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Fluminense e São Paulo fizeram um dos melhores jogos do Campeonato Brasileiro até agora. Houve lances bonitos, falhas, gols, virada, velocidade, ousadia, gol de goleiro, defesa de pênalti, lance polêmico – enfim, tudo que se espera de um clássico. O duelo de ontem à noite mostrou sobretudo dois aspectos positivos a respeito dos Tricolores, após o 2 a 2: o carioca tem cacife para continuar na ponta, na corrida pelo título, e o paulista enfim deu sinais de recuperação.

Os dois tempos foram distintos. No primeiro, dominou o São Paulo, com postura eficiente de Jean, Rodrigo Souto e Richarlyson, que anularam Deco e Conca, principais articuladores do Fluminense. Que mesmo assim ficou em vantagem, numa jogada de coordenação perfeita e conclusão precisa de Deco. A persistência são-paulina foi premiada com a virada em pouco mais de um minuto -com os gols de Rogério Ceni e de Fernandão (nesse com derrapada terrível do goleiro Fernando Henrique).

O Flu mostrou, na etapa final, por que se mantém na ponta, ao ser incisivo, constante e veloz. Chegou ao empate e só não virou porque Washington desperdiçou pênalti mal marcado pelo árbitro Vuaden e bem defendido por Rogério. A turma de Muricy tem fôlego para seguir no caminho do bi, mesmo com a distância encurtada em relação ao Corinthians (agora apenas 3 pontos).

Morde e assopra. O Palmeiras continua a ser um grande enigma e endoidece o torcedor. Num momento, tropeça na apatia, como aconteceu no meio da semana, na derrota em casa para o Atlético-GO. Em outro, se comporta com a altivez que sua história exige e ganha de virada, como visitante. Ontem, foi a versão atrevida que prevaleceu em Ipatinga, nos 2 a 1 sobre o Atlético-MG.

No início, Felipão cumpriu a promessa feita após a surra de 3 a 0 no Pacaembu e mandou pra campo uma formação mais cautelosa, com a indisfarçável intenção de não perder. Depois de tomar o gol de Neto Berola, no começo do segundo tempo, colocou Tinga e Patrick, soltou a equipe e se deu bem. No entanto, deve agradecer o desempenho incansável de Marcos Assunção e Kléber, não só autores dos gols, mas alma do grupo. O atacante sobretudo deu sangue, como se dizia antigamente, comandou a reação e afunda mais o time de Luxemburgo.

O Palmeiras flana no meio da tabela e depois de amanhã sai de novo, para enfrentar o Fluminense. Qual faceta vai exibir? Difícil saber. É tão imprevisível que pode voltar com mais uma lambada ou, vai entender?, apronta pra cima do líder.

“Parabéns pra você…” O Corinthians teve bela largada na semana do centenário. Começou com a notícia de que terá estádio e que a futura casa abrirá o Mundial de 14. Em campo, a festa ficou para o retorno de Ronaldo, depois de meses de afastamento. O craque foi discreto, porém participativo. Em alguns lances atuou como pivô, tratou de buscar jogo fora da área e apareceu até para interceptar escanteio do Vitória. Aguentou uma hora até pedir água. Indesmentível que continua fora de forma e de ritmo. Inegável seu poder de atração, pois mais de 36 mil torcedores foram ao estádio para aplaudi-lo.

Morna a atuação corintiana – e suficiente para superar o Vitória. Iarley (correu muito, o melhor do jogo) e Paulinho definiram, com gols no primeiro tempo, mas os baianos tiveram chances, deixaram à mostra brechas do meio-campo e da defesa do vice-líder e ainda podem lamentar, com razão, pênalti não marcado de Paulo André sobre Júnior. O Corinthians se firma, com Inter e Santos, como perseguidor do Flu na corrida pela taça. Com risco razoável de queimar língua, desse quarteto sai o campeão.

Efeito seleção. Pato marcou dois gols, Thiago Silva fez um nos 4 a 0 do Milan sobre o Lecce, na abertura do Campeonato Italiano. Ambos ficarão à disposição de Mano Menezes nos treinos em Barcelona. Em compensação, Robinho nem pegou banco na derrota do Manchester City para o Sunderland (1 a 0). (Coluna de Antero Greco na edição desta segunda-feira de O Estado de S. Paulo).

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09.maio.2010 09:14:20

Tempo voraz

POR ANTERO GRECO
antero.greco@grupoestado.com.br

Houve época em que uma vitória ou uma derrota duravam muito. Jogadores e torcidas curtiam as glórias por semanas, assim como curavam as feridas sem pressa. Os episódios seguiam seu curso natural. Agora, sobram atropelos, as competições se sobrepõem, não há tempo para respirar. O título de ontem já era, não há pausa para que a eliminação seja digerida. A fila precisa andar.

Veja o Santos. Uma semana atrás, ganhou o Paulistão e parece que foi no ano passado. Na quarta-feira, decidiu vaga na Copa do Brasil e ontem estreou na Série A nacional, com times misto e belo empate de 3 a 3 com o Botafogo. O Palmeiras perdeu o rumo em Goiânia, entrou em parafuso e neste sábado teve de encarar a desconfiança da torcida no Brasileirão. Fez 1 a 0 no Vitória, mas num sufoco só. O São Paulo se livrou do Universitario na Libertadores e daqui a pouco pega o Fla, que renasceu na beata derrota para o Corinthians.

A roda-viva me traz a tema importante. Estou a imaginar qual Corinthians estará no Pacaembu, logo mais. Aquele instável, porém confiante de alcançar a glória das Américas que se via desde julho, ou o que saiu de cabeça inchada, após a vitória estéril sobre o Fla? Um Corinthians que vai encarar o Atlético-PR como primeiro rival a derrubar na caminhada do quinto título nacional, ou que se contentará só com vaga na Libertadores – sempre ela, a maldita, a inatingível?

Espero que seja um Corinthians realista, mas não desanimado. Compenetrado, mas não sisudo. Eficiente, mas não burocrático. Paciente, mas não conformado. Um Corinthians que dê valor à taça da qual abriu mão de brigar em 2009 porque se guardava para a Libertadores. Um Corinthians que não seja meia-boca, como nos últimos dez meses.

Para isso, tem de mudar. A torcida andava entorpecida com o sonho de grandeza e relevou deslizes, ignorou oscilações, perdoou atuações irregulares. Agora, será diferente. O mito da Fiel que apoia é verdadeiro e até virou lugar-comum. Como é real, e complicado, o mito da Fiel que cobra. Ambos estarão presentes no mais charmoso estádio paulistano, mas temo que o segundo tenda a prevalecer, se não se ajustar logo.

O Brasileiro será a oportunidade para muitas apostas corintianas mostrarem que não foram fogo de palha nem estão no Parque como figurantes. Coloco nesse balaio Tcheco, Danilo, Iarley, Edu, Marcelo Mattos, Defederico, o próprio Roberto Carlos – que não têm tanto tempo de casa. Ou Ralf, Jucilei, Alessandro, Souza, Escudero, Balbuena. Ou Ronaldo. Elenco grande e variado, que carece de homogeneidade e constância.

O futuro do Fenômeno é dos que mais me intrigam. Por se tratar de astro, merece olhar atento. Na quinta-feira, acusou o golpe e se magoou, quando questionaram seu comprometimento com o clube. A pergunta me soou descortês e poderia ter sido formulada de outra forma, ainda que a intenção do repórter fosse saber o que faltou para Ronaldo e time evitarem eliminação.

Ronaldo alegou que se dedica aos treinos, mas que idade, 8 operações e dores limitam seus movimentos. Não duvido de quem foi eleito três vezes o melhor do mundo. O tempo, porém, é implacável. Ronaldo sabe que deve treinar bem mais agora do que dez anos atrás para ter performance menor. A carreira embicou na curva descendente – e não há demérito nisso, é vida. Duro, mas biológico. Como admitiu, daqui pra frente precisa ter muita sensibilidade para saber parar, antes de tornar-se sombra do que foi.

Ronaldo reclamou de falta de respeito com os ídolos domésticos e sente isso na pele. Discordo. Ele é admirado, respeitado, amado. Só os rudes contestariam sua trajetória e importância. Nada pode ser suprimido de suas conquistas. Só que não deve receber como desfeitas as críticas sobre o desempenho atual. Ronaldo está na ativa e fica sujeito a avaliações como qualquer atleta. As restrições ou os elogios de hoje não negam nem reforçam o restante da carreira.

Ronaldo é um mito, mas sempre Homem e não Deus. Portanto, falível. Encará-lo assim é sensato. E justo.

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POR ANTERO GRECO
antero.greco@grupoestado.com.br

Quinta-feira esquisita. Um Baita sol, poluição em forma de cinturão cinza pronto para sufocar a cidade, torcedores de Corinthians e Palmeiras com cara de enterro. Murchinhos que só. Mais os corintianos do que os palestrinos. Você que curte futebol sabe como é duro o dia seguinte a qualquer eliminação. Não basta a fossa, tem de aguentar gozação e fingir que está tudo bem. Tudo bem uma pinoia!

As tropicadas desses irmãos de sangue eram bolas cantadas, na Copa do Brasil e na Libertadores. O Palmeiras caiu por incompetência crônica, que ameaça transformá-lo nem mais em coadjuvante, mas em figurante nos torneios de que participa. Do tipo que passa sem ser notado, sai de cena rápido, não deixa saudade nem comove ninguém. O Corinthians levou pontapé nos fundilhos pela maldita obsessão de virar campeão da América a todo custo, como se fosse a coisa mais importante de sua história centenária.

Casos graves, mas o do Palmeiras é mais. O festival de inabilidade e grossura em Goiânia não foi acidente isolado. No tempo normal, exibiu futebol raquítico contra um Atlético aplicado e nada pretensioso. E nem Cristo com sua infinita bondade justificaria a perda de quatro pênaltis em seguida, enquanto Marcos se esparramava para pegar três.

Se insistir nessa bola quadrada e esfarrapada, o Palmeiras vai flertar com o rebaixamento e reencontrar a angústia de 2002. Ou Antonio Carlos inventa algo surpreendente de uma hora pra outra ou a torcida se prepare para sofrimento já a partir de amanhã, contra o Vitória, em casa, na abertura do Brasileiro. Provavelmente sem Diego Souza, que também não é a sétima maravilha dos gramados como ele e alguns supõem.

Perder faz parte do futebol – e isso até a nonna dizia já nos tempos do Palestra Itália. Mas não foi derrota corriqueira. O Palmeiras viveu em Goiás nova etapa do processo de anulação que lentamente o corrói. Nos últimos 30 anos e lá vai fumaça, conseguiu se tanto uma dúzia de títulos, a maior parte na década de 90, quando curtiu surto de prosperidade com a Parmalat. No resto, só acumulou frustrações. Não é à toa que vê sua legião de fãs empacar e as de Corinthians e São Paulo crescerem. O clube tem história magnífica, que está a virar fumaça, e um time de segunda linha.

Outro que deve tomar cuidado para não virar o fio neste ano é o Corinthians. Escrevi aqui um tempo atrás que a conversa de centenário e Libertadores podia desembocar em decepção apocalíptica, se não fosse bem trabalhada. Não deu outra! A diretoria investiu em medalhas, medalhinhas e medalhões, apostou em marketing, vendeu a ideia de ter montado uma equipe forte e agora está com cabeça inchada e pés e mãos vazios.

Por mais que cartolas e treinador dissessem o contrário, a fixação no Parque São Jorge era a competição continental. Desde a final da Copa do Brasil de 2009, em julho, o Corinthians respirou Libertadores. Pouco se lixou para o Brasileiro, para o Paulista. Era Libertadores pra cá, Libertadores pra lá. E, claro, com incentivo da parte da mídia que fica de olho só em audiência, enche qualquer bola, incentiva o oba-oba. Mistifica.

Nos últimos meses, pairou no ar a equação: Corinthians na Libertadores, em ano de centenário, igual a conquista do título. Simples assim. Silogismo enganoso, que não levou em conta, por exemplo, a presença de outros 31 participantes. Básico. De novo, foi vítima de muita pretensão e expectativa exagerada. E de falhas.

Não é de agora que oscila, faz tempo que jogadores importantes (Ronaldo é só um deles) não mantêm regularidade. Toda inconstância era perdoada, em nome do objetivo supremo, a Libertadores. Mas um gol, o de Vagner Love, escancarou a fragilidade desse desejo: o mesmo Corinthians que empolgava no primeiro tempo de anteontem no Pacaembu desabou sob o peso da ilusão perdida.

Qual foi a conversa após o jogo? “O Corinthians vai fazer bonito no Brasileiro para disputar a Libertadores em 2011.” O certo seria: “O Corinthians vai lutar para ser campeão brasileiro!” Libertadores em 2011 será consequência. Xi, aí vem filme velho…

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Eduardo Nicolau/AEO futebol brasileiro ganhou neste domingo um gigante, que atende pelo nome civil de Paulo Henrique e artisticamente é conhecido como Ganso. O paraense de 20 anos honrou a saga de Zito, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, outros líderes que já brilharam na Vila Belmiro, e foi o guia do Santos na conquista de mais um título paulista. Ele assumiu as rédeas do time nos momentos mais dramáticos da decisão com o Santo André e se impôs na base da habilidade, da personalidade e até de uma saudável e consciente rebeldia, ao se negar a ser substituído quase no fim do jogo. Mostrou maturidade e autoridade que muito marmanjo rodado não consegue acumular na carreira.
 
Ganso foi a síntese da doação dos santistas que resistiram aos cartões vermelhos. E também o grande ponto de desequilíbrio em favor de sua equipe, dizimada pelo descontrole de alguns companheiros e pela necessidade exagerada de Salvio Spinola impor respeito no apito e disseminar broncas e expulsões.
 
Paulo Henrique Ganso foi decisivo do começo ao fim do capítulo de encerramento do Paulistão: no primeiro tempo, ao dar passe mágico para Neymar fazer o segundo gol – que, afinal, valeu a taça. Mas esteve soberbo na segunda etapa, ao perceber que o cansaço poderia consumir mais o Santos do que o atrevimento do rival. Então, prendeu a bola com inteligência, chamou faltas, cobrou escanteios a esmo e aparecia em todo canto, para preencher os espaços deixados pelas baixas de Léo, Marquinhos e Roberto Brum. Enfim, fez o tempo passar com picardia e transferiu a angústia para o outro lado, situações que só os craques sabem criar.
Ganso também ajudou a garantir o primeiro título paulista para Dorival Júnior. O treinador que pavimenta caminho para tornar-se, em breve, um dos destaques em sua profissão esteve a ponto de cometer pecado mortal. Salvou-o a santa e oportuna obstinação do jovem líder. Só quem antevê o jogo, como os fora-de-série, teria a petulância de Ganso, que fez gestos enfáticos de recusa para o técnico ao ver que Bruno Aguiar entraria em seu lugar para segurar placar adequadamente adverso.
Fosse um cabeça-de-bagre, a esta hora Ganso estaria a tirar suas tralhas do armário e já pronto para ir para o olho da rua. Pois, na relação de trabalho, quebrou a disciplina, deu um pontapé na hierarquia, ao peitar Dorival Júnior. Porém, a lucidez de quem já fez o gramado virar palco falou mais alto e driblou a catástrofe. Ao empacar feito burrico, agiu como anjo da guarda de time e treinador. Se o Ganso aceita passivamente a substituição, sai, o Santos toma o quarto gol e perde o título, Dorival é quem deveria passar hoje na Vila para se despedir.

Só falta agora aparecer um espírito de porco e alegar que o comportamento de Ganso foi exceção e não deve repetir-se. Ah, mas deve, sim, sempre que um jogador tiver moral para impedir que uma decisão insana ponha a pique uma campanha tão extraordinária quanto foi a do Santos no Estadual. É papel dos campeões quebrar regras.

O que está a pensar Dunga numa hora como esta? Com a experiência como jogador e agora como treinador, dá para ignorar o futebol de Ganso em favor de Josué, Kleberson, Gilberto Silva, Adriano, Felipe Melo, Júlio Baptista? Não há lugar para jovem veterano, capaz de suportar a pressão de uma final e levar um barco à deriva até porto seguro? Será que Paulo Henrique não tem o espírito guerreiro que tanto agrada ao comandante da seleção? As respostas estão com Dunga, que tem chance rara de mostrar-se arguto e com mente aberta.

A final mostrou que a geração 3 dos Meninos da Vila está a fazer história, com belas apresentações e títulos. Mas revelou também falhas. Fragilidade na defesa (como nos dois primeiros gols) é uma delas. E um tanto de nervosismo na hora do aperto. Noves fora isso, a decisão foi antológica, pelo primeiro tempo alucinante e pelos minutos derradeiros de tensão máxima. E ainda pela postura ousada do Santo André (que, em ato falho, chamei de Azulão). Haja calmante e água com açúcar!

 

 

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Desde anteontem fiquei a imaginar como está a cabeça do Tcheco. Mal desembarcou no Corinthians, a chuteira por lassear, trata com cerimônia até o porteiro e o roupeiro no Parque São Jorge. Aí, pisa em campo duas vezes com a nova camisa e já sente o ouvido entupido de vaias. Parte da Fiel encrespou com ele e o elegeu, neste ensaio de temporada, patinho feio do elenco.

Vaia é lei de ouro no futebol, inevitável como xingar juiz. Não há técnico, dirigente, jogador – nem Pelé escapou! – que pelo menos uma vez não ouviu aquele som impiedoso derramado das arquibancadas. Faz parte, mas inibe, ainda mais se vem da própria torcida. Pior, mesmo, só se o crente é recém-chegado, como no caso do Anderson Simas Luciano, nome artístico Tcheco. Ele deve ter saído do Pacaembu, embaixo de toró de afogar tubarão, a perguntar-se por que atraiu antipatia do público em tão breve tempo.

O desempenho nos dois jogos não foi grande coisa. Contra o Monte Azul, na estreia, Tcheco jogou um pouco mais adiantado, com a missão de criar. Não mostrou nada de extraordinário, foi substituído por Edno e vieram os primeiros assovios pra assombrá-lo como alma penada. Na quarta, nos 2 a 1 em cima do Bragantino, ficou mais recuado, perto do Ralf. Esforço não faltou; futebol, sim. Deu lugar para Jucilei e quase tropeçou nos insultos ao ir para o vestiário.

Companheiros e Mano Menezes saíram em sua defesa. “Calma, gente”, é o que mais se escutou. O treinador pôs panos quentes, lembrou que é começo de ano, muita coisa pra ajustar etc. e tal. Por via das dúvidas, anunciou ontem que Tcheco descansa na rodada de fim de semana. É o rodízio, moda importada da Europa e que, pelo jeito, vai pegar – pelo menos para Corinthians e São Paulo.

Mano apelou para recurso manjado no futebol – nem por isso, inútil. Tira de cena jogador que corre o risco de queimar-se. Trata de desviar a atenção da torcida e recolocá-lo mais adiante. Tcheco não é um fora de série, nunca foi. Teve bons momentos, como qualquer boleiro mediano, e não pode ser considerado maestro da companhia. Os corintianos não devem esperar isso dele. Um pouco de paciência é saudável e justo.

Torcida pegar no pé de jogador é mais comum que alagamento em São Paulo. Mais raras são as manifestações de impaciência como cartão de boas-vindas. Lembro que a Fiel não deu sossego para Paulo Nunes, na brevíssima passagem pelo clube. Também pudera, era visto de esguelha desde os tempos de Palmeiras. Da mesma forma que os palestrinos da gema nunca esconderam má vontade com Viola, que não deixou saudades no Parque Antártica.

Douglas e Souza cansaram de ouvir vaias corintianas, assim como Kaká chegou a ser apupado por são-paulinos! E Lúcio? O que suportou de xingamento de palmeirenses não foi fácil… Aliás, lateral-esquerdo sofre com a camisa alviverde. Denys jamais foi perdoado por falha contra a Inter, na final do Paulista de 86, e Marcão foi execrado no ano passado. Se bem que, nesse caso, até que não houve tanto exagero. Marcão errou mais do que o Peninha Felix, o pior lateral em 125 anos de história do Liceu Coração de Jesus e que fez bem em largar a bola para ser oculista. Cuida dos olhos da gente como ninguém.

GALINHO DEPENADO
Tenho a impressão de que Zico fará parte da galeria dos craques que não brilham como treinador. Já há algum tempo está na estrada, perambulou por todo canto e são cada vez mais rápidas suas aventuras por clubes e seleções. Anteontem, foi dispensado de Olympiacos por meio de notificação judicial. Não precisava desse tipo de humilhação, ficou triste e disse que vai tirar ano sabático. Quem sabe, agora, pare de rodar mundo e se firme por aqui. Pode ser que a sorte se inverta.

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15.janeiro.2010 18:04:48

Em busca do amor perdido

love600A vida prega algumas peças – e na categoria das que bagunçam o coreto de qualquer cristão se encaixam as que se referem a sentimentos. Nada como uma grande paixão para às vezes entortar o vivente, de tal forma que não há meio de desempená-lo. O que se desenhava como sólida relação amorosa pode ruir num sopro de lobo besta, como na história dos três porquinhos. A casa cai no primeiro abalo, expõe fragilidades e sobram espanto, desilusão e mágoa.

É como vejo o fim da passagem de Vagner Love pelo Palmeiras. Torcida e clube se apegaram a início fulgurante do centroavante, quase sete anos atrás, e durante muito tempo sonharam com sua volta. Love era cultuado como o último grande goleador que passara pelo Palestra Itália – e alicerçou a fama com bom desempenho na Série B de 2003. A Segundona nacional catapultou o jovem atacante das trancinhas para a seleção e para o intrépido futebol russo.

Love ensaiou o retorno em um punhado de ocasiões – na mais célebre pagou mico ao posar para fotos segurando a camisa do Corinthians, que pretendia repatriá-lo com o dinheiro da MSI. O negócio furou, ele continuou no CSKA, viu frustrado o plano de transferir-se para centros mais badalados da Europa, marcou muitos gols em rivais inexpressivos e ainda assim ganhou inúmeras chances no time de Dunga. Até ser superado por Luís Fabiano.

O Palmeiras surgiu como a chance de Vagner Love retomar rumo na carreira, de colocar-se em vitrine de luxo. Foi um parto da montanha trazê-lo de volta e se criou expectativa desmedida. Desembarcou como a estrela da companhia e na hora da definição do título definhou. Os gols escassearam mais do que água no deserto e a torcida o pegou pra Cristo – ou melhor pra Judas, tanto que uns miolos-moles tentaram malhá-lo, bem pertinho do clube, e levaram tabefes.

Love se transformou no símbolo do fiasco palestrino no Brasileiro de 2009. Não jogou grande coisa e não deixa saudades, mas é exagero concentrar nele a ruína do time. Outros jogadores sumiram, técnico e cartolagem cometeram erros e o resultado foi fim de ano melancólico. O desentendimento com os fãs foi a gota d’água que Love buscava para levantar acampamento e se mandar para outra freguesia. Tanto fez que conseguiu ir para o Flamengo, de quem é fã desde criancinha. Que reencontre o carinho perdido no campeão brasileiro. E que o Palmeiras não se perca em amores passados. Se bem que, em assuntos de coração, quem não faz uma besteira atrás da outra?

CASA DESARRUMADA
O Paulistão sofreu abalo, ontem pela manhã, com a notícia de que nove estádios estavam vetados e outros tantos liberados com restrições. Foi um corre-corre danado, de dirigentes de clubes e da Federação Paulista, na tentativa de colocar panos quentes e acalmar o público. Falou-se até que “todo início de ano é assim mesmo”. Ah, tá bom. Se sempre é assim, por que não deixam os campinhos preparados de forma minimamente decente para o mais importante torneio estadual do País? Brincam com a sorte.

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07.janeiro.2010 21:45:47

O passado, passado está

roeto

A apresentação do Roberto Carlos foi o que mais me chamou a atenção neste começo de ano esportivo debaixo de tempestades e trovoadas. A festa na Fazendinha foi bacana, ocupou algumas horas de quem curte o ócio das férias em São Paulo, funcionou como homenagem à carreira de um jogador vitorioso e afagou o ego da cartolagem do Corinthians. O mico foi a entrevista coletiva em público, ao ar livre, no campo e sob o calor desgramado do meio-dia. Fiquei com pena de repórteres e do lateral recém-chegado, com a carequinha a brilhar de suor.

Mas não é que Roberto Carlos se livrou da saia-justa? Quando lhe perguntaram se a antiga ligação com o Palmeiras não poderia causar mal-estar com a nova torcida, o campeão do mundo se saiu com essa: “O passado, passado está.” Matou o assunto, foi aplaudido pela Fiel e marcou seu primeiro ponto. Ficou bonito na fita.

Há quem tenha essa postura na vida, de não olhar para trás e de não supervalorizar histórias anteriores. Limita-se ao hoje, ao carpe diem (“curta o dia”, em tradução livre) que pregavam antigos romanos. No futebol, essa atitude parece ser cada vez mais conveniente e necessária. Os jogadores são lépidos em trocar de camisa, muitos se consideram velhos de casa se conseguem ficar duas temporadas num time.

Então, nada mais adequado do que apelar para o que “já passou, passou”.
Nada contra. Só me irrito de algum fariseu ter a cara de pau de beijar o escudo da camisa. É demais!

A passagem do Roberto Carlos pelo Palmeiras nem foi tão longa – duas temporadas e 68 jogos (3 a menos do que disputou no Fenerbahce). Mas marcou, porque coincidiu com o fim do jejum de títulos. Vivia-se o começo da Era Parmalat e ele foi titular nas conquistas do bicampeonato paulista e brasileiro, em 93 e 94. Depois, bateu asas, ficou um ano na Inter de Milão e 11 no Real Madrid. Por isso, notei que houve tentativa frustrada de arrancar declaração polêmica do Roberto na referência que se fez ao passado palestrino.

Há muito abandonei a ilusão juvenil de ver craques (ou nem tanto) eternamente associados a uma equipe. Já engavetei aquele sentimento de mágoa ao ver um jogador debandar, seja em que ponto for da carreira, para o rival. Não o considero mais traidor. Veja, por exemplo, o caso de Palmeiras e Corinthians. Sem ir a fundo e só de apelar para a memória mais ou menos recente, lembro de vários casos: Edilson, Rincón, Luizão estiveram antes no Parque Antártica, mas se tornaram ídolos no Parque São Jorge, assim como Neto. Já Rivaldo teve trajetória inversa.

Com os tempos que correm, não há mais interesse nem paciência de ver um sujeito a carreira toda com a mesma camisa. Clubes e profissionais precisam de circulação, para movimentar grana, publicidade, vender camisas. É da vida, eu sei. Mas, mesmo de ponto de vista mercadológico – o esporte não é business? -, ainda acho importante que pelo menos esporadicamente o time trabalhe para ter um “fiel”, que possa servir como ponto de referência, como chamariz. E lá vamos com as citações de sempre: Marcos, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no São Paulo, são responsáveis por atrair milhares de garotos para suas agremiações. Vale a pena pensar nisso.

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17.dezembro.2009 21:01:59

Os bons velhinhos

Esta época do ano é sempre igual, todo mundo na correria para comprar presentes (e muita tranqueira também) e para encontrar-se com colegas da firma. Entre um amigo secreto e outro, há a inevitável busca por castanhas, peru, nozes e outras guloseimas tão adequadas ao calor tropical. Os clubes também vão ao mercado, mal acabam os campeonatos, na tentativa de conseguir as melhores ofertas para a próxima temporada. Muitos contratam de baciada, daí por que me nego a usar o termo “reforço” para cada jogador que é apresentado como esperança para o ano entrante.

O mercado da bola no verão 2009/2010 ainda não está aquecido – nem creio que ficará. Faz tempo que falta numerário para apostas ousadas. E, nos casos em que a grana se mostra disponível, não se encontra produto de grande qualidade. A saída tradicional tem sido apelar para promessas e revelações, para alegria de agentes e “investidores”. Ou, o que é mais comum, se recorre a “jogadores experientes”, a maneira delicada de referir-se aos mais velhinhos, àqueles que já rodaram por aí e que pousam de volta na terra natal antes de curtir aposentadoria.

Como nostálgico incorrigível, acolho com simpatia o desembarque por aqui desses boleiros que já deram a volta ao mundo. A maioria vem com a vida feita (com a graça de Deus, amém!) e com fôlego para desfilar por mais um ou dois anos em nossos campos. Pode reparar que retornam como astros, salvadores da pátria e ídolos de qualquer torcida. A aura da maturidade, e os anos passados fora do Brasil, lhes dão status superior, ficam acima de relés paixões clubísticas e paroquiais.

Taí o caso do Ronaldo, que parecia acabado de vez, depois de nova contusão grave, e ressurgiu no Corinthians. Fofinho, sem a velocidade dos anos dourados, entortou zagueiros, fez gols, ajudou o time a ganhar duas taças, arrastou multidões por onde passou e recebeu aplausos até de palmeirenses! Taí também o exemplo de Petkovic, que apeou sem alarde no Flamengo, na metade do ano, foi entrando no time como quem não quer nada e no final se tornou um dos pilares na conquista do título.

Os dois casos animaram a cartolagem, que foram atrás dos vovôs da bola, por enquanto destaques no vaivém de fim de ano. O Corinthians é o que mais se entusiasmou com a receita e já acertou com Roberto Carlos, Iarley, Tcheco, com seus 30 e lá vai fumaça de idade. O São Paulo manteve Washington, o inoxidável Rogério Ceni, trouxe de volta Marcelinho Paraíba e flerta forte com Fernandão. O Vasco resgata Dodô, que ficou de molho por muitos meses por causa de doping, mas garante que tem fome de bola e não esqueceu como se fazem gols e jogadas de qualidade. O Corinthians não enrola em sua opção e diz que os veteranos foram chamados para dar consistência, equilíbrio e paciência ao time na briga pela Libertadores. É uma obsessão alvinegra ganhar o torneio continental, para livrar-se do complexo que tem em relação a seus coirmãos (eu, hein, quem acredita nisso?!) Santos, São Paulo e Palmeiras. Desconforto que nem o título mundial de 2000 conseguiu aplacar.

A esperança não é inconsequente – essa turma está em condições de segurar o rojão e ser útil na estratégia de Mano Menezes. Não vai resolver tudo, nem a torcida deve esperar isso. Como gosto dos velhinhos, torço para que arrebentem, para que degustem a bola (são uns senhores) e para que deem bico no preconceito com idade.

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O Flamengo está a um passo de ganhar mais um título nacional – e não é que volta a pairar no ar polêmica antipática, que deveria estar resolvida, dissipada e esquecida? O glorioso rubro-negro carioca afinal será penta ou hexacampeão? Depende. Para a torcida e parte dos meios de comunicação, não há a mais tênue dúvida de que domingo, no Maracanã (lembra até o Cid Moreira falando de futebol no Canal 100…) haverá a festa pela sexta conquista do Brasileiro. Para a CBF e setores da mídia, Adriano e seus companheiros deverão festejar a quinta taça.

O ponto de discórdia, para quem ainda não sabe, é o campeonato de 1987, ano em que houve ruptura dos grandes times com a CBF, com o surgimento do Clube dos 13. Discute daqui, briga dali, negocia acolá, ficou estabelecido que as equipes da nova elite disputariam a competição que bolaram. Os demais que se virassem. Na decisão, para estabelecer armistício, haveria cruzamento entre os finalistas dos dois módulos do Nacional. Na hora do vamos ver, Fla e Inter definiram um título de um lado, enquanto Guarani e Sport foram à luta de outro. Fla e Sport venceram, não houve o confronto modular e cada um passou a puxar a sardinha pro seu prato.

Após briga na Justiça, a CBF decretou que o Sport era o único campeão de 1987 – e assim é até hoje. Só que a paz jamais existiu, porque ambas as facções não abrem mão do respectivo título e se consideram cercadas de razão. E não deixam de ter seus motivos.

Vejo comportamento contraditório, por parte de quem forma opinião. Os que defendem o título do Flamengo e mandam às favas a CBF, nesse caso, também deveriam reconhecer como legítimos os títulos da antiga Taça Brasil e Robertão. Seria coerente e justo. Basta folhear os jornais da época, que tratavam Bahia, Santos, Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense como “campeões brasileiros” a cada conquista – façanhas que lhes davam o direito de representar o país na Libertadores. Ou foi por obra do Espírito Santo que Pelé e seus súditos conquistaram o caneco continental em 1962 e 63? Caíram do céu as finais do Palmeiras em 61 e 68?

Ah, mas a CBD, antecessora da CBF, não os reconhece, porque criou o Brasileiro em 1971. E daí? A mesma CBF não referenda o título do Flamengo de 1987, que é considerado legítimo. Então, fica ao sabor da conveniência clubística, regional, mercadológica, seguir ou não a decisão da entidade que controla o futebol. É a mesma coisa da Fifa, que pouco se lixa para os Mundiais Interclubes antes de 2000 e nós aqui listamos Santos, Grêmio, Flamengo, São Paulo como campeões. E vai dizer que não são?!

A CBF acabaria com essa bagunça com gesto magnânimo e pacificador: reconhecer Sport e Flamengo como campeões nacionais de 1987, assim como enriquecer o currículo dos ganhadores da velha Taça Brasil e do Robertão com a deferência de que também foram campeões brasileiros naqueles anos. Torcedores e história agradeceriam a anistia ampla e geral.

Por falar em taça: a festa do Fla está pronta e, se vier, será merecida, porque o time reagiu de forma consistente sob a regência de Andrade. Não acredito no Grêmio, menos por suposta má vontade e mais pelo retrospecto medíocre como visitante neste ano. Aqui entre nós, se der zebra, se o Grêmio jogar muito, se o Inter (ou Palmeiras ou São Paulo) for campeão, então estaremos perto do fim do mundo. Cruz-credo, Ave-Maria!

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belluzzo420

Dia desses voltava de prosaica ida ao supermercado, quando levo uma fechada num cruzamento da rua Aimberê, no Sumaré. Fiquei tão indignado com o inconsequente ás no volante, que lasquei um impropério daqueles que vocês conhecem bem. O sujeito emparelhou no meu carro, abaixou o vidro e disse: “Você acaba de perder um fã!” Referia-se ao fato de me ver, toda noite, na tevê. Eu não quis nem saber dessa conversa: “Pouco me importa. Você tem de respeitar as pessoas.”

Fui pra casa remoendo o episódio, mas me dei conta de que basta ter um mínimo de visibilidade para que nossas reações estejam sempre sob avaliação. Não dá nem para mandar um barbeiro tomar banho na soda, como dizia uma tia, porque somos “personagens públicos”. Como se aparecer na telinha tornasse a pessoa mais importante ou especial e a obrigasse a ter determinado comportamento.

Esse ligeiro incidente me veio em mente ao acompanhar a voracidade com que acessamos o YouTube para assistir ao filminho em que Luiz Gonzaga Belluzzo comanda a massa, numa festa de escola de samba uniformizada, com gritos de guerra contra o São Paulo. A farra aconteceu em outubro e só agora caiu na rede, depois que alguém decidiu descarregar as imagens de celular e expô-las ao mundo.

O presidente do Palmeiras aparece despojado da figura de dirigente esportivo e se desnuda como torcedor de arquibancada, que fala bobagens contra rivais com a naturalidade com que na sequência confraterniza com eles. Besteiras que na maioria das vezes caem na vala comum do esquecimento, porque não merecem nada além disso. Tolices que qualquer pessoa saudável despeja quando está na intimidade. Quanta sandice politicamente incorreta não falamos a todo momento? E nem por isso o dólar despenca ou vem outro Dilúvio Universal. Porque é tudo da boca pra fora.

O problema, como lembrou o caro amigo e “Boleiro” Luiz Zanin em seu blog no estadao.com.br, é que hoje em dia todo mundo carrega celulares que filmam, fotografam, navegam na internet, sintonizam emissoras de rádio e tevê e até servem para falarmos. Então, os passos de anônimos ou não podem ser registrados e virar domínio público. Daí o que se supõe estar limitado a um grupo pequeno pode ser visto por um pastor nas Ilhas Faroe. E, dependendo do que o sujeito fez, vira celebridade ou se transforma em vilão.

O que não falta é miolo-mole – que pode levar a sério a expressão “matar os bambis”, como se fosse isso que o cartola desejasse. E também o que brota mais do que mato na serra é gente cheia de melindres, que vê desrespeito em tudo. Muita chatice e pouca alegria se esparramam por aí. Em todo caso, senhor Belluzzo, tome cuidado até quando for comer uma pizza com amigos; sempre haverá um pronto a registrar seu mais ligeiro comentário a respeito de tudo – do futebol aos rumos da economia.

Por falar em rumo, está espetacular a definição do Campeonato Brasileiro de 2009. Parece que todo mundo se esforça para entregar a taça para o concorrente, tamanha a oscilação dos que se agrupam no bloco de cima. Está tudo tão embolado e de pernas pro ar, que o São Paulo pode até fazer a festa do título no domingo em Goiânia. Acho difícil. Mesmo assim, o atual tricampeão tem ligeira vantagem sobre o Flamengo. O Inter, se não vacilar contra Sport e Santo André, pode sonhar com alguma reviravolta. Já o Palmeiras que abra o olho, senão fica fora até da Libertadores.

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