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O Cruzeiro começou a Libertadores aplicando uma goleada histórica no Estudiantes de La Plata. Venceu em casa por 5 a 0, e muitos consideraram fruto de sorte, por ter aberto o placar no início do jogo e desmontado a equipe argentina.
Mas, no decorrer da competição o treinador Cuca mostrou que a Raposa e sua goleada na primeira partida não foi apenas sorte, e que sim esta é uma das equipes mais fortes da Libertadores.
Goleou todas as equipes que recebeu, e fora de casa só perdeu pontos para o Deportes Tolima, em um 0 a 0 na Colômbia. Ademais, o treinador soube aproveitar Roger e posicionar Montillo, o melhor jogador em atividade no Brasil ao meu ver, da melhor forma possível, além do atacante Wallyson, outro achado do treinador.
Com a vitória em cima do Estudiantes, o Cruzeiro chegou aos 16 pontos e cravou a melhor campanha da segunda fase (a primeira foi a fase mata-mata, chamada aqui no Brasil de pré-Libertadores), feito que lhe garante decidir em casa a partir das oitavas.
No entanto, este fato não garante muita coisa para os mineiros. A última equipe que fez a melhor campanha e saiu campeã foi o River Plate em 1996. Desde então, decidir em casa não foi sinônimo de vitória garantida, e o próprio Cruzeiro é testemunha disto, basta lembrar da Libertadores de 2009.
Agora, começa uma nova competição para a equipe. Mas, se mantiver este futebol apresentado, tem tudo para repetir o feito do River Plate.
Andrés Sanchez disse que se a falta tivesse sido marcada no meio de campo ninguém diria nada. Claro. Atos se definem pelas suas conseqüências. Se o juiz tivesse dado falta de Gil em Ronaldo no meio de campo, o Corinthians reiniciaria o jogo e ponto final. Como foi dentro da área, pênalti. E pênalti convertido em gol com toda a tranqüilidade pelo mesmo Ronaldo.
Então, tudo é relativo e uma mesma ação é falta fora da área e não dentro da área? Nada disso. Falta é falta. A questão é que um lance destes, que decidiu um jogo equilibrado e pode definir um campeonato também muito igual, põe uma lente de aumento sobre a questão da arbitragem no Brasil.
Nesse momento, abro um parêntese. Há colegas que já não agüentam mais discutir arbitragem. Mas, e daí? O que importam nossas opiniões e preferências se temos de nos curvar diante dos fatos? Discutimos árbitros não porque queremos, ou gostemos, ou achemos o assunto interessante, mas porque o tema se impõe.
Voltemos ao lance. Houve contato entre Gil e Ronaldo? Sim, as imagens são claras e quanto a isso não existe controvérsia. O simples contato significa que houve falta? Não. O futebol é jogo de contato. Não é proibido tocar no adversário. Quando o contato vira falta? Vou ao livrinho da FIFA (regra 12): “Será concedido um tiro direto à equipe adversária se um jogador cometer uma das seguintes faltas de maneira que o árbitro considere imprudente, temerária ou com uso de força excessiva”. E então, segue-se a lista de infrações passíveis de punição, entre as quais aquela que Gil teria cometido em Ronaldo: “saltar sobre um adversário”.
Aconteceu isso? Sim, mas toda a discussão reside naquelas palavras-chaves: ele o fez de maneira “imprudente”, “temerária”, ou “com uso de força excessiva”? Quem mede? Quem decide? O árbitro e apenas ele, não as imagens das “n” câmeras disponíveis hoje em dia. E ponto final.
Ou seja, existe uma situação de tudo ou nada (ou foi falta ou não foi, sem possibilidade de posições intermediárias), e o seu julgamento depende da interpretação do juiz, pois ao contrário do que se diz, a regra é tudo, menos clara. Sua aplicação depende da subjetividade do juiz, da maneira como vê esse ou aquele lance em particular, mas também o jogo como um todo.
E aqui entramos no “x” da questão, que é o jeitinho brasileiro de apitar. Criou-se, no Brasil, um estilo de arbitragem que tende a negar a característica do futebol como jogo de contato. Aqui no Brasil, encostou é falta. Se for no meio de campo, como lembra Andrés, ninguém reclama. Na grande área (e ainda mais na reta final do campeonato), vira polêmica interminável.
A meu ver, deveria gerar discussão também quando é fora da área, porque, ao marcar qualquer contato físico como falta, o que os juízes estão fazendo é prejudicar a dinâmica do jogo. Vão contra uma das determinações da FIFA, a de manter a bola em movimento o maior tempo possível. Isso não significa que os juízes devam tolerar o jogo bruto. Ao contrário, devem proteger, de maneira muito clara, o jogador técnico do brucutu. Daí a achar que qualquer encostadinha significa infração, vai um oceano de distância. Justamente o oceano Atlântico, que separa o Brasil da Europa.
Sobre o lance entre Ronaldo e Gil, as opiniões se dividem. Deixando de lado paixões clubísticas de corintianos de um lado e cruzeirenses de outro, ouvi atentamente as opiniões de colegas e notei que existe empate técnico entre elas. Ou seja, é lance duvidoso, passível de interpretação. Ninguém é dono da verdade e, no futebol, menos ainda.
Quanto a mim, acho o seguinte: só no Brasil um árbitro daria pênalti num lance como esse. Criamos um estilo de arbitragem que, como a jabuticaba, só existe em território nacional. Com a diferença de que a jabuticaba é uma fruta deliciosa.
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Corinthians e Cruzeiro fizeram um jogo igual. Um lance polêmico definiu o placar no Pacaembu. Ronaldo se enroscou com Gil em disputa de bola e Sandro Meira Ricci não pensou duas vezes em marcar penalidade. Os cruzeirenses não só reclamaram que não houve nada na jogada, como Cuca chegou a dizer que Thiago Ribeiro tinha sofrido “pênalti mais claro” em outro lance.
Na minha visão, não aconteceu nenhum dos pênaltis no Pacaembu. Nem o assinalado para o Corinthians, nem o pênalti reclamado pelos cruzeirenses.
Infelizmente a arbitragem roubou a cena mais uma vez. Acredito que Márcio Rezende de Freitas (árbitro de Corinthians e Internacional no Brasileirão de 2005) tenha ficado com inveja do que aconteceu neste sábado.
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Jogadores do Fla lamentam bola que não entrou, como o torcedor. Wilton Junior/AE
SÃO PAULO – Corinthians 1 x 1 Palmeiras. Flamengo 0 x 0 Vasco. Atlético-MG 0 x 1 Cruzeiro. Internacional 0 x 0 Grêmio. O domingo foi de clássicos no Campeonato Brasileiro, mas faltaram gols. Míseros três em quatro duelos de estádios cheios. Mais de 50 mil no Maracanã, uma Arena do Jacaré lotada de atleticanos, um Pacaembu alviverde e o Beira-Rio à espera da decisão de quinta-feira na Copa Libertadores.
Os gols que não saíram ficam para a imaginação dos torcedores. O “e se” pode ser exemplificado de várias formas. Como no duelo paulistano, onde o atacante Ewerthon conseguiu ser flagrado em impedimento em três lances de gol – fora os pênaltis para os dois lados não marcados pelo irregular árbitro Paulo César Oliveira. No Maracanã, a baixa qualidade dos times faz os torcedores sonharem com jogos e craques que não estão mais por lá…
O futebol é ótimo porque nem sempre os clássicos, por exemplo, são os melhores. A emoção no final do Grêmio Prudente 1 x 2 Santos, com o time do oeste paulista perdendo dois pênaltis, que poderiam lhe dar um empate, é impagável. Paulo César e Róbson relembraram (com as devidas restrições) aquele Gana x Uruguai da última Copa do Mundo – para quem pôde ver, porque o SporTV absurdamente está passando videotapes nos jogos das 18h30. Outro jogo bom foi Avaí 4 x 1 Goiás, afundando o time goiano.
Aliás, afundar na crise é um problema para os técnicos Vanderlei Luxemburgo, Leão e Silas. Com seus times na zona de rebaixamento, balançam no comando, pela infeliz rotina do futebol brasileiro. Eles e seus torcedores devem ter novas emoções nos próximos dias.
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O jogo era contra o Flamengo, no Pacaembu, mas o Palmeiras estava mesmo com a cabeça em Belo Horizonte. Por lá jogaram Cruzeiro e Santos, em um 0 a 0 difícil de assistir. Noves fora a derrota com gol do seu ex-jogador Vágner Love, a noite desta quarta-feira, 2, pode ter sido até que boa para o time de Palestra Itália.
O presidente do time mineiro Zezé Perrella já acenou que vai liberar Kléber. Na sexta tem uma última reunião para acertar os detalhes do negócio. Sem o seu principal atacante, o técnico Adílson Batista cansou de tentar apagar incêndios e também entregou o boné. Já não é mais o técnico do clube e, convenhamos, é um sonho bem mais barato que o tarimbado Luís Felipe Scolari.
Além de tudo isso, menos uma confusão rondará o Palmeiras. Gilberto Cipullo e Seraphim del Grande, que não têm a melhor das relações, não trabalham mais juntos. O último anunciou que não faz mais parte do departamento de futebol.
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Mais do que um triunfo sobre o algoz da Copa Libertadores do ano anterior, o São Paulo conseguiu uma vitória daquelas que convence o seu torcedor. Além disso, espantou, ainda que temporariamente, o trauma de ser eliminado por times brasileiros na competição – Inter e Flamengo podem pintar pelo caminho.
O diferencial na edição 2010? Parece ser mesmo a vontade demonstrada contra conhecidos adversários e a gana de matar o jogo quando tem a chance. Convém lembrar que esses mesmos jogadores penaram para passar pelo modesto Universitário (PER).
2009. Também nas quartas de final, também contra o Cruzeiro. Derrota no Mineirão e no Morumbi, eliminação e o técnico Muricy Ramalho não aguentou no cargo. Foi demitido eo time seguiu o restante do Brasileiro com Ricardo Gomes. Saiu da incômoda 16.ª colocação e levou o time ao terceiro lugar.
2008. Maracanã lotado, o São Paulo garantia a classificação por conta do gol de Adriano. Mas aos 44 minutos do 2.º Tempo, como em um filme, Washington, o mesmo que vive momento conturbado no São Paulo, marcou de cabeça. Fluminense classificado. Imperador de volta para a Inter de Milão. Mais um título nacional no Morumbi.
2007. O roteiro se repetiu no ano seguinte antes mesmo do esperado. Nas oitavas de final, mais um gaúcho, mais uma eliminação. Depois de 1 a 0 no Morumbi (gol de Miranda e estreia de Dagoberto), Tcheco e Diego Souza reverteram o placar para o Grêmio, no jogo de volta, no Olímpico. Como no ano anterior, o baque só não foi maior pela conquista do Campeonato Brasileiro – o que também aconteceu em 2008.
2006. O bicampeonato parecia estar próximo. Até que uma bola cruzada na área e uma falha incrível do capitão Rogério Ceni fez com que tudo ficasse mais difícil. Dali em diante, o time se perdeu na grande final e a quarta conquista na história do clube foi adiada. Fernandão, hoje o mais novo candidato a ídolo pelos lados do Morumbi, foi o maestro daquele Internacional que acabou se sagrando campeão.
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Fernandão não precisou dar um chute sequer ao gol para encantar o torcedor do São Paulo. Com passes precisos, o atacante foi decisivo na vitória sobre o Cruzeiro na reedição das quartas de final da Copa Libertadores. O recém-contratado parecia conhecer os companheiros de equipe desde pelo menos 2006, quando foi o algoz na mesma competição continental.
Apesar do resultado e da boa atuação do recém-contratado, que devolveu o espírito de time de Libertadores ao São Paulo, a “parada ainda não está definida”. Quem afirma é o próprio técnico Ricardo Gomes. Com um ataque envolvente, o Cruzeiro ainda tem condições de reverter o placar no Morumbi, na quarta-feira, 19.
No Maracanã. O Flamengo fez de tudo para perder a partida para a Universidad de Chile. E conseguiu. Abusou dos erros e quando partiu para cima já era tarde. Em campo, Adriano esqueceu a não-convocação de Dunga e está disposto a levar o seu time às semifinais. Falta Vágner Love dar uma mãozinha.
Copa 2010. Só para voltar ao assunto seleção brasileira, quem viu Paulo Henrique Ganso no Olímpico pode se lamentar. Chorar pelo leite derramado ou torcer por uma lesão não são as melhores coisas, mas fica o desejo de um time mais cerebral, menos guerreiro. O Santos saiu derrotado pelo Grêmio, é verdade, mas o que o jovem meia-atacante jogou o que nenhum meio-campista de Dunga é capaz.
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