Bate-Pronto - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

SÃO PAULO – Dos 29 esportes que fazem parte da programação olímpica, o Brasil só conquistou medalhas em 12. Há algum tempo acho que o País nunca subirá ao pódio em alguns deles. Alguém imagina, por exemplo, a Seleção Brasileira de hóquei sobre a grama numa semifinal olímpica, por exemplo?

Eu suspeitava que a canoagem brasileira estava também condenada a apenas participar. Para se ter uma ideia, em 1996 o então técnico da Seleção Brasileira de canoagem, Carlos Bezerra, dava aulas para… a minha pessoa. Que futuro teria uma modalidade cujo principal treinador perdia tempo dando aulas para um canoísta sem o menor futuro? Bezerra era professor da USP e, portanto, obrigado a perder seu tempo tentando ensinar alguma coisa a quem se matriculava no curso.

Lembro que ele vivia implorando para atarraxarmos muito bem o banquinho do K1. Era uma peça importada do Canadá, que custava caríssimo. Se não estivesse bem preso, afundaria, dando um prejuízo grande para a universidade.

O K1 é um barco extremamente instável, que vira a toda hora nas mãos de um amador. Nas quatro primeiras aulas, eu mais passava o tempo desvirando o barco do que remando. Mas, de tanto insistir, consegui me equilibrar naquele troço. E comecei a me achar. Quando estava por volta da décima aula, já nem prendia o banco. E aí, é claro, ele virou.

O valiosíssimo banquinho canadense afundou. Mergulhei e nada. Tentei ver com o Bezerra como poderia ressarcir o prejuízo, mas ele falou, desolado e furioso, que a importação era tão demorada e burocratizada que não fazia a mínima ideia do que fazer para repor a peça.

Sempre que leio uma notícia sobre canoagem, lembro desse episódio com remorso. Mas muita água rolou nessa raia, e a pobre canoagem ganhou recursos. Hoje o Brasil é competitivo até na canoagem slalom (em corredeiras de rios), na qual éramos ainda mais fracos do que na de velocidade. Temos um campeão mundial júnior na velocidade, Isaquias Queiroz, que, aliás, teve sua história contada na seção Geração 2016 deste JT – antes de ser campeão.

E agora vemos Ana Sátila, de apenas 16 anos, ser campeã pan-americana no slalom. Desnecessário dizer que temos grande potencial, tamanha a quantidade de cursos d’água no País. E o Brasil já não sente tanta falta do banquinho que deve estar até hoje afundado na raia olímpica da USP. Felizmente.

Coluna de Alessandro Lucchetti desta quinta-feira no JT

1 Comentário | comente

O jogo Alemanha 3 X 2 Uruguai não havia ainda acabado, faltavam quatro minutos. O músico uruguaio Jorge Drexler assistia à partida no camarim, em seu laptop, mas precisava entrar em campo. Era hora do seu show em Vigo, na Galícia. Ganhador de um Oscar, Drexler não teve dúvidas: entrou no palco com o laptop a tiracolo, e sob a percussão de sua banda, narrou os últimos momentos do jogo. Foi aplaudido entusiasticamente pela plateia, que compreendeu.
Drexler vive em Madri, na Espanha. Ganhador do Oscar de melhor canção em 2005 (Al otro Lado del Río), do filme Diários da Motocicleta, de Walter Salles, ele foi o autor da versão em espanhol de Waka Waka, o hit de Shakira, a convite da colombiana (com quem Drexler frequentemente colabora) Ele já foi um “fominha” do futebol amador, jogando com a camisa 9 de centroavante. “Mas andava afastado do futebol. Essa campanha do Uruguai significou uma religação súbita e tremenda com o esporte, para mim, como uma disciplina intelectual”. No início da tarde de hoje, Drexler (que toca no Via Funchal no dia 23) falou com exclusividade ao Estado.

Como foi a festa em Madri?
Foi incrível, uma loucura absoluta. Ainda não acabou, a cidade ainda está sob o efeito da euforia futebolística.

Você aprecia o futebol? Como viu a campanha do Uruguai?
Estou muito orgulhoso. O Uruguai fez um mundial maravilhoso, Forlán é um dos melhores do mundo, foi quem verdadeiramente fez evoluir o seu time, com sua presença definidora. Suárez foi uma grande revelação. Eu não o conhecia, tomei conhecimento dele por vídeos que vi de seu jogo no Ajax. O Uruguai mostrou um verdadeiro jogo de equipe, sem estrelas midiáticas, sem populismo, sem demagogia. Assim como a Espanha, a grande campeã. Com eles, ganharam a humildade e o jogo em equipe. Todos os gigantescos com seus megasponsors falharam. O futebol rock star morreu nesse mundial. Deve voltar, mas agora ficou para trás, e o futebol ganhou com isso. Sempre disse isso da Espanha, que era um time solidário. Assimilou a tática que o Barça aprende de Cruyff, do melhor da Holanda – não essa Holanda que veio ao Mundial, essa Holanda violenta de agora.

A Holanda foi desleal, em sua opinião?
Foi muito feia a tentativa de intimidação pela brutalidade. Para mim, aquele jogador holandês, De Jong, não tinha de ter terminado o primeiro tempo. A entrada dele com o pé (em Xabi Alonso, meio-campo espanhol), eu jamais vira algo assim num mundial. Vejo tudo isso como um sinal dos tempos: os que jogam pela beleza, pelo jogo de equipe, que estão de fora do populismo personalista, esses times ganharam. Ganharam os que fizeram o seu trabalho em silêncio, centrado na estratégia, baseado na humildade e na razão. Talvez a Espanha pudesse ter apresentado um jogo mais cerebral, mas foi vibrante em sua solidariedade. Nessa era de consumo desenfreado, misturado com populismo e fanatismo, é um exemplo. Em espanhol, nós dizemos que o que vingou foi o conceito de cantera, o que vocês chamam de categorias de base, esse conceito de fazer uso dos garotos que vão se criando no próprio clube. Nós, do Terceiro Mundo, ficamos o tempo todo expostos à exploração dos nossos talentos, os jovens jogadores vão todos para o exterior. É difícil manter um time funcionando. E quando voltam dos torneios europeus, os jogadores voltam sempre muito cansados.

E a Argentina, não gostou do jogo dela?
A Argentina tem os melhores jogadores do mundo. Não entendi o planteamiento técnico deles. O time estava muito motivado, mas uma equipe tem de ter algo mais do que uma forte ascendência de um treinador. O Mundial foi tático e de trabalho, muito além do ego. É ego descontrolado é muito ruim para todas as atividades humanas. Maradona foi pernicioso para o seu time. Achei um erro, embora concorde que é um gênio do futebol. Mas uma coisa é o que faz como jogador, outra o que faz como treinador. Em minha opinião, um treinador tem que trabalhar na sombra.

O escritor Eduardo Galeano disse que o melhor jogo do mundial foi Uruguai X Gana, e que sentiu uma sensação ambígua – felicidade, pela vitória do Uruguai, e também tristeza, porque coube ao Uruguai eliminar toda a África…
Galeano é meu amigo, e eu concordo com ele. Gana É uma equipe muito boa, forte, eficiente, resistente. Mas o Uruguai mereceu ganhar, jogou melhor.

Como surgiu a ideia de ver o final do jogo contra a Alemanha no palco?
Eu estava vendo no camarim, a Alemanha vencia o Uruguai, que pressionava, e eu não podia ir fazer o show sem ver o final. Me chamaram e disseram que não dava mais para segurar, tinha de entrar no palco. Então, levei laptop comigo e fiz os primeiros quatro minutos de show improvisando uma narração do jogo.

Tags:

Comentários (2) | comente

FBL-WC2010-ESP

No final, os técnicos presunçosos (Maradona, Dunga, Domenech e Capello) foram atropelados pela própria positividade do jogo – que consiste em ir adiante, em tentar de tudo até o final, em sonhar com a diferença.

No final, o elegante técnico Van Marwijk (que tinha o sorriso cool e gestos que esbanjavam autocontrole), arrancou a medalha de prata do pescoço e mostrou-se um arrivista de segunda.

No final, os estereótipos nacionalistas foram demolidos pela eficiência de Gana (derrubando o rótulo de leniência da África), pela inventividade da Alemanha (os novos Meninos da Kleinstadt), pela truculência holandesa (terra outrora do futebol clássico de Cruyff e Davids), pela passividade argentina, pelo descontrole brasileiro.

No final, a arbitragem continuou frouxa, permitindo que quase tudo fosse permitido – do pescoço para baixo era canela.

No final, a disputa pelo terceiro lugar foi um jogo com mais vertigem, mais possibilidades, mais heroísmo, mais brilhantismo – e foi de lá que saíram a revelação e o melhor jogador do Mundial.

No final, por falta de alternativa, torcemos pela laboriosa Espanha.

No final, o atacante marrento que envelhece precocemente (Robben, o Benjamim Button do futebol, que tem 26 anos mas parece que tem 50) falhou na jogada em que se mostrava mais letal até então.

No final, tudo veio de onde menos se esperava: Fernando Torres, o atacante inofensivo da Espanha, regiamente patrocinado por El Corte Inglés, fez o passe que definiu o título da Copa do Mundo.

No final, um País inteiro pode soltar o grito de gol da garganta. Nós, que conhecemos tão bem a sensação, não poderíamos deixar de nos alegrar por eles.

No final, não ficamos tão decepcionados. Ficamos meio decepcionados, digamos assim.

No final, triunfou acima de tudo a perna direita do goleiro (que evitou o gol de Robben).

E que festa bonita roja em Madri, amigos!

Tags:

Comentários (11) | comente

cronicas.gif
Foi suado mas a Espanha chegou ao seu primeiro título mundial. O gol de Iniesta aos 10′ do segundo tempo da prorrogação evitou que mais uma decisão de Copa do Mundo fosse para os pênaltis. É bom para o futebol que tenha sido assim. Pênalti não é loteria mas é muito cruel.

Foi um jogo de muita tensão e pouco futebol nesta final da Copa da África do Sul que dá à Espanha o seu primeiro título em Copas do Mundo. Jogo de muita marcação, faltoso, de pouca criatividade de parte a parte. Alguns poucos lances de gol foram criados, mas desperdiçados pelos atacantes. Parecia que os jogadores tinham medo de decidir na hora agá.

Na verdade, para nós que vimos a festa de fora, foi um jogo muito igual em termos de  chances, com dois estilos diferentes se afrontando, mas com os dois times pouco inspirados, talvez meio travados pelo peso da decisão. Num lance isolado, a Espanha leva o título. E a Holanda é tri-vice, título que não convém a ninguém. Já virou tabu.

Venceu a equipe mais técnica, mas com um pobre saldo de gols – apenas oito marcados em sete jogos. É um rendimento baixo, de uma equipe que valoriza a posse de bola acima de tudo, mas carece de verticalidade e finalização. Isso precisa ser dito.

Mas vejo a festa em Madri e esqueço detalhes técnicos: me felicito com este povo, que ama o futebol como poucos. Depois precisaríamos refletir sobre o tipo de jogo que esta seleção se propõe, mas isso fica para mais tarde. O momento é para dar os parabéns. E, como brasileiros, abaixar a cabeça e pensar no futebol ridículo que apresentamos nesta Copa.

Precisamos tirar o chapéu para quem jogou bola.

Tags: , , , ,

Comentários (37) | comente

cronicas.gif
DanielJ oubert/Reuters - 16/6/1998 e Paulo Whitaker/Reuters - 27/6/2006

Daniel Joubert/Reuters – 16/6/1998 e Paulo Whitaker/Reuters – 27/6/2006

Fenômeno ou Gordo? Não importa. Passado ou presente tanto faz. Por tudo que fez, por tanta contribuição ao futebol brasileiro, Ronaldo ainda é o maior artilheiro das Copas. Foi ajudado pela lesão de Klose, que não jogou na disputa do terceiro lugar pela Alemanha. E ainda tem chances de manter seu recorde de 15 gols por mais alguns quatro anos, a verdadeira contagem do tempo quando o assunto é bola rolando.

David Villa é talvez quem mais possa ameaçar o atacante. Hoje com 28 anos, o espanhol já soma sete gols em Copas – ainda joga a final neste domingo, contra a Holanda. Mas é difícil ver o nome dele entre outros tantos grandes.

Confira os maiores goleadores da história das Copas:

1.º Ronaldo (Brasil) 1994/1998/2002/2006 – 15 gols

2.º Miroslav Klose (Alemanha) 2002/2006/2010 – 14 gols

2.º Gerd Mueller (Alemanha Ocidental) 1970/1974 – 14 gols

4.º Just Fontaine (França) 1958 – 13 gols

5.º Pelé (Brasil) 1958/1962/1966/1970 – 12 gols

6.º Jurgen Klinsmann (Alemanha O./Alemanha) 1990/1994/1998 – 11 gols

6.º Sandor Kocsis (Hungria) 1954 – 11 gols

8.º Gabriel Batistuta (Argentina) 1994/1998/2002 – 10 gols

-.º Teofilo Cubillas (Peru) 1970/1978 – 10 gols

-.º Grzegorz Lato (Polônia) 1974/1978/1982 – 10 gols

-.º Gary Lineker (Inglaterra) 1986/1990 – 10 gols

-.º Helmut Rahn (Alemanha Ocidental) 1954/1958 – 10 gols

Veja também:

linkRonaldo não é fominha e diz que torceu por Klose

Comentários (2) | comente

Uruguai x Alemanha tinha tudo para ser um jogo triste e modorrento. De fato, a disputa de terceiro lugar não foi um primor de técnica, mas o talento de jogadores como Forlán, Schweinsteiger, Müller e as lambanças do goleiro uruguaio Muslera animaram a partida. Foram cinco gols, duas viradas e uma bola no travessão de Forlán no último lance da partida. No final, a Alemanha contrariou quem achava que o time entraria em campo desanimado após perder a chance de jogar a final. E levou o quarto terceiro lugar de sua história nas Copas.

Ao Uruguai, que tenta reerguer seu futebol, ficou a lição de que raça é importante, mas sem qualidade técnica é difícil sonhar alto em Copas. Lugano, que prima pelo vigor físico, jogou sem as condições físicas ideais. A defesa errou muito. O goleiro falhou em dois dos três gols. Já a seleção de Joachim Löw despediu-se com dignidade de uma Copa que poderia ter ganho. Sem Podolski, Klose e Lahm, a Alemanha mostrou opções no banco, mesmo que sem a qualidade dos titulares. O time fez 1 a 0, tomou a virada e teve forças para virar de novo, para 3 a 2. Não é para qualquer um. É para quem tem talentos, sangue frio e camisa. A base alemã é jovem e talentosa. Se bem trabalhada, chegará forte ao Brasil em 2014.

Comentários (4) | comente

Jogo pelo terceiro lugar é fogo. Viram a comemoração meio desanimada? É que na cabeça dos alemães eles deveriam estar disputando o título e não esse prêmio de consolação, que quase nada acrescenta ao currículo deles. Mas o jogo, em si, foi bom.

Não apenas pelo placar, mas porque tivemos jogadas interessantes. Não, a Alemanha não fez aquele partidaço, mas é porque faltava o fogo da motivação, aquele algo mais dos jogos decisivos. Este era meio assim, meia boca, apesar de todos os discursos politicamente corretos.

O legado dos dois times é bom. O Uruguai, apesar da derrota por 2 a 3, sai com a auto-estima resgatada. Não podemos esquecer que se classificou para a Copa na bacia das almas, na repescagem. Foi muito mais longe do que todos os analistas, e eles inclusive, previam. O saldo é bom.

Assim como é bom para a Alemanha, que chegou a pensar que poderia sair campeã, deve estar decepcionada mas, se parar para pensar, vai chegar à conclusão de que formou uma bela base para o próximo Mundial. A seleção está quase pronta e o técnico Löw fez um belo trabalho. Pisou na bola em um único jogo, quando resolveu trair o estilo que havia se mostrado vencedor. Poderia estar na final, mas perdeu para a Espanha, que é uma grande seleção.

E do Brasil, o que restou? Nada.

Tags: ,

Sem Comentários | comente

cronicas.gif

Todo peladeiro sabe: quando vai começar uma pelada de futebol, os jogadores ficam enfileirados e são escolhidos num sofisticado sistema de sorteio pré-eletrônico (par ou ímpar, joquempô, palitomenor-palitomaior).
Os bons vão sendo rapidamente escalados, os pernas-de-pau vão sendo cuidadosamente esquecidos.
Tem uma propaganda muito boa na TV sobre isso rolando atualmente.
Um time de barrigudinhos apresenta um sujeito magro, com um suspeito bigodinho e em luminosa forma física. Um outro adversário barrigudinho desconfia: “Mas esse é o Cafu!”. O mutreteiro colega que escalou Cafu no seu time não perde o rebolado. “Não, que Cafu que nada! É o Joel, ele é mecânico”.
E o Joel Mecânico, para provar sua identidade, passa a discorrer sobre o produto automobilístico que é anunciado no comercial. Logo em seguida, começa a pelada e ele faz um golaço. O goleiro nem vê por onde a bola passou. E Joel/Cafu comemora com a pirueta que era marca registrada do lateral da seleção brasileira. Covardia na pelada!!!
Morro de rir com esse comercial. Sempre fui daqueles que, na escolha dos times, era cuidadosamente esquecido. Mas também já tive as minhas vingancinhas. Já vi um time inteiro de Cafus (“gatos” infiltrados espertamente para desequilibrar peladas) perdendo de lavada para a minha Nova Zelândia, minha Honduras, minha Coreia do Norte, meu fabuloso time de pernas-de-pau.

Tem um outro lado nisso. Ouvi o Rivellino dizer na TV, outro dia, que não joga mais peladas porque tem um monte de “tarados” que o marcam ferozmente, que entram desleamente. Disse mais ou menos o seguinte: “É gente que acha que poderia ter jogado futebol, é uma forma de eles se vingarem”.
Na pelada, o mais ou menos se sente um Forlán, um David Villa. E ganhar não é mais suficiente, quer ganhar sempre.

Esse introito todo é para propor, nessa entressafra da decisão mundial, um lastimável exercício: eleger os jogadores menos selecionáveis da Copa do Mundo da África. O fabuloso time que ninguém escalaria. Eis o meu:

GOLEIRO: Green (Inglaterra; um único frango foi suficiente)
Osorio (zagueiro mexicano, atrasou a bola para o segundo gol de Higuaín, acabando com as chances do seu time contra a Argentina)
Tony Lockhead (zagueiro central da Nova Zelândia, um poste dos All Whites)
Michel Bastos (lateral brasileiro, a alameda pela qual passavam os adversários)
Glen Johnson (lateral esquerdo da Inglaterra, outra avenida para os adversários)
Jun Li-Ri (zagueiro Coreia do Norte; podia ter sido qualquer outro, foram irmanamente ruins)
Tioté (Costa do Marfim, tirou Elano da Copa com uma entrada digna de manchete no programa do Datena)
Felipe Melo (Brasil, por 190 milhões de motivos)
Yakubu (atacante da Nigéria que entrou para a História ao perder, aos 20 minutos do segundo tempo do jogo contra a Coreia do Sul, em Durban, o gol mais feito de todas as Copas).
Iaquinta (centroavante italiano, o mais inofensivo da azzurra em décadas)
Altidore (pode jogar junto com Iaquinta, ambos não fariam cócegas a ninguém)

Treinador: Domenech (França, por motivos que a Assembléia Nacional Francesa pode enumerar)
Bem-vindos ao time, bravos colegas de infortúnio!

PS: Ainda sobre a natureza escorregadia das peladas, a Rainha da Espanha foi ver o prélio entre Espanha X Alemanha, e acabou vendo o pelado Puyol no vestiário. Queria ver a Rainha no vestiário das peladas nas quadras do Limão.

Tags:

Comentários (2) | comente

cronicas.gif
Um gol em cobrança de escanteio, aos 27 minutos do segundo tempo.
E acabou-se a sensação da Copa do Mundo da África, a Alemanha.
É muito pouco, para o tamanho da expectativa que a partida gerou.
O time alemão jogou diferente, mais lento, menos agressivo, menos contundente.
O time espanhol tomou as iniciativas, mas também finalizava mal (David Villa foi substituído).
O preciosismo de Pedro, no finalzinho, quando, sozinho à frente da meta, tentou driblar um marcador retardatário dentro da área (em vez de chutar) poderia ter sido fatal. O treinador Del Bosque o tirou, quase como numa punição exemplar.

É preciso que se diga que houve um pênalti não marcado contra a Espanha no final do primeiro tempo.
Que o juiz, um diplomata, poderia perfeitamente ter dado um cartão a Sergio Ramos por uma entrada criminosa em Podolski.
Mas a verdade é que foi um resultado justo, dado o que apresentaram na partida.
Özil não foi nem sombra do jogador decisivo das partidas contra Inglaterra e Argentina.
Klose ficou isolado, sem garçons para servi-lo a seu bel prazer, como se acostumou.

Ainda assim, a Alemanha sai da Copa como o melhor time, o que apresentou o melhor futebol, um time mais alegre e cheio de fantasia.
É a melhor safra de jovens jogadores, o melhor treinador. Vai ser um páreo duro para o Uruguai na disputa do terceiro lugar.
E chegará à Copa do Mundo de 2014 com mais traquejo e experiência. Se mantiver a base do time, é a primeira favorita. Danke, molecada!

Tags: , ,

Comentários (22) | comente

cronicas.gif
Holanda ou Espanha? Um dos dois será campeão pela primeira vez, entrando no seleto clube dos campeões mundiais. Na semifinal, eu esperava mais da Alemanha, mas a Espanha jogou mais. Em especial no segundo tempo, quando encurralou os alemães e criou várias chances de gol. O que aconteceu? Pesou a responsabilidade sobre o time jovem da Alemanha? Thomas Müller fez falta demais? Ou foi mérito da marcação espanhola, que anulou o toque de bola alemão?

Talvez tudo isso. O engraçado é que nesse jogo de paradoxos chamado futebol, o gol da vitória saiu, não de uma jogada bem tramada dos espanhóis, mas de um escanteio e uma cabeçada de Puyol.  E assim a Espanha se classificou para a final.

Quem ganha? Não sei. Ninguém sabe. Nem mesmo aquele polvo que, dizem, acertou tudo até agora. Talvez Deus, se não tivesse coisa mais premente para se preocupar além do futebol. Só digo uma coisa: acho que a Espanha tem mais opções em termos de jogadas, toque de bola, etc. Mas a Holanda é mais objetiva. A Espanha às vezes me parece meio enceradeira, toca, toca, toca e não sai do lugar. A Holanda parece que está morta e, de repente, arma uma jogada de grande competência técnica e chega ao gol. Tem Sneijder e Robben como “diferenciais”, como se costuma dizer. Ao passo que, na Espanha, há um conjunto (vindo do Barcelona com reforço do Real Madrid) jogando com grande entrosamento. E Iniesta, que grande jogador, hein?

Enfim, teremos uma bela final. E um novato no clube.

Tags: , , , ,

Comentários (12) | comente

Arquivos

Lista de Links

Blogs do Estadão