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Começou assim: Fábio Branco era o craque da pequena Joaçaba, como atacante em uma equipe amadora da cidade do interior de Santa Catarina. Fez testes no Grêmio, onde ficou algum tempo, mas se cansou de nunca ser aproveitado no time profissional. Sua mãe já estava na Alemanha, conheceu um empresário de futebol e convenceu o filho, então com 18 anos, a seguir carreira em território alemão.
Quatro anos depois ele é atendente em um coffee shop de Leipzig, uma das sedes da Copa do Mundo. Nem quer mais saber de jogar. “Estourei meu joelho”, explicou. “E também, aqui é muito complicado, sabe”, dessa vez não explicou nada. Mais tarde voltou no assunto: “Para você ter uma idéia, uma vez dei duas canetas em um alemão que me marcava e fui punido: tive de correr duas horas em volta de campo.” A habilidade por conseguir colocar a bola entre as pernas do adversário foi desprezada pelo treinador, que ainda o xingou. “Esses brasileiros de merda, só querem fazer molecagem.”
Teve dificuldade em se adaptar às exigências dos técnicos alemães e perdeu a paciência para esperar que lhe dessem espaço. “Fiquei seis meses no VfB Leipzig, um time que faliu logo depois que eu fui embora, e aí desisti. Se você não tem alguém te ajudando, não consegue ser nada como jogador.” Há alguns anos, pagou 250 euros para um empresário brasileiro o colocar em uma boa equipe. “Ele pegou meu dinheiro e nunca fez nada.”
“Mas estou feliz, não tenho do que reclamar. Ganho bem aqui na Alemanha e vivo sem nenhum problema”, disse. Nos sete jogos que disputou pelo VfB Leipzig, entrou somente no fim das partida, afinal era reserva: marcou oito gols.

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11.junho.2006 16:36:02

Quebrei a regra

É legal saber que temos um uniforme, indentificando a equipe do Estado na Copa do Mundo. Mas ontem, minha estréia nos jogos do Mundial, eu quebrei a regra e não usei a camisa. A explicação é simples: eu estava escalado para cobrir o jogo entre Argentina e Costa do Marfim, em Hamburgo. Antes de sair do hotel, pela manhã, quase coloquei o uniforme do Estado. Mas aí lembrei que encontraria um batalhão de hermanos na rua. E escolhi uma camisa azul… assim, passaria imperceptível na frente dos torcedores. Pensando bem, foi uma excelente idéia. Tudo o que eu não precisava, ontem, era de uma confusão com algum argentino mais exaltado…

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A equipe de repórteres do Grupo Estado na Copa tem um uniforme: camisa azul, com a bandeira do Brasil no peito e nas costas. Além disso, todos carregam, pendurada no pescoço, a enorme credencial da Fifa. Assim, fica fácil ser reconhecido no meio da multidão.

Por conta disso, quando um alemão mais empolgado vê alguém da uniformizada equipe do Grupo Estado logo grita “Brasil!”, mostrando muita simpatia com os brasileiros. Pelo menos, tem sido assim com o pessoal do Estadão.

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11.junho.2006 14:08:40

Festa com hora para acabar

Em Oberursel, cidade próxima de Königstein, está acontecendo uma tradicional festa, que enche as ruas centrais com a população da região. São inúmeras barracas vendendo cerveja (com copos de vidro, que você devolve depois de beber) e sanduíches com vários tipos de salsicha.

A festa é animada, cheia de gente. Mas acaba exatamente a 1 hora da manhã, quando as barracas não podem mais vender cerveja. Aí, as pessoas vão embora para casa, como se fossem treinadas para fazer aquilo. Organização alemã até na hora de fazer uma festinha.

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11.junho.2006 13:32:41

Siga o rato !

Hameln, próxima de onde o elenco da França está concentrado, é a cidade do rato. Por todos os lados que se olhe, especialmente na região central, há referências sobre a fábula do Flautista Mágico – que teria usado o som do seu instrumento para enfeitiçar todos os roedores e tirá-los da cidade. O curioso é que o animal, que outrora afligiu os moradores de Hemeln, hoje está em todos os cartazes, placas, lojas e restaurantes. Serve até de guia turístico. Quer saber quais são os melhores restaurantes do lugar e os principais pontos de visitação ? É só seguir a trilha feita de ratinhos, pintados no chão… Trilha de ratinhos pintados no chão: rumo aos \

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11.junho.2006 10:07:52

Tradutor de esposas

Mais briga. Um casal alemão quebrou o pau na estação de Bielefeld. A mulher acusou o marido pela perda do trem que ia para Hannover. Ela gritava muito e o alemão, de quase dois metros, nem piscava. Parecia com sono. Já no trem que peguei de Bielfeld para Colônia, um casal de italianos, com dois filhos pequenos, também se desentenderam. Desta vez, o marido rebateu algumas críticas. Pelo que entendi, ela queria ir para o vagão anterior. Mas sabe o que tirei de tudo isso. É quem em qualquer língua, a mulher, quando quer ser chata, PE-LO-A-MOR-DE-DE-US…Elas são essenciais, mas como falam…..Brincadeira Mary….eu te adoro.
Obs: tenho uma filha, vem vindo outra e em casa tudo é feminino. Temos uma cadela, cujas pulgas todas são mocinhas, e uma coelha. Ufa!!!!

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11.junho.2006 10:02:12

De chorar de rir

Dois jornalistas portugueses de televisão, um câmera e um repórter, brigaram na minha frente. Lembrei do meu pai imitando português falando palavrão e não consegui segurar o riso. Com medo de que alguma coisa sobrasse para mim, resolvi pegar o celular e fingir que estava falando algo engraçado com alguém. A desculpa pegou mais ou menos. Os dois perceberam e ficaram bravos comigo. Pelo menos pararam de brigar.

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11.junho.2006 04:53:36

O 23º jogador

Uma seleção tem 23 jogadores numa Copa. Assim, sempre sobra um quando acontece um treino coletivo ou algum trabalho específico em que o técnico use 11 contra 11. No Brasil, os goleiros reservas Júlio César e Rogério Ceni se revezam nessa sobra.

No treino coletivo de sábado, por exemplo, Rogério Ceni começou jogando no gol do time reserva e foi substituído por Júlio César depois de algum tempo. Sem espaço para jogar, a alternativa para quem está de fora é ficar olhando.

Goleiro da Inter de Milão, Júlio César já chegou até a ser improvisado na linha em dois treinos táticos durante a semana em Königstein.

Mas nenhum dos dois liga para isso. O que vale é estar no grupo que disputa a Copa do Mundo – nem se for só para ficar olhando os outros jogadores do lado de fora do campo.

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10.junho.2006 22:41:17

O bom samaritano

Eu tive um dia complicado. O mais difícil de todos, aqui na Alemanha. Sérias suspeitas de que tinha perdido minha máquina fotográfica – o que, felizmente, não se confirmou -, correria prá ir ao estádio buscar o ingresso prá Argentina x Costa do Marfim, correria prá ir pra estação de trem, correria prá chegar em Hameln, prá cobrir a França, correria prá voltar prá Hamburgo – fiquei mais de uma hora esperando o trem, numa estação perto do fim do mundo de tão longe -, correria prá chegar ao estádio… Mas no meio desse stress todo, aconteceu algo inédito prá mim: ajudei um argentino. Ou melhor, três. Eles pegaram o mesmo trem que eu, de Hannover prá Hamburgo, onde assistiriam ao jogo da sua seleção. Já iam descendo na estação errada – bem longe do centro -, quando avisei: “a estação central é a próxima”. Meio sem jeito, agradeceram – acho que perceberam que eu era brasileiro. No meio de um dia estressante como esse, ajudar TRÊS argentinos, realmente, é algo louvável… como diz minha avó, hoje ganhei mais um degrau na escada pro céu…

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10.junho.2006 19:35:19

O trem atrasou

Para minha sorte, o trem de Berlim para Leipzig atrasou alguns minutos. Não que eu tenha chegado tarde na estação, é que fiquei horas para encontrar qual o andar, a linha, o corredor, o portão, o lado, o guichê e o compartimento que sairia o bendito vagão: ô estaçãozinha complicada essa que acabaram de inaugurar, a maior da Alemanha.
Bom, graças a prestativos alemães, cheguei no local certo em cima da hora. Ao contrário do trem, que por um problema qualquer atrasou cerca de 15 minutos.
Todo mundo esperando. Eu acostumadíssimo com atrasos, os alemães tendo síncopes. Dez minutos passados e um garoto com uma caixa ligeiramente pesada e vestindo a camisa da companhia de trens se aproximou. “Orange juice?”, ofereceu. Queria saber se eu queria um suco de laranja, mas, mais que isso, levava, em nome da empresa, um pedido de desculpas.

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