A Copa do Mundo acabou faz três dias. Após a recepção festiva pelas ruas de Madri, o futebol espanhol dá seus primeiros passos como campeão do mundo. Mesmo que não repita a façanha no Brasil em 2014, o título na África do Sul coloca os espanhóis como favoritos ao título pelo menos nos próximos 20 anos.
E os holandeses? Qual será o efeito de perder a terceira final de Copa que disputa? Se nas duas primeiras vezes em que perderam a decisão (1974 4e 1978) eles eram favoritos e caíram elogiados, agora se confrontam com críticas ao estilo de jogo adotado. O discurso atual era de que se o futebol bacana de outrora encantou mas não levou, agora era a hora de levar o título mesmo sem jogar bonito. Se nenhuma das duas opções deu certo, qual o caminho a adotar para entrar no clube dos campeões e acabar com a quimera holandesa?
Estava torcendo para a Holanda (ao contrário do polvo Paul, errei todos os palpites que fiz nessa Copa). Talvez por isso esteja tentando achar alguma outra coisa além da superioridade espanhola para explicar o fracasso holandês. Para isso, fui fuçar nos arquivos do jornal para saber como foram as outras duas derrotas holandesas. Se não achei algo que sirva como ponto de interseção das três derrotas, pelo menos me deparei com dois textos do Alberto Helena Jr. sobre as primeiras duas que valem ser revistos. A reprodução não ficou das melhores, mas acho que dá para ler:
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Jornal da Tarde – 08/7/1974
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Jornal da Tarde – 26/06/1978
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A história não costuma ser generosa com finalistas perdedores que não se redimem em outras decisões. Hungria e a extinta Tchecoslováquia também perderam nas duas vezes que chegaram a uma final de Copa e com o tempo desapareceram do mapa da primeira divisão do futebol mundial. A Suécia, finalista de 1958 contra o Brasil, também.
Ao sair derrotada de todas as decisões que disputou, o desafio da Holanda agora é lutar contra a próprio desânimo para mostrar que merece ser recebida no fechado clube dos campeões. Depois de 1962, quando o a Tchecoslováquia foi derrotada pelo Brasil, o futebol passou ter cada vez menos tolerância com bicões na final de sua festa máxima.
FINAIS DE COPA DO MUNDO
2010 – Holanda 0 x 1 Espanha
2006 – Itália 1 (5) x 1 (3) França
2002 – Alemanha 0 x 2 Brasil
1998 – Brasil 0 x 3 França
1994 – Brasil 0 (3) x 0 (2) Itália
1990 – Alemanha 1 x 0 Argentina
1986 – Argentina 3 x 2 Alemanha
1982 – Itália 3 x 1 Alemanha
1978 – Argentina 3 x 1 Holanda
1974 – Holanda 1 x 2 Alemanha
1970 – Brasil 4 x 1 Itália
1966 – Inglaterra 4 x 2 Alemanha
1962 – Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia
1958 – Brasil 5 x 2 Suécia
1954 – Alemanha 3 x 2 Hungria
1950 – Uruguai 2 x 1 Brasil
1938 – Itália 4 x 2 Hungria
1934 – Itália 2 x 1 Tchecoslováquia
1930 – Uruguai 4 x 2 Argentina
O jogo Alemanha 3 X 2 Uruguai não havia ainda acabado, faltavam quatro minutos. O músico uruguaio Jorge Drexler assistia à partida no camarim, em seu laptop, mas precisava entrar em campo. Era hora do seu show em Vigo, na Galícia. Ganhador de um Oscar, Drexler não teve dúvidas: entrou no palco com o laptop a tiracolo, e sob a percussão de sua banda, narrou os últimos momentos do jogo. Foi aplaudido entusiasticamente pela plateia, que compreendeu.
Drexler vive em Madri, na Espanha. Ganhador do Oscar de melhor canção em 2005 (Al otro Lado del Río), do filme Diários da Motocicleta, de Walter Salles, ele foi o autor da versão em espanhol de Waka Waka, o hit de Shakira, a convite da colombiana (com quem Drexler frequentemente colabora) Ele já foi um “fominha” do futebol amador, jogando com a camisa 9 de centroavante. “Mas andava afastado do futebol. Essa campanha do Uruguai significou uma religação súbita e tremenda com o esporte, para mim, como uma disciplina intelectual”. No início da tarde de hoje, Drexler (que toca no Via Funchal no dia 23) falou com exclusividade ao Estado.
Como foi a festa em Madri?
Foi incrível, uma loucura absoluta. Ainda não acabou, a cidade ainda está sob o efeito da euforia futebolística.
Você aprecia o futebol? Como viu a campanha do Uruguai?
Estou muito orgulhoso. O Uruguai fez um mundial maravilhoso, Forlán é um dos melhores do mundo, foi quem verdadeiramente fez evoluir o seu time, com sua presença definidora. Suárez foi uma grande revelação. Eu não o conhecia, tomei conhecimento dele por vídeos que vi de seu jogo no Ajax. O Uruguai mostrou um verdadeiro jogo de equipe, sem estrelas midiáticas, sem populismo, sem demagogia. Assim como a Espanha, a grande campeã. Com eles, ganharam a humildade e o jogo em equipe. Todos os gigantescos com seus megasponsors falharam. O futebol rock star morreu nesse mundial. Deve voltar, mas agora ficou para trás, e o futebol ganhou com isso. Sempre disse isso da Espanha, que era um time solidário. Assimilou a tática que o Barça aprende de Cruyff, do melhor da Holanda – não essa Holanda que veio ao Mundial, essa Holanda violenta de agora.
A Holanda foi desleal, em sua opinião?
Foi muito feia a tentativa de intimidação pela brutalidade. Para mim, aquele jogador holandês, De Jong, não tinha de ter terminado o primeiro tempo. A entrada dele com o pé (em Xabi Alonso, meio-campo espanhol), eu jamais vira algo assim num mundial. Vejo tudo isso como um sinal dos tempos: os que jogam pela beleza, pelo jogo de equipe, que estão de fora do populismo personalista, esses times ganharam. Ganharam os que fizeram o seu trabalho em silêncio, centrado na estratégia, baseado na humildade e na razão. Talvez a Espanha pudesse ter apresentado um jogo mais cerebral, mas foi vibrante em sua solidariedade. Nessa era de consumo desenfreado, misturado com populismo e fanatismo, é um exemplo. Em espanhol, nós dizemos que o que vingou foi o conceito de cantera, o que vocês chamam de categorias de base, esse conceito de fazer uso dos garotos que vão se criando no próprio clube. Nós, do Terceiro Mundo, ficamos o tempo todo expostos à exploração dos nossos talentos, os jovens jogadores vão todos para o exterior. É difícil manter um time funcionando. E quando voltam dos torneios europeus, os jogadores voltam sempre muito cansados.
E a Argentina, não gostou do jogo dela?
A Argentina tem os melhores jogadores do mundo. Não entendi o planteamiento técnico deles. O time estava muito motivado, mas uma equipe tem de ter algo mais do que uma forte ascendência de um treinador. O Mundial foi tático e de trabalho, muito além do ego. É ego descontrolado é muito ruim para todas as atividades humanas. Maradona foi pernicioso para o seu time. Achei um erro, embora concorde que é um gênio do futebol. Mas uma coisa é o que faz como jogador, outra o que faz como treinador. Em minha opinião, um treinador tem que trabalhar na sombra.
O escritor Eduardo Galeano disse que o melhor jogo do mundial foi Uruguai X Gana, e que sentiu uma sensação ambígua – felicidade, pela vitória do Uruguai, e também tristeza, porque coube ao Uruguai eliminar toda a África…
Galeano é meu amigo, e eu concordo com ele. Gana É uma equipe muito boa, forte, eficiente, resistente. Mas o Uruguai mereceu ganhar, jogou melhor.
Como surgiu a ideia de ver o final do jogo contra a Alemanha no palco?
Eu estava vendo no camarim, a Alemanha vencia o Uruguai, que pressionava, e eu não podia ir fazer o show sem ver o final. Me chamaram e disseram que não dava mais para segurar, tinha de entrar no palco. Então, levei laptop comigo e fiz os primeiros quatro minutos de show improvisando uma narração do jogo.
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No final, os técnicos presunçosos (Maradona, Dunga, Domenech e Capello) foram atropelados pela própria positividade do jogo – que consiste em ir adiante, em tentar de tudo até o final, em sonhar com a diferença.
No final, o elegante técnico Van Marwijk (que tinha o sorriso cool e gestos que esbanjavam autocontrole), arrancou a medalha de prata do pescoço e mostrou-se um arrivista de segunda.
No final, os estereótipos nacionalistas foram demolidos pela eficiência de Gana (derrubando o rótulo de leniência da África), pela inventividade da Alemanha (os novos Meninos da Kleinstadt), pela truculência holandesa (terra outrora do futebol clássico de Cruyff e Davids), pela passividade argentina, pelo descontrole brasileiro.
No final, a arbitragem continuou frouxa, permitindo que quase tudo fosse permitido – do pescoço para baixo era canela.
No final, a disputa pelo terceiro lugar foi um jogo com mais vertigem, mais possibilidades, mais heroísmo, mais brilhantismo – e foi de lá que saíram a revelação e o melhor jogador do Mundial.
No final, por falta de alternativa, torcemos pela laboriosa Espanha.
No final, o atacante marrento que envelhece precocemente (Robben, o Benjamim Button do futebol, que tem 26 anos mas parece que tem 50) falhou na jogada em que se mostrava mais letal até então.
No final, tudo veio de onde menos se esperava: Fernando Torres, o atacante inofensivo da Espanha, regiamente patrocinado por El Corte Inglés, fez o passe que definiu o título da Copa do Mundo.
No final, um País inteiro pode soltar o grito de gol da garganta. Nós, que conhecemos tão bem a sensação, não poderíamos deixar de nos alegrar por eles.
No final, não ficamos tão decepcionados. Ficamos meio decepcionados, digamos assim.
No final, triunfou acima de tudo a perna direita do goleiro (que evitou o gol de Robben).
E que festa bonita roja em Madri, amigos!
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Na estreia da Copa, o goleiro Iker Casillas foi duramente criticado por, supostamente, ter tomado o gol que deu a vitória a Suíça por estar prestando atenção na sua namorada, a bela repórter de campo Sara Carbonell. Após conquistar o mundo, e levantar a taça de campeão mundial pela primeira vez, o goleiro foi à forra.
Na zona mista, foi entrevistado pela namorada. Bastante emocionado, o goleiro agradeceu a família, os amigos e parecia não conseguir mais falar. “Não tem problema”, disse a namorada. Então, Casillas chapou-lhe um belo beijo na boca. Só o amor constrói. Mas a moça ficou visivelmente sem graça. Veja o vídeo:
Tags: Casillas, Copa 2010, Espanha, Sara Carbonell
Veja a repercussão do primeiro título mundial da Espanha nos jornais internacionais:

El País/Espanha: Espanha ganha o Mundial
Marca/Espanha: Campeões, Campeões!!!

El Mundo Deportivo/Espanha: Iniestaço e campeões!!

De Telegraaf/Holanda: O terceiro trauma para a Laranja

Volkskrant/Holanda: Holanda perde Copa do Mundo para a Espanha

Bild/Alemanha: Espanha campeã do mundo… e o polvo Paul tinha razão outra vez

Olé/Argentina: Caramba, que campeão

Ovación/Uruguai: Espanha toca os céus com as mãos

L’Equipe/França: 2010, a odisseia da Espanha

Guardian/Reino Unido: Espanha reina e o sonho holandês acaba em dor

The New York Times/EUA: Espanha leva o grande prêmio do futebol

Gazzetta dello Sport/Itália: Vamos Espanha! Campeã!

Foi suado mas a Espanha chegou ao seu primeiro título mundial. O gol de Iniesta aos 10′ do segundo tempo da prorrogação evitou que mais uma decisão de Copa do Mundo fosse para os pênaltis. É bom para o futebol que tenha sido assim. Pênalti não é loteria mas é muito cruel.
Foi um jogo de muita tensão e pouco futebol nesta final da Copa da África do Sul que dá à Espanha o seu primeiro título em Copas do Mundo. Jogo de muita marcação, faltoso, de pouca criatividade de parte a parte. Alguns poucos lances de gol foram criados, mas desperdiçados pelos atacantes. Parecia que os jogadores tinham medo de decidir na hora agá.
Na verdade, para nós que vimos a festa de fora, foi um jogo muito igual em termos de chances, com dois estilos diferentes se afrontando, mas com os dois times pouco inspirados, talvez meio travados pelo peso da decisão. Num lance isolado, a Espanha leva o título. E a Holanda é tri-vice, título que não convém a ninguém. Já virou tabu.
Venceu a equipe mais técnica, mas com um pobre saldo de gols – apenas oito marcados em sete jogos. É um rendimento baixo, de uma equipe que valoriza a posse de bola acima de tudo, mas carece de verticalidade e finalização. Isso precisa ser dito.
Mas vejo a festa em Madri e esqueço detalhes técnicos: me felicito com este povo, que ama o futebol como poucos. Depois precisaríamos refletir sobre o tipo de jogo que esta seleção se propõe, mas isso fica para mais tarde. O momento é para dar os parabéns. E, como brasileiros, abaixar a cabeça e pensar no futebol ridículo que apresentamos nesta Copa.
Precisamos tirar o chapéu para quem jogou bola.
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Tem que ter muito espírito esportivo para encarar como uma verdadeira decisão essa disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo. Embora muitos enxerguem alguma motivação no Uruguai para o jogo contra a Alemanha, é como torcer para aquela candidata mais ou menos levar a faixa de miss simpatia. Mesmo quando um dos lados está motivado nesse tipo de partida, o desânimo do outro lado sempre deixa menos doce o sabor do pequeno triunfo que o vencedor eventualmente possa experimentar.
Seria ótimo se as duas seleções perdedoras nas semifinais entrassem em campo na véspera da final com o apetite que teriam se estivessem no confronto do dia seguinte. Ainda mais se a esse apetite aliassem aquele tipo de descompromisso que as fizesse jogar por diversão, buscando sempre o gol, sem outras preocupações. Se isso acontecer, o futebol certamente poderá ter um jogo quase memorável neste sábado. Mas a realidade é que isso quase nunca acontece.
Uruguai e Alemanha têm experiência nesse jogo que ninguém quer disputar. Inclusive com um confronto direto que terminou com vitória alemã em 1970. O Uruguai também perdeu o outro 3° lugar que disputou, em 1954, para a Áustria. Além da vitória sobre os uruguaios no México, os alemães contam mais duas vitórias – sobre Portugal (2006) e Áustria (1934). A única derrota alemã num embate desse foi em 1958, quando tomou uma goleada de 6 a 3 da França, com o lendário Just Fontaine marcando quatro gols.
Se você não se lembra de nenhuma disputa de 3° lugar de Copa do Mundo, não se culpe. Nem mesmo os seus vencedores fazem muita questão de lembrar. Mas se você é do tipo que curte relembrar coisas como a terceira classificada naquele festival da canção, da miss simpatia, dos pilotos de terceiro escalão que se revezam no lugar mais baixo do pódio da fórmula 1 e do ganhador da medalha de bronze na Olimpíada, aqui vai a relação completa daquilo que o Zanin apropriadamente chama de “o mais triste dos jogos”:
2010 – Uruguai 2 x 3 Alemanha
2006 – Alemanha 3 x 1 Portugal
2002 – Coréia do Sul 2 x 3 Turquia
1998 – Holanda 1 x 2 Croácia
1994 – Suécia 4 x 0 Bulgária
1990 – Itália 2 x 1 Inglaterra
1986 – França 4 x 2 Bélgica
1982 – Polônia 3 x 2 França
1978 – Brasil 2 x 1 Itália
1974 – Brasil 0 x 1 Polônia
1970 – Alemanha 1 x 0 Uruguai
1966 – Portugal 2 x 1 União Soviética
1962 – Chile 1 x 0 Iugoslávia
1958 – França 6 x 3 Alemanha
1954 – Áustria 3 x 1 Uruguai
1950 – Suécia 3 x 1 Espanha (*Apesar de o campeão ser definido por pontuação num grupo de finalistas, esse jogo no Pacaembu acabou sendo, na prática, a disputa de 3° lugar, no mesmo dia em que o Uruguai bateria e calaria o Brasil no Maracanã)
1938 – Brasil 4 x 2 Suécia
1934 – Alemanha 3 x 2 Áustria
1930 – Estados Unidos ? x ? Iugoslávia (* Na primeira Copa do Mundo, no Uruguai, os dois derrotados nas semifinais não tiveram que passar pelo desconforto de disputar o 3° lugar. E os resultados das semifinais não seriam suficientes para decidir quem ocuparia o posto, já que as duas seleções foram goleadas pelos finalistas Uruguai e Argentina pelo mesmo placar: 6 a 1. Como também tiveram o mesmo número de pontos na primeira fase, com duas vitórias e o mesmo número de gols marcados, os Estados Unidos levariam a vantagem num hipotético critério de desempate de saldo de gols, já que não tomou nenhum, contra um dos iugoslavos)
Para saudar esses jogos malditos, uma música – tão memorável quantos os embates acima – do ótimo Ultraje a Rigor, do disco “Sexo”, de 1987.
Terceiro (Roger)
Ôôôôôô, Ôôôôôô, Ôôôôôô
Todo equipado, preparado na linha de partida
Daqui a pouco vai ser dada a saída
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí (O importante é competir!)
Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar
Já tá tudo armado pra eu me conformar
Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta
Ia ser legal chegar junto na frente
Mas iam falar que quero ser diferente
Tá bom demais, pelo menos eu não saio da reta
Por isso eu sempre sou
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom!
Marcando passo vou seguindo sem ser muito ligeiro
Com cuidado pra não ser o primeiro
É bonito, eu imito mas o pódium não é pra mim (Eu não sou a fim!)
Se eu me esforço demais vou ficar cansado
Já dá pra enganar eu ficando suado
Se reclamarem eu boto a culpa no patrocinador
Não botaram fé porque não ia dar pé
Não ia dar pé porque não botaram fé
De qualquer forma eu pego um bronze porque eu gosto da cor
Por isso eu sempre sou
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom!
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Todo peladeiro sabe: quando vai começar uma pelada de futebol, os jogadores ficam enfileirados e são escolhidos num sofisticado sistema de sorteio pré-eletrônico (par ou ímpar, joquempô, palitomenor-palitomaior).
Os bons vão sendo rapidamente escalados, os pernas-de-pau vão sendo cuidadosamente esquecidos.
Tem uma propaganda muito boa na TV sobre isso rolando atualmente.
Um time de barrigudinhos apresenta um sujeito magro, com um suspeito bigodinho e em luminosa forma física. Um outro adversário barrigudinho desconfia: “Mas esse é o Cafu!”. O mutreteiro colega que escalou Cafu no seu time não perde o rebolado. “Não, que Cafu que nada! É o Joel, ele é mecânico”.
E o Joel Mecânico, para provar sua identidade, passa a discorrer sobre o produto automobilístico que é anunciado no comercial. Logo em seguida, começa a pelada e ele faz um golaço. O goleiro nem vê por onde a bola passou. E Joel/Cafu comemora com a pirueta que era marca registrada do lateral da seleção brasileira. Covardia na pelada!!!
Morro de rir com esse comercial. Sempre fui daqueles que, na escolha dos times, era cuidadosamente esquecido. Mas também já tive as minhas vingancinhas. Já vi um time inteiro de Cafus (“gatos” infiltrados espertamente para desequilibrar peladas) perdendo de lavada para a minha Nova Zelândia, minha Honduras, minha Coreia do Norte, meu fabuloso time de pernas-de-pau.
Tem um outro lado nisso. Ouvi o Rivellino dizer na TV, outro dia, que não joga mais peladas porque tem um monte de “tarados” que o marcam ferozmente, que entram desleamente. Disse mais ou menos o seguinte: “É gente que acha que poderia ter jogado futebol, é uma forma de eles se vingarem”.
Na pelada, o mais ou menos se sente um Forlán, um David Villa. E ganhar não é mais suficiente, quer ganhar sempre.
Esse introito todo é para propor, nessa entressafra da decisão mundial, um lastimável exercício: eleger os jogadores menos selecionáveis da Copa do Mundo da África. O fabuloso time que ninguém escalaria. Eis o meu:
GOLEIRO: Green (Inglaterra; um único frango foi suficiente)
Osorio (zagueiro mexicano, atrasou a bola para o segundo gol de Higuaín, acabando com as chances do seu time contra a Argentina)
Tony Lockhead (zagueiro central da Nova Zelândia, um poste dos All Whites)
Michel Bastos (lateral brasileiro, a alameda pela qual passavam os adversários)
Glen Johnson (lateral esquerdo da Inglaterra, outra avenida para os adversários)
Jun Li-Ri (zagueiro Coreia do Norte; podia ter sido qualquer outro, foram irmanamente ruins)
Tioté (Costa do Marfim, tirou Elano da Copa com uma entrada digna de manchete no programa do Datena)
Felipe Melo (Brasil, por 190 milhões de motivos)
Yakubu (atacante da Nigéria que entrou para a História ao perder, aos 20 minutos do segundo tempo do jogo contra a Coreia do Sul, em Durban, o gol mais feito de todas as Copas).
Iaquinta (centroavante italiano, o mais inofensivo da azzurra em décadas)
Altidore (pode jogar junto com Iaquinta, ambos não fariam cócegas a ninguém)
Treinador: Domenech (França, por motivos que a Assembléia Nacional Francesa pode enumerar)
Bem-vindos ao time, bravos colegas de infortúnio!
PS: Ainda sobre a natureza escorregadia das peladas, a Rainha da Espanha foi ver o prélio entre Espanha X Alemanha, e acabou vendo o pelado Puyol no vestiário. Queria ver a Rainha no vestiário das peladas nas quadras do Limão.
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