ou nem jogue, se for o caso.
Com Ronaldinho, a conversa será outra. Sem problemas físicos, não há por que duvidar de que jogará bem, e com mais frequência, num futebol do nível do brasileiro atual. Cada lampejo de craque no Flamengo irá turbinar sua imagem que, por sua vez, fará tilintar a máquina de marketing montada em torno de sua figura. Bem administrada, a marca Ronaldinho Gaúcho poderá ser uma mina de ouro. Daí a disputa acirrada por ele quando, notoriamente, seu mercado na Europa estreitou-se.
Melhores do mundo
Eu pensava que o melhor do mundo seria Iniesta, pela boa Copa realizada e, em especial, pelo gol do título contra a Holanda. Mas prevaleceu o bom senso e Messi vence de novo, mesmo tendo realizado uma Copa aquém do que se esperava. Mas Messi é mesmo o melhor. Assim como a melhor do mundo no futebol feminino é Marta, com seus cinco títulos, apesar da bronca da alemã Birgit Prinz. Só não gostei do melhor gol. O do turco Altintop é belo, mas prosaico. O de Neymar é poesia pura: pensou o impossível e tornou-o possível. Europeus importam a poesia, mas não a apreciam.
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Dirigentes de Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Bahia comemoram o fato de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ter reconhecido as conquistas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, entre 1959 e 1970, como legítimos títulos do Campeonato Brasileiro (será que vai ter desfile em carro aberto?). No entanto, principalmente no caso dos paulistas, não percebem que podem criar um problema para os seus clubes.
Se vale apenas o que é reconhecido por entidades oficiais, o Santos acaba de dizer adeus ao bicampeonato mundial conquistado em 1962 e 1963, e o Palmeiras enterra de vez seu título mundial de 1951, a Copa Rio.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa), que tem para o mundo o mesmo valor que a CBF tem para o Brasil, não reconhece essas conquistas como títulos mundiais – para a entidade máxima do futebol, valem apenas os torneios de 2000, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010 (e os que acontecerem daqui em diante). O resto é tratado como Copa Intercontinental, ou seja, um enfrentamento entre o campeão sul-americano e o campeão europeu.
Mas ninguém parece estar muito preocupado com isso. Afinal, os presidentes dos clubes agraciados estão felizes porque no futuro poderão dizer que os times tiveram títulos reconhecidos em suas gestões. E sabemos que a irracionalidade de torcedor impera na cartolagem brasileira.
Agora, se os dirigentes fossem um pouco mais inteligentes, certamente não estariam preocupados com reconhecimentos de CBF ou Fifa (será que estas federações são tão mais importantes do que os clubes?).
Afinal, os títulos de 1959 e 1970 foram comemorados como conquistas nacionais? Sim, então, pronto! E a Copa Rio de 1951 e as Copas Intercontinentais de 1960 a 2004, eram comemoradas como títulos mundiais? Sim, então pronto! É isso o que vale. Não entendo como os clubes deixam tanta gente de fora ficar dando palpite em suas grandiosas histórias.
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O que a CBF pode fazer sobre os campeões da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa é reconhecê-los como título nacional. Simples assim.
Imagino que a postura será: dizer que todos são campeões nacionais, sem atribuir peso – porque isso é subjetivo, o título pode ser importante para um e não para outro, além de não podermos medirmos tecnicamente os campeonatos, etc. São torneios nacionais pré-Brasileirão, mas não são o próprio.
O reconhecimento é necessário pelo fato da CBF ser a entidade reguladora, puxando pela teoria do contrato social (aqui, um obrigado ao Marcos Guterman pelo esclarecimento!).
Afinal, a Copa do Brasil também é um título nacional, por exemplo, e não tem, teoricamente, a mesma importância da atual Série A – embora sirva para a mesma coisa: classificar um time para disputar a Copa Libertadores do ano seguinte.
E o Campeonato Brasileiro que temos atualmente não é melhor ou pior do que os torneios de antes (tinhamos campeões mundiais disputando, a situação econômica era diferente, os clubes tinham uma valorização maior, etc).
Não há um critério justo para definir isso – a não ser que alguém tenha achado uma boa fórmula para isso, e se tiver, por favor, compartilhe conosco.
É errado dizer unificar títulos, como tem sido comentado. Não há conflito com outro campeonato no mesmo período.
Portanto, a soma que parece ser a mais correta de títulos nacionais é a do quadro que coloco ao lado – e sem dar peso a estas. O que deve se dizer: sim, todos são campeões nacionais e merecem os parabéns por isso.
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No futebol, existem derrotas e derrotas. Aquelas normais, em que o time perde para outro do mesmo nível, em um confronto igual, e aquelas vergonhosas, quando uma equipe é superada por um adversário de pouca ou quase nenhuma expressão. E foi este segundo tipo de revés que sofreu o Internacional nesta terça-feira, ao ser superado pelo Mazembe, da República Democrática do Congo, por 2 a 0, e sair da disputa pelo título do Mundial de Clubes da Fifa, disputado em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos.
O Internacional terá que amargar para sempre o fato de ter sido o primeiro clube a permitir que um time fora do eixo principal do futebol mundial, que envolve América do Sul e Europa, dispute uma final de Mundial. O Grêmio até já fez uma gozação oficial e afirmou que é o único clube gaúcho invicto em Mundiais (foi campeão em 1983 ao bater o alemão Hamburgo e em 1995 empatou com o holandês Ajax e só deixou de ganhar o título nos pênaltis).
Mas também é fato que um dia isso iria acontecer. Na versão do Mundial criada pela Fifa em 2000, em que equipes de todos os continentes participam (na anterior, que não era bancada pela entidade máxima do futebol, havia somente um jogo entre um time sul-americano e um europeu), a zebra era iminente. E o Internacional a conheceu de perto nesta terça.
Agora, nada melhor para a equipe do Rio Grande do Sul do que uma derrota da Inter de Milão, da Itália, diante do Seongnam (Coreia do Sul) na semifinal ou do Mazembe na decisão. Pelo menos igualaria o desastre, e mostraria que o futebol realmente está mudando.
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O fim de ano do futebol brasileiro, que costuma servir apenas para movimentar o mercado de transferências de jogadores, pode ser de festa para alguns clubes. Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Bahia, Fluminense e Botafogo lutam para ter reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) os títulos nacionais conquistados a partir de 1959 (hoje, a entidade só considera os torneios a partir de 1971, quando foi criado o atual Brasileirão), e a decisão deve sair antes do início da temporada 2011.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recebeu um dossiê e um vídeo apresentado pelas seis equipes e pediu cerca de dois meses para fazer uma análise. Se as conquistas forem reconhecidas, Palmeiras e Santos passarão a ser os maiores ganhadores de campeonatos nacionais, com oito troféus. Hoje, o time alviverde tem quatro, e a equipe da Vila Belmiro dois.
O Flu saltaria de dois para três, e Cruzeiro, Botafogo e Bahia de um para dois.
Entre os outros times, São Paulo continuaria com seis títulos, contra cinco do Flamengo, quatro de Corinthians e Vasco, três do Internacional, dois do Grêmio e um de Atlético-MG, Atlético-PR, Coritiba, Guarani e Sport Recife.
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Com o fim do Campeonato Brasileiro e da Sul-Americana, já estão definidos todos os seis clubes que representarão o Brasil na Copa Libertadores de 2011. O País vai para a competição com Internacional, atual campeão, Santos, vencedor da Copa do Brasil, e os quatro mais bem colocados no Brasileirão – Fluminense (1.º), Cruzeiro, (2.º), Corinthians (3.º) e Grêmio (4.º).
Corintianos e gremistas terão que disputar um mata-mata antes de ingressar na fase de grupos do principal torneio do continente. Os outros não precisarão passar por este confronto.
O time alvinegro vai encarar uma equipe colombiana, que pode ser Independiente Santa Fé ou Once Caldas. Se passar, entra no Grupo 7, a ‘chave da morte’, que também terá Cruzeiro, Guarani (PAR) e Estudiantes (ARG) ou Velez Sarsfield (ARG).
Já o caminho de time gaúcho não parece tão complicado. Na pré-Libertadores, pega o teoricamente frágil Liverpool (URU) e, em caso de triunfo, ingressa no Grupo 2, com Junior Barranquilla (COL), Oriente Petrolero (BOL) e León de Huánuco (PER) ou U. San Martín (PER).
Outro brasileiro com vida complicada é o Flu, no Grupo 3, com adversários complicados – Argentinos Jrs. (ARG), Nacional (URU) e América (MEX).
O Santos, por sua vez, terá uma chave, em teoria, ‘amigável’. No Grupo 5, pega Colo Colo (CHI), Deportivo Táchira (VEN) e Cerro Porteño (PAR) ou Deportivo Petare (VEN).
E o Internacional, por ser o atual campeão continental, é cabeça-de-chave do Grupo 6. A equipe colorada terá como rivais na primeira fase Jorge Wilstermann (BOL), Emelec (EQU) ou LDU (EQU) e Jaguares (MEX) ou Alianza Lima (PER).
A pré-Libertadores começa em 26 de janeiro, enquanto a fase de grupo terá início em 9 de fevereiro. Corinthians e Fluminense buscam um título inédito, enquanto Santos, Inter, Grêmio e Cruzeiro estarão na luta pelo tricampeonato.
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