Giuliander Carpes, enviado especial
KAZAN – Em poucos confrontos com as cores do Brasil, Bruno Soares virou um líder da equipe da Copa Davis. Hoje ele é o personagem de matéria da edição impressa do Estadão contando sua história. Vida de duplista não é fácil. Os prêmios são menores e ainda precisam ser divididos com o parceiro, a convivência desgastante com o companheiro de quadra pode prejudicar os resultados e atrapalhar os negócios. Mas Bruno segue em frente. E pode ter papel decisivo no confronto com a Rússia que começa nesta sexta-feira. A dupla brasileira é favorita contra qualquer combinação dos russos.
(O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira de Tênis)
Tags: Brasil, Bruno Soares, Copa Davis, tênis
Giuliander Carpes, enviado especial
KAZAN – O idioma é definitivamente uma barreira na Rússia. Principalmente em Kazan, cidade não tão desenvolvida quanto a capital Moscou. Sem um intérprete, é muito difícil fazer jornalismo. Ainda bem que a organizada Federação Russa de Tênis, acostumada a receber confrontos importantes pela Copa Davis, disponibilizou alguns aos jornalistas brasileiros. Senão seria difícil entender a primeira coletiva de imprensa da equipe russa.
Os jogadores da equipe falam inglês, mas o capitão e presidente da federação, Shamil Tarpischev, nem arranha o idioma. O que dificulta ainda mais de extrair dados sobre a construção da suntuosa Kazan Tennis Academy, o melhor centro de treinamento da Rússia, onde será realizado o confronto com o Brasil a partir de sexta-feira. O complexo será tema de uma postagem específica na sequência. Por enquanto, ficamos com a coletiva de imprensa dos russos. Está fácil de entender alguma coisa?
(O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira de Tênis)
Tags: Copa Davis, Rússia, tênis
Giuliander Carpes, enviado especial
KAZAN – Sabe como a equipe brasileira da Copa Davis se prepara para treinar? Jogando futebol, claro. Bom, não é exatamente futebol, mas alguma coisa entre futebol e tênis. Aos seis jogadores (Thomaz Bellucci, Ricardo Mello, Bruno Soares e Marcelo Melo, mais os reservas Guilherme Clezar e Caio Zampieri) se juntam o capitão João Zwetsch, o técnico Daniel Melo, o médico Gilbert Bang, entre outros e a brincadeira está armada. O jogo dura alguns minutos. É só o tempo de aquecer antes do treino de verdade começar.
Os especialistas em educação física confirmam que o esforço do tênis é muito parecido com o do futebol, focado em arrancadas e freadas bruscas, embora um seja jogado com as mãos e outro com os pés. Nada melhor do que unir um ao outro e ainda tornar o aquecimento mais divertido.
(O repórter viajou a convite da Confederação Brasileira de Tênis)
Tags: Brasil, Copa Davis, Rússia, tênis, Thomaz Bellucci
MONTEVIDÉU – Rogério Dutra da Silva é apenas o quarto brasileiro com melhor ranking de simples, mas assumiu com fibra o posto de número 2 do País no confronto com o Uruguai pela Copa Davis e se tornou a principal afirmação da equipe brasileira em Montevidéu. Pode ser a surpresa da equipe para a repescagem do Grupo Mundial, em setembro.
Embora Thomaz Bellucci tenha vencido os dois jogos que disputou, jogou contra adversários muito abaixo de seu nível e pouco se pode dizer sobre sua real capacidade de assumir o posto de número 1 do País de fato – aquele jogador que ganha de adversários com ranking inferior e briga muito contra os jogadores do topo. Isso só será provado realmente no próximo confronto, já na repescagem do Grupo Mundial.
“Não foi uma surpresa, porque já tinha uma expectativa muito boa em relação ao Rogério. É esse tipo de comprometimento que a gente espera de um jogador da equipe”, diz o capitão brasileiro João Zwetsch.
Enquanto João Souza, o Feijão, tentava embarcar a Colômbia, onde vai jogar torneio challenger – sem sucesso, pois o Aeroporto de Carrasco ficou fechado durante boa parte do dia devido às cinzas do vulcão chileno Puyehue – Dutra da Silva vencia seu segundo jogo no confronto, contra Martín Cuevas.
Zwetsch tentou explicar a opção de Feijão, mas ficou claro que o jogador que ganhou pontos com ele foi Dutra da Silva. “O Feijão não jogou porque não quis”, deixou escapar o capitão brasileiro. “É uma situação compreensível, ele precisa fazer boas campanhas nos próximos torneios para entrar direto na chave do US Open, seu primeiro Grand Slam.”
Tags: Brasil, Copa Davis, João Souza, Rogério Dutra da Silva, tênis

Dando dicas. Daniel (E) passou o tempo todo com ex-companheiros no box do Brasil na quadra do Uruguai
MONTEVIDÉU – Não faz muito tempo e Marcos Daniel era um dos nomes que inspirava mais confiança na equipe brasileira da Copa Davis. Sua última atuação antes da aposentadoria, anunciada antes de Roland Garros, havia sido justamente nos 5 a 0 sobre o Uruguai no ano passado, em Bauru. Fisionomicamente, o gaúcho não envelheceu um dia sequer. Mas o ombro não é mais o mesmo.
“Com as lesões, perdi 40% da minha força. Assim não é mais possível ser um jogador de tênis profissional”, diz.
Em Montevidéu, Daniel estava como um conselheiro da equipe brasileira. O mais experiente do time é Bruno Soares, 29 anos, mas é de Thomaz Bellucci de quem se espera vitórias significativas na competição por equipes mais tradicional do mundo. Enquanto não acha um emprego fixo – se o tão especulado Centro de Treinamento do Brasil sair, será um dos técnicos dele -, o gaúcho tenta passar sua experiência para ele. Na repescagem do Grupo Mundial, a conversa será bem diferente da que o Brasil teve no Uruguai.
Crédito da foto: Marcelo Ruschel / POA Press / Divulgação
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MONTEVIDÉU – Da atual equipe brasileira, o jogador com melhor retrospecto em simples é um duplista. Com a vitória de ontem sobre Ariel Behar, 1.003º do ranking mundial, Bruno Soares somou seu segundo triunfo em confrontos de simples na Copa Davis – a outra havia sido há seis anos, num confronto também já decidido, contra a Colômbia. 100% de aproveitamento. Simpático, o mineiro brincou com a situação. Veja no video acima.
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MONTEVIDÉU – Nem Thomaz Bellucci, tampouco Bruno Soares ou Rogério Dutra da Silva. Todos estes foram nomes importantes na vitória do Brasil sobre o Uruguai pela Copa Davis, mas o personagem do confronto se chama Jose Luis de La Mano. Não sabe quem é? Os torcedores que acompanharam os jogos no Carrasco Lawn Tennis apelidaram-no de “tiozinho da corneta”.
Sem descanso, de La Mano “sonorizou” o confronto do início ao fim, sem esmorecer. Surpreendente tanta vitalidade e fôlego para um senhor de 75 anos. O segredo: uma boa dose de sofrimento no passado, grande amor ao esporte e prática frequente de atividade física. No caso, o tênis, em que se considera um “jogador de bom nível”.
Embora a torcida pelo Uruguai, de La Mano não nasceu no país vizinho, mas sim na Espanha. Mudou-se para cá depois de perder pai, mãe e avó durante a Guerra Civil espanhola, vagar pelas ruas por cinco anos e correr o mundo servindo à Marinha. O motivo: uma mulher, claro. Encantou-se por uma uruguaia e, ele mesmo filho de um homem nascido à beira do Rio da Prata, converteu-se celeste de uma vez por todas.
O “tiozinho da corneta” não perdia um intervalo entre os pontos para usar seus instrumentos de trabalho: um trombone, um pandeiro e a voz. Sabia que o Uruguai sem Pablo Cuevas, seu melhor jogador, não seria páreo para o Brasil. Mas há 25 anos acompanha a equipe celeste na Davis. Diverte-se em divertir.
“Esporte é diversão, companheirismo, alegria. Não há porque brigar”, afirma. O Uruguai já perdeu o confronto, mas a “corneta” de Jose Luis de La Mano e os gritos de “Sooooooy celeste, soooooooy celeste, celeste yo lo soy” ou “Uruguay, Uruguay, más grande que tu no hay” que a torcida uruguaia entoava a partir dos acordes de seus instrumentos vão ficar marcados na memória dos brasileiros que assistiram o confronto no Carrasco Lawn Tennis Club por um bom tempo. Com afeto.
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MONTEVIDÉU – Acabou o confronto contra o Uruguai – Thomaz Bellucci e Bruno Soares bateram Marcel Felder e Martín Cuevas por 3 sets a 0 – e o clima de descontração tomou conta da equipe brasileira. O ambiente ficou tão bom que não demorou muito para Soares deixar seu companheiro de duplas, provavelmente o mais tímido da equipe brasileira, vermelho de vergonha na coletiva de imprensa. O assunto: Jarmila Gajdosova.
Bellucci jogou duplas mistas pela primeira vez na carreira em Roland Garros, este ano, com a bela eslovaca naturalizada australiana. No twitter, enquanto os dois caminhavam de mãos dadas até a semifinal do Grand Slam francês, Gajdosova publicava fotos insinuantes e falava do quanto achava o brasileiro bonito. Os rumores de romance começaram, mas parece que o affair não foi adiante.
Após a vitória, Bellucci foi perguntado se preferia fazer parceria com Soares ou Gajdosova. Entre gargalhadas generalizadas, disse que se fosse duplas mistas, a escolha caberia sempre à australiana. Seu companheiro foi mais espirituoso: “Jornadas diurnas comigo, jornadas noturnas com ela”. A entrevista coletiva acabou ali.
Foto: Julio Muñoz/EFE/Arquivo
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MONTEVIDÉU – O torcedor de futebol de São Paulo deve ter saudade daquelas barraquinhas que vendiam sanduíche de pernil em volta do Pacaembu e do Morumbi, principalmente. Na capital paulista, elas agora estão proibidas. Montevidéu tem o seu similar ao sanduíche de pernil: o já afamado choripan. E o prazer de apreciá-lo no entorno das arenas esportivas da cidade está liberado.
Para quem não conhece, o choripan não passa de uma linguiça assada e colocada dentro de um pão francês. Os uruguaios acrescentam o molho chimichurri à simples iguaria, o que, acreditem, faz toda a diferença. No entorno da arena montada no Carrasco Lawn Tennis Club, onde Uruguai e Brasil se enfrentam pela Copa Davis, é possível experimentar um choripan por módicos 55 pesos uruguaios (cerca de R$ 5).
A higiene da barraquinha não é das melhores, mas vale à pena provar o choripan ou um chivito. Por volta do meio-dia, o local começa a encher de frequentadores. E a grande churrasqueira à lenha montada para assar os pratos típicos locais também é responsável pelo cheiro de fumaça que ficarão impregnados em suas roupas.
Aliás, esse é um contra de Montevidéu – talvez o único, porque a cidade é linda e os uruguaios um povo muito acolhedor. Devido ao frio e ao excesso de lareiras acesas, o cheiro de fumaça se espalha por alguns bairros da cidade. Tem quem goste, mas ficar com aquele odor nos pesados casacos logo no primeiro uso não é sensação das mais agradáveis para os turistas.
Tags: Brasil, Carrasco Lawn Tennis, chivito, choripan, Copa Davis, tênis, Uruguai

Não deu tempo. Arquibancada fixa ao lado da área reservada ao público brasileiro ainda está em obras
MONTEVIDÉU – Quem assiste ao confronto entre Uruguai e Brasil pela Copa Davis nem percebe que a arena montada no Carrasco Lawn Tennis, tradicional clube de tênis de Montevidéu, ainda está em obras. Uma estrutura fixa que estava planejada para ficar pronta antes do duelo, ainda precisa de muito trabalho para ser concluída.
A arquibancada deixaria a área vip reservada para o público brasileiro um pouco maior, mas o presidente da Confederação Brasileira de Tênis minimiza o atraso. “Infelizmente, não vendemos todos os ingressos que tínhamos à disposição, então aquela área não fez falta”, afirma. “É claro que ficou uma coisa feia, a estrutura nem está perto de ficar pronta, mas não causou grande prejuízo ao confronto.”
A presença de público do primeiro dia ficou bem abaixo do esperado. Dos 4 mil lugares que a organização do confronto diz que é a capacidade da arena, nem metade chegou a ser utilizada. A explicação: a ausência de Pablo Cuevas, principal jogador uruguaio, esfriou os jogos. Cuevas era a única esperança do Uruguai, já que os demais jogadores da equipe têm ranking muito baixo e não foram páreo para o Brasil no primeiro dia de confronto.

Madeira à mostra. Vista de fora, percebe-se que falta muito para a estrutura fixa da quadra ficar pronta
Tags: Brasil, Carrasco Lawn Tennis, Copa Davis, tênis, Uruguai
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